8° Dia da Expedição no Deserto do Atacama (Escalada do Vulcão Lascar)

Depois de sete dias de muitas aventuras no Atacama, imaginava que já havíamos feito de tudo. Estava completamente enganado. Na noite anterior, ao andarmos pelas ruas geladas de São Pedro, entramos na Agência de Turismo de Aventura Vulcano, procurávamos algo especial para encerrar com “chave de ouro” a nossa expedição em terras chilenas. Sendo assim, foi apresentado um desafio que iria superar tudo que já tinha feito em minha vida.
A aventura seria era subir o Vulcão Lascar, uma enorme montanha de 5.600 metros de altitude, coberta de neve que expelia fumaça. Ou seja, um vulcão ativo.
Acordamos bem cedo, arrumamos as bikes na van e partimos em direção ao grande desafio. Levamos também as bikes, pois após a escalada ao vulcão, também tínhamos e intenção de fazer um downhill até a vila de Socaire.
Para chegarmos a base do Lascar, já foi uma verdadeira aventura. Ele fica distante e é preciso atravessar muitos quilômetros de vales cobertos de neve, gelo e pedras. Por diversas vezes o carro teve que engatar o 4x4. Imaginava que a qualquer momento poderíamos dar adeus a escalada devido a uma quebra do carro ou bloqueio da estrada que em vários momentos sumia por debaixo da neve.
Paramos para o café da manhã à beira de uma lagoa altiplanica, era linda! O lugar era maravilhoso e ao mesmo tempo inóspito, estávamos a mais de 4.000metros e o frio incomodava, já era possível ver no horizonte e no alto a fumaça que saia do vulcão, naquele momento pensei que já tinha valido a pena, mas ainda faltava a maior e o mais duro desafio, subir o Lascar.
Colocamos mais roupas de frio, emprestadas pelo nosso guia Cristian, e começamos a escalada. A orientação que tínhamos recebido é que deveríamos caminhar lentamente, em passos curtos. Logo pude perceber o motivo, a qualquer movimento mais brusco, sentia o coração acelerar e um grande cansaço acompanhado de falta de ar.
Quanto mais subíamos, mais os efeitos da altitude aumentavam, além do frio e da inclinação. Pude perceber que Cristian não conseguia acompanhar nosso ritmo e cada vez mais ficava distante. Ele estava gripado, e sentia ainda mais os efeitos da altitude. Pelo radio, mantivemos contato, era o fim da aventura para ele. O mesmo passou a orientação que devíamos seguir a trilha para chegarmos ao cume e assim continuamos a escalada sem guia.
Após aproximadamente uma hora de subida, a van era apenas um ponto vermelho distante na paisagem e Cristian quase não mais enxergávamos, o rádio com ele passou a falhar. Assim como no primeiro dia da Expedição, voltei a sentir uma leve dor de cabeça, mais um dos efeitos da nossa situação extrema.
Também comecei a ficar preocupado com Rei, estava muito devagar, parava mais vezes e tínhamos que esperá-lo. Peguei a câmera e comecei a fazer vários vídeos e fotos para tentar registrar sua superação.
Algo interessante passou a ocorrer. Como um pacto de silêncio, e sem nenhum tipo de acordo prévio, ao vermos a situação de Rei, ninguém o incentivava a continuar ou desistir, apesar de preocupados com a sua integridade física. Sabíamos que essa era uma decisão que ele deveria tomar, apenas esperávamos e continuávamos a escalada após sua aproximação.
Subíamos e a cada momento mais elementos e dificuldades apareciam, como o aumento do frio (pés e mãos congelando), o cheiro de enxofre que saía do vulcão e a fadiga muscular. Com o ar rarefeito, o corpo tem dificuldade de oxigenar os músculos e a possibilidade de ocorrência câimbras torna-se alta.
Era também impressionante a paisagem, difícil de descrever, só estando ali para entender a dimensão do lugar, ficamos bem pequenos diante daquelas grandes montanhas e vales nevados. Facilmente perde-se a noção de distância. Espetacular!
Estávamos bem perto do topo quando paramos para o último descanso, sentia que faltava pouco para alcançar o nosso objetivo, a emoção pela conquista próxima me envolvia, enquanto tentava não perder o foco para que nada mais pudesse dar errado. Depois de tudo que tínhamos passado, não existia mais a possibilidade de desistências, sabia que a partir dali qualquer um daria tudo para concluir o desafio.
Os últimos metros foram angustiantes, a fumaça parecia perto, mas tivemos que andar uma boa distância para finalmente chegarmos à borda da cratera. Ao chegar, fiquei alguns minutos tentando primeiro tomar fôlego para depois apreciar o momento. Senti medo de chegar mais perto para ver a fumaça que saia de dentro do grande buraco, era muito alto e ventava. Estiquei o braço para filmar, mas era difícil.
Fui tomado por uma grande emoção, uma mistura de felicidade, saudade e outros sentimentos que não consigo explicar. Ao ver meus companheiros Expedicionários todos juntos, cada um com suas histórias de vida, mas ao mesmo tempo curtindo a conquista de seu modo, lembrei mais uma vez que éramos iguais por sermos doidos e apaixonados por aventuras e desafios! Nós abraçamos emocionados, nesse momento recebi o carinho e palavras de reconhecimento pelo trabalho desempenhado pelo Mural de Aventuras. Um momento mágico, inesquecível!
O retorno foi bem mais rápido, para descer todo santo ajuda, apesar do perigo de escorregar em uma pedra ou mesmo na neve. Fiquei sabendo de um relato de Cristian em que falou que nós fomos o primeiro grupo de muitos que todos integrantes chegaram ao topo, sempre havia uma ou mais desistências durante o caminho. Acredito que foi o espírito de grupo do Mural que fez isso possível e a festa não seria completa se todos não tivessem chegado lá.
A missão estava cumprida, depois de tudo que tínhamos passado durante aquele dia, nem mais pensávamos em pegar as bikes, a Expedição no Deserto do Atacama chegava ao fim com muito sucesso e já no retorno dentro da van, apesar de todos eufóricos, um pingo de nostalgia me bateu. Passei a lembrar dos momentos que tínhamos vivido no Atacama e senti que cada esforço durante aqueles últimos oito dias tinham sido muito bem recompensados.
Aproveito para agradecer aos irmãos expedicionários Luiz, Marcelo, Maurão e Rei e a todas as outras pessoas, com destaque especial a minha esposa Rosania, que contribuíram e apoiaram a realização de mais essa Expedição.
Um grande abraço. Bora Mural! Elson.
VEJA O VÍDEO DOCUMENTÁRIO ABAIXO  
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10 comentários:

Marcelo Amorim disse...

Sem dúvida o melhor dia da Expedição!

Ed Bala disse...

Eita frio...parabens expedicionários muralistas.Transalpes vem ai.4 países um destino,demais!ô vontade de ir.

Iane Sabrina disse...

Emocionante! Deu pra sentir algumas emoções que sentiram só em ler. Parabéns, aventureiros. BBMP

Iane Sabrina disse...

Emocionante ...
Deu pra sentir essas emoções só em ler. Belo texto.
Parabéns, muralistas. Este é o nosso espírito. BBMP

Rei disse...

Expedição Atacama foi inesquecível e este dia mais ainda... nunca havia passado por tanta dificuldade física como nesta subida ao vulcão!!! Hoje posso dizer que estive lá... se volto a subir outro, não sei!!! Agradeço a paciência dos companheiros, mas não podia ser diferente, assim é o Mural de Aventuras. A resenha e o vídeo me fez voltar no tempo... valeu Elsão, show de bike!!! BMMP!!!

Ramster disse...

Show, o relato, as imagens, o video perniciosamente a emoção que vocês sentiram!

Ramster disse...

Show, o relato, as imagens, o video perniciosamente a emoção que vocês sentiram!

Ed Bala disse...

Emocionante! Não tive privilégio de estar nessa expedição , mas viajei e senti a emoção que vcs sentiram ao chegar no topo do vulcao, graças às belas imagens a resenha e o vídeo emocionante.Parabéns galera.

Giulyano disse...

As palavras que ficam são emoção e superação. Realmente uma aventura incrível, especialmente para um grupo sem grandes esperiências em aventuras em grandes altitudes. Parabéns a todos, mostraram a emoção dos desafios. BMMP!!!

JP disse...

Parabéns amigos. Só quem foi numa expedição sabe o que é realmente. Espero que as postagens encorajem cada vez mais e que todos possam ir pelo menos uma vez numa jornada dessas!