Volta na Ilha de Tinharé

Acordamos no dia 01/04, dia da viagem para Valença, com uma notícia bombástica nos nossos e-mails de que o companheiro Moranguinho informava-nos da sua impossibilidade de ir à expedição, porém alguns não atentos a data acreditaram, era o dia da mentira e não passava de uma brincadeira. Esta expedição teve, então, inicialmente doze MURALISTAS aventureiros (Eu “Ramster”, Élson, Reinaldo, Welseman Fernandes, Popó, Guido, Jairo, Aldo, Lincoln, Ricardo Pacheco, Fred “Psico” e João “Moranguinho”), porém somente dez terminaram a aventura, que apesar de apenas dois dias de aventura e mais uma noite de convivência, nos rendeu muitas histórias não somente para contar, assim como, para reflexão sobre o que é um grupo e como se comportar nele.
Sexta, 01/04 às 18:30, nos encontramos no restaurante rei da Pamonha na BR 324, deste ponto partiu três carros: o primeiro com Élson e Ricardinho, o segundo com Ramster e Reinaldo e o terceiro com Welseman e Lincoln, o Jairo e Aldo, que estavam no mesmo carro resolveram ir na frente, até hoje não entendi os motivos para isso, e a quinta dupla sairia mais tarde por conta dos compromissos. A viagem dos seis que saíram juntos foi descontraída, por conta de que em cada carro ter um rádio, a comunicação foi constante, ou seja, a resenha rolou em alta. Chegamos às 21:20 em Valença e fomos direto para um restaurante em frente a pousada que dormiríamos a primeira noite, onde já se encontrava Jairo e Aldo, às 22:15 chegaram os últimos aventureiros, após a janta nos dirigimos à pousada para arrumar as bikes e nos preparar para uma noite de sono e expectativa pela aventura que nos esperava nos dois dias seguintes.
Sábado, 02/04 às 06:30, nos servimos de um café da manhã reforçado terminamos os preparativos, fizemos as primeiras fotos do dia e iniciamos o pedal saindo de Valença em direção ao Terminal Marítimo Bom Jardim, percurso de aproximadamente 17km, fizemos a primeira travessia de barco até a Praia da Gamboa. No desembarque conversamos com um local que nos indicou algumas alternativas para a aventura, após umas cocas-colas e discussão com o local sobre o trajeto seguimos viagem pelas areias das praias: da Gamboa (1.500m), da Argila (400m), da Ponta da Pedra (300m), do Porto de Cima (500m), há de se observar que estávamos pedalando durante a maré baixa, portanto podemos aproveitar o máximo das praias. Chegarmos ao Arco do Portaló/Morro de São Paulo, aqui o Aldo acionou um dispositivo (sapatilha, que abriu o solado e teve que ser remendada a base de fita isolante e amarra-gata). Enquanto esperávamos o Aldo visitamos o Belvedere Farol e a Tirolesa, a qual infelizmente não descemos, mas desfrutamos da bela vista do local. Atravessamos a Vila de Morro de São Paulo e ao chegarmos a prainha o Rei teve um problema com o seu bagageiro flutuante, parada para tentar conserto o qual não foi possível e fez com que o Rei sofresse por todo o dia carregando a bagagem nas costas. Continuamos nosso trajeto pelas seguintes praias: Prainha (300m), da Pôça (400m), do Caitá (800m), da Caeira (800m), do Mangue Queimado (400m), do Sueiro (2.400m), do Porto do Zimbo (1.000m), da Ponta do Mangue (1.800m), do Carapitangui (900m) e do encanto (1.500m). Não me lembro em que praia foi, mas a partir de certo momento estávamos sendo acompanhado por um guri, o Denílson, numa bike simples, que nos mostrou a passagem para a trilha no final da Praia do Encanto. Porém ao mostrar a trilha a bike do Denílson teve o pneu furado, acionamos o dispositivo ajuda e fomos consertar a bike do muralista honorário, a roda não tinha blocagem, o pneu de arame, mas não teve dificuldade para reparo, afinal ele estava com o MURAL DE AVENTURAS. Despedimos-nos do Denílson, que voltou pedalando é claro, e partimos por uma estrada de areia, onde percorremos aproximadamente 20 km, até a Vila de Garapuá, Eram 15:00, neste momento a maré estava completamente cheia, paramos então para recompor as forças na barraca de praia de Pipoca, almoçamos, descansamos, banho de mar e algumas geladas para reanimar, pois ainda tínhamos alguns quilômetro de areia pela frente até o rio do inferno, onde atravessaríamos para Ilha de Boipeba, nossa meta do dia.
Após momento de relaxamento, diga-se almoço, banho de mar e umas cervas, procuramos onde reabastecer os camelbacks e mais algumas informações sobre o melhor caminho, o qual era a praia, mas como a maré ainda estava muito cheia não tinha como. Partimos então por um caminho indicado, onde os locais disseram que não conseguiríamos, o caminho era por uma vegetação de restinga (Entende-se por vegetação de restinga o conjunto das comunidades vegetais, fisionomicamente distintas, sob influência marinha e fluvio-marinha. Estas comunidades, distribuídas em mosaico, ocorrem em áreas de grande diversidade ecológica sendo consideradas comunidades edáficas por dependerem mais da natureza do solo que do clima). O problema é que eles desafiaram o GRUPO MURAL DE AVENTURAS “A EMOÇÃO DOS DESAFIOS”, acho que ninguém os avisou quem éramos, fomos com sede para esta estrada e começamos bem, pedalando sobre a areia solta, porém após alguns quilômetros percebemos que somente andando, sem condições para o pedal, passada após passada chegamos, após alguns quilômetros, a retomar o pedal. Ao parar para descansar e esperar os que estavam mais atrás veio à surpresa, no trecho em que empurrávamos as bikes o companheiro Ricardinho se perdeu. Começamos a procurá-lo, encontramos o ponto em que ele se desvencilhou do grupo e após mais de uma hora de procura, já com o sol se pondo e um pneu furado, resolvemos que eu e Guido retornaríamos na frente pra Garapuá para verificar se o Ricardinho tinha retornado, foi onde tivemos a grata notícia que o mesmo retornou e resolveu ir pela praia, ou seja, abandonou o grupo, onde uma das regras é “ninguém fica para trás”. Foi neste momento que começou, então, a se divagar sobre o que é um grupo e como se comportar nele. O Guido tentou alcançá-lo, enquanto eu esperava o restante do grupo na praia para irmos em direção ao rio do inferno. Estávamos, neste instante, revoltados, pois conseguimos passar pela pior parte da área de restinga, tínhamos completado mais de 3/4 do percurso e retornamos a procura do colega desaparecido e ainda fomos zoados pelos locais, pois eles acreditaram que não conseguimos como eles disseram antes.
Pedalamos, nesta altura já era noite, pela praia até a ponta onde tem um mangue e contornamos numa trilha muito alucinante, até por que já era noite e tivemos apenas o uso de lanternas e da lua para nos clarear os caminhos. Ao sairmos da trilha vimos as luzes da ilha de Boipeba bem próximo de nós, mas ao pedalar descobrimos que estávamos a aproximadamente uns 15km de distância do rio, pois pedalávamos e nada de chegar ao tal rio. Neste momento para alguns já era um martírio pedalar, pois a exaustão já era grande. No domingo observamos pelo outro lado do rio e somente ali é que tivemos noção do quanto pedalamos naquele trecho. Chegamos ao rio do inferno, onde o Guido nos esperava, atravessamos e chegamos a Ilha de Boipeba, onde fomos direto para a pousada tomamos umas cervas e um banho, depois fomos a uma pizzaria onde detonamos umas oito pizzas, passeamos pela ilha e fomos descansar. Graças a Deus findamos o primeiro dia, que apesar do stress que o grupo passou terminou bem, com nossos ciclos marcando 62,04 km.
Domingo, 03/04 às 07:00, acordamos para o café da manhã, que como sempre reforçado, nos preparamos e saímos para o último dia de aventura, porém dois desistiram, o Fred “Psico” e o João “Moranguinho”, alegaram que estavam exaustos e não queriam atrapalhar o grupo, que não tinham condições de pedalar dentre outros dispositivos. O planejamento era irmos até as piscinas naturais de Moreré, uma bancada de areia em pleno mar aberto, para não só conhecermos as belezas da região, como revitalizar as forças para o pedal que nos esperava, neste passeio houve mais dois dissidentes o Welseman Fernandes e o Aldo resolveram ficar na praia da Ilha de Boipeba juntamente com o Fred e o Moranguinho, indo apenas no barco para o passeio eu, Élson, Rei, Jairo, Popó, Guido, Lincoln e Ricardinho, a verdade é que não tínhamos com navegar no rio com a maré baixa e somente a partir de meio dia o rio teria condições de navegabilidade, portanto nos desfrutamos num local paradisíaco, com um barzinho flutuante, uma gelada e vários peixes nadando ao nosso redor, inclusive um budião azul que ficava mordendo nossos pés. Ao retornar para Boipeba não encontramos mais o Fred e o Moranguinho, que já tinham retornado a Valença, colocamos as bikes no barco resgatamos o Welseman e o Aldo. Subimos o rio e no meio da viagem paramos em um restaurante flutuante onde almoçamos quem quis comeu umas ostras, o Guido comeu quase que todo o estoque do restaurante. Desembarcamos em Torrinhas ás 16:00, começamos aqui o pedal do dia, para começar uma graciosa ladeira, depois pegamos uma estrada de chão onde pedalamos por alguns quilômetros, próximo ao fim desta estrada fiz uma parada para devolver o almoço, pois o mesmo estava incomodando o meu pedal. Depois pegamos uma pista de asfalto com algumas subidas intermináveis e a cada uma vencida o Aldo pedia por outra ladeira, mais alguns quilômetros, paramos num barzinho e nos regeneramos a base do coca-cola com caldo de cana, cortamos a cidade de Nilo Peçanha, mais asfalto, já era noite quando passamos por Taperoá, um pouco mais de quilômetros de asfalto e chegamos ao nosso destino Valença, onde ainda fomos, para desespero de Popó, à Igreja Católica para mais uma foto. Os ciclos neste dia marcaram 55,82 km. Nos dirigimos para pousada onde tomamos um banho, arrumamos nossas tralhas e retornamos para Salvador, via Ilha de Itaparica, pegando o ferry boat das 22:00. Fim da EXPEDIÇÃO VOLTA A ILHA DE TINHARÉ, com um total de 117,86 km de muitas histórias e reflexões para o grupo. Agradeço a Élson, pela idealização da expedição e a todos que participaram desta expedição. Márcio Ramster.
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