Pedalando em Ouro Preto: Parque do Itacolomi, Mariana e Lavras Novas

O ano de 2011 foi bom, mas a surpresa estava para vir no final de novembro, quando comprei a minha atual Specialized StumpJumper Comp 29er, modelo 2012, e passei a usar sapatilha para pedalar (alguns tombos foram inevitáveis!). Senti-me ainda mais parte do Mural de Aventuras e tive a oportunidade pedalar com ela na trilha de confraternização de Sapiranga, aposentando de vez a T-Type (cumpriu seu papel!). Mas, o ano ainda não havia se encerrado e mais surpresas estavam por vir. Com viagem marcada pra Ouro Preto no dia 17 de dezembro, comprei um mala-bike, desmontei a bike e ingressei aeroporto adentro com ela pendurada no ombro. A sensação é magnífica, mas tive calafrios quando despachei a bike e ela desapareceu com um carregador. Fiquei imaginando se ela chegaria em Belo Horizonte bem e rezando pra não ter problemas. Apesar disso, quando consegui resgatar a bike, a primeira coisa que vi foi um rasgo no mala-bike (é impressionante como as empresas aéreas conseguem cuidar tão mal das nossas bagagens) e, de pronto, abri pra ver o estado da bike; o câmbio (um SRAM X9) estava pendurado!!! Pensei que fosse a gancheira, meu coração disparou! Felizmente, foi apenas o parafuso allen que quebrou, mas fiz questão de registrar queixa junto à empresa pra entrar nas estatísticas deles e, quem sabe, isso os estimula a melhorar o atendimento. Mais um percurso, agora, de ônibus, fui de BH pra Ouro Preto, só tranqüilidade, o ônibus cuidou melhor da bike do que o avião. Em Ouro Preto, algumas surpresas me aguardavam. No dia 18 de dezembro, eu e minha irmã vestimos as camisas do Mural e fomos em direção ao Parque de Itacolomy. Ouro Preto estava debaixo d’água, mas isso não foi obstáculo, o problema mesmo estava nas ladeiras íngremes do parque, 4 quilômetros de subida... toma-lhe empurrar a bicicleta! Valeu a pena, passamos por trechos da Estrada Real, encaramos boa parte da trilha do forno e tivemos a maravilhosa felicidade de apreciar raras belezas naturais de mata virgem. No dia 20 de dezembro resolvemos tirar o pé do chão novamente e saímos de Ouro Preto rumo a Mariana, outra linda cidade histórica. O percurso de ida foi muitíssimo tranquilo, só decida! Chegando em Mariana, logo vimos uma placa que indicava “Pico da Cartucha – Altitude 1343m – 6km – Mirante Natural” e imediatamente viramos à direita ir até lá, com o ingênuo pensamento de que conseguiríamos com facilidade. Infelizmente, o cansaço venceu, a subida era muito pesada e devemos ter subido apenas pouco mais de dois quilômetros, era engraçado como as pessoas riam dizendo que éramos loucos por tentar subir aquilo de bicicleta, terei de voltar pra conhecer o Pico da Cartucha. Voltamos e entramos na cidade de Mariana, demos uma volta pelo centro histórico, fomos à praça da Sé com sua linda igreja central e depois pegamos o caminho de volta pra Ouro Preto. Agora foi barra pesada, tivemos que subir tudo o que descemos e minha irmã simplesmente não aguentava colocar o pneu pra rodar. Tive que literalmente puxá-la morro acima, foram uns 6 quilômetros assim, ao menos devo ter aumentado o condicionamento físico. A melhor aventura estava por vir no dia seguinte. O dia 21 de dezembro foi perfeito em Ouro Preto, finalmente o sol se mostrou e às 7 horas encontrei com o ciclista Celso, biker há 15 anos em Ouro Preto, que conheci no caminho pra Mariana no dia anterior e que se dispôs a me conduzir numa trilha de Ouro Preto a Lavras Novas. Saímos rumo ao Parque de Itacolomi, quatro quilômetros de subida intensa, empurrei a bike um bocado, mas era só o começo e eu empurraria muito mais! Passamos pelo Museu do Chá e logo adentramos a mata virgem do parque para atravessar uma trilha extremamente técnica, com muitas subidas e escorregadia, porque a mata fechada mal não deixava o sol chegar ali. As subidas faziam tudo ficar pior, eu nunca me cansei tanto num pedal e nunca senti tanta necessidade de empurrar a bike! Aquilo que era um sacrifício pra mim, parecia brincadeira de criança pro Celso, ele subia aquelas paredes com muita facilidade e, como se não bastasse as subidas de mata, ainda tive que enfrentar subida em pedra! Isso mesmo, trilha com subida nas pedras de Minas Gerais! Eu mal tirava o pé do chão e voltava a empurrar, mas cada vez que chegava a um ponto alto e olhava em volta, com aquela vista magnífica, minhas energias se renovavam e eu estava pronto pra pedalar (ou melhor, empurrar) de novo! Nunca esquecerei o Mirante do Custódio e a Cachoeira dos Três Pingos no percurso, são pontos que merecem destaque! Quando pensava que não agüentaria mais, avistei o pequeno vilarejo de Lavras Novas. Ufa! Antes de qualquer coisa, eu queria beber, comer... sentamos numa padaria e bebi brincando um litro de suco DelValle Mais de goiaba e comi dois pães de queijo. Energias restabelecidas, passamos na Igreja do vilarejo para foto e era hora de retornar pra Ouro Preto. Diante das infinitas subidas pra chegar a Lavras Novas, imaginei que a volta seria só descida, ledo engano. Os primeiros quilômetros foram de descida, mas Celso me guiou para voltarmos por uma trilha diferente por dentro do Parque de Itacolomi, e lá se foram mais algumas horas de muito cansaço, mas muitíssima satisfação por estar completando uma das trilhas mais lindas – e a mais difícil – que já fiz até hoje! Eu ainda não estive na Serra da Jibóia, mas eu classificaria essa trilha de Ouro Preto a Lavras Novas, no mínimo, nível 5. Tudo isso foi feito levando o Mural comigo e a experiência que adquiro em cada pedal com esse grupo seleto e amigo. Luiz Carlos
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8 comentários:

Elson disse...

Luiz,
Muito bom o registro! Dentre outras coisas, deu para perceber a sua paixão pelo MTB e pelo Mural de Aventuras!
Parabéns a vc e a sua Irmã que também demonstrou ser uma guerreira!
AH! É um Mural em Minas!!! Show!
Um grande abraço!

josa disse...

rapaz muito massa esses locais que voce passou, as ladeiras deixam os pés coçando srsr, se fosse mais perto, poderiamos fazer um nivel 5 por ai srsrs BMMP

Ramster disse...

Luiz,

Show de bola a trilha, a resenha, as fotos e acima de tudo a determinação e a coragem de vocês, isso prova que realmente você é um muralista e um "cabra" apaixonado por MTB.

Parabéns por tudo e principalmente pela bike a t-type já tava na hora de se aposentar, rsrsrs.

PEDALE SEMPRE! SE PARAR, VOCÊ CAI.

Renato disse...

Luiz muito bom!
Os locais que vc passou é muito legal.
Parabens pra vc e sua irma, que mostraram força e muita determinação na empreitada.
Parabens!!!!
Um abraço

Igor disse...

Parabéns Cara! Mtb é isso aí!

welseman disse...

Cara, o "upgrade" da bike deu coragem ao nosso amigo. Show de trilha. Realmente Minas Gerais dispensa comentários quando o assunto é MTB. Precisamos pensar em um evento por lá ... Booora Mural!!!

Anônimo disse...

Luiz,

Parabéns pela aventura.

Me deixou com saudades da estrada real que tive o prazer de desfrutar pedalando de ouro preto a paraty.

Espero ter a oportunidade de pedalar com vcs do mural aqui em salvador. Acho o grupo muito bacana.

abs,

george argôlo

Luiz C. Assis Jr. disse...

Amigos,

Os comentários são estimulantes para continuar a trilhar com o mural e a desbravar novos lugares.

O pedal em minas foi realmente muito bom.

George, venha pedalar com a gente, terças à noite no CTM, confira no site.

Abs!