6° DIA EXPEDIÇÃO TRANSALPES: de Grosio (Itália) a Dimaro (Itália)

Depois de passarmos por muitos lugares maravilhosos nos Alpes da Alemanha, Áustria e Suíça, acordamos em um hotel no centro de Grósio (Itália) já bastante cansados devido aos consecutivos dias de aventura. Rei estava em pior condição física, a gripe tinha piorado, assim como a inflamação na garganta.
Grósio ficava em um vale rodeado de montanhas. Então o que era uma premonição, tornou-se logo no início do pedal uma realidade. Passamos a subir nada menos que uma ladeira de 9,5km de extensão! Paramos diversas vezes até chegarmos ao topo (passo), o peso das bagagens era grande, e quanto mais subíamos, ficava ainda mais inclinada. Existiam placas a cada 500m que marcavam a distância e a inclinação, parecia não chegar nunca, um martírio! Em uma das partes mais duras, paramos ao lado de uma pequena Igreja, não demorou e uma senhora abriu uma pequena janela lateral, ao ver os nossos semblantes de cansaço, ofereceu água e perguntou se precisávamos de algo, olha que o dia estava só começando... A cada metro a temperatura caía, sendo que antes mesmo do final já estávamos todos vestidos com as roupas de frio. Essa variação da temperatura era mais uma dificuldade, sentíamos calor e logo depois passávamos por frio.
Quando chegarmos ao final da ladeira, descobrimos que estávamos no “Passo della Foppa (Mortirolo)”,fizemos algumas fotos ao lado de uma placa que marcava 1852m e nos preparamos para descer muito!
Foram mais de 30 minutos descendo e com isso, senti medo de uma quebra da bike, principalmente dos freios que eram muito exigidos, os discos chegavam a fritar e o cheiro de pastilha queimada era forte. Além disso, ficava temeroso com os precipícios ao longo da estrada, apesar das paisagens magníficas.
Rapidamente descemos mais de 1.000 metros de altitude e observando a grande distancia ainda a ser percorrida, para o nosso sofrimento, sabia que provavelmente iríamos subir mais um passo naquele dia.
Percebi que Rei estava muito abatido, tinha piorado a sua inflação na garganta, e ao pararmos em um bar para tirarmos as roupas de frio, ele fez a declaração de que não conseguiria continuar. O desanimo tomou conta do grupo, mas depois de descansarmos um pouco, o convencemos a continuar devagar. Voltamos a pedalar em um ritmo mais lendo e Rei demonstrando muita perseverança conseguiu pedalar conosco até uma cidade que tinha uma estação de ski.
Descobrimos que os bondinhos da estação, poderia nos levar adiante do nosso trajeto, no alto da montanha. Devido ao tempo chuvoso e frio, a condição física de Rei, e o avançar das horas, decidimos utilizar o mesmo. Chegando lá no alto, o frio nós pegou de surpresa e de forma desesperada vestimos as roupas de frio novamente. Fomos direto para um restaurante que para nossa sorte estava aberto e com a temperatura bem mais quente em seu interior. A fome já tinha apertado e assim, pedimos vários daqueles sanduiches de pão com salsichão, acompanhados de cerveja (menos Rei, rsrs).
Continuar o pedal foi difícil, lá fora do restaurante o frio era grande, mas tínhamos de continuar.  De volta ao pedal, estávamos tão alto que as nuvens passavam ao nosso lado, foi realmente surreal aquele lugar. Voltamos a descer muito, agora com Rei já se sentindo um pouco melhor. Quando chegamos a Dimaro já era mais de 20h (ainda de dia) e assim como outros dias da expedição, mais uma vez a cidade parecia deserta apesar da grande quantidade de hotéis. As construções eram muito bonitas e com base nos anúncios dos outdoors, parecia uma cidade bastante turística e voltada a prática de esportes de aventura.
Tivemos um grande susto, no primeiro hotel fomos informados que não havia vagas e no segundo que entramos ao perguntarmos o valor, ficava nada menos que 400 euros por pessoa! Isso mesmo! Logo me veio na minha cabeça: “ainda bem que estamos com barracas!” Rsrs. Mas Rei lembrou-se de outro hotel ao lado da estrada que poderia ser mais barato, lá conseguimos um valor bem próximo ao que já vínhamos pagando nos dias anteriores.
Depois de feita a reserva no hotel, partimos direto para a única pizzaria aberta da cidade. Estava muito feliz de ter concluído mais aquele dia da expedição, penduramos as nossas mochilas em uma grade e para comemorar pedimos logo três big chopp’s e uma coca-cola para Rei. Foi lá que eu e Serjão pedimos uma pizza de “calabrese”, pensávamos que era de linguiça calabresa, mas na verdade era de pimenta calabresa! Kkkk. Ardia muito, a cada fatia as lágrimas desciam do canto dos olhos, mas a fome era maior que tudo! Kkkk
Fazer uma expedição é algo maravilhoso, essa foi realmente especial por tudo que vivenciamos. Obrigado companheiros expedicionários Maurão, Rei e Serjão pela companhia e que venham muito mais aventuras extraordinárias! Bora Mural! Elson.
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2 comentários:

ze.bezerra disse...

"Pedalar, pedalar e nunca chegar". Essa é a impressão após 6 dias de expedição. "Qual o sentido de tudo isso?: Nenhum!" Talvez faça algum sentido... Encontrarmos nossos próprios limites. Encontrar e dar o devido respeito à natureza. Parabens expedicionários. As imágens continuam fantásticas e a resenha ficou legal. BMMP!

SERJÃO disse...

que MARAVILHA DE RESENHA ELSÃO, PASSA UM FILME DE DEVER CUMPRIDO, FOI MUITO GRATIFICANTE PEDALAR E TER REALIZADO COM O MURAL DE AVENTURAS ESTA EXPEDIÇÃO NA EUROPA, ESTAREMOS LOGO EM MAIS UMA AVENTURA, QUE SERÁ NO NOSSO CORAÇÃO DA CHAPADA DIAMANTINA! SALVE MURAL!!!