6º Dia - Expedição Chapada dos Veadeiros (Povoado do Rio Preto - Serra do Vão - Cavalvante)

Após uma noite de muito frio às margens do Rio Preto, foi difícil criar coragem para sair das barracas, pois a manhã estava gelada e as barracas muito úmidas por fora. Levantamos nosso acampamento rapidamente, já com desenvoltura de profissionais de camping. Com todas as bikes já prontas, tudo certo, uma última verificada na prainha às margens do rio para ver se não estávamos esquecendo nada, saímos à procura de algum lugar para nosso café da manhã, mas o vilarejo praticamente não tinha opção.
Voltamos à Mercearia Souza, onde tínhamos almoçado no dia anterior e a dona mais uma vez foi muito atenciosa com todos. Como sempre o pessoal muito hospitaleiro.
Contamos com um ilustre visitante no nosso café da manhã: uma arara canindé surgiu de longe para juntar-se ao grupo e lanchar conosco. Foi algo realmente inédito, pois a ave que tinha total liberdade optou por ficar ali, comendo biscoitos na nossa mão. A beleza e força do animal, tranquilamente passeando por entre o grupo, nos fez parar para refletir sobre o respeito que devemos ter pela natureza. Esta expedição nos fez rever nossos conceitos de valores morais, uma verdadeira escola a céu aberto.
Começamos o dia muito bem. Na nossa partida, a ave ainda nos acompanhou por mais de 300 metros e depois seguiu seu próprio destino, se despedindo do grupo em grande estilo, com um vôo rasante bem próximo de todos nós.
Pedalamos durante a manhã até o povoado de Capela. Fizemos uma breve parada para um descanso e após alguns minutos seguimos viagem.
Toda a região era cercada por imensos paredões, que de longe já nos pareciam assustadores e tudo aquilo era apenas uma amostra do que teríamos que transpor no decorrer da tarde.
Com o sol castigando durante todo o trajeto, fizemos uma parada em um pequeno ribeirão. Nosso amigo JP precisou dar uma revisada nas bagagens que insistiam em querer pular da bike. Com a ajuda do Piau ficou tudo certo. Descansamos um pouco, lanchamos e tomamos um rápido banho para recuperar parte das energias.
Continuamos nossa jornada e depois de longas 3 horas de pedal pelas estradas de cascalho e areia sob um sol escaldante, nos aproximamos da Serra Vão. A chegada ao pé do paredão parecia não ter fim.
O solo de areia fina misturada a pedregulhos travava as bikes e era preciso também pedalar para descer as ladeiras. Denominamos as descidas de "des-subidas ", pois do ponto mais alto para o mais baixo também era obrigatório pedalar, caso contrário a bike simplesmente parava.
Devido à escassez de água e alimentos, parei um pouco para buscar alguma energia (se é que ainda tinha) para vencer o último e mais difícil obstáculo.
O companheirismo e união do grupo foram fundamentais neste momento, pois minhas reservas estavam acabando. Até a água já estava no final.
Para sorte de todos, conseguimos algum alimento numa parada antes da grande subida. Mais uma vez, a simplicidade e ajuda da comunidade local surpreendeu. As pessoas dividiam conosco o próprio alimento e água. Comemos uma rodada de fígado com ovo frito e uma farinha para arrematar. Podem acreditar, foi um excelente prato. Rsrsrs
O pessoal da barraquinha nos falou que ao pé da serra encontraríamos um pequeno córrego, que indicaria o real início do "sofrimento".
Batemos em retirada para enfrentar a subida da serra e após quase meia hora nada de aparecer o riachinho. Eu já estava intrigado, pois havia subido bastante e até o momento ainda não era de fato o pé da serra.
Enfim, depois de chegar à pequena ponte, estávamos realmente no marco zero para iniciarmos a escalada (melhor dizer assim, pois pegamos inclinações seguidas de mais de 60º durante praticamente todo o trajeto). As curvas serpenteavam os morros e foi assim até chegarmos ao ponto mais alto.
As pessoas da região tinham nos alertado que era impossível subir a serra pedalando, inclusive alguns tipos de carros subiam com muita dificuldade. Aquilo aumentou ainda mais a ansiedade do grupo em vencer o paredão. Todos conseguiram e isto foi a vitória do dia. Tínhamos pedalado desde 6.00h da manhã, estávamos sem almoço e já muito cansados e o paredão seria nosso último obstáculo do dia. Tirando o susto da quebra do bagageiro da bike de Popó, tudo correu bem.
Depois disto, a caminho de Cavalcante, fizemos descidas em alta velocidade por vários quilômetros e finalmente ao pôr do sol e com a temperatura caindo rapidamente, chegamos no nosso destino.
Em uma rápida varredura pela cidadezinha, já ao cair da noite, procuramos por uma pousada e depois de dois dias seguidos de acampamento, uma cama limpa e um banho quente era tudo que a galera mais queria.
Mais um dia vencido, de muito esforço e desgaste. Este foi considerado um dos trechos mais difíceis da Expedição.
A noite, depois de um bem servido jantar no Bar do Fernandes, na pracinha central da cidade, nosso merecido descanso para o dia seguinte. Welseman.

VEJA O VÍDEO ABAIXO



CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR












Trilha em Arembepe

Faltou pouco para que eu não conseguisse chegar: primeiro ao local marcado e segundo no final da trilha.
No caminho, já depois do pedágio, o guarda da PRF resolveu me parar. Na abordagem, como de costume, pediu os documentos. O detalhe é que eu tinha me esquecido de imprimir o comprovante de pagamento do licenciamento. Conversa vai, conversa vem, fiz cara de coitadinho e fui liberado para continuar.
O segundo quase já foi um pouco mais longo...vou contá-lo.
Todos prontos. Éramos sete: eu, Elson, Gerald, Josué, JP, Luciano (Coquinha) e Reinaldo. Chuva fina antes do começo, mas, por sorte, o tempo abriu e pudemos começar.
Ainda enquanto alongávamos houve a discussão sobre qual seria o roteiro. Reinaldo prontamente disse: “Pedalo em Arembepe desde os quatorze anos!”. Estava, então, escolhido quem seria o guia. Mais tarde, acabamos passando por caminhos que nem ele mesmo conhecia.
Mal aqueci e o freqüencímetro já estava “gritando” bem acima do meu habitual. Voltei a pedalar há mais de um ano, mas por ser a minha primeira vez com a turma do Mural em uma trilha mais longa, confesso que fiquei ansioso e dormi pouco. Mais acostumado ao asfalto, ainda estou tentando pegar o ritmo das trilhas, que exige muito mais explosão e tem menos constância.
Pedalamos um pouco no asfalto e seguimos por um estradão com algumas subidas e descidas. Além da lama, resquício das chuvas dos últimos tempos. Já nesse começo fiquei pra trás. Na primeira parada a turma viu que não tava muito bem. E foram todos solidários! Nesse ritmo eu continuei, sempre ficando um pouco distante, mas tentando acompanhar.
Após mais estradões, alguns mais acidentados, atravessamos uma cerca e continuamos até chegarmos em um single track que beirava um lago (ou seria rio?). Desconhecido por todos, até pelo guia que pedala em Arembepe desde os quatorze anos, foi o trecho mais interessante do pedal (não sei se vão concordar comigo). Mata bem fechada e densa, terreno acidentado com muita lama, prato cheio pra turma. Menos para um deles, Luciano Coquinha, que reclamou até não poder mais das Tiriricas! Pausa para fotos e para curtir o belo visual da paisagem que tínhamos ao nosso lado. Um pouco mais à frente, já que a trilha estava ficando cada vez fechada, acidentada e difícil, cogitaram se não deveríamos retornar. Até que alguém protestou dizendo que se uma trilha é aberta, ela tem que ter um final. E afinal: quanto “pió”, “mio”!
Continuamos com mais estradões acidentados; uma descida bem alucinante com uma curva fechada no final; single tracks (com direito a repeat); queda de Luciano (mas que foi bravo e chegou até o final); Josué dizendo que queria fazer a parada da bananinha num lugar alto; lugar alto que nunca chega; protestos para que eu deixasse o freqüencímetro em casa da próxima vez; final da fila constante (esse só para mim); JP dando o maior gás no estradão para mostrar que estava em forma e finalizando, pegamos uns 7 km de asfalto até a chegada de volta ao local de onde saímos.
Foi na parte final, de asfalto, que eu fiquei definitivamente afastado do pelotão. Resolvi diminuir o ritmo, pois queria chegar inteiro!
Ao final, 33,50 km. Média de 14 km/h. Máxima de 45,8 km/h. Duas horas e meia pedalando. Três mil calorias gastas. Sem maiores incidentes. Todos estavam bem satisfeitos e falando que tinha sido uma excelente trilha.
Eu concordo com o grupo, foi excelente! Apesar de uma primeira vez difícil, a vontade de pedalar só aumenta! E que venha à próxima. Um abraço a todos, Leo.
VEJA O VÍDEO ABAIXO

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR
















5º Dia - Expedição Chapada dos Veadeiros (Lago Serra da Mesa - Colinas do Sul - Povoado do Rio Preto)

Neste dia, acordamos cedo, ainda eufóricos pela primeira noite dormida em barracas, e na beira do Lago da Mesa, no município de Colinas do Sul. Fomos direto para o café da manhã que estava nos aguardando, preparado pela Senhorinha Cida, que na noite anterior já tinha nos mostrado a qualidade de sua cozinha, tomamos um café digno de um hotel 4 estrelas, e partimos para nosso destino primeiramente traçado pelo nosso guia Elson onde dormiríamos nossa segunda noite em barracas, o qual seria no Povoado de Capela, partimos de Colinas do Sul e logo na saída , uma longa subida, lógico depois da primeira subida saindo do lado da mesa e com o café da manhã ainda sendo processado, e como sempre muito poeira, a distancia prevista seria de 68Km, e como sempre todos ansiosos como se fosse de novo o primeiro dia, e lá fomos nós. Pedala, pedala, e após 44 km chegamos ao Povoado do Rio Preto, é exatamente, dado pelo nome do rio que corta a chapada e o qual já havíamos sido apresentados no 3º dia em São Jorge, e lá chegamos os 06 expedicionários empoeirados com as magrelas e com muita, muita fome!! Paramos na única venda do lugar, a Mercearia do Souza, com uma senhora muito simpática e aquela pergunta que todos queriam fazer, porém com uma provável resposta não muito boa: “Senhora, tem algum lugar para comer aqui?” e lá veio a resposta “não, não tem!!!”. Desanimo geral de todos, pois já era aproximadamente 13h, e começávamos a nos questionar o que fazer, continuar para o próximo lugar de destino o qual tinha sido traçado, ou pernoitar por ali mesmo, conversas, considerações, conversas, blá, blá, votação, não!!!!!, vamos ficar por aqui mesmo, pois o Rio tinha um lugar aprazível com uma prainha de águas cristalinas ou seja um lugar ideal para acamparmos. Nossa reunião lógico como ninguém é de ferro foi acompanhada por umas cervas geladinhas, rsrsrsrs. , foi quando o Piau perguntou se ela nos emprestaria umas panelas para preparamos uma refeição na beira do Rio , com seu espírito de lobinho opa!!!!, escoteiro ,nisto a Senhorinha da mercearia ficou com pena de nós, falou , não pessoal eu preparo a refeição na minha casa, o que vocês vão querer, em unanimidade, escolhemos, 02 pacotes de macarrão espagueti, 01 lata de salsichas, 01 lata sardinha, 01 lata de milho verde e molho de tomate, enquanto ela foi preparar a refeição, nos dirigimos para o local na beira do rio onde iríamos montar nossas barracas, após o tempo necessário de espera para a refeição voltamos para a mercearia para o tão esperado almoço, que para nossa surpresa estava delicioso, lembrando que o tempero de qualquer comida é o carinho do preparo e o tamanho da fome! Após o almoço começou a chegar uma galera do local, começamos a bater papo, fazer brincadeiras, etc, e para nossa surpresa chegou uma senhora a qual propagou aos ventos sua idade que era de 75 anos e que estava forte graças a companheira dela, garrafa de cachaça que segurava, ai foi só risada. Finalmente voltamos para a beira do Rio e logo começamos a escolher os pontos para cada um montar sua barraca, nesse meio tempo chegou um motoqueiro fazendo o maior barulho, parou a moto e foi dar um mergulho no rio, e disse que estava precisando esfriar a cabeça , pois estava de ressaca achamos que estava mais para larica do que ressaca foi só risada, em seguida, tomamos banho, lavamos as bikes , montamos as barracas, e quando fui escovar os dentes, achando que não precisaria de óculos e para evitar que o mesmo caísse na água, tirei o mesmo, foi ai que a coisa pegou, troquei o tubo da pasta de dente pelo hipoglós, a galera pegou no meu pé , dizendo Pópo quero ver vc trocar depois ao contrário o hipoglós pela pasta de dente ai sim o bicho vai pegar, já pensou 05 dias de pedal e passar pasta de dente, ai seria terrível, para que isto não ocorresse eu não tirei mais o meu óculos, kkkk., Há sim, acreditamos que esta noite foi a mais fria de todas pois estávamos literalmente na beira do rio. Ricardo Popó.
VEJA OS VÍDEOS ABAIXO

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR