6° DIA EXPEDIÇÃO TRANSMANTIQUEIRA: de Pilões (SP) para Guaratinguetá, Aparecida até Cunha (SP)

Antes de começar a resenha gostaria de dizer que participar desta expedição, minha primeira do Mural e também as primeiras trilhas nível 5 que fiz, foi muito mais que uma aventura de superação física, foi um reconhecimento de superação dos meus limites físicos, mentais e espirituais. Apesar de todo sofrimento passado, admito que devido ao meu insuficiente preparo físico e inexperiência, confesso que foi uma das experiências de vida mais importantes da minha vida e portanto não só recomendo aos demais colegas Muralistas que se preparem e façam umas das próximas, mas eu mesmo vou me preparar para fazer também outra futura. Só não sei quando, mas prometo que irei. Não por acaso, ou se foi uma mensagem de Deus, um cartaz na pousada mostrava uma frase que representava exatamente o que vinha acontecendo comigo: “Deus nunca me abandona, e era a Ele que eu pedia pra renovar minhas forças, para não desistir”.


Depois de passarmos no dia anterior, por um dos trechos mais difíceis em minha opinião, visto que além das subidas e descidas, lindas trilhas, nascentes e cachoeiras, quedas, perdidões e trechos noturnos como verdadeiros peregrinos, acordamos no povoado de Pilões na Pousada de Dona Selma, uma Senhora simpática e comunicativa que nos acolheu no meio da noite, com muito cansaço, frio e fome. Estávamos dispostos para mais um dia de grandes emoções com objetivo de complementar o restante da trilha do dia anterior até a cidade de Guaratinguetá e assim partimos. Logo percebi que meu rendimento físico que já era sofrido estava mais debilitado, pois minhas pernas não conseguiam acompanhar o ritmo dos demais, apesar do trecho de Pilões até Guaratinguetá ser praticamente plano e em estrada de asfalto. Mas enfim cheguei, e logo fui presenteado com um puxão de orelha do chefe Elson, numa frase seca, mas motivadora: “Deixa pra chorar suas mágoas em Aparecida, só faltam 8Km!”.
Chegamos em Aparecida e fomos direto para a Catedral de Nossa Senhora de Aparecida, onde além das inúmeras e lindíssimas fotos tiradas, ficamos vislumbrando aquele grande monumento sagrado, claro que respeitando a religiosidade de cada um, foi como eu me senti. Principalmente porque a minha presença ali era mais do que uma simples visita turística, mas era a realização de uma promessa feita há exatamente 6 anos atrás, quando minha esposa Márcia tinha se submetido a uma difícil cirurgia na cabeça e que pela graça de Deus tudo correu bem, na época, depois ao final explico o porquê. Ali senti uma forte emoção ao chegar e confesso que não consegui conter as lágrimas ao lembrar daqueles momentos difíceis mas felizmente superados.
Mesmo com tempo apertado conseguimos comprar umas lembrancinhas e corremos pra almoçar, já que ainda tínhamos muitos quilômetros a percorrer por trilhas até a cidade de Cunha. Partimos após comermos e logo começaram a surgir os primeiros perrengues mecânicos. Um deles foi a quebra de raios das bikes de Luiz e Rogério, e logo depois o problema da quebra do rolamento da caixa de direção da bike de Serjão, que nos fez perder muito tempo numa oficina de bikes para reparar os problemas e enfim partir por volta das 16hs da tarde, sabendo que ainda tínhamos mais de 50Km até a chegada.
A trilha foi muito boa, subimos depois subimos e enfim subimos mais até que depois de mais subirmos, e com mais um ingrediente além do frio veio a chuva. E com a noite chegando, mais frio, algumas descidas e mais frio pela sensação térmica do vento gelado e da roupa molhada pela chuva e pelo suor. No meio da estrada paramos num restaurante bem rústico com direito a aquecermos ao lado de um saudoso fogão a lenha, comemos alguns queijos e tira gostos, bebemos umas cervejas e partimos. Desta vez fomos agraciados por umas boas descidas. Mas como sempre que se desce, pode esperar que vem pela frente mais subida, as placas ao longo da estrada, enfim de asfalto, nos alegravam marcando que só faltavam 25Km para Cunha, mas a sensação era que faltavam mais de 50km. Pra completar, numas das longas subidas pra chegar, nosso colega Herrera começou a passar mal e teve que parar pra vomitar por varias vezes. Não pelo cansaço, segundo ele, e sim pela comida que tinha algum ingrediente que ele não poderia comer ”meu ovo!”.
Enfim chegamos a tal Cunha, pense numa cidade longe. Muito frio e chuva nos recepcionaram e pra completar uma fome da zorra. Por sorte ou ajuda divina paramos num posto na entrada da cidade e logo um grupo se aproximou dizendo serem também ciclistas, mas logo ficaram impressionados e assombrados quando ao perguntarem de onde estávamos vindo, quantos quilômetros já tínhamos pedalado e a altimetria, sem nenhum apoio e carregando nossas próprias bagagens. Pois eles estavam fazendo algumas trilhas por lá, mas pelo asfalto e com carro de apoio. Ainda assim foram legais nos indicando uma boa pousada, e pra fechar a noite indicaram uma churrascaria onde pudemos brindar esse feito regado a um excelente rodízio de carnes e cervejas geladíssimas.
Por fim, gostaria de agradecer em primeiro lugar a Deus por ter me permitido participar e concluir essa expedição com saúde e inteiro, e pelas ótimas amizades e oportunidades de estar em contato com pessoas amigas e solidárias, além das belíssimas paisagens da natureza dos lugares onde passamos. Sei que isso tudo foi um grande aprendizado de vida, no qual pude compartilhar com amigos, familiares, e principalmente minha esposa Márcia, uma pessoa muitíssimo especial, a quem amo muito e continuarei amando eternamente, pois a considero um ser iluminado, que me amou e me ensinou muitas lições, das quais ressalto sua enorme luta para viver, enfrentando diversas batalhas duras e incansáveis, mas por designíos de Deus, completou enfim sua missão, vindo infelizmente a deixar nosso mundo material, seguindo sua nova jornada no plano espiritual, na certeza de que ela estará acompanhada e guiada por “Ele”, iluminando os caminhos onde estiver e com certeza nos protegendo em nossa caminhada. João Ramos.
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5 comentários:

Plech disse...

A emoção da resenha de João retrata os sentimentos que os sacrifícios individuais junto com o convívio com o grupo aflora numa aventura como essa. Parabéns J.Ramos pela resenha e a todos pela superação.

Anônimo disse...

Muito bom!!! Isso eh Mural!!!! Superação!!!! Brocação!!!

Lucas Malandra

Iane Sabrina disse...

Belas palavras. A união do grupo nos deixa forte e encorajado quando menos esperamos e mais precisamos. João, a resenha ta emocionante e que Papai do céu te conceda sabedoria para lidar com as dificuldades diárias. Bora Mural!

Rogério Fernandes disse...

Resenha emocionante! Parabéns João Ramos! Você foi um guerreiro e, apesar das dificuldades e do sofrimento, eu não vi você perder a calma e a serenidade em momento algum. Que Deus te dê forças para superar todos os desafios que têm surgido em sua vida. Abraço forte!

Luiz Carlos Assis Jr. disse...

João! Resenha muito emocionante. Todos nós fomos vencedores, mas você foi ainda mais por ter encontrado forças para superar esse grande desafio. Foi uma satisfação muito grande conhecê-lo e ter tido a oportunidade de fazer essa aventura contigo. Abraços muralistas!