2º Dia – Ciclo Aventura Chapada Diamantina (Mucugê - Guiné - Capão)

Olá Muralistas, fui convidado a fazer a resenha do 2º dia da Ciclo Aventura na Chapada Diamantina, trecho de Mucugê  - Guiné – Capão, onde pedalamos 80km de puro Mountain Bike. É muito difícil retratar tudo que vimos, fizemos e sentimos numa resenha, mas tentarei enriquecer com alguns detalhes que juntamente com as fotos e posteriormente o vídeo vocês poderão vivenciar esta maravilhosa e exaustiva aventura.
Como foi anunciado esta trilha foi nível 5, e de fato, fizemos de tudo. Alta quilometragem, brocação nos subidões e downhill em estradões de barro e pedras, muitas pedras…, passagens técnicas em todo tipo de terreno, pedras, areia e córregos, pedal na base e no alto da Serra do Sincorá. Fizemos uma incrível escalada e descida da serra com as bikes nas costas submetendo todos a um esforço físico enorme, mas altamente recompensador pela superação dos desafios, pelas paisagens alucinantes e a chance de aprimorar tudo aquilo que as trilhas mais leves do Mural nos ensinaram.
Bem, acordamos cedo às 06:00h do dia 27/12 para nos arrumarmos e tomarmos o café da manhã reforçado. O primeiro dia foi extremamente exaustivo onde pedalamos 78km e subimos a famosa ladeira de pedra de Igatú (ladeira construída para exploração de diamantes e ouro da região) em torno de 1.000m de altimetria. Não sabíamos exatamente o que iríamos enfrentar neste 2º dia, pois este trecho não foi feito pelo Mural em 2009 devido às enchentes na época. Assim a expectativa era alta, pois a passagem de Guiné para Capão é sobrepondo a imensa Serra do Sincorá.
Antes do relato dos trechos que passamos gostaria de parabenizar este grupo maravilhoso que participou desta grande aventura. Elson, valeu por todo planejamento!!! Sérjão, Josa, Piau, Nanal pela experiência de vocês, Malandra e Kichute vocês estão brocando muito!!! E Bezerider você é uma inspiração de determinacão a todos Muralistas.
Bem, após uma noite de bom sono no friozinho de Mucugê, tomamos o café  e PARTIMOSSS!!!! Saímos debaixo de uma leve chuva e frio, devidamente preparados com corta vento e capa nas mochilas.
Saímos de Mucugê com destino a Guiné através de um estradão de barro onde pegamos duas imensas subidas de barro, se não fosse assim não seria MURAL, rsrsrs. Mas muito bem recompensado por dois downhill’s massa e a bela vista lateral da Serra do Sincorá.
Chegamos em Guiné e paramos na pousada do Sincorá para almoçarmos, afinal depois dalí o bicho ia pegar, iríamos escalar a Serra do Sincorá. Comemos bastante carboidrato, optamos por uma macarronada acompanhada por um ensopado de galinha, afinal precisávamos de muita energia. Mas a nossa gula resultou numa moleza geral, então tiramos uma soneca na varanda da pousada. Pronto, Partiuuu!!!!!
Saímos rumo ao Beco de Guiné, trilha de subida pelo lado oeste da serra do Sincorá. Parada para foto no pé da serra e então começou o carrega bike nas costas para a literalmente escalada de pedras subindo a serra. Encontramos algumas pessoas descendo a serra fazendo trekking. Um grupo de paulistas e cariocas ficaram impressionados com a nossa aventura e nos fizeram perguntas a respeito, afinal pedalar no topo da serra não é algo comum, mas é Mural, BMMP!!!
A subida pelo Beco de Guiné demorou mais do que esperávamos, chegamos ao platô da serra e paramos numa das nascentes do rio Negro que corre pelo alto da serra. Fizemos um lanche e o primeiro abastecimento das garrafas com água pura de rio que brota nas pedras. Descansados da subida seguimos nosso rumo pela rota do GPS que nos levava ao Vale do Capão do lado oposto da serra.
Estavámos numa trilha orientados prlo GPS a todo tempo. De vez em quando Elson fazia uma paradinha para conferência da posição e continuávamos na trilha. Chegamos na minha opnião e acho que dos demais também, ao local mais bonito da viagem. O mirante do Vale do Patí. Pensem num lugar bonito!!! Estavam lá várias grupos de trekking contemplando a maravilhosa paisagem. Um vale todo verde e sinuoso entre as montanhas imensas. Lá de cima avistamos as trilhas e as casas de moradores nativos que servem de ponto de apoio para pernoite dos grupos que fazem a famosa trilha Vale do Patí – Vale do Capão. Tiramos fotos e contemplamos toda a beleza que DEUS nos deu!!!
Conhecemos um guia com um dos grupos que fez muita pressão com o nosso desafio de atravessar a serra. Segundo ele pra fazermos esta travessia deveríamos ter subido a serra umas 4 horas antes e que só chegaríamos em torno de 21:00h. Seus comentários nos preocupou um pouco, mas pensamos, somos Muralistas e acostumados a fazer trilhas, então PARTIUUU!!!
Retomamos a rota do GPS e seguimos pelo alto da serra com destino ao Vale do Capão no extremo oeste, na conhecida descida do “Quebra Bunda”, ficamos imaginando que espécie de descida era essa. O Guia já tinha adiantado que não era moleza. Bem, pedalamos em torno de 24km pelo alto da serra, e não foi um pedal fácil, o terreno tem bastante pedras e areia enlameada preta. Algumas subidas no alto da serra e o sol indo embora e nada da descida do quebra bunda aparecer.
Bem pessoal, aí a tensão começou a surgir pois pelo andar da carruagem, ou melhor das bikes e os kms que faltavam na rota do GPS, já tínhamos a certeza que o guia estava certo e só chegaríamos no Capão a noite. Avisei a Elson que meu GPS alertou bateria fraca, então o desliguei pra poupar para uso em caso de emergência. Reduzimos o brilho e som do GPS de Elson para segurar mais carga da bateria e seguimos adiante, afinal a rota estava armazenada do GPS dele. (da próxima vez, como kichute observou bem, é mais prudente carregar a rota em dois GPS e deixar um desligado em stand by).
Para piorar as coisas ainda mais, a trilha sumiu da nossa frente, e aí já estávamos com as nossas lanternas ligadas e o GPS indicando um caminho que não havia marcas no chão de trilha. Paramos um pouco, conversamos e decidimos que o GPS nos levou corretamente em todos os lugares até então e que deveríamos confiar nele. Então mais tensão, e seguimos a rota sem trilha. Para nossa surpresa a trilha reapareceu adiante, mas a alegria durou pouco, pois logo em seguida a bateria do GPS de Elson terminou. Tivemos agora que continuar a trilha em cima da serra, sem GPS e a noite. (só enxergávamos o foco das nossas lanternas afinal foi uma noite sem lua).
Não tínhamos outra opção senão continuar ou pernoitar no alto da serra. Fazia frio e ameaçava chover, então a opção foi continuar pela trilha. Mas adiante ficamos empolgados porque avistamos um clarão atrás de outras serras distantes, pensamos está muito longe mas no caminho certo, deve ser Capão e continuamos.
Finalmente a trilha nos levou a famosa descida do “quebra bunda”, e de cara entendemos perfeitamente o porque deste nome. Uma descida muito íngreme com muita pedra solta e degraus enormes, iniciamos então uma sofrível descida com as bikes nas costas. Havia muita ansiedade e tensão no grupo, mas estávamos evoluindo pelo caminho esperado, portanto sabíamos que não estávamos perdidos, apenas num caminho desconhecido, à noite e com muito frio.
Paramos para um descanso num pequeno platô no meio da ladeira embaixo de uma árvore para um merecido descanso, afinal estávamos todos fadigados. Aproveitamos pra fazer um lanche e beber água.
Apesar de alguns contratempos ressalto que estávamos todos preparados com água e alimentação, corta vento, lanternas, ferramentas, etc, e que isso foi fundamental para enfrentarmos todas as dificuldades encontradas (o check-list funcionou!).
Algumas lanternas pifaram e fomos redistribuindo as reservas uns com os outros e andando em fila Indiana e mantendo todos unidos. De vez em quando eu contava os integrantes pra garantir que todos os nove estavam juntos. Uns com medo de cobra não desligaram a lanterna nem nas paradas, outros ansiosos e tensos pela dúvida se estávamos no caminho certo e pela possibilidade de pernoitar no mato com risco de chuva. O sentimento era de vulnerabilidade, mas a trilha estava clara o tempo todo, e só podia nos levar ao vale do Capão, então fomos em frente, BORA MURAL!!!!!!!
Com muito esforço mas sem quebrar nenhuma bunda rsrsrs terminamos descida da serra, chegamos nas margens do rio e encontramos um casal acampando nas margens sem luz alguma, pensamos que loucos!!! Eles também devem ter pensado o mesmo de nós, kkkkk. Conversamos com eles a respeito da trilha pra Capão, mas não ajudou muito, acho que o cara ficou bastante assustado com um monte de loucos descendo a serra de bike à noite.
Bem já passavam de 22h e continuávamos a trilha ora margeando um rio e ora nos afastando para dentro da mata. Assim, finalmente chegamos numa placa que sinaliza o fim da trilha do Vale do Patí para o Vale do Capão nas margens do rio.
Pronto!!!!! Chegamos. Falei bem alto!!! É que fui para o Capão com minha esposa alguns meses antes e reconheci a placa que fica no caminho da trilha que fizemos pra cachoeira da Angélica. Fiquei muito animado e disse bem alto para todos: Pessoal, reconheço o local basta fazermos uma travessia de rio e dois ladeirões de barro e chegamos no Capão. Todos ficaram aliviados por estarmos tão próximos. Kkkkkk infelizmente não foi bem assim.
Na verdade não lembrava muito bem dos detalhes e errei feio na estimativa do percurso, mas não no caminho. Fizemos 3 travessias no rio por cima de pedras carregando as bikes e subimos umas oito ladeiras, cada uma pior do que a outra. Eu cheguei a empurrar a bike em uma delas, mas achando que sempre a próxima era a última, subi alucinado uma a uma, não me perguntem aonde achei fôlego pra aquele ritmo de subida. Kkkkkk
Todos reclamaram que Capão não chegava nunca e se eu tinha certeza do caminho. Ao mesmo tempo riam muito da minha imensa ansiedade em chegar.
Finalmente chegamos em Capão às 23h e comemoramos muito com uma rodada de cerveja e pizza. Foi de fato uma grande aventura, parabéns Muralistas que viveram todas estas emoções. Um abraço a todos, Plech.
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9 comentários:

JOSA disse...

E passa o filme de como foi o dia e noite srsrsrs, perdidão recorde do mural, nunca tinha ido em um local tão lindo.

João Ramos disse...

Parabens, belíssima resenha, fotos e o pedal de dar inveja, valeu Mural.

Luiz Carlos Assis Jr. disse...

Plech, parabéns pela resenha, foi uma das resenhas mais bem escritas, ricas em detalhes que nos faz sentir na trilha, que já li aqui no mural.

Bora Mural!

Plech disse...

Vlw Luiz Carlos!!!!

Muralistas, aguardem o vídeo!!!!! Elson se superou nesta edição está show!!!!!!

Os participantes já assistiram de antemão no churrasco da resenha da chapada no domingo passado e está DEMAISSS.

BMMP!!!!!

alexandre ribeiro disse...

Parabens galera, vcs são uma minoria privilegiada que tiveram a OPORTUNIDADE de curtir uma suoer aventura com bons amigos.
Parabens a todos os Muralistas e nem q dure 2 anos logo estarei presente e fazendo oarte dessas viagens fantasticas com essa familia chamada Mural de Aventuras. Bora Mural!!

Lucas Malandra disse...

Show de resenha Plech!!
SHOW DE FOTOS!
Já to com saudades da Chapada!
BORA MURAL!!!

Tiagão disse...

Ri muito desse trecho Plech: "sabíamos que não estávamos perdidos, apenas num caminho desconhecido, à noite e com muito frio"! Só não sabemos pra onde esse caminho leva, mas não estamos perdidos! Kkkkkkkk
No mais deve ter sido bala! Fiquei na fissura de não ter ido nessa aventura! As fotos ficaram muito massa! BMMP! Parabéns galera!

Vinícius Calheira disse...

Parabéns show de bola a resenha!! Esse é o espirito muralista, BMMP!!

Giulyano disse...

Viajei com vcs agora, muito legal, pura aventura digna de expedição. Parabéns a todos. BMMP!!!!!