Trilha Lagoa Azul

Eu já conhecia o Mural de Aventuras pela sua fama de grupo que se caracteriza pelo gosto em desbravar trilhas difíceis, formado por “brocadores”, que realmente fazem jus ao nome de aventureiros. Com muita insistência dos muralistas Welington (Uelton) e Renato (Pai Sapiranga), com o aval de Carla Dias, fui intimada a participar da Trilha da Lagoa Azul, pois seria aberta e de Nível 2. No entusiasmo, acabei aceitando. Mas na véspera da trilha, quando choveu sem parar até de madrugada, meu arrependimento bateu, pensando que o chão estaria muito pesado da chuva e que eu não aguentaria o ritmo. Diante da fama do Mural, fiquei achando que o anunciado Nível 2 não seria bem assim. Pensei: onde houver Mural, haverá apenas o “nível Mural” e ponto! Mas eu queria manter a palavra. Aí me certifiquei de que Welington iria realmente. Ele tem força para pedalar por ele e por mais uns dois e poderia me empurrar se eu não aguentasse. Além dele, tinha Renato, também “brocador” do Mural, incentivando e se propondo a me ajudar no que fosse preciso. Garantida com esses dois anjos da guarda, preparei a mochila e fui. Pois bem. Ao fazer esta resenha, mais do que contar detalhes do acontecido, quero dizer da minha enorme alegria de ter participado desta trilha com pessoas tão especialmente gentis e atenciosas. Constatei que, de fato, foi respeitado o Nível 2 divulgado. Tanto o grau de dificuldade quanto o tamanho da trilha foram compatíveis com a proposta divulgada. E, o mais importante, a afetuosa acolhida de Elson e dos demais anfitriões que não me conheciam. Agradeço a todos, a Elson, a Welington e Renato (foram anjos de verdade), a Josué (Josa), às duas Carlas e aos demais Muralistas que conheci na hora e me fizeram ver um grupo funcionando com muita solidariedade. Ninguém foi deixado para trás em momento algum. Sempre houve a preocupação de conferir se todos estavam juntos. Nas várias quebras de bikes, sempre havia gente ajudando a consertar, enquanto os demais ficavam pacientemente esperando, sem queixas. Os não Muralistas: Walmir Neto, do Roda Presa, valeu seu alto astral. Tiago, que também estava sempre por perto e até de motorista funcionou. O grupo de Candeias “Do Barro Bike”, super solidário nos momentos de ajudar quem precisou, foi uma presença bem legal. Os outros participantes, no mesmo clima do grupo. Valeu!
E a trilha teve de tudo.
Asfalto no início, para o aquecimento da galera.
Depois, veio um bom trecho de barro encharcado e mole - choveu muito na véspera - mais precisamente, um trecho de lama, atoleiro. E teve queda. “Comprei terreno” ralando numa cerca de arame farpado, quando me desequilibrei clipada tentando passar por um cantinho menos “atolante” da estrada. Os arranhões foram quase nada mas quem estava por perto se preocupou, ajudou e me deu a maior força.
Mais adiante, um terreno com um mato rasteiro de folhas lisas e compridas, parecendo um capim, verdinho, uma beleza, porém alagado, quase um charco, com uma aguinha rasa, mato e água prendendo a roda da bike. Haja força para girar! E quando eu conseguia um embalozinho, descobria que o mato escondia uns troncos caídos, que a bike não conseguia subir por falta de força da ciclista. Desce e empurra. Sobe e começa tudo de novo.
Em seguida, uma vala cheia de água, cujo chão era um atoleiro. Quando se pisava na lama, ela ía afundando, afundando, lembrando aqueles filmes que vi na infância sobre as areias movediças! Alguém mais ágil foi na frente. Passa a bike, um empurra de um lado, outro pega lá do outro. E lá vão as bikes e as pessoas enfileiradas tentando passar pelo lugar mais estreito, pisando num tronco caído, meio afundado, que aguentou a passagem de muitos. Mas, na minha vez, o maldito tronco cedeu e, em câmara lenta, começou a afundar e lá fui eu submergindo até quase a cintura, quando fui puxada pelos braços, pelos meus anjos da guarda e outros ciclistas, evitando que eu continuasse afundando, já que aquela lama mole em baixo dos meus pés parecia não ter fundo.
Teve também uma parede de barro, bem alta e íngreme, meio molhada, bem ao gosto dos Muralistas, um desafio para produzir quedas e mais quedas. Comigo não adiantou Renato fazer gracinha dizendo que a vista lá de cima valia a subida porque alcançava da Praia do Forte ao Elevador Lacerda! Ignorei a gracinha e fiquei foi em baixo mesmo, olhando e aprendendo com os corajosos. O pessoal fez bonito, subiu e desceu legal.
Depois de tudo isto, veio um perdidão! Com muita tiririca prendendo a roupa, segurando a gente e deixando arranhões nas pernas dos que estavam de bermuda. O caminho inicialmente previsto por Elson estava interditado. Ao tentar outro rumo, andamos perdidos, indo e voltando. Achar outro caminho era uma tarefa para o grande chefe. Elson saiu de batedor para achar uma saída. Algumas paradas para aguardar a escolha da nova rota serviam para descanso, bate-papos, contemplação da natureza. Numa delas, fui comer um sanduiche e fiquei doida de preocupação quando alguém disse que eu deveria poupar aquele alimento para horas mais difíceis já que não se sabia quando seria encontrada uma saída do mato! Passado o susto, é fácil rir da piada. Mas, como eu nunca tinha ficado numa trilha “perdidão” antes, fiquei na dúvida se era brincadeira ou não e fui logo pensando em como racionar minha comida e minha água naquele calor abafado. No meio de tudo isso, acabei ganhando de presente um gel GU sabor chocolate belga, por iniciativa de um gentil colega de trilha, gel que acabei nem provando, preocupada em economizar nutriente para o caso do perdidão se prolongar noite a dentro, quando eu talvez precisasse toma-lo às gotas! E, para não me sentir culpada mais tarde, retribui com um GU sabor morango, para o caso dele também precisar e não morrer de fome ... . Por fim, Elson achou um caminho de volta, creio que conhecido dele o tempo todo – o perdidão era só para dar emoção – e rumamos enfim para a tão famosa Lagoa Azul. Ah, mas em se tratando de Mural, a rota escolhida incluía ultrapassar várias cercas com arame farpado, carregando as bikes por cima, passando espremido por baixo. E tome-lhe aventura. Felizmente não passamos mais pela maldita vala de “lama movediça”.
Tomamos um revigorante banho na Lagoa Azul, demos umas braçadas para alongar. Tiramos a lama para, em dez minutos, sujarmos tudo de novo, pois voltamos rapidamente a seguir na viagem de retorno ao ponto de partida. Não sem antes parar num boteco de beira de estrada onde estava tocando um trio de forró, ao qual um dos trilheiros se associou para dar uma ligeira canja.
Todos devidamente hidratados, prontos para partir, me dei conta de que meu ciclocomputador tinha ficado na beira da Lagoa, quando me arrumei às pressas para voltar à trilha. O super Welington voltou sozinho para resgatá-lo do lendário Calango. No caso, acredito que era um Calango travestido de gente, porque um rapaz que lá estava, quando viu Welington procurando pelo chão alguma coisa, perguntou se ele procurava por um ciclocomputador. Ora, como o rapaz poderia saber que era este o objeto perdido?
Enfim, deixando o ciclocomputador de presente para o Calango, terminamos nosso passeio, com as despedidas já fazendo crescer a vontade de participar de novas aventuras com esta turma tão boa anfitriã.  Jorgina (Jó).
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR











































































































































7 comentários:

Carla Guimaraes Rios disse...

Trilha com o mural sempre é muito boaa!!! Boraa mural. ..

MV AMBIENTES disse...

Massa

josa disse...

Exelente resenha e filmagem também ficou massa.

JP disse...

Bela resenha ! Trilha animada com direito a forro e tudo !! Kkkk

ze bezerra disse...

Isso mesmo um show e com banda de forrobodó... kkk. Mural aberto a participação isso faz muito bem. BMMP!!!!!!

Lucas Malandra disse...

Show de resenha!!! As fts e videos estao ficando cada vez mais profissionais!! Parabens Elson! Bora Mural!!!!!

Anônimo disse...

Show de bola! Bora Mural!!!