Desafio da Serra da Jiboia 7

O PRIMEIRO DIA
E mais uma vez é anunciada mais uma edição da trilha mais casca grossa do Mural de Aventuras, informe que muitos aguardavam com anseio, alguns para repetir tal experiência e outras para se colocar à prova na tão falada Trilha da Jiboia. As inscrições foram abertas e a adrenalina começou, muralistas ligando para os outros, desespero por não poder fazer o depósito da taxa naquele momento, momentos de indecisão... E em questão de horas se encerraram, apenas 10 sortudos e muitos interessados ficaram de fora, porém, a experiência de Elsão dizia que quem realmente gostaria de ir não precisaria se preocupar, pois sempre surgiam os arregões, e realmente aconteceu, o primeiro foi Guga, logo em seguida JP, Coquinha também perdeu o gás, e por último João, que havia entrado na vaga de um desistente e também arregou desistiu. Mas não só de arregões vive a pré-Jiboia, Cangaceiro se candidatou para a aventura e na última hora Serjão se incorpora ao grupo final, que além destes últimos, contava com Elsão, Rei, Josa, Mandrake, Welton, e os novatos Herrera eu (Giulyano).
Já viu né, se antes mesmo de começar já rendeu histórias, a resenha dos dois dias vai ser looooonga. Grupo fechado, partimos na sexta-feira para o tradicional ponto de encontro na BR-324, o Rei da Pamonha, chegamos Mandrake, Serjão e eu no carro de Mandra, ás 18:30, bem antes do horário combinado às 20:00, e nada dos outros aventureiros, até que encima da bucha chega o segundo carro, com Herrera, Rei, Josa e Welton, adivinha quem se atrasou quase uma hora? O chefe! Fato raro devidamente registrado; quando chegou botou a culpa na esposa, mas já começou devendo coca-cola. Rádios distribuídos, assim como, as camisas temáticas da Jibóia 7, foto para registrar e finalmente, PARTIU! Partimos em direção Santo Antônio de Jesus (SAJ) onde encontraríamos Cangaceiro, uma viagem descontraída pelas resenhas generalizada através dos rádios, porém, ao entrar na BR-101 percebi que Serjão estava meio tenso, tentando a todo custo frear o carro, mesmo estando no banco do carona, e se segurando como podia; após algumas horas de adrenalina chegamos em SAJ, mais um carro para o comboio e seguimos por uma estrada de chão até a fazenda dos sogros de Elsão, antes de chegar trabalho para os novatos, que todos que vão passam, quando for sua vez você saberá. Enfim, por volta das 23:30, chegamos. Retira as bikes, material pra dormir, bagagens muita bagunça e uma recepção maravilhosa por parte do Sr Rafael e Sra Neide, que são exemplos de hospitalidade, nos servimos do maravilhoso banquete, com muitas opções de tudo e com o sabor caseiro que deixa tudo ainda mais gostoso. Após muita resenha e barrigas forradas, começamos a nos arrumarmos para uma curta noite de sono. Todos espalhados pela casa, claro que demoramos a pegar no sono; mas alguns roncos e flatos depois, desmaiamos. Antes do horário marcados fomos acordados pelas vacas, o dia ainda raiava, fomos nos levantado aos poucos e iniciando os preparativos, e logo vem o chamado: o café está servido! Eu ainda estava cheio da jantar, mas fui orientado a me forrar, porque o que vinha pela ia consumir tudo e muito mais. Atacamos esta outra refeição maravilhosa, pois seria a última com essa qualidade (e quantidade) em 2 dias. Agora é só terminar de equipar e partir pra trilha, mas não sem antes fazer uso de muito filtro solar, até, ou especialmente, em áreas que não estariam expostas ao sol (quem é Muralista sabe do que estou falando, tradição...). Tudo pronto e ao subir na bike percebi que a suspensão não trabalhava, olhei a trava, mas estava liberada, tentamos de tudo, no jeito e na força, e nada, constatamos que só abrindo a suspa para tentar resolver, mas como fiquei com medo de dar merda e ficar sem fazer a trilha depois de ter chegado até ali, preferi encarar com a bike como estava, a primeira vez que alguém tentaria fazer a trilha da Jibóia com o Mural de Full Hard (kkkkkkkk), tínhamos mais três HT, de Elsão, Welton e Cangaceiro e os outros 5 restante, de Full Suspension. Saímos pelo pasto até um ponto elevado onde Elsão passou todas as instruções e emoção de estar ali mais uma vez, e ao longe nos foi apresentada nossa meta maior, o alto da serra da Jiboia, e as antenas que marcavam o ponto a ser conquistado. Após alguns minutos de contemplação da linda paisagem, descemos em direção contrárias e já pegamos um declive bem técnico cheio de pedras soltas, e pra aquecer uma subida dura também técnica pelo pasto, foi nesse momento que pensei: começou a Jiboia. Seguimos por pequenas subidas e descidas até o povoado de Santana, todos muito empolgados, eufóricos, paramos para uma foto em frente à igreja e seguimos subindo, depois de alguns minutos de subidas, que depois descobri que eram leves, iniciamos a primeira mais longa e com uma inclinação maior, parecia interminável e a cada curva que se abria e morro que superávamos mais subida aparecia, e para piorar era de cascalho com algumas valas, então além de força e resistência exigia técnica, aos poucos fomos chegando ao topo, todos cansados e os mais experientes sorrindo dizendo que nem sequer havia começado, até que chegou Serjão, e neste momento ele percebeu que havia exagerado em sua mochila, que era gigante e estava muito pesada, e repetindo e frase a aventura nem sequer havia começado. Mais à frente, sofrimento compensado, um Down Hill num single track muito inclinado e com muitas curvas que Mandrake saiu borcando na frente, seguido por Elson e Rei, logo atrás, Welton, Cangaceiro, Herrera e EU, todos numa descida roda a roda, com curvas feitas com o pneu traseiro deslizando; chegamos ao final com as mãos doendo e foi possível acompanhar o final da descida de Josa e Serjão, euforia total!!!! Paramos em uma cidadezinha para reabastecer as mochilas de hidratação e dali seguimos em direção à cachoeira, passando, como sempre, por subidas e descidas velozes. Chegando lá, parada para abastecer, hidratar, lavar a bike e refrescar a cabeça, poucos entraram, a água estava muito fria e escassa devido à seca, mas é um ponto de apoio estratégico. Muita resenha, quase quedas no limo e seguimos para agora sim iniciar a primeira subida da serra.
Se a outra parecia interminável e técnica, esta agora mostrou que os conceitos de subidas mandam drasticamente à cada etapa da aventura da Jibóia, subíamos por muito tempo pela mata fechada e úmida sem parar, até partes mais íngremes ou técnicas onde poucos passavam, normalmente Elson, Cangaceiro, Welton e Rei, os demais subiam umas, empurravam em outras, mas sempre tentando continuar de onde parávamos, algumas eram realmente impossível e o empurra era geral, nestes momentos aproveitávamos para reagrupar e o velho ditado: quem chega por último não descansa nem ouve a resenha, não tem moleza não. Sempre ouvíamos: segue em frente que ainda falta muito, e assim seguíamos, tinham momentos que a vontade era de tirar toda a tralha e deitar no chão, de tanto que a temperatura aumentava, com a frequência lá encima, até que a corrente de Josa quebrou e tivemos que parar por um bom tempo; agora já recuperados chegamos até um dique, dali poderíamos seguir para a Ladeira do Miguel, um famigerada e longo empurra-bike, mas Elsão disse que seria evitado pois mais à frente teríamos surpresas no percurso.
Continuamos subindo até que chegarmos a um Jequitibá enorme, já não haviam morros acima de nós, só então percebi que havíamos chegado ao topo daquela parte da serra, então nos preparamos para descer o down hill mais insano da serra, longo, muito inclinado, cheio de curvas, pedras, valas, jumps, enfim de tudo. E então “LARGAAAAA!!!”, descemos em alta, chegando ao final da primeira parte e dava pra ver nos olhos a adrenalina à mil, todos falando ao mesmo tempo, tentando contar eventos de quase queda, curvas no limite, pedras enormes, saltos e muita velocidade. Então ficamos sabendo que ainda vinha a segunda parte, e já adrenados, a empolgação foi ainda maior, muiiiito bom, valeu toda a subida, voamos ladeira à baixo. Depois de tanto esforço e adrenalina seguimos para mais um ponto de apoio, a casa da farofa, um bar próximo à uma casa, com bebidas gelados, muita hospitalidade e uma farofa deliciosa com a qual todos se fartaram, estávamos exaustos, descansamos e mais resenha, muita risada, muitos Muralistas que não estavam presentes lembrados, já estávamos no início da tarde, então PARTIU!
Dali pegamos um estradão longo e como sempre com subidas duras, neste momento percebemos a sorte de não estar fazendo sol, o dia todo foi nublado com uma boa temperatura, continuamos até o último morro, onde paramos na casa da laranja, onde um senhor muito hospitaleiro nos forneceu um balde cheio de laranjas, e pudemos desfrutar de das frutas e da prosa, Serjão chupou umas 20 laranjas, e em pouco tempo as laranjas se foram. Então agora é descer, seguimos em alta por curvas muito fechadas, numa delas Cangaceiro quase se choca numa moto, mas seguimos sem problemas, ao final chegamos numa casa onde paramos, Mandrake pediu um pouco d’água e claro foi logo atendido, descansamos enquanto observávamos as antenas, que sempre víamos ao longe, passando de um lado para o outro, agora já mais perto, bem à nossa frente, até lá só se via subidas que de longe já pareciam duríssimas e se perdiam no meio da mata. Hora de tomar coragem e começar a escalada, até que Elsão se pronuncia e diz que o caminho não era aquele, seguimos subindo sim, mas para a direita. Neste momento um dos meninos que estava maravilhado com as bikes, pegou a sua e disse que nos acompanharia até o alto do primeiro morro, nem precisa dizer que era muito inclinado, e assim foi, porém ele não nos acompanhou, e sim, passou por todos, e a pedido de Herrera chegou ao alto bradando: “broquei Mandrake, broquei Mandrake...”, ninguém aguentou, todos paramos e a gargalhada foi geral, rimos muito. Nos despedimos do futuro brocador, e seguimos em frente; as antenas ficaram para trás, e a tarde já estava próxima do seu fim. Iniciamos umas ladeiras cada vez mais íngremes, e começaram minhas cãibras, parava alongava, subia... Até chegar a uma ladeira escrotíssima, que todos se surpreenderam, e claro minhas cãibras se espalharam por todo o corpo, como não estava seguindo com o grupo não sei quem zerou, mas não foi fácil para ninguém, muito sofrimento já no fim do dia. Então mais á frente vejo Welton, que já havia subido, sair do mato com uma cara de alívio, eu não entendi nada, todos com cara de acabados e ele sorrindo, foi então que entendi e batizamos a ladeira, Ladeira do Barro ou do Cagão como preferirem (kkkkkkkkkkkk).
Continuamos subindo já em direção às antenas, até que chegamos em outra estrada, neste momento Elson parou, conversou com Rei e seguimos em frente (lembrem-se deste ponto, pois vai voltar á história mais à frente), neste momento eu achava que não aguentaria mais nada, mais só tinha subida, começou a neblinar, e seguimos até encima das nuvens, numa curva Elsão parou para tirar fotos, e então nos revelou que não chegaríamos às antenas naquele dia, mas faríamos à partir dali um dos melhores down hill da trilha, saímos da estrada e descemos em alta, só parávamos para abrir as porteiras, reagrupar e continuar brocando, foram vários minutos, já era noite quando chegamos na última descida antes do povoado de Pedra Branca, descemos em alta até que ouvi um barulho e quando olhei, estavam Herrera e Rei no chão depois de um quedão espetacular, e no único lugar que havia público, dois caras se pocando de rir, logo se levantaram, todos bem, nada grave, seguimos para Pedra Branca, para comer um Hot Dog antes do destino final do dia. Comemos, e a chuva que era fina apertou, junto com o frio, eu peguei meu corta vento e os outros pediram sacos plásticos que colocaram embaixo e por cima da roupa molhada, ficou muito engraçado, Herrera comprou uma camisa de pijama para tirar a dele molhada, e ficou ainda mais hilário.
Já noite alta, chuva apertando e seguimos no breu, apenas às luzes dos faróis das bikes, por um estradão em direção ao asfalto que levaria à Santa Terezinha, neste momento os amigos perceberam que minha roda traseira estava muito empenada, mas dava pra seguir; foram alguns quilômetros de pura brocação na chuva e no frio com as luzes da cidade se aproximando cada vez mais, até chegarmos a um barzinho, comemoração geral, parada para uma merecida cervejinha, muita emoção, nos informamos de onde ficava a pousada com o sugestivo nome de Estalagem Serra da Jibóia, de propriedade do Zé Galinha e sua esposa, chegamos à pousada conduzidos por um maluco que estava equilibrando uma barra circular no queixo. Enfim um banho quente, dividimos os quartos e nos preparamos para o jantar, a pousada é toda voltada para o voo livre, muito legal. Comemos à vontade, muito boa a comida, conversamos um pouco, estávamos realmente exaustos, neste momento Serjão arranjou uma forma de frear Mandrake na volta de carro no final do dia seguinte, caso ele não passasse de 110 km/h, ganharia uma quantia em dinheiro e caso fosse mais rápido perderia aquela quantia, aposta aceita fomos dormir.

O SEGUNDO DIA

Como de costume acordamos cedo e fomos tomar o café reforçado; sem demora foi equipar, lavar as bikes e tentar consertar a roda traseira da minha, Mandrake tentou mas era impossível, pois em três lugares a parte que segura os raios havia se partido, então era continuar sem suspa e com a roda empenada. Saímos para tirar algumas fotos e pegar o asfalto de volta à Pedra Branca, neste momento Zé Galinha informa que havia uma forma de chegar a este destino pela serra, porém a subida era muito extensa e difícil, os olhos de Elsão brilharam e minhas pernas amoleceram, afinal o que seria um esquente pelo asfalto se tornaria um desafio desconhecido logo no começo do dia. Partimos na direção informada e chegamos numa rua sem saída, volta; nos informamos melhor e agora sim, seguimos, sempre avisados pelos moradores sobre as dificuldades que encontraríamos à frente, em direção à serra. Tão logo saímos da cidade, iniciaram-se as subidas, longas, técnicas, com valas e barro, pois havia chovido bastante na noite anterior, logo as pernas estavam queimando, alguns paravam, outros passavam, à frentes estes estavam parados e passávamos novamente, sempre com muito sofrimento, em algumas horas chegamos ao topo desta primeira etapa de subidas, uma vista espetacular da cidade e das serras que a circundam. Aproveitamos para descansar um pouco e decidir o caminho a ser seguido, continuamos subindo até umas mangueiras, uma das frutas prediletas dos Muralistas, logo, parada obrigatória; continuamos no perdidão até encontrar um senhor, confirmamos o caminho e agora descida, o homem pediu para tomarmos cuidado pois a ladeira era muito íngreme e ele não havia subido nem de moto, que estava abaixo, começamos devagar até ouvir LARGAAAAA! Ai foi brocação, passamos pela moto e descemos em alta, daí foi um estradão para Pedra Branca, mas antes da chegada claro, uma subida escrota, eu seguia de cabeça baixa e quando olhei pra frente exclamei sem perceber: DESG...AAAA!!! Josa que já estava no meio da ladeira, não aguentou e parou numa crise de risos, e assim chegamos ao primeiro ponto de apoio.
Todos reabastecidos, agora é só subida, começamos logo pela Ladeira dos 10, dez minutos de subida sem parar, seguimos até um ponto em que outra estrada encontrava a que estávamos, paramos para reagrupar, e achei o lugar familiar, então Elsão revelou que aquele era o lugar em que cheguei morto, e que dali era só descer até Pedra Branca, mas ele preferiu subir, Ponto da Sacanagem, fomos em frente passamos pelo local de início do último DH do dia anterior e seguimos subindo por uma estrada sinuosa com momentos de grande inclinação outros de inclinação pior ainda, interminável, até que depois de uma curva(...) as benditas antenas, agora sim, missão cumprida! Visual espetacular, muita emoção, todos chegaram bem, guerreiros, não havia reclamações, lamentos, incertezas, apenas muita vontade de chegar e certeza que ninguém iria desistir depois de um primeiro dia tão exaustivo. Curtimos o local, fizemos as tradicionais fotos, ligamos para parabenizar as mamães (era dia das mães) e nos preparamos para descer, agora é  “só” ” voltar tudo.
Down hill da Serra, muito longo por dentro da mata fechada; já no primeiro trecho, minha roda traseira piorou e começou a pegar no quadro, nada a fazer, tive que pegar leve na descida e ir bem devagar, Mandrake ficou ao meu lado, os outros nos esperavam à frente e seguiam, descida interminável, tinha que parar para descansar as mãos que doíam de tanto frear, mas mesmo devagar foi muito emocionante. Descemos até sair da mata e chegar num pedaço cheio de valas e muito inclinado, todos que chegavam embaixo aguardavam os próximos já esperando uma queda, que veio na pessoa de Serjão, devidamente registrada; queda leve, com classe, só para descontrair. Continuamos a saga até a casa de Jessé, a água mais gelada da Jiboia, parada estratégica para reabastecer e descansar. O cara ensinou um novo caminho, porém não entendemos muito bem, e fomos parar em um pasto, que depois de muitas cercas conseguimos sair em um estradão e continuar o sobe, sobe, sobe e desce, até que passando por uma casa vimos um laranjal, perguntamos se poderíamos pegar algumas, e claro, como a hospitalidade do povo é imensa, conseguimos além das laranjas, algumas facas e uma boa conversa, seguimos em frente e comecei a ficar de moral baixa, pois só subia e na hora da brocação tinha que pegar leve e ver todos em alta, mas seguimos até a casa da farofa, alguns demoraram pra perceber onde estávamos, o bar estava cheio e começou uma chuva muito forte, assim fomos convidados a ficar na casa pra comer um pouco e nos hidratar. Josa que tinha encomendado na ida uma cerveja preta geladíssima, ficou na vontade, mas fomos recompensados pela comidas e água, suco, refrigerantes, porém eu estava tão cansado que fiquei aéreo, sem vontade nem de levantar para comer, mas todos me animaram e voltamos para a trilha, já estávamos no final da tarde, chegamos na ladeira do peru e o cansaço desta vez se manifestou por um pequeno atrito entre muralistas, logo resolvido, continuamos por subidas duras e descidas onde chegaram a superar os 73km/h em estrada de barro, show. Pra variar mais sobeeee e desce, chegamos no último boteco antes da fazenda já noite à dentro, sentamos um pouco para reagrupar, ainda deu para ver que o Vitória estava sapecando 3 a 1 no
Jahia (depois fiquei sabendo que terminou 7 a 2!!!!), fato que deu a último gás que precisávamos para chegar na ladeia do Poca Batata, subida duríssima que havíamos combinado de nos polpar nesse finalzinho e subir empurrando, porém dois malucos, Cangaceiro e Uelton, resolveram subir no pedal e sentiram o porque do nome, pararam nos últimos metros, mas Uelton resolveu tentar de novo, e subiu até o mesmo ponto pois derrapou na lama mas me doía só de pensar, superado este último grande obstáculo nos reunimos no mesmo ponto da partida, comemoramos muito e descemos gritando até a fazenda. No final das contas um joelho machucado, algum raios estourados, uma suspensão travada, uma roda empenada, algumas quedas e muita satisfação, adrenalina e momentos de felicidade plena. A partir daí foi só farra, contar os feitos, relembrar grandes momento, tomar um bom banho quente e nos fartarmos com um delicioso e farto churrasco com todos os acompanhamentos, que parecia ser para um batalhão, e beber aquela cerveja geladíssima. Muita resenha, muitas gargalhadas, aproveitamos mais a companhia e hospitalidade dos sogros de Elsão e de sua família, mas ainda faltava a volta para Salvador, e que viagem...

O maior perrengue

Fomos os primeiros a pegar a estrada de volta, Mandake, Serjão e eu, os outros preferiram descansar um pouco e sair mais tarde, partimos por volta das 21:30, o primeiro caminho deu em uma porteira trancada, volta; conseguimos voltar e seguir por estrada de barro até SAJ, então Mandrake sentiu que a direção hidráulica estava ficando mais dura e desconfiou da correia do alternador, paramos e realmente havia se rompido, porém era domingo e não tinha nada aberto, Mandrake e eu achamos que dava para seguir viagem, mas Serjão achava melhor não, voto vencido, segue; não andamos 15 km e as luzes começaram a ficar mais fracas, fracas, até que a carro parou no meio do nada, por volta das 22h e pouco, ligamos para Elsão que junto com sua esposa conseguiram acionar um guincho e pediu para que um tio dela, o Sr Zelito, nos acompanhasse, todos na fazenda ficaram muito preocupados, o tio dela logo chegou, porém nada do guincho, até que parou um carro suspeito atrás dos nossos, o cara não saia do carro, foram momentos de tensão, tinha certeza que seríamos assaltados até que depois de alguns minutos ele saiu, disse que era mecânico, mas dispensamos logo, e nada do guincho, o cara chegou já era mais de meia noite; voltamos para SAJ, e ao descer o carro o cara do guincho tomou a maior susto da vida dele quando deu de cara com Madrake que havia ficado dentro do carro, só assim pra dar risada; dormimos na casa de Dona Séa, também tia da esposa de Elsão, já eram quase duas da madrugada. Pela manhã, um mecânico veio, comprou a peça, trocou em 5 minutos e partimos para Salvador por volta das 9:30, seguimos bem devagar por causa da aposta entre Serjão e Mandrake, Mandra já estava impaciente com os caminhões na Br-101 sem poder ultrapassar, até que chegamos na Br-324, seguimos no mesmo ritmo até o pedágio de Amélia Rodrigues, e ao frear para parar no pedágio, ouvimos um barulho muito alto vindo da roda dianteira direita, como se o pneu estivesse estourado, paramos o carro rapidamente, olhamos e nada, tudo certo, Serjão pediu para andar um pouco e frear, o mesmo barulho Mandrake desceu e disse que achava que poderia ser um dos parafusos da suspensão, estava certo de novo, outro problema simples, mas precisávamos do parafuso, Serjão logo deu a idéia de passarmos o pedágio para ter direito ao reboque, passamos bem devagar e paramos, porém já era quase meio dia, os caras dos reboque provavelmente estavam almoçando, Mandrake estava indignado, pois havia revisado todo o carro, trocado pneus e varias peças da suspensão dias antes, todos estavam nos ligando sem entender porque ainda não havíamos chegado, e se oferecendo para nos buscar, mas já estávamos ali juntos e só sairíamos juntos. O reboque chegou lá pelas 13:30, dissemos que queríamos ir para Salvador, mas claro que não rolou, o cara disse que só rebocava até o próximo posto de gasolina, e que no posto voltando em sentido oposto, já em Amélia, havia um posto com uma oficina nos fundos, toca pra lá; quando chegamos claro que o mecânico tinha saído pro almoço, pedimos ao cara para nos deixar em outra oficina, mas ele se negava dizendo que não poderia fazer isso, enchemos tanto que ele nos deixou em outra, fomos atendidos por 3 guris que arrumaram um parafuso improvisado, apertaram os outros que também estavam folgados e agora sim, rumo a Salvador. Seguimos a viagem ainda em ritmo lento, e agradecendo a bendita aposta, pois se algo acontece em alta velocidade poderia ter ocorrido um acidente de verdade, então no final das contas, apesar de não parecer, somos pessoas de muita sorte. Chegamos em casa por volta das 16:30, com a certeza de ter feito a maior Jiboia de todos os tempos e a com maior nível de perrengue também.

Obrigado a todos, por essa experiência maravilhosa com vocês, muito cansativa mas também muito prazerosa, que todos tentam descrever, mas que só vivendo para se ter idéia do que realmente se trata. Em especial quero agradecer a Elson, a sua esposa, a seus sogros e ao Sr Zelito e Dona Séa que nos salvaram. Também  é claro que agradeço aos aventureiros que me deram força e me acompanharam nesta jornada, todos guerreiros. BMMP!!!!
Giulyano Lima
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR

















































































































































7 comentários:

Elson disse...

Giu,
Parabéns pela resenha, um verdadeiro documentário cheio de emoção e detalhes. Foi possível relembrar e sentir um pouco como foi essa grande aventura do Mural.
Os grande abraço a todos desafiantes da Jiboia 7 e vamos em frente que vem aí o acampamento da Serra da Jiboia!
Bora Mural!!!!

Andre Mandrake. disse...

Realmente vc, GLima, conseguiu colocar em palavras o q vivenciamos nestes 2 dias maravilhosos.
QUE VENHAM AS PRÓXIMAS!!
SEM DOR SEM VALOR.
BMMP.

Giulyano disse...

Valeu Elsão, o vídeo e fotos tbm ficaram show. Acho que me empolguei um pouco na resenha, mas se o cara não tiver curiosidade e resistência para ler tudo, com certeza não terá também para completar esse desafio. BMMP!!!

Giulyano disse...

Valeu Elsão, o vídeo e fotos tbm ficaram show. Acho que me empolguei um pouco na resenha, mas se o cara não tiver curiosidade e resistência para ler tudo, com certeza não terá também para completar esse desafio. Kkkkkkkkkkkk BMMP!!!

Tiagão disse...

Ri sozinho imaginando o garoto gritando "broquei Mandrake!" Kkkkkkkkkk
Parabéns galera, mais uma aventura fantástica!
BMMP

SERJAO disse...

GIU, valeu pelo livro escrito, ta massa!!! rrsss a nossa Jiboia foi bem maior, foi de sexta as 18 ate segunda as 16!!!rrss. Elson, as minha fotos na cachoeira jogando água na minha cabeça, me fez renascer, as edições da JIBOIA são sempre surpreendente!!! BMMP!

Ed Bala disse...

Ufa! Terminei rsrsrs.Uma resenha rica em detalhes, muito boa.Dei muitas risasdas com broquei mandrake rssrs.s só uma resalva:Tinha mesmo que falar do tricolor de aço?.Parabéns a todos do Mural por terem vencido mais esse emocionante desafio.Show de fotos e vídeo.