Cachoeira do Urubu 8 - As Cinco Cachoeiras

Já faz um mês que entrei no Mural e sobrou para mim a resenha. Motivo de muitas risadas. Pneu furado, gente atrasando o lado (eu) e assim vai…
Vamos lá… Saímos de casa, de Candeias, a TIA CÂNDIA, Ito e eu. Pegamos a BR sentido Amélia Rodrigues quando já chegando no pedágio avistamos Elson e fomos juntos; paramos, nos arrumamos e nos preparamos; enquanto isso, Popó tirado a “menino novo”, já incomodando, de manhã cedo escutando ROCK na frente da casa de Moranguinho (ou morango como queiram - e não pergunte o por que desse apelido). Onde nesta mesma casa (de Morango) iríamos comer o famoso feijão.
Esperamos a galera terminar de chegar. Das cidades de Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Amélia Rodrigues, Candeias, Camaçari, Olindina e Nova Soure, ou seja, Muralistas de vários locais da Bahia. Nos conhecemos, tiramos foto e como Elson deu às coordenadas e gritou ‘PAAAAARRRRTIIIIIIIU’, lá fomos nós! Minha primeira trilha na companhia de Ito, como Muralistas.
Eu apreensivo, não sabia o que viria pela frente e fui avisado por Morango: “tem muita ladeira!”, disse eu “Vixe que batismo!”. Mas tudo bem... Na primeira ladeira minha corrente soltou. Atrasei um pouco na subida, encontrei o grupo e fomos limpar os pneus na estrada de barro, como diz Elson. Pedalamos na reta em um ritmo bom até encararmos a primeira descida (e descemos “brocando”). O campo estava minado e um filho de Deus passou por cima e bateu na minha cara. Quando paramos, limpei e prosseguimos. E sabe né, a coisa tava começando a engrossar pro meu lado… Lá vem subida! (E subi brocando!) Dando sangue e ainda estava tranquilo.
Quando chegamos a um local, que havia chovido e secado, mas ficou as marcas das patadas de vaca, boi, cavalo e tudo que por ali pisou tentávamos pedalar e logo eu “comprei um terreno” sorte que poucos viram… Levantei com o joelho doendo e em seguida fomos andando, pois era impossível pedalar. Se tentássemos, é certo que iríamos cair. Mas Elson brocador conseguiu!
Andamos, chegamos no distrito Usina Aliança e paramos para beber a famosa Coca-Cola. Até ali tudo bem, passei um Cataflan no joelho e partimos mais uma vez. Conversa vai, conversa vem, chegamos na BR. Entramos numa fazenda coberta de mato e fomos pedalando pelo mato a dentro. O mato estava alto, cobria a gente, grudava no freio, na catraca e tínhamos que parar pra tirar… Continuamos, andamos, pulamos cerca e quando chegamos no local perto do pedágio Elson falou: “quem quiser desistir, a hora é agora, pois daqui pra frente o bicho pega!” Minhas pernas tremeram e em pensamento disse: “Meu Deus me ajuda!”. Mas a “Emoção dos Desafios” falava mais alto… Partimos! E muita descida…
De boa, paramos num bambuzal para dar uma hidratada, e a minha fome já gritava… Partimos de novo até chegarmos a um trecho em que tivemos que “empurrar” mais uma vez as bikes, e outra vez teve “compra de terreno” minha e de Ito – Uma queda espetacular! E logo gritaram: “Queda sincronizada!” Pois caímos ao mesmo tempo. Aí já sabe né?! Motivo de muita risada, chacota e registros do momento: foto!
Voltamos a andar por um trecho onde o sol estava dando uns 40° (com exagero e tudo). E quando pensávamos que iríamos pedalar, tome-le em empurrar bike. O terreno não ajudava, o cansaço batia e atrasou um pouco até chegar ao próximo distrito… Quando avistei a próxima ladeira, em pensamento pedi a Deus: “Me ajuda!”. E fomos subindo… O pelotão se distanciou, todos foram sumindo da minha frente, quando de repente meu telefone toca... Tocou três vezes... Parei pra atender. Era Ito: “velho você ta aonde?” Logo pensei: “Huummm, tô perdido! Kkkkkkkkkkkkk. Fiquei rindo sozinho (claro, só tinha eu ali…). Ito falou: “rapaz, você já passou da entrada!”. Voltei! E pensando que subi tudo aquilo pedalando para ter que descer uns 2 km… Quando cheguei, adivinha?! Motivo de muita risada e chacota - “Candeias se perdeu… Subiu tudo pra ter que descer…”. É, A “fome” dos caras de beber água era tanta que ninguém lembrou quem vinha atrás.
Risadas a parte. Quando sentei que dei o primeiro gole d’água, Elson gritou: “Partiu!” Eu nem acreditei, mas vamos lá. Me hidratei um pouco e fizemos um downhill muito massa, brocando! Logo me perguntei: “será que vou ter que subir isso aqui?” E fiquei na psicose… Andamos, atravessamos um córrego e numa subida aonde tínhamos que carregar as bikes alguém me ajudou. Então já sabe: motivo de foto, risada e um grito: ‘TÁ MORTO!” Mas tudo bem, seguimos! E nada de cachoeira… Encontramos uma bica, a água gelada, nos abastecemos de água e começamos a andar sobre trilhos. Escalamos um morro com as bicicletas e chegamos a uma cachoerinha. Aí a galera fez logo a festa - um banho gelado de bater o queixo e eu fiquei de cima só olhando… Fomos para a segunda cachoeira e no caminho meu pesadelo: atravessar a ponte do trem. Quando imaginei que altura é para mim um grande desafio, gelei! Atravessar??? Como? Eu que tenho acrofobia!!! “Meu Deus, o que vim fazer aqui?!”.
Aí comecei a minha saga: atravessando devagar e ouço um gritou “tá faltando um pedaço aqui, cuidado!”. Quase morri, mas atravessei! \o/. Bateu um alívio. Uffa! Popó falou: “depois voltaremos por ai”. Hãm? Mas tudo bem! A terceira cachoeira, depois da  “Urubuzinho”, batizamos de a CACHOEIRA DO MURAL. Tomamos um banho gelado, uma resenha e seguimos. Paramos na quarta cachoeira, mais banho e fomos para famosa: Cachoeira do Urubu. Que lugar lindo! As fotos dizem tudo! Fiquei admirando; dizia: “meu Deus, isso aqui é um paraíso!”. Não queria “cair” na água e por muita insistência, Elsão na pressão “vai Candeias se joga!” Me joguei! Que água gelada! Revigora e cura ressaca… A queda d’agua era muito forte e fria. Demos um tempo por ali. Kichute achou um lugar pra dormir, deitou, colocou a mochila sobre a cabeça e dormiu... Elson foi derrubar uma barraca que alguém havia montado, aí o rei do cangaço entrou em ação “eu to aqui embaixo!”, resultado: caiu em cima da bike dele aí já era: (risos). “Acorda Kichute. “Bora! Vamos partir, o feijão nos espera!”
Partimos pelos trilhos… Popó e Elson pararam na minha frente, no meio da ponte e um perguntou ao outro: “você tem medo de altura?” -“Eu não!” Disseram entre eles – “Então vamos ficar aqui!” Aí eu gritei: “Ó VELHO, PELO AMOR DE DEUS ANDA AÍ!”. Uffa, atravessei e me senti aliviado.
Paramos para esperar por Rei que o pneu baixou e disse que foi outro mesmo assim vai pagar a coca… E começamos mais uma vez nossa subida. Fui pedalando no meu ritmo e partimos pela pista. Aí que o corpo deu sinal de vida. Minhas pernas já não me obedeciam do mesmo jeito. Eu pedalava e percebia que todos me ultrapassavam. A cada curva eu imaginava “será que já vai descer?” E nada! Era só subida. Mas para dar um relaxe: uma reta infinita. Consegui acelerar um pouco mais o ritmo e novamente encontrei com a galera. Gritavam: “não pare, continue!” E assim eu fiz. Todos desceram em alta e para minha infelicidade, adivinhem o que viria depois? Isso mesmo, mais uma subida! E as minhas pernas não obedeciam. Mas com raça, o sangue correndo verde nas veias consegui subir! O Cangaceiro estava com pneu baixo, parei e o esperei, pois ele estava enchendo o pneu. Daí surgiu uma barra de cereal; pense que coisa boa pra quem estava mal alimentado desde cedo… Comi parecendo que era a comida mas gostosa do mundo.
Saímos de Oliveira dos Campinhos, pedalamos, entramos numa trilha, descemos e… Outra subida! Paramos e Morango fez uma ligação: “prepara o feijão, estamos chegando!” Todos se uniram e pedalamos já num ritmo menor, pois o cansaço e a fome já eram visíveis no rosto de todos; foi quando avistei a BR e a placa: Amélia Rodrigues. Quanta felicidade! Me deu até um gás para pedalar com mais vigor. Finalmente chegamos a casa de Morango, todos entraram na casa como se fossêmos donos; doidos para comer o feijão. E um detalhe me chamou atenção: de muitos, Popó se mandou e não comeu… Mas mesmo assim todos comemoraram o final da trilha. Os 61km pedalados! \o/. Tomamos uma cerveja bem gelada e claro, a Coca-Cola. Para acompanhar o feijão com farofam uma pimenta de tirar o fôlego. Atacamos a mesa. Comemos bastante. De fartura! Logo depois, fomos nos despedindo aos poucos, e eu ainda iria trabalhar…  Assim foi minha primeira trilha e resenha do MURAL DE AVENTURAS. BMMP. Adriano (Candeias)
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4 comentários:

Lucas Malandra disse...

Elson, fotos impecáveis!!
Ótima resenha Candeias!! bem detalhada!
Essa trilha é sempre especial!
Bora Mural!!!!!

Guga Freitas disse...

Essa deu vontade.
Muito show!
Bora Mural!!!

Ed Bala disse...

Tá vendo que a resenha é importante e uma marca registrada do mural! Candeias colocou detalhes que eu só soube ao ler a resenha...dei risadas . Parabéns! Ano que vem tem mais essa sensacional trilha.

João Ramos disse...

Massa, parabens pela resenha, fotos e trilha. Essa eu vou. BMMP!