2º Dia - Volta do Recôncavo (Cachoeira - Maragogipe - Capanema - São Rogue do Paraguaçu - Salinas da Margarida - Mutá)

Resenha por Ricardo Lima.

Saltos mortais em Maragogipe
Esse dia foi bem longo.... Acordamos cedo em São Felix e o trio viciado em adrenalina (Elson, Coquinha e Rei) logo se arrumaram para subir um ladeirão até Muritiba, sob o pretexto de ver o visual, mas com a real intenção de descer a serra “brocando”, e foi o que os caras fizeram. Eu, Ricardinho Pacheco, Lucas e Fred preferimos nos poupar para a longa jornada que se iniciaria. Após a chegada empolgada dos nossos amigos, a resenha foi a quantidade de roupas que Fred levou, o cara estava preparado para 1 semana no mínimo. A gozação foi tanta que tomamos uma pagação de uma hóspede do quarto vizinho, “Vocês pensam que estão em casa?” Também, aquela risada de Coquinha, ninguém merece... Tomamos um café da manhã reforçado, terminamos de arrumar as coisas, pagamos a pousada Paraguaçu, que por sinal nos recebeu muito bem, e partimos para Maragojipe. Logo no início, como sempre, lá estava uma boa ladeira para aquecer os músculos sob um sol que nos acompanharia por todo o dia. Passamos por vários locais lindos, avistando fazendas, animais, árvores, ilhas na baia de todos santos, em um delas vimos uma igreja no meio do nada, visual lindo e intrigante. Chegando a Maragojipe, paramos em um posto para pegar informações e descobrimos que havia uma trilha até São Roque do Paraguaçu. O grupo ficou tão empolgado que quase nem entra em Maragojipe, o que seria um erro, afinal a cidade tinha um grande cais de onde aproveitamos para apreciar a bela paisagem da Baía e os saltos mortais que um grupo de garotos nativos dava na água. Além de muita coragem e habilidade, os jovens demonstravam uma alegria contagiante.

Subindo a cachoeira de bike
Continuamos nossa aventura por uma trilha que começou com um estradão de terra, mas que foi ficando mais desafiadora a cada momento. Sol a pino, calor insuportável e mais uma ladeira pela frente, resolvi confirmar se estávamos no caminho certo, para minha sorte descobri que não precisava subir aquela ladeira. Informei aos demais, que já estavam lá em cima, que tínhamos errado, obviamente o trio aproveitou para descer “brocando” a ladeira bem íngreme e irregular, demonstrando técnica e muita loucura. Os moradores da casa próxima à ladeira não acreditaram no que viram, a velocidade das bikes foi impressionante... Pegamos o caminho correto e fomos em frente, mas o caminho foi se estreitando, passamos por subidas de pedras, descidas escorregadias por entre as árvores, até que chegamos ao rio. E agora, como atravessar? Eis que surge uma voz da outra margem dizendo que precisaríamos subir pela cachoeira. O cara atravessou o rio e disse que nos mostraria o caminho, mas que não dava para subir ligado.... Ligado??? O nosso guia pensava que estávamos de moto... rsrsrs... A travessia foi dura, pois tivemos que subir a margem por cima de pedras escorregadias carregando as bikes com toda a bagagem. Ricardinho chegou a escorregar, mas conseguiu se equilibrar. A sorte foi que nosso guia deu uma força e carregou algumas bikes, duas por vez... Na cachoeira tinha uma barraca com vários nativos comendo água, mas apesar de termos sido bem recebidos, resolvemos seguir viagem, pois ainda tínhamos alguns KM pela frente.

Pedala senão os urubus te pegam
A descida também não foi fácil. O terreno irregular e a pirambeira do lado esquerdo deixavam todos de olhos abertos, para não usar outra expressão... Chegando lá em baixo (que alívio), tivemos a convicção de que teria sido muito menos desgastante atravessar o rio por baixo. Tomamos uma gelada para recuperar as forças em um boteco que não tinha água mineral. Pedalamos até Capanema e logo na chegada ao vilarejo fomos recebidos com uma ladeira de paralelepípedo enorme. Confesso que nem tentei subir a bicha. Os demais subiram, alguns até o final, outros até o meio. Lá em cima encontramos outro boteco e tomamos umas H²0, pois a verdadeira H²O não havia. Nesse momento percebemos mais uma vez a hospitalidade e gentileza das pessoas humildes do Recôncavo. Notando que precisávamos de água um senhor foi buscar garrafas de água em sua casa em quantidade suficiente para suprir a todos. Continuamos a pedalar pela trilha até que chegamos à rodovia. Paramos em uma casa vazia para fazer um lanche, afinal já eram umas 3 da tarde, o calor estava insuportável e todo mundo estava de rango. O gramado estava cheio de estrume de vaca, mas o convívio com a natureza é isso mesmo... Procuramos os poucos locais limpos e deitamos à sombra de uma árvore, que maravilha... Fizemos uma oração agradecendo por estarmos todos bem e felizes. Enquanto estávamos deitados, percebemos que éramos observados do alto por um bando de urubus, será que eles também queriam almoçar? (Digo, nos almoçar?) Na dúvida, resolvemos não esperar e partimos para o pedal novamente com uma energia extra. Rsrsrs..
Travessia de rio rumo a Salinas das Margaridas
Pedalamos até São Roque do Paraguaçu, onde tomamos um caldo de cana, compramos água mineral e negociamos a travessia de barco com um cara que estava pra lá de Bagdá. Ainda bem que não foi ele o marinheiro. Entramos no rio para colocar as bikes no barco, obviamente cais nem pensar, e a lama tomou conta de nossos tênis. Arrumamos as magrelas tentando maltratá-las o mínimo possível. A travessia foi gostosa e chegamos em um pequeno povoado. Pegamos informações e continuamos por um estradão com subidas, descidas e paisagens belíssimas até Salinas da Margarida. Chegamos à noite na cidade, que estava em festa, muita gente nas ruas, pingunços não faltavam. Procuramos uma pousada, afinal não queríamos pedalar a noite, muito menos em uma estrada repleta de biriteiros, mas não tivemos sucesso. O jeito era seguir para Mutá onde havíamos alugado uma casa.

A centopéia iluminada
Todos nos preparamos para seguir viagem rumo a Mutá, com alguma dúvida se a casa que alugamos ainda estaria disponível, afinal já era noite e não tínhamos conseguido falar com a dona. Com receio dos carros no pedal noturno, colocamos todas as lanternas, piscas e refletores em ação (E olhe que eu tinha recebido gozação por ter levado pisca extra e fitas reflexivas). Elson, sempre prevenido, trouxe algumas lanternas extras, que foram muito úteis. Saímos da cidade e pegamos a pista, que não tinha acostamento, sempre nos mantendo em fila. Esse pedal foi massa, afinal para quem passou o dia todo pedalando com sol na cabeça, pedalar à noite estava uma maravilha, não sei se minhas pernas já estavam anestesiadas, mas a bike parecia andar sozinha. Nesse momento percebemos que todos os carros procuravam se afastar de nós, não sabemos se isso foi por respeito aos ciclistas ou com medo da Centopéia gigante e iluminada que eles viam a distância. Rsrsrs...

A noite “animada” em Mutá
Chegando em Mutá ficamos felizes em encontrar logo D. Santa, (que de Santa, deixa pra lá...) que nos levou aos nossos aposentos, uma casa simples, bem abafada e com apenas um banheiro. A primeira dificuldade foi aguardar que todos tomassem banho para que pudéssemos jantar. D. Santa impaciente aproveitou para dar uma conferida em Lucas e voltou toda animada, mas isso era só o início... Fomos a um restaurante simples mais bem agradável e botamos para lenhar na comida, tomamos várias cervejas geladas e os 7 famintos comeram por um batalhão. Voltando para a casa percebemos que a noite seria longa: só tinha um ventilador, muita muriçoca e um calor retado. No primeiro quarto ficou Elson, Ricardinho e Lucas, na sala Fred e Coquinha, e no outro quarto eu e Rei. No primeiro momento a gozação era geral, Elson filmava, Rei pedia para apagar a luz, alguns gazes surgiram sem autor identificado, enfim esculhambação total. Depois a galera foi se acomodando e todos tentaram dormir, mas tava phoda. Além do calor e das muriçocas que não respeitavam nem repelente, Rei de vez em quando dava uma pesada na cama, não sei se era para matar as muriçocas ou se o sacana estava sonhando com o pedal. Ricardinho roncava com uma disposição que dava para ouvir na casa toda. Não sei como esses caras conseguiam dormir, porque já era umas 2 da manhã e eu não tinha dado nem um cochilo. Resolvi levantar e Coquinha, que também não estava conseguindo dormir, me ajudou a pegar outro colchão e colocar na frente do ventilador que ele e Fred estavam usando. Como não tinha mais lençol, peguei minha toalha ainda um pouco molhada joguei sobre o colchão e deitei. Nesse momento, Fred também acordou e já puto com o ronco de Ricardinho, disse: “Enfia o dedo nesse cara para ver se ele para de roncar”, rapaz nessa hora Coquinha teve um surto de risada que foi interminável, o cara não parava por nada, e o pior que eu também fiquei com uma vontade retada de rir, mas se eu animasse nosso amigo, acho que ia parar de manhã. Mais alguns minutos, fui vencido pelo cansaço e dormi. Ricardo Lima.

Resenha por Lucas Malandra

Acordo 6:00 com o barulho de Coquinha se arrumando para subir e descer a ladeira que liga São Felix a Muritiba. Três loucos, Coquinha, Elson e Reinaldo. Confesso que fiquei louco pra ir junto, mas como já conhecia um pouco o lugar e queria poupar energia para os outros dias preferi dormir mais um pouquinho. Deu 6:40 acordei e fui tomar café, muito bom por sinal. Não demorou muito chegou o pessoal contando como foi a ladeira. Pensei: “puts! Da próxima vou ter que ir.” Enfim todos alimentados e reabastecidos de água, nos despedimos da pousada e continuamos a aventura. No caminho, após muita trilha para Maragogipe passamos numa cidadezinha onde tinha uma cachoeira e conhecemos um camarada muito louco. Ele ensinou um caminho para podermos atravessar a cachoeira e continuar a trilha. Ele, meio bêbado nos falou: “Tem um caminho por ai por trás, mas tem que ter cuidado para subir. É melhor subir desligado”. Mas como assim? Desligado? Logo depois ele retrucou: “Ahh rapaz, é bicicleta! Eu pensei que fosse moto!” Na mesma hora todos riram! Enfim, com alguma dificuldade conseguimos atravessar a cachoeira pelas pedras, carregando as bikes. Muita trilha e muita estrada. Muitas travessias de barco para cruzar o grandioso rio Paraguassú.
Chegamos já a noite na entrada de Salinas das Margaridas e decidimos entrar na cidade para ver como estava e quem sabe conseguir uma vaga de pousada. A cidade estava lotada! Carros para todos os cantos. Gente para todos os lados. Estava havendo, se eu não me engano, o IX Festival de Mariscos da cidade. Nenhuma vaga em pousada alguma. Então depois de um tempo decidimos pegar a estrada para Mutá, que ficava a alguns quilômetros dali. Pedalar a noite é muito bom. Sem o sol escaldante o corpo perde bem menos água. Todos bem sinalizados, fomos em um comboio bem coeso e comunicado. Na comissão de frente ia Elson com aquela lanterna de carro no capacete que chamava bastante atenção e então fiquei até surpreso o modo de como os motoristas nos trataram. Todos passavam bem afastados do comboio, melhorando ainda o trajeto. Não demorou muito chegamos a Mutá onde ficamos hospedados numa casa.
Foi uma grande experiência para mim, pois nunca havia pedalado tanto quanto pedalamos. Neste segundo dia então foram mais de 90 Km, então foi também uma forma de superação. Pedalei todos os dias com mochila nas costas. Isso dificultou um pouco, mas nada impossível para três dias. Mas da próxima vez já vou providenciar meu bagageiro que com certeza irá facilitar as coisas. Lucas Malandra.
VEJA OS VÍDEOS ABAIXO

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Downhill de Muritiba a São Felix (aumenta o som)!
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Chegada em Maragogipe
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Brocação
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Onde Estamos?

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Pedal na Estrada

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Travessia de São Roque do Paraguaçu
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Estradão para Salinas da Margarida

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Crise de Riso e Aranha no Vaso

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR




































































13 comentários:

Ramster disse...

Muito legal, estão as resenhas e as fotos.
Realmente, a cada resenha me arrependo de não ter jogado o trabalho pro alto e ter ido para esta expedição.
Abraços a todos.

Elson disse...

Olá Ramster,

Realmente foi incrível! Difícil é lembrar de tudo o que aconteceu em um só dia... rsrsrs. Passamos por muitos lugares e em diferentes etapas do dia e da noite! hahaha

Da próxima vez, não deixe de ir!!!!

Um grande abraço,

Elson

Marco Vinycios disse...

Quando vi o donwhill deu vontade de chorar cara muuuuuuiiiitoooooooo massa!!!

Essa volta do recôncavo vai ter que ter replay velho!!!!!

Que a vontade de pedalar nunca passe!!!!

Marco Vinycios disse...

Fui ouvir a familia me quebrei devia ter ido pra esse pedal!!!!!

Que a vontade de pedalar nunca passe!!!!!

Ricardo Lima disse...

Porreta!!!!!! 90 Km de pedal. Esse dia foi pra pirão... E por falar nisso, tem um registro mt importante: Os famintos detonaram tudo que aparecia, carneiro, muqueca, mas a pizza de camarão estava imperdível!!!!

JP disse...

Lugares realmente muito bonitos. Detalhe... aqui pertinho de Salvador... Estarei na 2ª volta do Recôncavo !
Beleza de resenha !Estão todos de parabéns.

Fui !

JP

Lucas Malandra disse...

Caraca! Ricardo lembrou de tudo!
Minha resenha ficou um pouco resumida. =)

Elson, a descida de Muritiba ficou perfeitaa! A trilha sonora impecável!
Gostei!

Coquinha rindo é muuuito hilário!
Ótimas fotos!! Belos vídeos!
Abração a todos.

Marco Vinycios disse...

2 volta do recôncavo o mais rápido possível

uhuhuhuuuuuuuuuuu


Que a vontade de pedalar nunca passe!!

Marcus disse...

ramster, se vc arrependeu de não ter jogado o trabalho pro alto...

eu me arrependo de n ter jogado pro alto o casamento do meu cunhado... rsrsrs

tá muito bala!!! fotos, videos e as resenhas...!!!

parabéns a todos!!!

abração

Coquinha disse...

MARAVILHA!!!! Galera este dia foi muito bom, estou impressionado com o " HD " de Ricardo Lima , puta que pariu....rsrs , o cara gravou todos os detalhes... (Rato e Marcos)não percam a próxima por nada...rsrs

Ricardinho e Elson,

Só tenho a agradecer, um pela ideia e ao outro por toda organização e dedicação... E com isso o mural vem trazendo momentos inesquecíveis para todos nós...

VALEU!!!

Coquinha.

Coquinha disse...

Ah!!!

Esqueci de um detalhe.... qnd assistir o vídeo que tinha minha crise de riso, passei mais 5 minutos rindo pra caralho...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....

Coquinha.

Reinaldo disse...

O segundo dia foi o auge da viagem!!! No primeiro dia havia toda a expectativa de iniciar, porém pedalamos pouco e muito na estrada, já o segundo dia, 100km contanto com a subida à Muritiba foi perfeito, teve de tudo, trilha, estradão, travessia.. (ainda bem que não teve queda, apesar de eu ter ensaiado uma naquela descida insana perto da cachoeira!!!) e no terceiro dia estava tudo acabando, menos a vontade de pedalar... valeu Mural, muito orgulho de fazer parte disso tudo!!! Amanhã tem Serra da Jibóia!!! Abração, Rei.

welseman disse...

É isso aí galera. Pedalaram muito. Lugares fantásticos. Show de resenha. Abraço.