1° Dia - Desafio da Serra da Jiboia 10 - O "pior" ainda está por vir

A tão famosa SERRA DA JIBÓIA é uma daquelas aventuras mais esperadas por todo muralista que deseja alcançar o mais alto grau de dificuldade do pedal: LEVEL FIVE !! Abertas as inscrições 15 dias antes, recebo um “zap zap” de minha xará, Carla Guimarães, dizendo que ela e Lucas já tinham feito a inscrição e colocando a maior pilha para eu embarcar na temida JIBÓIA. Tentada, garanti a minha vaga como a última integrante, sem nem ter pensado direito no que eu estava fazendo. Quer saber? Às vezes, as decisões menos planejadas se revelam as mais surpreendentes e especiais. Com essa, não foi diferente.
Passados os “arregões” iniciais de Herrera e Kadjon, a turma que iria enfrentar a cobra já estava formada. Ao todo, 10 aventureiros: Eu, Elsão, Carla (“Pimentinha”), Lucas, Sabrina, Rei, Wellington, Guga, Malandra e Cerqueira. Quatro veteranos de “nível 5” e seis calouros. Pela primeira vez na JIBOÍA uma mulher se inscreve e dessa vez em dose TRIPLA.
Muita expectativa e conjecturas: será que essa galera novata vai conseguir? Sabíamos que iria ser difícil, mas nós, calouros, estávamos com “sangue nos olhos” pra concluir esse desafio a qualquer custo.
Pois bem. Sexta-feira, véspera da aventura. Malas e bikes prontas e revisadas. Eu, Lucas e Carla fomos direto para o ponto de encontro, no posto Rei da Pamonha na BR, às 20h. Aos poucos, os demais integrantes foram chegando e o comboio de 5 carros seguiu viagem rumo a Santo Antônio de Jesus. Pouco tempo depois de pegar a 101, nos deparamos com um engarrafamento gigantesco. Já agoniados com a demora e curiosos pra saber o que estava acontecendo, vimos Well tirar a bike do carro e prontamente seguir, via acostamento, rumo ao ponto inicial. Foi aí que Well passou o rádio e descobrimos que dois caminhões haviam se chocado, causando, infelizmente, a morte de um dos motoristas. Que horror! Notícia muito triste, mas mesmo assim, seguimos viagem.
Alguns quilômetros depois, avistamos Santo Antônio de Jesus. Dobramos em uma estrada de barro à direita em direção à fazenda da família de Elson e Rosânia. Até chegar ao destino final, subimos e descemos inúmeras ladeiras. E o tempo todo eu me perguntava: será que vamos ter que fazer esse caminho de volta pedalando pra chegar na Serra da Jibóia? No outro dia, o caminho se revelava outro e comecei a sentir saudades das ladeiras pra chegar na fazenda. Risos. Mas isso, eu conto depois.

Na fazenda, fomos recepcionados pela família de Elsão com um verdadeiro banquete no jantar. Rosânia e Dona Neide, sempre muito simpáticas, uns amores, fizeram um “menu” de deixar qualquer um com água na boca: lombo, carneiro, ensopado, galinha, arroz de forno etc. Humm, delícia demais, minha gente. Depois do rango, feita a divisão dos quartos, fomos dormir. Quer dizer: pelo menos, tentamos né? A ansiedade não deixava. Risos.
As 7h da matina, Elsão começou a acordar a galera. Aos poucos, fomos nos arrumando, acertando os últimos preparativos pra não esquecer nada essencial, já que só retornaríamos no dia seguinte. Depois de um maravilhoso café da manhã, o que era de se esperar, nos reunimos na frente da casa para a costumeira foto com a bandeira do mural. Em seguida, montamos nas bikes e começamos a sair da porteira. Ops!! Espera! Após percorrer alguns metros, Lucas percebeu que Cerqueira havia esquecido a mochila. Risos. Sempre Cerqueira, minha gente, que figura é essa? Em outra trilha do mural ele já tinha esquecido o capacete. Na próxima, o que falta mais pra ele esquecer? A bike??? Kkkkkkkkkkkk.
Seguimos em direção a um ponto mais alto, ao lado da fazenda, onde Elsão passou maiores detalhes sobe a trilha e apontou para a temida JIBÓIA, encoberta por algumas nuvens, que aos poucos foram se dissipando para desvendar a imensidão da serra. Que lugar LINDO! Lá longe, podíamos enxergar as antenas de rádio e TV, onde no domingo, passaríamos por lá. Feitas algumas fotos e filmagem, #PARTIU !
De cara, já havia uma descida super perigosa, pois, além de escorregadia, repleta de pedras e valas. A cobra já mostrava o seu veneno. No final da descida, um rio, não muito convidativo, mas que tínhamos que atravessar de qualquer jeito. Água na cintura e bikes nas costas. Começamos a subir um morro de capim verdinho, lindo, onde lá em cima, seguimos por um single aberto. Atravessamos uma porteira e continuamos por um estradão. Dobramos mais à frente para adentrar em um outro single de mato alto, super fechado, o que dificultava até o equilíbrio sobre a bike, pois o guidom se atracava nos galhos. Ainda bem que eu estava de calça, viu? Me livrei de alguns arranhões.
Depois de algum tempo pedalando nesse single de mato alto, subimos um morro e começamos a descer pelo outro lado. No meio, uma parada. Um “mini” “perdidão”. A trilha foi sumindo, tomada pelo mato e começamos a voltar pelo mesmo lugar? Comecei a achar que estávamos andando em círculos, mas o caminho se revelou mais a frente. Descemos um single bem legal, que foi desembocar em um vale lindo, entre dois morros. Parecia uma pintura. Pulamos uma cerca de arame farpado e seguimos pelo single. Mais à frente, alguns bois nos fizeram uma rápida companhia.
Partimos novamente por mais estradões de subidas e descidas, cheios de lama e buracos, quando começamos a subir uma longa e íngreme ladeira, com alguns cascalhos, que a deixavam ainda mais desafiadora. Longo acima, no topo da ladeira estava Lucas, parado, esperando eu e minha xará subirmos, quando de repente, ouvimos um barulho estranho no mato. Era Well atrás de uma moita. Não sabíamos se ele estava ali para nos assustar ou se era reflexo de um farto café da manhã. Risos.
A partir daí, só fazíamos subir, subir e subir. O desafio já se mostrava casa vez mais difícil e ainda era só início. Após esse trecho de ladeiras por dentro de uma parte da floresta, alcançamos um vilarejo, onde paramos no “Mercado do Fidélis”, salvo engano. Era algum nome estranho desses. Chegando lá, nos fartamos de pão com requeijão, refrigerante e muita água. Reabastecemos as mochilas, demos um grau nas bikes e seguimos pelo estradão esburaco. A cada nova descida gostosa, uma subida cansativa. E assim foi até começarmos a subir de uma vez por todas a tão esperada Serra da Jibóia.
E subia viu? Quando Elsão de repente gritou: cachoeira. Ai, graças a Deus. Parecia um oásis no deserto. Logo, todo mundo já estava pronto para um banho maravilhoso naquela água gelada. Foi ótimo pra relaxar os músculos, se hidratar, tomar um velho GU e tirar várias fotos. Nesse momento, Carla “Pimentinha”, como quem não quer nada, pergunta a Cerca sobre seus óculos escuros que pareciam ter sido levados pela correnteza. Coitado do rapaz. Ficou arrasado. Óculos caro. Mas, de repente, Carla grita: “Cerca, Cerca, achei seus óculos”. Rapaz, Cerqueira nem acreditava. Pulou de alegria e começou a dizer: “Carlinha, obrigado mesmo. Você merece um GU de recompensa”. Sabe de nada, inocente!! Mal sabia ele que minha xará havia escondido os óculos de propósito, só pra dar um susto no descuidado. Risos. Manobra ardilosa de minha xará, que mais tarde seria, surpreendentemente, flagrada pela câmera da GOPRO de Cerca que filmou cada detalhe.
Terminado esse momento de se refrescar na cachoeira, volta o sofrimento mais uma vez. Continuamos a subir, embrenhados na serra que se mostrava cada vez mais densa. Havia momentos que tínhamos que literalmente empurrar as bikes, pois as fortes chuvas transformaram o caminho em uma lama super escorregadia. Por alguns trechos, carregamos as bikes para passar por cima de pedras e degraus formados por imensas raízes. E tudo isso subindo, subindo. Era só o que a gente fazia. Subir e se perguntar: o que foi que eu vim fazer aqui?  
A partir de um determinado momento, começamos a avistar fitas da COPA MOSSO amarradas pelos galhos, ao lado de um despenhadeiro. Nessa hora, nos deparamos com uma ladeira “em pé”. Um verdadeiro sabão, onde mal conseguíamos nos equilibrar pra subir andando, quem dirá tendo que empurrar as bikes. Essa parte foi muito engraçada. Rendeu vários escorregões. Well e Rei, que fizeram essa prova da COPA, nos informaram que na corrida os bikers fizeram aquele caminho ao contrário, descendo em alta por aqueles trechos. Meu Deus, coisa de maluco. Um perigo, pelo risco de se estrebucharem ladeira abaixo.
Enfim, depois de um sofrimento que parecia não ter mais fim, chegamos no topo, que pra mim foi um dos momentos mais incríveis de toda a aventura. A FLORESTA DAS SAMAMBAIAS. Nessa hora eu fiquei boquiaberta. Imaginem uma floresta repleta de samambaias que refletiam um verde descomunal em meio a imensas árvores, cujas copas mal conseguíamos enxergar? Valeu cada gota de suor pra chegar até ali. A JIBÓIA já havia respondido o que eu estava fazendo ali. LINDO, LINDO, LINDO !!! As fotos, com certeza, não me deixarão mentir sobre a beleza do local, mas só estando lá mesmo pra sentir a energia que emana daquela natureza. Indescritível.
Revigorados pela energia recebida da floresta, nos preparamos para o downhill das samambaias, que segundo Elsão era um dos trechos mais irados da trilha. Câmera da GOPRO no ponto para as filmagens, PARTIU!!! LARGA O FREIOOOO!! Aí já viu, né? Foi só falar, que começou a queima de terrenos da JIBÓIA. Logo adquiri um lote naquela maravilha. Depois veio Carla, Guga que quase sumiu em um buraco (só se via o capacete dele pra fora), Rei, Cerca e por aí vai. Uma sequência. Também, numa descida insana daquelas, em meio a uma verdadeira manteiga, era de se esperar.
No meio do downhill chegamos a uma casa de farinha, onde, ao olharmos ao nosso redor pudemos ter a noção exata da imensidão e magnitude daquela serra. A JIBOÍA, com certeza, merece todo o nosso respeito. Continuando serra abaixo, chegando ao seu final, desembocamos em um estradão, que depois de mais algumas descidas e subidas nos levou ao nosso próximo ponto de hidratação. Um barzinho, onde pudemos relaxar um pouco, esticar as pernas e nos “empazinarmos” com uma farofa em que tudo se via dentro: arroz, ovo, frango, salada etc. Uma mistureba, que frente à nossa exaustão, estava divina.
Foi nesse mesmo barzinho que nossa amiga Carla Guimarães quase terminou tudo com Lucas, coitado, prestes a ser largado por um “tiozinho bebum” que não tirava o olho de minha xará. Gamou!! Risos. É que a minha xará, “viajante”, começou a endireitar a roupa, puxando de lá pra cá, o que acabou por hipnotizar o “véio”. Onde Carla ia ele ia atrás. KKKKKKK. Foi hilário. Na próxima vez, tenho certeza que nossa “Pimentinha” ficará mais esperta.
Devidamente abastecidos e alimentados, começamos a pedalar novamente pelos estradões que circulam a Serra até chegarmos em uma casinha simples, onde um casal super simpático nos ofereceu água e deliciosas laranjas. Mais a frente, paramos para apreciar o sol se pondo por de trás da JIBÓIA. Outro momento TOP da viagem, que rendeu, com certeza, incríveis fotos.
Continuamos pelo estradão, que se mostrava muito prazeroso, pois nos ofereceu descidas iradas e em alta velocidade. Naquele momento, já estava escuro, e antes de alcançarmos a fase mais sofrível da aventura, uma rápida parada para colocarmos as lanternas. Tudo pronto, partiu novamente.
Nesse momento eu já estava com saudades das ladeiras que eu achava imensas perto da fazenda, mas foi chegar na famosa “LADEIRA DO CAGÃO”, que esse sentimento bateu mais forte. Aquilo é coisa de outro mundo. Até a metade da ladeira, os novatos conseguiram vencê-la, acreditando que as coisas iriam melhorar, pois depois de tanto subir, começamos a pedalar por uma parte dela que se mostrava um pouco plana. Aí pensamos: deve estar chegando, né? Ledo engano. Foi quando avistei Elsão parado, retirando um GU da mochila e indaguei: “Já estamos chegando?” Ele, com aquele sorrisinho de canto de boca, falou: “ O PIOR AINDA ESTÁ POR VIR”. Pra quê fui perguntar?
E o “PIOR” chegou espancando. SURREAL!! Eu nunca tinha visto uma ladeira daquela. Quanto mais você pedalava, mais ela subia. Quando via uma curva, esperava que fosse acabar. Quem disse? Ela continuava subindo, subindo, subindo. Deve ser por causa dessa ladeira que a Serra foi apelidada de JIBÓIA. Longa, cumprida, cheia de curvas sinuosas. Aí, teve uma hora que as pernas não aguentavam mais e tivemos que empurrar as bikes. Não havia outra alternativa, pois o corpo já não respondia aos comandos. E mesmo empurrando, tudo doía. Difícil zerar uma ladeira dessas. A pessoa tem que pedalar muito, viu?
Mas como tudo na vida: o que sobe, desce. Oh, que delícia. Um estradão descendo em alta até uma cidadezinha chamada PEDRA BRANCA. Foi aqui que o nosso Presidente, até que enfim, disse: “Está perto”. Alcançamos o asfalto e aí giramos, vendo de longe, as luzes do nosso destino final. Uma parada rápida em um ponto de ônibus na estrada para agrupar e hidratar,  voltamos a girar pelo asfalto até a tão desejada SANTA TEREZINHA.
Chegando na pousada por volta das 20:00h, mais uma divisão de quartos e partiram 3 mulheres, cada uma em um banheiro com chuveiro elétrico. Qual o resultado? Resistências queimadas e quedas de energia a todo minuto enquanto duravam os banhos. Risos. Normal. Banho tomado, fomos aproveitar o delicioso jantar que a proprietária da pousada preparou com muito carinho pra gente. Muito bom.
Agora só nos restava dormir. Corpo todo doído e aquela sensação de dever quase cumprido, pois no dia seguinte ainda teríamos que retornar e enfrentar a JIBÓIA mais uma vez. No entanto, a satisfação pelo cumprimento da primeira etapa era imensa. O sentimento de realização do objetivo traçado para o dia é algo surpreendente. Conseguimos conquistar algo muito especial e que ficará guardado pra sempre em nossos corações. Somos MURALISTAS. Guerreiros natos! E isso, ninguém nos tira. Cau Dias.
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9 comentários:

Elson disse...

Esse desafio foi um dos mais surpreendentes de todas edições anteriores. Como é bom manter essa motivação!!! A Jiba se renova a cada momento, não só na beleza e dureza de seu trajeto, mas também nas pessoas que possuem a determinação em enfrentá-la. Cau, sua resenha está magnífica, digna de como foi essa aventura!
Obrigado a todos Jiboieiros pelo privilégio de estar ao lado de vocês! Bora Mural!

lucas rocha disse...

Muito boa a resenha....to contando os dias p próxima jiba.....rs

Antonio Cerqueira disse...

Pois é Cau, agora somos level 5 ! e que resenha, viu ! que aventura TOP, viu ! que fotos !!!
Trilha do mural é assim: a gente esquece de tudo, dos problemas, do capacete, da mochila...kkk
Abraços aos Jiboeiros !!

Guga Freitas disse...

Realmente a Jibóia é tudo isso que falam mesmo. Imaginei que tinha exagero e tive a felicidade de vivenciar essa aventura numa edição muito especial. Especial por ser a décima, especial por eu ter conseguido completar bem e mais especial ainda pela companhia dos outros 9 muralistas que formaram essa eterna JIBA10!

jack disse...

Que resenha massa,pena que não pude ir nessa, mas agora as mulheres do mural são LEVEL FIVE, brocaaaaaaaaaaaaaa

Carla Guimaraes Rios disse...

Realmente o mural de aventuras faz jus ao nome. Somos aventureiros de mão cheia, com sangue nos olhos e uma vontade imensa de superar nossos limites. Parabéns a todos nós, cada suor derramado valeu a pena. E cada um sabe dos obstáculos que superou!!!!! Sou completamente feliz em fazer parte dessa família. Boraaa muraal!!!

Lucas Malandra disse...

Com certeza uma das melhores edições da jiba...acompanhado de uma das melhores resenhas! Bora Mural!!!!!!!!

Rogério Fernandes disse...

Resenha Espetacular! Parabéns Carla, aumentou ainda mais a vontade de participar da próxima! Parabéns Mural de Aventuras!

Plech disse...

Na próxima estarei colado.
Parabéns a todos que participaram desta décima edição da Jibóia.