3° Dia Ciclo Aventura Chapada Diamantina: Vale do Pati - CT Gantuá

Terceiro e último dia na Chapada. Tudo conspirava para um dia absolutamente inesquecível e a expectativa era quase insuportável. Como de costume, levantamos cedo, nos arrumamos e saímos. Porém, na manhã tão esperada de domingo, minha expectativa (maldita expectativa!) era que todos completassem tudo que havíamos planejado. Percorridos alguns quilômetros pelo estradão sentido a Guiné, Elson pede pra gente agrupar e, inesperadamente anuncia que a partir dali ele não iria nos acompanhar, porque não estava se sentindo bem. Inicialmente a expressão facial de todos era de interrogação. Alguns disseram que voltariam com ele, outros não, mas a verdade mesmo é que ninguém voltou, nosso Coordenador (Elson) queria que fôssemos e fomos sem ele. Confesso que olhar para trás e ver ele, que fez de tudo por essa viagem, voltando sozinho, foi frustrante e ao mesmo tempo deu vontade de continuar para mais tarde ao chegar ver sua felicidade...
Após alguns quilômetros, chegamos na entrada que dava acesso a subida de serra Aleixo. Eis que Allan nos mostra as pedras lá em cima e elas seriam o nosso destino. Subir toda aquela trilha carregando a bike nas costas não foi fácil. Era notável o cansaço de cada um, mas estamos sempre querendo sentir aquilo que as outras pessoas que vieram antes da gente sentiram e de certo modo, todo mundo é assim. Alguns vão mais fundo enquanto outros não se arriscam tanto. Todos nós podemos nos identificar com o que estou dizendo, afinal procuramos sensações diferentes, sejam elas novas ou velhas. A vista do Aleixo é infinita, mas ainda faltava muito para pedalar.            
A Chapada é a cara do Mountain Bike. Passamos por diversas trilhas com singles tracks alucinantes, sem falar das pedras que tínhamos que driblar. Falando nisso, Allan mostrou toda sua habilidade, sem exageros, sem muito alarde, sempre com muita categoria. Pode-se dizer que é um nativo da Chapada. Sem perder tempo, íamos atrás, uns mais lentos, mas sempre juntos. Até que Josué resolveu comprar uns terrenos e advinha quem estava lá para recepcioná-lo? Eu e Serjão (coroa ostentação). A pendenga é antiga. Outra pedra no sapato de Josué era, e ainda são, as pedras.
O dia estava lindo e nosso objetivo era chegar ainda de dia para deslumbrar a vista do Paty, e que vista!! Contemplamos por uns 15 minutos, muito pouco pela beleza, mas a parte mais fascinante sobre isso é descobrir um jeito de se sentir compensado por todo esforço, como também a experiência completamente nova. De qualquer forma, quem sabe um dia a gente volta com mais tempo.
Saímos do Paty sentido a Guiné. Dessa vez, empurramos bastante porque não dava pra descer a trilha de bike. Chegamos para almoçar às 18:00 horas. Almoçamos e, antes mesmo que a comida desse preguiça, pegamos as bikes e voltamos para Mucugê.
Sensação de missão cumprida. E, somente aqueles que estavam presentes, puderam ver o quão feliz e emocionado Elson estava. Senti o quanto ele ficou orgulhoso da gente ter feito tudo como planejado mesmo com sua ausência. Elson, já havia percebido, mas depois de ver as lágrimas escorrendo em seu rosto, estou convicta do seu amor pelo Mural de Aventuras. Sua energia positiva nos contagia. Parabéns a todos que foram, foi mais uma aventura incrível, dura e que deixou saudade. Meus agradecimentos a Allan e Diana pela receptividade, pelo cuidado e consideração. A você, Elson, por todo trabalho de planejar nossas aventuras, de fazer com que tudo saia perfeito e ao churrasco no último dia. Tenho orgulho de fazer parte desta família. BORA MURAL! Sabrina (Bina).

Relato de Elson:
Quando pensamos que sabemos alguma coisa, a vida nos mostra algo bem diferente... Depois de 5 anos de muitas aventuras como as várias expedições que já fiz a exemplo das três grandes chapadas do Brasil, Deserto do Atacama e os Alpes, passei por algo totalmente novo para mim nessa última Ciclo Aventura na Chapada Diamantina.
Desde o primeiro dia, senti que havia algo de errado comigo, uma sensação de estranha, por algum motivo e em alguns momentos sentia uma fraqueza ao pedalar. Fato que em todos os dias dessa aventura, assim que possível, ia logo deitar para dormir.
Quando acordei na manhã desse último dia, sabia que não iria conseguir completar a aventura, estava sentindo um profundo cansaço, algo que nunca tinha sentido antes. Entretanto, queria muito que ninguém deixasse de fazer o roteiro conforme programado. Sendo assim, não declarei a minha situação e pedalei com todas as forças até um local que sabia que seria difícil do pessoal desistir de voltar.
Foi uma decisão difícil, queria muito estar com todos para ver novamente a vista do Vale do Pati. Uma sensação muito estranha deixar o grupo, depois de 5 anos de Mural de Aventuras era a primeira vez que acontecia isso dessa forma. Voltei os 15km com um "nó na garganta", mas com grande orgulho dos Muralistas que tinham seguido em frente,  sabia que eles iram conseguir, é como de certa forma eu também estava com eles, isso por que eu também faço parte do Mural!
Passei o resto do dia pensando porque tinha acontecido isso comigo, tentando encontrar resposta, e assim entendi mais uma vez que o nosso corpo tem seu limite e “cobra” o preço quando se ultrapassa essa barreira. Tinha mudado meu treino de uma forma bastante radical na véspera da viagem e esse foi meu erro.
Caia a noite enquanto ficava cada vez mais ansioso em rever a galera. Quando eles chegaram, todos com cara de cansados, sujos, mas felizes por terem superado o desafio, senti um grande orgulho de ter de certa forma proporcionado a realização deles, todo o esforço que faço pelo Mural valeu a pena naquele momento. Descobri também uma nova forma de viver “A Emoção dos Desafios” e sendo assim, agradeço a todos Muralistas por me dado essa oportunidade. Até a próxima. Bora Mural! Elson.
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