7° Dia da Expedição no Deserto do Atacama (Vulcão Licancabur - Downhill El Toco)

Depois de subirmos altitudes imensas e nadarmos em águas geladas chegou o momento de fazer um downhill inesquecível de uma altitude superior a 5.000m num total de 45Km de muita adrenalina.
Depois de conhecermos a agência Vulcano Expediciones pudemos ir ainda mais longe e mais alto, nossa aventura ficou ainda mais emocionante. Assim, no 7º dia da nossa expedição fomos pela estrada que levaria à laguna verde, na Bolívia, e aquele seria o nosso destino, mas apenas seria. Devido a burocracia para poder passar pela fronteira com a Bolívia, resolvemos seguir direto o pico “El Toco” ao lado do Vulcão Licancabur.
A van chegou a aproximadamente a 4.500m de altitude e não conseguiu mais continuar. Então subimos pedalando os últimos quinhentos metros para alcançarmos a altitude de 5.000m. Lá no alto, voltamos a ser crianças em uma infância nunca antes vivenciada por nenhum de nós: estávamos rodeados de neve onde pudemos pular, rolar, lançar bolas de neve uns nos outros e relembrar um pouco das coisas que havíamos passado até ali.
Depois de colocar as cocas-colas para gelar na neve preparamos para o grande downhill e as surpresas que nos esperavam. Eu estava sem freio dianteiro e por isso fui descendo com cautela redobrada as curvas insanas e extremamente íngremes com muitas pedras e aquela areinha solta que faz a gente ir ao chão, enquanto os outros expedicionários desciam em alta zig-zagueando as montanhas como se fossem meros brinquedos de criança nas mãos de um gigante.
Em um dado momento dos nossos mais de quarenta quilômetros de descida, quando a velocidade estava em cerca de 60 quilômetros por hora, Maurão perdeu o controle da bike justamente naquela areinha e capotou. Eu estava atrás, ao lado ele estava Marcelo e na frente estavam Rei e Elsão. Apenas vi a poeira subir e a bike pular como se tivesse sido jogada numa cama elástica. De repetente, parei e Maurão estava no colo de Marcelo, ele tinha capotado algumas vezes, seu capacete quebrou e ficamos todos realmente receosos sobre o que poderia ocorrer. Para nossa felicidade, aquilo não passou de um susto e Maurão se levantou em seguida, montou a sua bike e continuou a descida, mas em dez vezes mais devagar do que antes da queda.
Nem preciso mencionar a nossa apreensão com o restante da descida depois do ocorrido com Maurão, mas isso não impediu que os expedicionários pudessem curtir em alta o downhill com que foram presenteados. Curioso é que cerca de dois meses depois, quando já estava no Brasil, Maurão descobriu que aquele tombo lhe resultou em duas costelas quebradas!
Ao chegarmos em San Pedro de Atacama, passamos na farmácia para a medicação de Maurão, jantamos e fomos dormir já pensando no dia seguinte que seria literalmente de “Lascar”! Forte abraço e até a próxima! Luiz Carlos de Assis Jr.

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