Trilha em Sátiro Dias - A Descoberta de uma Nova Aventura

Pois é galera, parece que me tornei o “resenheiro” oficial das trilhas que participo, ou pelo menos, acho que estão gostando. Só que nesta trilha até compreendo a incumbência, pois particularmente concordo que sou de fato a pessoa ideal para tentar traduzir em palavras, tantas coisas boas que aconteceram nesta inesquecível e inédita trilha do Mural.
Desde pequeno, cresci brincando e andando a cavalo ou às vezes a pé por muitos “corredores”, é como chamamos por lá as trilhas da região. Por vezes só a passeio, ou então levando gado de uma fazenda para outra, debaixo de sol e chuva, tenho as imagens que são lembranças inesquecíveis onde guardo como tesouros da minha infância. Hoje, já bastante crescido, comecei a fazê-las de bike, com uma “papuquinha” comprada na internet, mas que me despertou muitas emoções e plantou a semente deste maravilhoso desafio que fizemos juntos com a grande família chamada Mural de Aventuras.
Pois bem, Sátiro Dias, é o nome de um importante médico cirurgião e ilustre figura política baiana e nacional nascido por volta de 1844 no município vizinho de Inhambupe, e que deu seu nome em homenagem à este município localizado à 215 Km de Salvador, entre as regiões nordeste e norte do estado, com uma população estimada de 20 mil habitantes e área geográfica total de 1.000 Km². O clima e a vegetação predominante de lá são típicos da caatinga, mas com algumas áreas preservadas de mata atlântica. Um dos pioneiros e desbravadores desta região foi meu bisavô, Manoel Reis, e um de seus 10 filhos, meu avô materno, Zeca Reis, que transformou aquelas terras nativas em pastagens para exploração agropecuária, aproveitando toda madeira e diversos recursos naturais locais, construindo por volta de 1920 a atual casa da Fazenda Malhador, na qual ficamos hospedados, denominada assim porquê havia em volta da casa uma grande área cercada para confinamento e repouso dos animais.
Depois de tudo planejado, com a trilha traçada na cabeça e no Google, resolvi adiantar e viajar junto com Bezeride ainda pela manhã de sexta-feira, pois precisávamos comprar os “mantimentos” da viagem: carne para o churrasco, jantar, café da manhã, etc., pois como sempre diz o amigo: “cavalo que não come, não anda!”. Depois de um delicioso café na casa dele, partimos estrada a fora e durante a viagem fomos conversando os detalhes. Logo era meio dia e chegamos em Inhambupe, não só para pedir a benção da minha quase centenária e vó Dazinha, com 98 aninhos, ainda sonolenta da sua sagrada soneca depois do almoço, ela foi logo despertando sua curiosidade e perguntando o que eu ia fazer com tanta bicicleta no fundo da caminhonete: a minha, a de Bezeride e a do amigo Rogério (Btwin). Disse a ela já me despedindo: “Vó, não é pra vender não. Vamos fazer umas trilhas lá pela fazenda”. De lá ela responde baixinho: “eu te desconjuro meu filho!”, rimos e fomos almoçar. Encontramos meus primos Salustiano e Paulinho, que nos ajudaram indicando alguns locais onde poderíamos comprar o que precisávamos, e fomos embora.
Já se passavam das 11 horas da noite quando chegou o restante da galera: Elson, Rogério (Btwin), Paulo (Kichute), Beto e Sabrina. Pela cara deles dava pra ver que estavam muito cansados e com fome, pois era só o que conversávamos pelo WhatsApp. Como eu e Bezeride já tínhamos pensado em tudo, preparamos uma janta meia boca com aipim cozido, carne frita, pão com ovo, leite e café, que deu pra matar as vermes. Depois de papeamos um pouco e colocar os perigosos e imensos sapos cururus pra fora de casa, para que Bezeride pudesse ficar sossegado, distribuímos os aventureiros Muralístas nos 9 quartos da casa e fomos dormir.
A dormida foi tranquila, sem muita pressa pra acordar, teve gente que só acordou às 7:30 debaixo dos gritos pra tomar café. Quando levantei às 06:30, Rogério(Btwin) e Bezeride já estavam fazendo os ajustes fino e lubrificando suas bikes. Logo todos já estavam de pé e prontos pra começarmos bem o dia e o pedal que prometia. Bezeride deu uma de super herói e até fez amizade com uma aranhinha, que de um bom passeio por dentro do seu ouvido mas depois resolveu sair.
Comida na mesa, enchemos a pança. Nossa! Eu que o diga. Com toda aquela empolgação dos colegas, comi demais, pão, ovo, aipim, cuscuz, carne, etc. Mais tarde vocês vão saber o que viria acontecer comigo e o que quase acaba com o passeio. Com as Bikes já ajustadas e lubrificadas, nos agrupamos no terreiro pra ouvir algumas últimas instruções do capitão Elson e algumas palavras de agradecimento, etc. e tal.
Partiu! Grita o nosso líder Elson, dando o sinal da largada, tendo que encarar logo de cara um ladeirão de uns 100 metros pra aquecer as canelas e iniciarmos a trilha num percurso de descidas e subidas bem rápidas por dentro da fazenda. Ao longo do trecho podíamos visualizar algumas paisagens bonitas e do alto podíamos ver a casa de onde saímos. Logo de cara um imprevisto dando de cara com a cancela trancada com cadeado, e tendo que pularmos por cima com as bikes. Assim passamos pela primeira fazenda vizinha do meu Tio Hélio, Rancho HR. Tudo tranquilo por enquanto, só trilhas planas e algumas descidas até passarmos pela minha propriedade, ou melhor, a parte a que pertence a minha mãe. Tão pequena que ninguém percebeu, só eu mesmo. Algumas subidas e trilhas por dentro dos pastos e paramos para tirar uma foto, em um local que considero importante, onde a quase 100 anos existia a casa de meu bisavô. Seguimos caminho por um single track curto com leve descida, mas com bastante técnica e com alguma dificuldade, pois havia muitos espinhos que deixavam troféus de sangue nos braços de quem estava de camisa de manga curta, como eu. Seguimos por outra fazenda vizinha, onde paramos para apreciar um velho curral e tirar fotos de uma casa velha, semelhante a que ficamos hospedados, de meu falecido Tio Artur. Depois de algumas subidas e descidas, atrapalhadas pelas muitas cancelas que tínhamos que parar para abrir e fechar, chegamos a outra fazenda vizinha de meu Tio Aluízio. Desta vez ele estava lá e fiz questão de parar para cumprimenta-lo, não só pela consideração, mas porque confesso que já começa a sentir algum cansaço sabendo que logo em seguida teríamos que encarar outra subida bem penosa.
Como de praxe, comecei a ficar para trás deixando os companheiros se distanciarem de mim, mas não fiquei muito preocupado, pois sabia que logo logo eles teriam que parar e me esperar, pois só eu quem sabia o percurso da trilha sempre que havia uma encruzilhada. Seguimos a trilha neste percurso que considero o melhor, um single track de trecho longo de menos de 1 Km, mas bastante técnico e com algumas dificuldades. Logo percebi que todos gostaram, pois se ouvia os gritos de “UHUU!”, “MASSA!” e “BMMP!”, além do comentário particular do amigo Rogério (Btwin): “Rapaz, me senti com se estivesse no canal Off”. Realmente foi muito massa mesmo. Então seguimos mais umas subidas e descidas, e logo encontramos mais umas poças de lama. Preferimos carregar as bikes pra não causar prejuízos, pois ainda estávamos com uns 20 Km de trilha percorrida e tinha muito chão pela frente.
Foi ai que comecei a sentir um forte enjoou, misturado com cansaço e o calor do sol, não resisti e desabei no chão. Nas fotos vocês verão o meu estado. Passados alguns minutos consegui me reabilitar, melhorei e segui em frente, agradecendo muito o apoio moral da amiga Sabrina. Confesso que diante da situação que estava, tive que encurtar a trilha, e claro, sem o conhecimento dos colegas, pois fatalmente eu não aguentaria. Eram muitas ladeiras subindo, e preferi que chegássemos logo no primeiro ponto para reabastecimento de água e coca-cola, num povoado as margens do asfalto chamado de Arraial Santana.
Seguimos novamente mais um single track muito legal com longas descidas e subidas bem estreitas e cheias de pedras e buracos até chegarmos numa região plana onde pudemos acelerar e brocar com as bikes, passando por outra localidade chamada de Isbarre, até pararmos no alto de uma ladeira com vista deslumbrante para o vale do Xixi, onde aproveitamos para beber uma agua e tomar fôlego, pois ainda estávamos na metade do percurso. Descemos a ladeira maravilhosa e seguimos bem velozes, mas não furiosos, até cruzarmos uma ponte sobre um riacho seco e depararmos com outra subida com alguns cajus azedos para saborearmos e deixar um incômodo pigarro na garganta, até atingirmos uma região bem plana com plantações de eucaliptos nos acompanhando ao longo de uma interminável estradão. Depois de uma breve parada para um novo fôlego, seguimos o estradão em ritmo bem acelerado, e como sempre eu comecei a apresentar sinais de cansaço junto com o colega Beto. Mas desta vez tive um empurrãozinho da amiga Sabrina, aliviando bastante meu cansaço. Até que chegamos numa vendinha mais parecida com um mercadinho num lugar chamado de Cai Duro, onde paramos e literalmente desabamos no chão, refrescando-se com muitas coca-colas e agua geladas.
Seguimos em frente num estradão comprido e cansativo que mais parecia não ter fim. Elsão e Paulo (Kichute) se esbaldavam dizendo que estavam realizando um sonho e diziam: “adoramos pedalar, pedalar, pedalar e não chegar nunca!...”. Mas parece que Deus estava do nosso lado e sem nenhuma esperança de encontrar alguma parada, pois só pensávamos na tal “galinha caipira”, nosso colega Paulo (Kichute) encontra um boteco mais parecido com um quiosque, num lugar chamado de Assentamento, onde saboreamos algumas cervejas Skol geladíssimas, e nossa amiga Sabrina encontrou um grande fã ou seria pretendente, que teve direito a foto romântica e algumas apalpadas na cintura.
Enfim seguimos por mais uma ladeira com descida muito legal, mas como dizem os colegas, tudo que desce, sobe. Cruzamos a pista de asfalto e sentimos que já estávamos bem perto da parada para o almoço, pois já sentíamos o cheiro da tal galinha. Depois de passarmos pela última trilha muito legal por dentro de uma mata, enfim chegamos ao Restaurante Tempero da Cida. Bebemos algumas cervejas e depois caímos matando no banquete de galinha caipira, acompanhado de um maravilhoso pirão preparado pela amiga e simpática Cida. Também gostaria de deixar registrado que as galinhas foram patrocinadas pelo amigo Davi Lica de Sátiro Dias que ali estava presente. Depois do rango a canseira foi tanta que todos, menos eu e Bezerra, deitaram no chão e tiraram uma soneca rápida, mas providencial, pois logo estava Elson de pé e gritando: “Partiu! Levanta cambada pois ainda temos que ir dentro da cidade para tirarmos umas fotos na frente da igreja.” Beto chiou, dizendo que queria ir embora, mas não teve jeito e teve que seguir junto.
Seguimos ao longo de uma trilha em direção à cidade ao invés da rodovia de asfalto, e não imaginávamos que o melhor estava reservado para o final. Foi uma descida fenomenal, muito longa, com algumas curvas, rampas e algumas dificuldades, até chegarmos lá. Tiramos as fotos para o registro oficial e quando o clima já começava a ficar gostoso, sob uma brisa fria, seguimos o caminho de volta já imaginando que teríamos uma longa subida pela frente. Mas foi tranquilo, os feras Elson, Paulo(Kichute), Sabrina, Bezeride e Btwin subiram pela trilha, e os já mortos vivos, eu e Beto, subimos pela rodovia de asfalto, sendo esta mais longa e piso regular, mas chegamos praticamente juntos lá em cima e fomos em direção aos últimos 10Km até a parada final, a fazenda. Só que antes, um imprevisto, o pneu de Elson furou, sofrendo um lascão que nem o selante e nem a habilidade de Btwin resolveu, tendo que jogar a toalha e voltar na carona com a bike em cima da camionete. Foi uma pena, pois neste trecho de volta que era só plano em leve descida numa estrada de terra batida, que dá acesso a entrada da fazenda, descemos brocando os últimos 3 Km, onde a noite já se instalava e todos nós já muito cansados, mas satisfeitos, extasiávamos com mais um desafio superado: “BMMP!”.
A trilha terminou, mas ainda tivemos uma longa noite pela frente, regada a cerveja gelada e um delicioso churrasco, contando as resenhas e curtindo os amigos num dos momentos mais prazeroso e inesquecível que já passei. Valeu Mural, que venha a próxima. Joãorider.
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR












































































































7 comentários:

Elson disse...

Joãorider,

Muito boa a sua resenha! Acho que é por isso que já faz algumas! kkk

Agradecemos a sua receptividade e pela oportunidade de conhecermos uma das trilhas que com certeza, devido ao ótimo trajeto, fará parte do calendário 2014 do Mural de Aventuras!

Bora Mural!

Iane Sabrina disse...

João, adorei a resenha! Sou suspeita pra falar dessa trilha. Até hoje quando lembro do que aconteceu no percurso dou risada. Sem falar da amizade que ficou. Ah, "eu tava morto, mortinho...". Você é um exemplo de superação, não desistiu e completou a trilha com a gente. O visual é incrível, voltei pra casa renovada. Obrigada por nos receber tão bem. BMMP!

João Ramos disse...

Valeu Elson,
Peço desculpas por alguns erros de escrita ou se me alonguei demais, mas a intensão foi expressar aos colegas um pouco desta aventura show. BMMP!

Zé.Bezerra disse...

Esse é o verdadeiro espírito do Mural de Aventuras: Muita emoção e superação dos desafios. JoãoRider valeu! Você foi muito feliz na escolha dos trechos da trilha. E, vou ficar na expectativa da próxima. Agradeço a sua recepção calorosa e de seu primo Beto, bem como do pessoal que demandaram trabalhos e serviços que tornaram nossa estadia maravilhosa. Que venha a próxima. BMMP!!

Anônimo disse...

Beto Limoeiro disse.....

João, parabéns pela resenha, mas principalmente pela sua recepção calorosa e das pessaoas que fazem parte da fazenda.

Ed Bala disse...

Muito Boa Mural de Aventuras e JoãoRider contribuindo para nossas aventuras se tornarem ainda mais emocionantes

Rogerio B'Twin disse...

JoaoRider, ficou massa a resenha. Mais uma vez obrigado por proporcionar momentos incríveis a todos nós. Bora Mural!!!