2° DIA EXPEDIÇÃO TRANSMANTIQUEIRA: de São Francisco Xavier (São Paulo) a Monte Verde (Minas Gerais)

Segundo dia da expedição, o corpo ainda não acorda tão cansado, mas a mente já acorda programada para enfrentar os desafios do dia. Nesse dia já saímos atrasado, pois Luiz teve que trocar o freio da bike, com isso saímos por volta das 9:30hs da manhã e estava 10°C.  São Francisco Xavier, é uma cidade que fica em um vale e faz muito frio, o pedal já começou subindo e muito para conseguir sair da cidade. Foi uma subida constante de 12 km, quando passava um carro por nós ficávamos apenas escutando o motor dele, e na medida em que se distanciava escutávamos apenas o motor reduzindo pra vencer a subida... Ai olhava um pra cara do outro e dava risada!
Após 25 km sem passar por nenhum ponto de apoio ou uma casa de fazenda, estávamos ficando com fome foi quando paramos um carro que passava na hora, perguntamos se tinha alguma comunidade perto e a resposta foi negativa. O pessoal muito gente boa, acabou dando para nós varias laranjas e bananas... Foi uma alegria só!
O interessante nestas viagens é a capacidade do mural fazer amizades, algumas boas outras nem tanto. Um pouco mais a frente encontramos uma figura com o nome de Crenildo, mais conhecido como canário. Ele se tornou uma pessoa determinante nesse dia, após uma breve conversa ele sugere que mudássemos o caminho original para conhecer a mega cachoeira dos pretos, todo mundo empolgado vamos pra cachoeira dos pretos, começamos a descer, descemos de 1200 de altimetria para 600... Uma descida alucinante até a cachoeira. Para retornar ao trajeto principal tivemos que subir muito, essa brincadeira rendeu 27 km a mais no dia, pode parecer pouco, mas quando você esta carregando aproximadamente 7 kg de bagagem e tendo subidas intermináveis pela frente isso se torna uma eternidade.
Nesse dia pedalamos 74 km e subimos 2300 de altimetria, é uma região muito bonita, mas também muito montanhosa. Quando conseguimos chegar à estrada de asfalto que ia para Monte Verde, já estava bem escuro, já tínhamos parado antes no meio do caminho para colocar lanternas e roupas de frio. Pois Monte Verde é uma cidade turística do extremo sul de Minas Gerais e muito conhecida pelo frio que lá se faz... Faltavam ainda aproximadamente 10 km de subida de asfalto para chegar, João Ramos sentiu bastante e em uma das paradas na beira do asfalto, ele sentou-se e deitou. Como era um domingo à noite, muito gente estava passando de carro no sentido oposto indo embora, foi quando eles viram João Ramos deitado e chamaram uma ambulância para socorrê-lo. Até ai não sabíamos disso, ficamos sabendo apenas na entrada da cidade quando a ambulância já em Monte Verde passou pela gente voltando e os ocupantes dela pararam e disseram.
Chegamos a Monte Verde quase 9 horas da noite, fazia 4°C, era muito frio, estávamos cansados e com fome, após passar pelo portal na entrada da cidade o primeiro restaurante que avistamos entramos. Era de um argentino, muito atencioso ele e sua esposa... Dentro do restaurante tinha uns aquecedores, que brigávamos para ficar próximo  deles... Jantamos, mas o problema é que já eram 11 horas da noite, a temperatura tinha caído para 0°C e ninguém queria sair para procurar uma pousada devido ao frio. Foi ai que o argentino pegou seu carro e saiu com João Herrera e Luiz pra procurar um lugar. A pousada ficava no máximo a 300 metros do restaurante, foi o Sprint mais rápido que eu fiz em toda a minha vida, e também foi sem duvidas a melhor estadia que tivemos em toda a viagem.
Se não me falha a memória sou Muralista há quase 5 anos, eu tinha começado a pedalar com o Mural quando Elson, Piau e Popó fizeram a primeira expedição na chapada... As principais aventuras do mural eu já fiz pelo menos uma vez. A expedição era a única grande aventura do Mural que eu nunca tinha feito, sempre tinha alguma coisa que me impossibilitava de fazer,  mas uma coisa é certa... Nenhuma aventura do Mural é comparada a uma expedição! Dos 10 dias que vivemos juntos, nenhum dia foi igual ao outro, todos vividos de forma muito intensa, mesmo sendo a primeira expedição do mural em que não se levou barracas para acampar. A cada dia que passava ficávamos mais desconectados do mundo, algo muito difícil de conseguir nos dias atuais. Você vive de forma intensa com muito pouco de mantimentos, a amizade fica mais evidenciada, pois existe a preocupação de um com o outro. Seu corpo entra em uma fase de alta defesa, que você no inicio não entende. Por onde passávamos as pessoas olhava com admiração, sem duvidas foi uma experiência incrível que levarei para toda a minha vida. Que venham as próximas expedições!!!! Forte Abraço, Renato.   
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12 comentários:

João Paulo Ribeiro Junior disse...

Renatinho massa a resenha ! Gostei tb do sprint de 300 metros kkkk

Galera parabéns e obrigado em compartilhar essa viagem com agente. Abração. JP

João Paulo Ribeiro Junior disse...

Renatinho massa a resenha ! Gostei tb do sprint de 300 metros kkkk

Galera parabéns e obrigado em compartilhar essa viagem com agente. Abração. JP

Ítalo Monteiro disse...

Parabéns aos muralistas que participarão da expedição!!! Top demais!!

João Ramos disse...

Excelente resenha Renato, voce consegui expressar em palavras cada um dos momentos mais importantes que passamos. Mural é Mural, BMMP!!!

Renato disse...

Rapaz até hoje me lembro dos detalhes de todos os dias!!
Expedição com o Mural é uma aventura fantástica...

Plech disse...

Nos sentimos fazendo a expedição lendo a resenha e vendo as fotos.
Parabéns a todos!
BMMP

Tiagão disse...

Mais um Show de Bike do MURAL! BMMP!

Zé.bezerra disse...

Renato você consegui aumentar essa saudade danada daqueles dias. Parabéns a todos.

Rogério Fernandes disse...

Parabéns Renato pela resenha. Minha memória não é tão boa quanto a sua, por isso cada resenha é uma nova viagem...Muito show! Abraço e até a próxima!

Rei disse...

GDI... vc escreve melhor do que pedala!!! Muito boa a resenha... é bom voltar no tempo!!! Essa expedição foi um sucesso... e ainda faltam 6 dias... Bora Mural... parabéns aos expedicionários!!!

Giulyano disse...

Massa essas coberturas, as resenhas e as fotos são marca registrada; dão trabalho, mas são essenciais para vivermos um pouco do que passaram. Parabéns a todos. BMMP!!!!

Luiz Carlos de Assis Junior disse...

Esse Rei num deixa passar nada, Bullyng contra Renato até nos comentários do Mural, rsrsrs...

Renato, parabéns pela resenha. Uma verdade dita: o corpo muito cansado, mas a mente sabe que tem que enfrentar tudo no dia seguinte e, apesar da exaustão, a gente consegue seguir em frente! Ôh Cremildo que vai ficar pra história, rsrs... rpz, em Monte Verde bateu -2º, viu! Você foi generoso ao falar em zero rsrsrs... abraços!