Ciclo Aventura na Costa do Dendê - Dia 01 (Valença / Galeão / Gamboa / Morro de São Paulo / Guarapuá / Boipeba)
Todos chegamos no Farol da Barra
tal como combinado, às 19:30h. Com muita ansiedade, aguardamos a Van, que
chegou alguns minutos atrasada e apenas serviu para aumentar as expectativas.
As bikes foram matematicamente organizadas na Van, nos acomodamos e partimos!
Quando me dei conta, já estávamos em Valença, dormi a viagem toda, heheheh...
Chegamos no hotel por volta da
meia noite. Todos estavam famintos e Fred se adiantou logo pra pedir aquilo que
seria a melhor pizza da cidade... pena que só seria, mas não foi! A fome faz
milagres e todos comeram, mas daria pra melhorar.
Depois de uma excelente – em que
pese curta – noite de sono, tomamos um café da manhã reforçado com muito aipim,
entre outras guloseimas (em que Ricardo devorou uns 800 gramas de manteiga), e
partimos para nossa aventura!!! Passávamos e a cidade inteira olhava curiosa
pra saber o que aqueles oito aventureiros faziam por ali.
Era meu aniversário, 6 de abril,
em que completei 26 anos e pedalei muito! O cansaço no fim do pedal não poderia
ter sido mais gratificante, ratificando a minha felicidade por poder estar
sobre duas rodas com essa galera massa!
Fomos até o porto e, com a
autoridade de Muralistas, alugamos uma lancha rápida que nos levou até Galeão,
onde daríamos muita risada ao ouvir as histórias da Caipora, contadas por
Kailane, uma linda menina que 9 anos de idade, que falava de modo muito
espontâneo e encantou a todos, vejam o vídeo!
Em Galeão ainda subimos até a
Igreja, que fica no ponto mais alto do lugar (começamos esquentando as
canelas!!!) e tem uma vista maravilhosa, um verdadeiro mirante natural. As
crianças logo se aglomeravam atrás das bikes para matar sua curiosidade sobre o
que seriam aqueles oito homens “fantasiados” em suas bicicletas arrojadas. A
prosa ficou boa quando descemos e íamos pegar a estrada pra Galeão. Ali, um
grupo de cerca de dez crianças se reuniram pra assistir a gente passar, mas não
passamos, resolvemos parar e valeu a pena. Ouvimos histórias das lendas locais,
como a da Caipora, que segundo Kailane poderia nos enganar em nosso caminho,
fazendo com que nos perdêssemos, fazer com que Luiz parecesse ser Reinaldo, e
que nenhuma das crianças ousava ir só pra Gamboa por aquele caminho que
pegaríamos justamente em razão da Caipora.
Depois de rirmos muito, fomos
embora com os pensamentos na Caipora. A Caipora agiu cedo e nos colocou em um
areal que eu jamais tinha enfrentado em uma bike, mas que teríamos que vencer
por 15Km. Pra tentarmos fugir do areal, pegamos um caminho em trilha fechada
que fizemos com prazer, mas que nos levou ao mesmo lugar, demos volta (olha a
Caipora enganando!)
Não tinha jeito, tínhamos que ir
pelo areal. E aí começou a maratona de pedalar, empurrar, empurrar, empurrar
mais um pouco, tentar pedalar, empurrar de novo, esforçar pra pedalar... até
que o câmbio dianteiro de Elsão deu problema e tivemos que parar. Ricardo e Gil
agradeceram enfaticamente e disseram que poderíamos levar bastante tempo consertando
o câmbio de Elsão porque eles não se importavam. De fato, Ricardo e Gil,
patrocinados pela Caloi, levaram um 20 quilos desnecessários em seus alforjes
que somados ao peso das suas bikes lhes levaram ao cansaço extremo!
A partir daquele momento, Elsão
passou a pedalar apenas com a coroa do meio, o que dificultou pedalar no areal,
rsrs... mas não foi obstáculo para darmos continuidade à expedição.
Os 15Km de Galeão a Gamboa eram
sem fim, até que, em um momento que paramos pro lanche, passou um grupo de
quadriciclos, que paramos e perguntamos se estávamos no caminho correto (porque
nem isso tínhamos certeza!). Sim, faltavam 5Km pra chegar a Gamboa. E lá fomos
nós, vencemos aquele trecho com garra e nos vangloriamos com uma deliciosa coca
(JÁ ESTÁ MAIS QUE NA HORA DA COCA NOS PATROCINAR), outros com uma gelada e
ainda sorvete.
Saímos de Gamboa para Morro de
São Paulo, pela praia e tivemos o prazer de vivenciar uma das mais lindas vistas do passeio. As bikes sofreram com tanta
água salgada e em outros nós sofremos carregando as bikes nas costas pra passar
em meio a pedras e mar. Contávamos com a possibilidade de tentar “escalar”
montados na bike a ladeira na entrada de Morro de São Paulo, mas é proibido
pedalar ali e não pudemos fazê-lo.
Ficamos pelo menos uma hora
parados debaixo da amendoeira que se encontra na passagem para subir para o
farol do morro, enquanto aguardávamos Fred tentar solucionar o ocorrido com sua
câmara de ar. Curiosamente, a câmara reserva que ele elevou era pito grosso, ou
seja, não serviu de nada! E teve que conseguir uma emprestada com o
coordenador.
Passamos pela linda vila e pela
segunda praia de Morro de São Paulo, quando entramos para o “caminho do zimbo”
e começamos a pedalar em direção a Guarapuá. Pegamos a praia com a maré já
bastante cheia, mas isso não nos impediu de pedalar e de atravessar alguns
lugares com as bikes nas costas e água na cintura!!!
Finalmente, deixamos a praia,
cuja maré cheia já não nos permitiria pedalar mais, e pegamos uma estrada – ou
aquilo que deveria ser uma estrada, mas se resumia a areia, muita areia. E
quando parecia que a areia estava acabando, porque passamos por um pedaço de
mata de 20 metros, tinha ainda mais areia... o jeito foi tentar pedalar em meio
à vegetação baixa que parecia querer furar os pneus e, vez ou outra, tentar
pedalar na areia, fazendo um esforço descomunal.
Muito cansados depois de horas
tentando pedalar na areia e com alguns já sem água, chegamos em Guarapuá na
Barraca do Capitão Pipoca. Separamos uma briga iminente entre Pipoca e uns
argentinos que estavam reclamando da conta e pedimos a nossa refeição já por
volta das 15 ou 16h. Uma moqueca deliciosa e um peixe frito inteiro... não sei
se pelo cansaço ou pelo paladar mesmo, mas estava tudo muitíssimo delicioso.
Depois, descansamos até a maré baixar e
pedalamos pela praia à noite, sob a luz do luar de uma das mais belas vistas da
Lua Cheia que já tivemos, até Boipeba, em um pedal tranquilo, mas rápido,
seguido da travessia do rio de barco e, finalmente, Cama, chuveiro, descanso!!!
E a vontade de fazer tudo de novo! Foi um aniversário ímpar! Luiz C. Assis Jr.
VEJA O VÍDEO ABAIXO, LIGA O SOM!
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