Amigos, realizamos a primeira
trilha do Mural Club, uma das trilhas mais bonitas e emocionantes que temos em
nosso rol, da qual pudemos salientar alguns paradigmas que integram nosso modus
operandi:
1. Um Muralista nunca abandona
outro Muralista;
2. Verifique se a câmara que leva
como reserva está boa, porque senão melhor deixá-la em casa;
3. Se puder ter uma bike melhor,
tenha, fará diferença no seu desempenho;
Estava tudo certo para nos
encontrarmos no Rei da Pamonha às 6 da manhã, porém, eu simplesmente não
acordei, a não ser quando meu celular tocou por volta de 6:27! Era Elsão
perguntando “Luiz, cadê você, porra?”. Perdi a hora, eu estava prestes a perder
uma das trilhas mais esperadas do momento, quando Elsão disse pra ir que daria
tempo. Sem indagar nada, simplesmente coloquei a bike no carro e parti,
chegando no Rei da Pamonha a tempo de seguir para o Açaí Point juntamente com
todos os aventureiros! Chegando ao açaí point por volta das 7:15, fui
compreender a razão da qual me beneficiei para conseguir estar presente mesmo
atrasado: o carro de Rei não funcionou, a bateria arriou!!! Nada mais justo do
que ele pagar uma coca-cola pelo atraso, neh?!?!?! Eu não pagaria coca sozinho,
mas outras cocas estavam por vir...
Tiramos o pé do chão e logo no
início subimos a primeira ladeira que nos daria uma vista linda, com o sol que
tinha nascido há pouco das montanhas. Seguimos relembrando os vários trechos
com muita areia, não me lembro de ter visto ninguém cair, mas foi um exercício
de força e equilíbrio o tempo todo! De repente, chegamos no tão esperado lago
pra atravessar, em que pegaríamos o barquinho. Para nossa tristeza, o barquinho
estava afundado na margem do rio e o rio estava muito, mas realmente muito
baixo, tanto que por pouco as sapatilhas não precisariam sair encharcadas (com
exceção da minha, que tirei pra atravessar).
Após uma subida sensacional em
single, dentre várias que tivemos ao longo do percurso, chegamos em uma
fazenda, campo aberto, mas com superfície nada plana. Tentamos subir uma parte
extremamente íngreme e acidentada, apesar de termos tido que empurrar, chegar
lá em cima foi recompensador, a vista era espetacular!
Era hora de enfrentar a boiada.
Elson fez a mim e Mandrake de boi de piranha!!! Ele disse, “Parte, parte!”, sem
saber de nada, partimos com todo gás pelo single quando de repente gritos
vinham de trás e uma movimentação de bois pra cima da galera!!! Engraçado foi
Josa ter desaparecido com medinho e ter surgido depois vindo de caminhos
alternativos...
Feita a resenha, seguimos para
mais subidas. Chegamos num ponto alto, com mais uma vista linda e um trecho
bacana pra acelerar. Tudo ótimo, não fosse o pneu furado de Pita, ou melhor, o
pneu rasgado! Mandrake foi convocado para a manutenção, tira pneu, cola pneu,
coloca câmara, enche câmara... câmara não enche!!! Uma câmara furada e a
reserva não enchia... se uma câmara reserva não cumpre sua função, pra quer
carregar?!?!? Felizmente, a câmara aro 26 de Mandrack foi colocada na roda 29
de Pita e o dia restou salvo, frise-se, câmara 26 salvando uma 29... Ao menos a
pausa – que foi longa – nos permitiu fazer resenha e acertar alguns detalhes da
primeira Ciclo Aventura do ano na Costa do Dendê, em 6 de abril, quando
estaremos também comemorando meu aniversário.

Para fazer um caminho mais longo,
descemos tudo que tínhamos subido e seguimos por um estradão, muito areal e,
subitamente, vem Israel de lá empurrando a bike... mais um pneu furado!!!
Reparos feitos, seguimos viagem. A água estava ficando escassa, eis que
chegamos no acampamento: para nossa surpresa, não vendia água nem refrigerante,
só cerveja!!! Foi o bastante para sentamos numa mesa redonda embaixo de uma
árvore e algumas latinhas e latões foram detonados... Ali ouvimos a história
mais engraçada de todos os tempos, sobre como Israel foi coagido a participar
de um assalto a um coletivo: o ladrão, armado, passou a bolsa pra ele recolher
o dinheiro de todo mundo que estava no ônibus!!! Só esperamos que isso não o
estimule a percorrer esse caminho! Rsrs.
Reabastecidos – de cerveja, não
de água – seguimos para o desafio de subir a ladeira mais íngreme e acidentada
de todas. Elsão ficou para bater as fotos e fazer a filmagem, um a um fomos
vencendo esta emocionante etapa da trilha! Quando todos estavam reunidos no
topo, foi a hora de saber quem não havia zerado a subida, que havia sido o meu
caso. Com isso, descemos para subir novamente, com toda técnica, força e
equilíbrio exigidos. Ufa! Todos subimos integralmente o paredão, o cansaço era
latente, mas a satisfação por vencer o obstáculo superava o cansaço.
Apesar disso, constatamos uma
baixa, JP sofreu forte cãibra na panturrilha direita. Com todo carinho e
jeitinho que a situação exigia, Josa abaixou para fazer massagenzinha na perna
de JP, ele até dormiu de tanto que relaxou com as mãos habilidosas de Josa!!!
Tínhamos mais uns 15 Km pela
frente, porém, com a situação instaurada, da lesão sofrida por JP, entendemos
que seria mais razoável (RAZOÁVEL, Josa, rsrsrs) encurtar a trilha, mas não sem
antes ouvi-lo jurar que na próxima trilha estaria melhor. JP se recusou
inicialmente, se sentiu moralmente coagido por ter que parar a trilha e pediu
que seguíssemos pelo caminho mais longo. No entanto, um Muralista nunca
abandona outro Muralista e, sob juramento dele, fizemos o caminho mais curto de
volta.
Serjão ficou lamentando porque
queria ter visto e tirado foto na placa da Fazenda “Fé em Deus”, então, teremos
que voltar pra ir até essa placa. Tenha calma, Serjão!
Fechamos a trilha com muitos
litros de suco de cajá e de açaí!
Insta dizer que fui eleito para
fazer esta resenha porque fiz essa mesma trilha em 2010 com a antiga T-Type e
ainda de tênis!!! Agora, em 2012, fiz essa trilha com a Specialized StumpJumper
Comp 29er... o que eu tenho a dizer sobre isso: se puder ter uma bike melhor,
tenha! O desempenho foi visivelmente diferenciado! Em 2010 eu concluí toda a
trilha com a T-type, mas estando sempre atrás e com a dificuldade redobrada,
especialmente nas ladeiras com apenas 21 marchas (3x7), agora pude fazer toda a
trilha com muito menos dificuldade, estando em boa velocidade e vencendo as
subidas com muito mais tranqüilidade.
Por fim, realço que a escolha
desta trilha para estréia do Mural Club foi acertada! A trilha é linda e o
Mural Club se mostrou forte, estruturado, unido e seguro com os 10 integrantes
que compareceram para desbravar a Boca da Mata. Abraços a todos e até a próxima
trilha! Luiz C. Assis Jr.
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!
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