Trilha da Tiririca - O Buraco do Esparro e a Enxurrada

Antes de tecer maiores considerações sou obrigado a pedir desculpas ao líder Elson e demais membros do grupo pelo atraso no envio da resenha, a qual senti muito orgulho quando fui designado para a realizar. Isso porque há muito tempo pretendia pedalar com o Grupo do Mural de Aventuras que desenvolve um excelente trabalho pelo Mountain Bike neste estado, propiciando a seus integrantes aventuras de natureza impar a cada  final de semana.
No caminho eu imaginava: Será que vou conseguir? Espero não fazer feio e não completar? Como será o contato com o pessoal? Será que lá tem algum gordo que consigo acompanhar? Para minha decepção o único gordo era o narrador, mas já estava lá, o negócio era enfrentar o desafio. Ao encontrar Elson, fui muito bem recepcionado e lembramos quando nos conhecemos a aproximadamente 06 anos na prova da Fazenda de Luide, e aos poucos o pessoal foi chegando preparando-se para o pedal , cumprimentos recíprocos após as considerações do líder começamos o pedal.
Iniciado o pedal, surgiam novas perguntas : Como será a trilha? Tem muita ladeira? Qual é o ritmo do pessoal? Logo no início as perguntas foram sendo respondidas delineando o pedal : O ritmo era bom ; o trecho era de subidas e descidas e o pedal revela-se promissor, a não ser porque , após um 05 km entramos numa trilha de mato fechado, onde eu já não sabia onde estava, e meu  estômago começou a revirar, quando pensei ; “Só faltava essa no primeiro pedal, número 02 sem papel.”  Felizmente não foi necessário, as coisas foram andando, logo veio o primeiro teste para os calouros, como eu , claro .  Como todo calouro , o melhor a fazer nestas horas é não chamar a atenção  e embora Guine tenha dado a maior força , pensei : “ Dar uma capotada logo de cara não é coisa boa , engole o orgulho e  continua a pedalar , o que durou mais 50 metros, quando um Muralista rasga o pneu, que parecia já ter sido remendado com chiclete. Infelizmente não me recordo o nome dele, mais tenho certeza que não vou esquecer, quando Guine sacou um cartão , para resolver o problema do corte do pneu após 02 tentativas frustradas, neste instante lembrei do cordão ou do cadaço que na infância, resolvia o problema da câmara de ar, e não demorávamos 01 hora parados.
Pneu consertado, fomos pedalando por um capim alto, cuja travessia seria no mínimo vexatória para mim. Em fila indiana o grupo foi passando, eu bem atrás, tentava ver o que tinha na frente porque o solo ia ficando estranho, começava a afundar. Como não conseguia ver nada a frente passei a conversar com Fernando, sobre ao quanto devemos agradecer a Deus pelos dias de pedal, deixando de observar o que vinha pela frente, e logo depois   chegou minha vez de passar no local em que todo mundo parava, chegou a minha vez de pular o buraco. Após passar a bicicleta achei que ia ser moleza, e aí me deparei com a realidade, “gordo não boia, afunda”, por isso enquanto estava desesperado, afundado na lama até o peito, na minha frente, Elson se acabava de rir , olhei para trás e a cena foi ainda pior, pois  uns quatro que estavam atrás, riam tanto que estavam caiando um por cima do outro,  neste instante minha agonia só aumentava porque não conseguia sair  até que alguém me puxou.
Ao sair do buraco imaginei :” Depois dessa , vou subir  ou descer qualquer ladeira, pular , vexame maior, do chão não passa !”. Logo após sair da lama um top de cascalho divertido, seguindo por um caminho, onde falaram que era tomar cuidado com abelha , sendo que um dos Muralistas foi vitima, e no final onde ao entrar na estrada logo avistamos um carro queimado, que deu a ideia de onde estávamos passando. Guine para variar, entrou no carro para tirar foto, o cara é um figura. Seguindo a trilha, pegamos uma descida de cascalho, onde no final, uma curva para direita para livrar da galha, fez muita gente descer,  pois a queda seria desagradável. Passamos a seguir por um estradão de subidas e descidas, até entrarmos numa trilha onde após uma descida, uma longa subida começou a castigar o gordo, quando ocorreu um problema no câmbio de Fernando se não me engano, quando eu alegre pelo descanso da parada eminete, ouvi de Elson “ Leonov continua subindo”. Ai  não teve jeito, nem botei o pé no chão e tome coroa pequena . No final da ladeira pegamos umas duas descidas de trilha fechada, do jeito que a Samu gosta, sem conhecer o local, a solução era seguir quem estava na frente , o problema que o cara que ia na minha frente parou  no meio da ladeira, ai para mim não tinha jeito, como gordo não boia é também difícil de parar, a adrenalina foi boa , descida muito técnica, pelo que vi muita gente desceu da bike, mas passei beleza.
No final da ladeira, ficamos esperando o resto do grupo pois Carla, tomou um tombo feio, mas felizmente algumas escoriações e pequeno rasgo na calça. Algum tempo parado, começamos a subir a esquerda, e a mata que era fechada , teve que ser desbravada, onde o jeito foi empurrar e ver os caras  na coragem continuar a abrir o caminho na mão grande, onde não era possível andar na bike mais de 10 metros sem parar por que o mato não deixava , até que saímos numa estrada que beirava um  lago ou rio, com uma água corrente, onde tomamos um banho e a chuva que antes era fina, passou a ser torrencial.
O local tinha o visual bonito para tirar foto , e eu só olhava para o tamanho da ladeira a frente, razão pela qual fui o primeiro a montar na bike e começar a pedalar , quando Elson falou : “ Leonov vou aliviar para você vira a direita no pé da ladeira” . Pensei logo :” Beleza”, pena que não sabia o que vinha pela frente uma subida longa técnica com chuva torrencial, seguida de nova subida num terreno arenoso, que aquela altura,  parecia que estávamos subindo um rio, onde a força foi no limite, cujo resultado foi uma  corrente condenada ao final do pedal. Infelizmente não deu para subir.
Ao começar empurrar vi muita gente usando a água da lama para jogar na relação da bike, com o pé com, com a mão, mas ao passar por um dos Muralistas que não me recordo o nome, vi o cara com a garrafinha  pegando água da lama e jogando na corrente para tirar a lama, exemplo de amor a bike e ao pedal , pois é melhor perder uma garrafa do que quebrar a corrente, razão pela qual passei a fazer o mesmo, e ainda coloquei oléo na corrente.
Seguimos o caminho, ainda subindo, porém fora do lamaçal, uma ladeira longa de terra era  o caminho, o que tornava a subida difícil. No final da subida grupo reunido para reagrupar, quando o cidadão descobre que esqueceu o camelbak no lago. Finado camelbak, continuamos a trilha a esta altura a fome e sede já começavam a apertar, quando paramos num local que não me recordo nome, numa mercearia e como bom gordo o que vem à mente – “ Oba! Pão, mortadela, refrigerante”. Todavia os Muralistas de forma educada foram tirando castanha, barra de cereal e oferecendo aos colegas, e eu, já dentro do bar ao constatar que não tinha mortadela, sardinha, kitute, nada para colocar no pão, olhei para o saco de pão , pensando vai ser pão seco com refrigerante.
Ocorre que aberto o saco de pão pude constatar uma coisa. Como sempre,  quem pensa na comida primeiro é o gordo mais todo mundo estava de olho no pão,  e o saco que devia ter uns 20 pães foi ficando  vazio, sendo que por reflexo , vi que na geladeira o refrigerante não ia dar para todo mundo e o pão teria que descer agora com agua. A dona do bar educadamente passou a nos dar água, quando de repente saia da casa o um vaso de 02 litros de suco de uva Pergóla fechado, onde alguns inclusive eu, chegaram a sentir o gosto do suco. Sabe nada inocente, ledo engano era mais um vaso de agua. Abastecidos seguimos a trilha de estradão, e depois num single track de mata fechada passando por uma fazenda, onde achei que tinha me perdido, mas logo o pessoal foi chegando e veio uma subida técnica boa, que deu para zerar, com ajuda do pessoal que parou e abriu passagem.
Seguindo o pedal uma descida de alto grau de dificuldade, onde a queda tinha platéia, pois o pessoal ia descendo a pé ou montado, a maioria absoluta despongou,  e ficava parado embaixo esperando, torcendo, vocês sabem para o que. Cansado fiquei conversando com Fernando, Guine e Adriano discutindo como descer. Moral da história desci empurrado, pois já estava chegando no fim do pedal, e depois de quase afundar na lama, achei melhor não correr o risco de  comprar terra no primeiro pedal, era melhor não abusar do crédito com Papai do Céu. Vale destacar que Adriano  e  Guine desceram.
Todos alinhados, começamos a pedalar e no final do pedal uma ladeira de lascar, em curva que não dava para ver o fim, onde o jeito foi coroinha para dentro, coração com 194 batimentos, subi no limite em nome da honra. Após o fim da ladeira parada para reagrupar, e fui tomado de surpresa com o discurso de Elson, no meio da galera, sobre minha aprovação como Muralista, fato que me deixou mais satisfeito com o pedal, no qual seguimos subindo e descendo ladeira até parar para trocar a corrente de um colega.

A esta altura todo mundo cansado e com fome , parei sentado debaixo de uma árvore com pessoal, quando de repente o Cara lá de cima, meu coligado , lendo meus pensamentos faz cair do céu aquela manga na minha frente, madurinha, não tinha visto, mas estava sentado debaixo de uma mangueira imensa, que me levou correr para pegar manga, antes de quem estava do meu lado, sendo que após conserto da  corrente do ex dono do camelback, seguimos no pedal e chegamos ao ponto de saída, onde Elson veio e me disse : “Você ficou devendo 08 Km” . Em ato de arco reflexo imediatamente pensei sem dizer nada: “ Valeu Papai do Céu , o Senhor é mesmo  meu coligado”. Pedal finalizado, satisfação por passar a integrar o Mural, não deu para interagir com todo mundo, mais isso vai acontecer com o tempo e novos pedais , que espero repetir em breve,  Serra da Jiboia sofrimento garantido,  até lá! Leonov.
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!
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9 comentários:

Ed Bala disse...

Que esparro mesmo...kkk Bullying em alta!

lucas rocha disse...

Muito bom....a velha trilha do buraco q cai.kkkkkkk

lucas rocha disse...

Muito bom....a velha trilha do buraco q cai.kkkkkkk

Osvaldo Silva disse...

Eu ainda vou está neste grupo! Preciso me superar.

Iane Sabrina disse...

Leonov, sua resenha ficou muito boa! Deu pra perceber sua emoção. Ah, ainda tô rindo do vídeo. Você se preparou tanto e mesmo assim se afundou.
Seja bem vindo!!

Odi disse...

Excelente trilha e um grande prazer pedalar neste grupo. Só pra constar, voltei de carro e resgatei meu Camel Bak😃👍

Rei disse...

Rapaz, nosso novo integrante te uma memória da zorra!!! Ficou massa a resenha... sempre que participar podemos intima-lo a escrever a resenha!!!
Leonov, no video vc está até mais magro!!! Afundou no buraco por azar... só pode ter sido azar!!! kkkkkkkkkkkkkkk... ficou muito bom o video... principalmente pra gente que estava longe no alto do morro e não pode acompanhar seu drama!!! kkkkkkkk...
Tirando as brincadeiras é muito bom ver alguém chegar, se integrar e ter orgulho de participar do grupo mais brocador do Brasil!!!
BMMP!!!

Rogério Fernandes disse...

Parabéns Leonov pela resenha, muito bem detalhada e com emoção. Seja bem vindo amigo!

JP disse...

Rapazzz !! Kkkk que resenha sensacional !!! Kkkk ate agora estou rindo !!! Parabéns Lenov ! Pela resenha , superação e o alto astral !!