Atlântico Bike Sapiranga - Corujinha

É com alegria que relato esta aventura em que tive o prazer de participar com o pessoal da Atlântico Bike e com participação dos aventureiros do Mural de Aventuras e, pude sentir na pele (literalmente) o que é uma trilha com bike, uma sensação que nunca havia experimentado antes.
Era na realidade minha segunda trilha com pessoal da Atlântico Bike, no entanto, em conjunto com o pessoal do Mural de Aventuras foi a primeira. A ansiedade era muita para descobrir novos rumos, sabia, porém que não seria nada fácil, mas quem está na chuva tem que se molhar, fomos em frente e, apesar de alguns contratempos pessoais, foi gratificante.
Logo na saída me perdi do grupo que saiu em caravana para Praia do Forte e como estava em dúvida quanto ao local retornei até a Atlântico bike para pegar o telefone de Jairo para manter contato caso não os encontrasse dali em diante, como viram já comecei bem né... Chegamos em Praia do Forte, começamos os preparativos; roupas, equipamentos e para minha sorte havia comprado uma lanterna de capacete para a aventura e observem porque digo “para minha sorte”. Encontramos no local um velho conhecido do grupo, o Bastião, que iria ser nosso guia nesta aventura. Fizemos a primeira foto do dia e seguimos para nossa saga.
Pedalamos em direção à reserva Sapiranga em torno de 3 km e logo na chegada antes de começarmos um Downhill tiramos outra foto do grupo ainda inteiros, foram dadas instruções principalmente para os novatos e iniciamos o trecho com muitas curvas e “areia” num trecho muito apertado e numa curva tomei meu primeiro tombo do dia e forma vários no trajeto, rsrs, na de mais e segui trilha abaixo, Jairo estava à frente para indicar o caminho que seguiríamos e adivinhem, Jairo, Élson, Josué e mais três colegas passaram direto pela saída demarcada e forma parar alguns metros adiante provocando um pequeno atraso no percurso, muita resenha e fomos adiante.
Já na pista nos dirigimos para um Rio próximo para iniciarmos de fato a aventura. Confesso que quando falaram em Rio eu gelei, porque significava muito obstáculo e trilha muito estreita. Novas instruções quanto ao trajeto e fomos nós, mata fechada, caminho estreito quase tive que deitar na bike para continuar o trajeto, mas consegui passar bem nesta primeira fase, no entanto, o pessoal adiantou e como não queria ficar para trás apertei o pedal e, numa pequena interseção descida subida veio o segundo tombo e logo ouvi o colega gritar, para o colega caiu, mas como não foi nada sério logo estava no pedal novamente e seguimos em frente. Adiante nos defrontamos com uma subida onde tivemos literalmente que colocar a bike no ombro para seguir caminho e esta não foi a única vez que tivemos que repetir este feito, muitas curvas e areia na subida, pequenos tombos e machucados na “canela”, rsrs, chegamos a um campo de futebol e logo adiante outro dowmhill leve é verdade e seguimos nosso trajeto dificultado pelo menos para mim pela areia, ahhh areia bendita, chegamos ao final deste primeiro trecho onde foi avisado que o retardatário não teria direito a descanso e seguimos nosso caminho, novas ladeiras e areia, o desgaste aumentando até chegarmos a uma descida com muita areia até o ponto de apoio onde percebi ter perdido a caramanhola, mas, faz parte da aventura. Fizemos uma hidratação, comemos alguma coisa para reforçar o organismo, novas orientações quanto ao trajeto noturno pelo nosso guia e seguimos adiante desta feita com faróis acesos, pois a noite já chegara.
Fizemos uma pequena descida com a comissão de frente fazendo festa e orientando quanto ao estado da trilha, passamos por algumas casas á beira de uma lagoa, local muito bonito, algumas pequenas subidas dificultadas por cascalhos, mas chegamos a um ponto chave, um downhill em uma ladeira com muito cascalho e alguns buracos segundo orientação do guia e descemos para mais uma aventura, lá pelas tantas, vento no rosto ao entrar numa curva assustei com uma vala e ao invés de reduzir com o freio traseiro apertei os dois e o resultado, uma queda fenomenal, quando dei por mim já estava no chão, bicicleta do lado e outro ruído de queda atrás de mim, o velho companheiro de rabeira David, logo percebemos a movimentação do pessoal da frente vindo em nosso auxílio, o Jairo com expressão de preocupação logo chegou para saber como estávamos. De pé observamos que nossos equipamentos estavam em “condições” no caso a bike, porque meu farol do guidom espatifou-se a queda, mas, como tinha comprado o do capacete seguimos caminho e logo à frente novo tombo e adivinhe, areia, sempre ela, no escuro então, só que desta vez não foi só Fonseca e David que ficaram, outros colegas da comissão de frente também estavam ali, como o Josué, que ficou no “apoio aos retardatários”. Deste ponto em diante foi assim, areia, tombo, areia até chegarmos ao ponto de retorno para Praia do forte.
Ao final, a acolhida dos companheiros, a atenção em saber sobre minhas condições, sobre minha primeira trilha foi fantástica. Fazendo um balanço final deixei pelo caminho; a caramanhola, uma buzina que espatifou naquela queda, o farol e o ciclocomputador, no entanto, fica a lição: para que enfeitar a bike igual a jegue na lavagem do Bonfim para fazer uma trilha? Fica, no entanto, o agradecimento a todos os colegas que em momento algum me deixaram só e sempre estavam nos impulsionando para frente. Agradeço a todos da Atlântico Bike, ao Jairo em especial por me proporcionar este momento, ao pessoal do Mural de Aventura representado pelo Elson, Josué e outros colegas que agora não lembro o nome, ao Lucas que começou comigo no CTM paralela, ao Bastião nosso guia pelas orientações.
Convido a todos a participarem desta família Atlântico bike / Mural de aventuras que me proporcionaram estes momentos de aventura e contato com a natureza. A todos vocês muito obrigado pela acolhida e até a próxima aventura. Fonseca.
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3º Dia - Expedição Chapada dos Guimarães (Lago do Manso - Água Fria)

AH! O terceiro dia! O terceiro dia foi daqueles para quem gosta de desafio e aventura um “prato transbordando”! Dormimos a segunda noite seguida fora de uma cama de verdade, dessa vez estendemos os sacos de dormir no chão de cimento batido do estabelecimento do Sr. Leandro que havíamos alcançado no dia anterior. Apesar do piso duro, foi uma maravilha poder deitar depois de um dia inteiro de pedal, o cansaço me embalou para um sono profundo... rsrsrs. A vantagem foi que não precisamos montar as barracas, dá um trabalho fazer isso e depois ter que guardar tudo novamente... Acordei com o barulho dos caminhões e ônibus que passavam ao lado levando trabalhadores que ficavam curiosos para entender o que aqueles cinco estranhos estavam fazendo ali. Por falar nisso, é muito interessante pensar como chegamos naquele remoto local do centro-oeste brasileiro, são uma das coisas que só acontecem em Expedições...
O nosso café da manhã foi três pães com ovo para cada, café com leite, era o que tinha... hehehe. Saímos perto das 8h e o sol já anunciava o que viria pela frente. Aí vem uma explicação: Se Cuiabá é a capital mais quente do Brasil, as trilhas da Chapada dos Guimarães também são as mais quentes e secas desse país!!! Popó que diga, depois dos dias anteriores levava água até nos alforjes! Rsrsrs. Eu sabia que seria um dia de muita superação, não apenas por causa da distância (mais de 100km), mas também porque tinha escutado comentários de que iríamos enfrentar muita areia! Sendo assim, logo no início reduzi o ritmo do pedal e passei e me poupar ao máximo, chegando a me afastar e a levantar preocupação por parte dos outros que não tinham ainda entendido o “recado”. Eu simplesmente falei “-Estou me poupando.”. Houve um silêncio momentâneo, acho que foi uma surpresa geral. Rsrsrs. Também me senti na obrigação de líder do grupo em mostrar para eles que podíamos ter um grande problema caso continuássemos empregando um ritmo maior.
Por volta das 10h chegamos em um povoado que fica perto do Lago do Manso, quando estávamos bebendo uma coca-cola, uma senhora se aproximou e bastante receptiva nos chamou para conhecer o visual e tomar banho no lago que ficava a poucos quilometros dali. Dizia que era o cartão postal do local. Popó que adora se banhar adorou a idéia. Lembro que olhei para o horizonte e vi o lago bem mais abaixo da onde estávamos e calculei que seria no mínimo 5km de ida mais a volta subindo. Como não sou de recusar pedal, também aceitei a idéia, apesar de saber que estávamos desviando do destino final que seria o povoado de Água Fria. Realmente o lago é muito bonito, fizemos algumas fotos, Piau, Popó e Rei tomaram banho, enquanto Mauro e eu descançamos na varanda da casa.
De volta ao pedal, empregamos um ritmo maior em um estradão bastante convidativo, descíamos mais que subíamos e repente chegamos ao asfalto na ponte que fica logo abaixo da barragem do lago. Já passava de meio dia quando a fome apertou. Ao perguntar a um dos muitos pescadores que estavam na ponte, ficamos sabendo que havia um restaurante na beira da estrada a uns 12km adiante. Havia apenas um detalhe, foram 12km de subida!!! Fiquei tão agoniado com a demora de chegar ao topo que baixei a cabeça, desci a catraca e pedalei forte até quase estourar os músculos das pernas, queria logo chegar ao restaurante...
Quando chegamos ao restaurante, estava bastante cansado por causa do sol escaldante sentia no momento mais sede do que fome, foram vários Pet’s de 2 litros de refri... rsrsrs, uma dádiva naquela condição em que nos encontrávamos. O almoço foi simples (feijão, arroz, carne assada e peixe pêra), mas muito gostoso e barato. Após enchermos o bucho, bateu uma moleza enorme e olhando para a estrada observei que o calor subia intensamente, então resolvemos descansar um pouco até baixar a temperatura. Deitamos todos no chão, sendo que Rei chegou até a roncar. Popó deitou perto de um rottweiler em uma cena bastante interessante que aproveitei para bater uma foto, rsrsrs. Ao acordar o mesmo foi cometido por câimbras nas duas pernas, ficando travado e gemendo de dor, ajudei ao amigo fazendo massagem na parte afetada até que sentisse melhor, olha que ainda iríamos percorrer uma longa distância...
Quando iniciamos novamente a viagem o sol ainda estava bastante quente, parecia que atravessava o capacete e chegava a ferver os nossos miolos. Não tínhamos muito bem a idéia do trajeto que precisávamos fazer para chegar até Água Fria, sendo que quase passamos da entrada da estrada de barro, sorte que perguntamos a um senhor que passava pelo local.
Descemos muito em uma estrada que possuía umas verdadeiras piscinas de areia, o que exigia muito cuidado para não cairmos e força nas pernas. Rei e eu avistamos uma siriema a nossa frente que apostou corrida conosco durante uma boa distância...rsrsrs. A estrada tinha diversas bifurcações e em uma delas se não fosse a grande experiência de Maurão em leitura de mapas teríamos entrado em uma “fria”... Pedalamos muitos quilômetros sem ver uma única pessoa, enquanto que a nossa reserva de água já estava acabando, a sorte foi que avistamos em um vale o que seria uma sede de fazenda. Rei e eu fomos escalados para fazer uma incursão até lá para averiguar se estávamos no caminho certo e buscar água. Um rapaz atendeu com gentileza a nossa chegada e conseguiu água suficiente. Por sorte estávamos no caminho certo, mas ele não sabia dizer com exatidão qual a distância até Água Fria.
Pedalamos muito sofrendo com areia, estava bastante cansado e pude perceber que a vontade de chegar ao destino era também de todo grupo. Quando começava a cair a noite chegamos em um bar perto de uma pequena cachoeira, lá comemos as nossas últimas reservas de comida (amendoim, biscoito, etc) e bebemos refrigerante. Percebi um ânimo geral quando um dos meninos presentes falou que estávamos perto do nosso destino, mas o que eles não falaram foi que a areia irei piorar, e foi o que aconteceu... afff... Chegar em Água Fria foi um martírio! Ou seria suplício? Hein Popó?
Quando chegamos em Água Fria, pensa que acabou? Acabou nada!!!! Ficamos sabendo que o único restaurante do povoado já estaria fechando. Pedalamos em alta, com todas as forças que ainda restavam até encontrarmos com Dona Preta arriando as portas. Suplicamos a ela que fizesse algo para comermos até que compadecida de nossa situação, aceitou nos atender. Ufa!! Ainda restava um detalhe, onde iríamos tomar banho e dormir!? Hein!? O restaurante de Dona Preta tinha uma varanda bastante aconchegante com chão em pedra ardósia, ideal para estendermos os nossos sacos de dormir, rsrsrs, ela não fez nenhuma objeção, entretanto, descobrimos que para tomarmos banho a única opção seria irmos até um rio que passava logo abaixo da rua. Só tomei banho naquele frio porque não teve jeito, rsrsrs. A galera ficou me zoando devido ao meu medo de entrar na água, mas quem ficou engraçado todo ensaboado foi Piau, rsrs, Popó lembrou do povo aborígine! Rsrsrs.
Depois disso tudo, pensa que acabou? Acabou nada!!! Quanto estávamos todos deitamos prontos para dormir, sentimos um cheiro bom de comida, Piau chegou até a sonhar em comer mais... Um pouco mais tarde, acordamos com a varanda tomada por uma fumaça escura que vinha de dentro do restaurante, percebemos que Dona Preta tinha esquecido uma panela com fogo acesso no fogão, a situação foi de desespero o cheiro era insuportável! Piau subiu no muro da casa para informar a ocorrência, mas os moradores (parentes de Dona Preta) ficaram assustados, pensaram que estavam sendo assaltados, rsrsrs. Vendo isso, subi também no muro e comecei a gritar bem alto “Fogo! Fogo!”, foi quando vi um rapaz sair da casa com uma espingarda na mão, tomei um susto e desci rapidamente do muro! Rsrsrs. Que agonia foi aquilo! Sorte que eles perceberam o que estavam acontecendo, entraram no restaurante e desligaram o fogo... Salvamos o estabelecimento de Dona Preta que ficou bastante agradecida... Ufa!!!
Pois bem pessoal, expedição é isso aí e muito mais que não dá para contar tudo aqui, quem sabe um dia escrevemos um livro, rsrsrs. Já falei muito sobre expedição em várias outras resenhas dos anos anteriores, mas vai mais uma frase: - Expedição é aventura na veia e para poucos que gostam. Tem uma outra frase que gosto muito: - Se que chegar rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo. Dessa vez fomos ainda mais longe!
Obrigado amigos expedicionários por mais essa experiência! Que venha agora o 4˚ dia!!! Até mais, Elson.
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!

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