4° DIA EXPEDIÇÃO TRANSALPES: de Scuol (Suíça) a Valdidentro (Itália)

O quarto dia começou mais difícil do que os outros, pois foi nessa noite que dormimos em barracas. Acordar, desmontar acampamento, arrumar toda a bagagem sem poder tomar um belo banho complica mais ainda o que já estava complicado. Mas também ter carregado todo esse peso e não ter usado nenhum dia teria sido uma estupidez. Na verdade alguns queriam dormir todos os dias acampando, mas confesso que minha gripe, adquirida no dia anterior, não me animava tanto. E foi neste dia anterior que decidimos adiantar a subida que teríamos após a cidade de Scuol. Foi uma sábia decisão, pois esse “passo” era altíssimo. Ao longo da estrada as placas alertavam ser proibido camping, por isso procuramos nos esconder ao máximo entre as árvores.
Nosso café da manhã existiu, pois providenciamos antecipadamente durante a última parada. Como estávamos no meio de uma floresta o dia amanheceu bem frio e ficou assim por alguns quilômetros já que a estrada tinha árvores por todos os lados e o sol não chegava até nós. Demoramos um pouco para começar o pedal devido o atraso de Elson na arrumação de suas tralhas. Quem diria, tanta experiência, cinco expedições, e demorou mais do que o calouro Serjão. Mas depois ele “retou” e como sempre, disparava na frente, mas como bom líder parava para esperar os retardatários. Em segundo ficávamos revezando eu e Maurão, e lá atrás nosso querido calouro, devagar e sempre!!! Dizia que o buraco que ele fez na perna no segundo dia atrapalhava seu pedal.
Após chegarmos ao topo pedalamos por um bom tempo nas alturas num trecho “plano”... claro que plano nos Alpes não significa horizontal e sim um sobe e desce constante mas de pouca variação. O caminho passou a ficar mais perigoso, as vezes paredão de um lado e precipício do outro... Perigoso mas empolgante!!! Foi quando avistamos na beira do rio uma “plantação de pedras”. Isso mesmo, muitos visitantes param por ali para empilhar pedras e deixar sua marca. E claro, o Mural de Aventura não poderia ficar fora dessa, afinal fizemos igual no Deserto do Atacama ano passado. E com a ajuda de um arquiteto e um engenheiro mais uma vez vencemos construindo o maior monte de pedras do local!!! Quando estávamos tirando as fotos da nossa conquista 3 bikers espanhóis chegaram e também tiraram fotos do nosso monte... pior, e quase derrubam!!!

Mas o dia havia apenas começado e ainda seria muito longo. Neste dia havia sempre um ou outro rio acompanhando a gente. Como nosso café da manhã não foi dos mais reforçados a fome chegou cedo. Logo na primeira vila chamada S-charl, ainda distrito de Scuol e antes de meio-dia, almoçamos. No cardápio a: Spaguete!!! Neste momento eu fazia questão de ficar no sol, pois sombra significava frio. Descansamos um pouco e voltamos para a estrada. A saída da vila foi como entrar num quadro. Na trilha passeavam famílias inteiras, casais idosos, e muitos outros ciclistas. O sol brilhava forte, borboletas por toda parte, flores de todas as cores e um rio vibrante corria com tanta vida que empolgou Maurão a tomar um banho. Lembro a todos que esses rios são “águas do desgelo” como disse Serjão durante toooooda a expedição. Ninguém aguentava mais ouvir essa frase. Pois bem, pense numa água fria!!!
Continuamos subindo, subindo, subindo... nem parecia, por conta da inclinação suave, mas estávamos indo em direção a mais um “passo”. Pouco antes de atingir o cume decidimos fazer um vídeo e postar na internet para os familiares no Brasil assim que possível. A emoção tomou conta do grupo. Logo após transpor esse “passo” passamos por Lü, outra vila que parecia abandonada, pois não víamos ninguém pelas ruas. A descida foi por uma estrada super sinuosa, com curvas de 180 graus. Ainda pela estrada chegamos em Santa Maria onde almoçamos pela segunda vez num restaurante com garçom português. Ali, havia acesso à internet então tratamos de postar o vídeo feito lá em cima. Soubemos depois que a emoção também tomou conta daqueles que assistiram este vídeo. Aproveitamos para carregar nossos olhos, o GPS. Sem ele não íamos a lugar algum. Sabíamos que o próximo passo seria longo, então assim que o GPS carregou o suficiente partimos. Saímos do asfalto e um estradão de cascalho seria nosso chão até o final do dia. Novas paisagens paradisíacas surgiam e fizemos inúmeras paradas para fotos. Na parte mais alta nos surpreendemos achando neve e mais fotos foram tiradas. Um monumento homenageava os soldados mortos nas batalhas travadas ali no passado durante as discutas pelas terras e riquezas da região.
A descida não foi muito forte mas foi bem longa e aproveitamos ao máximo. Houve uma variação incrível de terreno: gramado, cascalho, single track, estradão, precipício, mata burro, cercas e até neve que havia desmoronado lá do alto. Fizemos alguns vídeos alucinantes desse trecho. A quilometragem já estava alta e nossa vontade de chegar ao próximo destino crescendo. Foi então que começaram a aparecer as primeiras placas indicando as distâncias, porém não entendíamos se os números se referiam a minutos ou quilômetros ou qualquer outra coisa.
Enfim, ao encontrar um grande lago com uma represa tivemos a grata surpresa de achar um refugio e melhor ainda, haviam vagas!!! Ficamos empolgados e claro pedimos “birras” para brindar esse dia tão especial. O jantar foi mais uma vez espaguete de entrada e carne de porco no segundo prato, mas tudo farto e saboroso. Ficamos empanzinados. Um vinho da casa completou a mesa. O banho era muito esperado e cada um demorou o tempo que quis. Minha garganta começou a incomodar mais e mais. Consegui emprestado um mel com própolis da pousada, mas não adiantou. O jeito foi dormir naquela cama quentinha e tentar esquecer a gripe.
Aproveito para agradecer aos companheiros expedicionários pela companhia e cumplicidade, e ao Mural de Aventuras por ter nos proporcionado essa oportunidade!!!

Até a próxima, Rei.
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4 comentários:

Ramster disse...

Massa, a resenha e as fotos estão show!!!

Parabéns e que as aventuras continuem!

Marco Vinycios disse...

Resenha show e belas fotos, valeu galera por compartilhar os momentos da expedição.

Que a vontade de pedalar nunca passe!!!

Elson disse...

Chega ser difícil imaginar que essas fotos foram tiradas em apenas um dia da expedição. Foram muitas paisagens sensacionais!!! Bora Mural!

Valei galera!

Zé.Bezerra disse...

Show de visual, é de tirar o fôlego, mas é de deixar extasiado. Parabéns, isto também nos apraz pois deixa aquele gostinho de também quero...Bora Mural!