Salvador a Inhambupe: De 0 a 220km em 1 Dia

Entrar para o Mural de Aventuras me fez realizar o desejo de percorrer diversas trilhas e percursos que antes só fazia em pensamentos, dentre eles o de ir de bike de Salvador a Inhambupe/Sátiro Dias, distante 210Km de carro pelas BR's e BA's, ou 225Km em percurso alternativo com maior segurança de bike. Ao externar esses desejos à amigos e familiares, todos eram unânimes em dizer que eu era maluco ou então perguntar que tipo de droga estava tomando. Pois bem, essa "ciclo viagem", como diz meu amigo e parceiro de bike Bezeride, já se tornara mais que um desejo pessoal de realização, e passara a ser uma meta, mais especificamente um objetivo ou etapa a ser alcançada e superada, haja visto nosso objetivo maior de participar da Expedição TransMantiqueira com 455Km de percurso, e posteriormente o Brasil Ride 2014 em todas as 7 etapas com 600Km de pedal.
Outro desafio era encontrar uma brecha dentro do calendário que pudéssemos fazer esta ciclo viagem sem perdermos as imperdíveis trilhas do Mural. Decidimos então que abriríamos mão de participar da Trilha do Padre e assim fizemos nosso planejamento para que fossemos numa sexta (dia 06/jun) e voltássemos no domingo (dia 08/jun). A princípio eu só planejava ir, mas como empolgação, motivação, incentivo e superação não faltam ao colega Bezeride, decidimos ir e voltar, ou seja, percorreríamos 450Km em 2 dias. Tudo planejado, tralhas arrumadas, partimos.
Logo às 5 horas da manhã Bezerra já estava me esperando na portaria do meu prédio na Av Paralela, o cara já tinha percorrido uns 12Km da sua casa no Rio Vermelho. As 5:30 partimos ainda escuro pela Paralela até a Linha Verde, onde pedalamos num bom ritmo mantendo uma média de velocidade entre 25 e 30Km/h, e as 7:30 fizemos nossa 1ª e única parada de 30 minutos em Guarajuba para repor as energias com uns deliciosos sanduiches preparados pelas nossas queridíssimas esposas Marcia(João) e Lena(Bezerra). Partimos para a entrada de Praia do Forte e entramos na BA512 acesso a Açu da Torre, onde percorremos mais 8km de asfalto, dai em diante pegamos só estradão de terra batida e cascalho mas sem nenhuma dificuldade, somente o calor do sol que começava a minar nossas forças principalmente nas subidas que nos surpreenderam pois não tínhamos percebido quando traçamos o roteiro pelo Google Maps/Earth.
Paramos numa pequena vila chamada de Olhos D'água para bebemos água e tomamos uns Gu's e adicionar alguns carboidratos perdidos. Seguimos em frente e logo nos deparamos com nosso primeiro perdidão, rodamos 4km de ida descendo, e mais 4Km de volta subindo, sem contar com o tempo perdido, pois tivemos que parar novamente para beber uma coca-cola e descansar do sol a pino.Surpreendentemente encontramos com um amigo, Davi, também amante de mountain bike, só que passava de carro e não quis aceitar meu convite para ir almoçar com agente em Itanagra, mas tudo bem. Partimos por mais 37Km no estradão, que nos presenteava com belíssimas paisagens de fazendas, bois, cavalos e longos trechos de uma maravilhosa e refrescante floresta de eucaliptos, onde não poderíamos deixar de parar para tirar algumas fotos.
Já eram 11h horas quando chegamos no povoado de São José do Avena, tiramos mais fotos, repomos as energias e líquidos, e seguimos em direção aos 14km de mais estradão, para enfim nos levar até o desejado almoço no restaurante da Célia em Itanagra. O mesmo restaurante que fomos na trilha das 7 Maravilhas. Chegamos as 12:30 e fizemos uma razoável pausa para tirar a poeira das bikes, lubrificando as correntes e tomamos um banho de mangueira. Almoçamos uma deliciosa carne de sol com fígado, macarrão, feijão e salada, sem falar do brinde com uma cerveja Devassa bem gelada, mas só uma. Durante o almoço resolvemos que mudaríamos o percurso, ao invés de irmos por Entre Rios em estradão de terra, iríamos pelos 24Km de asfalto até Araças. Partimos as 14h e logo na primeira curva saindo da cidade o pneu de Bezeride começa a vazar o líquido. Paramos e após diversas tentativas de recuperação, decidimos por colocar a câmara de ar. Mesmo com quase 1 hora de atraso, e após longas decidas e subidas, e graças ao excelente e asfalto novo, chegamos as 16h em Araças, onde paramos só para repor a água e seguimos por mais 29Km até Alagoinhas numa estrada com acostamento estreito ou sem em muitos trechos, muita movimentação de carros, ônibus e caminhões, torcendo para sairmos logo dali. Chegamos enfim as margens da BR101, trecho também muito movimentado principalmente por caminhões, com muitas lascas de pneus e arames das lonas se espalhavam pelo acostamento, e onde o que mais temíamos aconteceu, furo no pneu com câmara de Bezeride. Por sorte o mesmo furou quando chegamos num posto onde paramos também para beber água, coca-cola e comer alguns sandubas.
Já se passava das 18h quando já íamos partir e o maldito pneu furou novamente. Dessa vez tivemos o cuidado de revisar toda a superfície interna do pneu e retiramos com um alicate alguns arames bem finos, provavelmente eram das lonas dos pneus de caminhão. Diante das dificuldades e da possibilidade de aumento dos riscos resolvemos então que abortaríamos o retorno pedalando à Salvador, e nossa meta agora era chegar sãos e salvos em Inhambupe onde nosso pouso já estava garantido. Partimos as 19h horas e seguimos ainda pela BR101 até entramos pela BR110, e seguimos por longas subidas e poucas descidas ao longo dos últimos 46Km. Fizemos uma última parada as 20h30min. para reabastecer a água, uns Gu's e Bezerra descansar os pés doloridos pelo seu novo Coturno muito bonito, mas que estava lhe maltratando muito. Paramos num entroncamento da BR110 com a BA400, entrada para o povoado de Baixa Grande, onde fomos indagados por alguns simpáticos senhores que jogavam dominó, de onde estávamos vindo e para onde estávamos indo, e senão incrédulos mas muito assustados os caras ficaram de olhos arregalados ao falarmos que estávamos vindo de Salvador e indo para Inhambupe, ou seja 200Km em 15 horas já percorridos até ali de bicicleta. Mas para amenizar nosso aparente sofrimento e nos confortar, fomos informados que só faltavam 18Km, e poucas subidas, nossa!!. Assim partimos, e após algumas subidas e maravilhosas descidas, onde numa delas chegamos a bater 58Km/h, enfim avistamos a cidade, e as 21:30 enfim chegamos. Fotos, cerveja, carne, água, bate papo com amigos, resenha, lembranças e flashes dos maravilhosos momentos que vivemos nessa cicloviagem ou melhor chamar de cicloaventura ou ciclomaluquice ou ciclosuperação, não sei, são muitas as denominações. Nosso prêmio ou recompensa são os verdadeiros sentimentos que ficarão eternizados pelo esforço empenhado, a superação dos limites físicos e psicológicos para alcance desta meta. Bora Mural! João Ramos.
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3 comentários:

lucas rocha disse...

Parabens a duplas dos RIDERSSS!!!

Carla Guimaraes disse...

Parabéns! É muito bom quando conquistamos nosso objetivo.

val bonfim disse...

parabéns pessoal por mais essa conquista