3° DIA EXPEDIÇÃO TRANSALPES: de Ischgl (Áustria) a Scuol (Suíça)

Acordamos as 7:00hs e descemos para tomar café no hotel, como o mesmo tinha muitas guloseimas, pegamos o suficiente para o dejejum e também para o lanche na trilha pois iriamos encarar a montanha mais punk da viagem ou seja a travessia da Áustria para a Suíça. Apos o café aquela rotina arruma tudo nos alforjes e os alforjes nas bikes para início da jornada. Algumas bikes ja estavam precisando de pequenos ajustes e próximo ao hotel tinha uma loja de bike. Fomos até a loja e ai percebi que minhas pastilhas de freios talvez não aguentassem toda a jornada, resolvi comprar pastilhas novas, pois além das subidas as descidas também eram punks e freio nesta hora é fundamental. Sábia decisão, pois dois dias depois estaria completamente sem pastilhas de freio. Para escalar aquela montanha tinham dois caminhos um menos difícil e um que começava logo a escalada da montanha, adivinhem qual nos escolhemos??!!
Depois de algum tempo para achar a saída da cidade, encontramos logo um aclive de 100 mts com muita inclinação e cascalho para esquentar o dia que se iniciava, missão cumprida primeiro obstáculo zerado. Começamos o zig zag da estrada de terra com muita pedra e cascalho, mas até certa altura conseguimos pedalar, depois veio uma subida muito acirrada que fomos obrigados a empurrar a bike devido a muito cascalho e a bike estar muito pesada, não tinha tração suficiente para subir. Vencida esta etapa, voltamos a pedalar e sempre subindo até encontrar um pequeno rio que atravessava a estrada, como não queríamos molhar os pés na água gelada, empurramos as bikes ladeira acima para atravessar uma ponte de madeira e ultrapassar este obstáculo gelado. Serjão que vinha mais atrás resolveu passar o rio pedalando e caiu devido a correnteza e pedras soltas. A coroa deixou uma tatuagem profunda na panturrilha do guerreiro. Curativo feito para não estragar a tatuagem de Sergio partimos pedalando novamente e tome subida.
Depois de 4 km por estrada de terra e muitas subidas chegamos no trecho de asfalto que se encontrava com o outro caminho menos difícil, seriam mais 4 km de asfalto de subida muito íngreme até o restaurante da estação de ski e mais 4 km de terra até o topo da montanha onde estava a divisa Áustria/Suíça. Enganou-se quem pensou que pelo asfalto seria menos difícil, a declividade aumentava a cada curva de 360 graus. Tome lhe coroinha e catracona para dentro e girando. Cada um no seu ritmo tentando vencer a montanha, uns girando outros empurrando e quando cansava parava descansava e continuava a via crusis montanha acima. Elson e Reinaldo no ritmo gira, para, descança, espera, gira de novo conseguiram vencê-la. Depois de tanto esforço para tentar supera-la também, minhas panturrilhas começaram a dar o sinal de que entraria em colapso, ai meu velho, mesmo com toda a vontade de vencer aquela montanha, não teve jeito, tive que empurrar a minha companheira montanha acima por uns 1,5 km até a chegada. Falava pra mim mesmo: “hoje você (montanha) venceu, mas um dia, quem sabe, volto aqui e sem peso nenhum vou desafia-la novamente”.
Tal foi o esforço e cansaço que no almoço me senti meio enjoado e não consegui comer toda aquela macarronada deliciosa e também não quiz tomar minha cerveja como de costume. Ficamos a observar a brincadeira de outros bikers que estavam por lá, subiam pelo teleférico com as bikes ate o topo da montanha e depois se despencavam montanha abaixo.
Faltavam ainda mais 4 km de trilha muito íngreme e cheia de cascalho até o topo da montanha e concluídos que para subir aquele trecho com o peso que estavam nossas bikes, seriam muito empurra bike. Como não sabíamos ao certo ainda o que nos esperava pelo caminho nos próximos dias, então decidimos subir o resto do trecho pelo teleférico. Desmontamos os alforjes das bikes, cada um subia com a sua bike e no final o rapaz lá embaixo colocava os alforjes no bondinho e a gente pegava lá em cima. Enquanto o bondinho subia pelo teleférico podemos ver a trilha por onde deveríamos estar subindo pedalando e olha pulamos uma fogueira pois a mesma é de nível 10, era onde a galera de lá usava para fazer as descidas de downhill pelo lado da Áustria.
Descemos do teleférico e tome montar os alforjes nas bikes de novo e se agasalhar pois, tudo que subimos iriamos agora descer pelo lado da Suíça, sendo os primeiros 4,2 km até a cidade de Samnaum um downhill alucinante montanha abaixo por trilhas de terra e cascalho. Todos arrumados e bem agasalhados, partimos ladeira abaixo. Para pagar o esforço da subida nada como uma boa descida e assim foi, ficamos na dúvida se descíamos brocando ou parávamos para ver a paisagem e tirar fotos, no final fizemos um misto de descidas e paradas para fotos e contemplação, hora lascando hora devagar para não acabar aquele cenário de beleza natural.
Depois de Samnaum pegamos asfalto e somente descidas e vários tuneis através das montanhas e acabamos encontrando a Via Claudia que vinha de Pfunds e fomos por ela até Martina, a partir dai a Via Claudia entrava a esquerda para Nauders na Áustria novamente e nós continuamos na Suíça através do vale seguindo o rio Inn. Neste trecho como era muito plano e o piso muito bom pudemos adiantar a nossa viagem e chegando a Scuol que era nosso alvo mais cedo.
Resolvemos nos abastecer de alimentos e encarar a próxima subida planejando acamparmos no meio da floresta. Subida inclinada, mas como era asfalto não teve muita dificuldade. Escolhemos um bom lugar e adentramos a floresta de pinhos para montarmos acampamento. Ouvindo o som da floresta, deitado na barraca e o pensamento viajando por outros lugares e pessoas e feliz por estar naquele lugar. Mauro Chagas.
Resumo do 3º dia
Data
Distância
Início
Fim
Altimetria
Dia 03 - 15/07/13
59  Km
Ischgl (Áustria)
Scuol (Suíça)
2016m

Ischgl (Áustria)   Lat 47° 0'44.25"N   Long 10°17'26.76"L  elevação 1367 manm
Austria/Suiça       Lat 46°58'48.19"N  Long 10°20'24.07"L  elevação 2757 manm
Scuol                   Lat 46°47'47.53"N   Long 10°17'51.45"L  elevação 1230 manm
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6 comentários:

Elson disse...

Agente tem a tendência de esquecer o grau de sofrimento que passamos nessas aventuras, mas uma coisa que tive questão de registrar em minha memória naquele dia: a subida de Ischgl (Áustria) para Samnaun (Suíça) foi a mais difícil de minha vida!!!

Esse dia foi também um dos mais difíceis da Expedição, cheguei a comentar com os companheiros que provavelmente não cumpriríamos o roteiro da Expedição. Lembro que isso me deixava angustiado.

Maurão, parabéns pela resenha e se um dia vc for lá novamente brocar aquela ladeira, boa sorte!!!

Giulyano disse...

Realmente é incrível toda essa saga de vcs, sempre que vejo as fotos das bikes com alforjes e dos passos tento imaginar o que foi essa aventura, tudo é realmente muito extremo, e as fotos estão sensacionais. Parabéns a todos. BMMP!!!

Marco Vinycios disse...

A resenha e as fotos estão excelentes! Parabéns aos aventureiros.

Que a vontade de pedalar nunca passe!!!

Zé.Bezerra disse...

Muralistas, acaba de ser criado mais um nível no Mural, até aqui só conhecíamos até o N-5. Kkkk...Vivendo e brocando...Parabéns Expedicionários por mais esse legado!

SERJÃO disse...

Este terceiro dia foi muito difícil, logo o "ESQUENTE" foi uma subida majestosa pra começar. No momento em que decidir passar o rio pedalando, foi porque acima uns cem metros eu não me sentia com forças para subir um desvio !!!Como estava na marcha muito leve, não consegui equilibrar a bike e coloquei o pé direito na agua quando pisei em uma pedra escorregadia, aí A COROA DEIXOU A TATUAGEM NA MINHA PANTURRILHA!!!Imaginem que isso ainda era INICIO, pra SUBIR TODA a montanha sofri muito, a panturrilha estava pipocando de dor, mas não tinha outra maneira se não encarar com muita determinação!!! faria TUDO NOVAMENTE!

Alexssandro Carmo disse...

Parabéns aos bikers por essa aventura incrível!!! Um dia ainda faço uma dessas!!!