Desafio da Serra da Jiboia 11 - All Inclusive

“ Desde 2008, quando comecei a pedalar, sonhava com a idéia de subir no alto de uma serra que avistava no horizonte na região de Santo Antônio de Jesus. A cada dia que melhorava o meu preparo físico sabia que chegava mais perto desse objetivo. Fui conhecendo a região e cheguei até a realizar algumas trilhas próximas, certa vez, eu e Gaúcho chegamos até a subir a Serra, mas não conseguimos encontrar uma forma de chegar até ao agrupamento de antenas existente na parte mais alta. Pois bem, o dia chegou! Eu e o grande aventureiro Mauro, ou melhor dizendo Maurão, chegamos na sexta-feira a noite na Fazenda e no dia seguinte levantamos bem cedo para iniciarmos o desafio de chegarmos até as antenas no alto da Serra da Jiboia! Como alguns já sabem, naquela região não existe percurso plano e como diz Popó: “Ou você desce, ou sobe, sobe, sobe”. Rsrsrs.”    
Pessoal para vocês entenderem melhor o texto acima é o primeiro Parágrafo do 1o DESAFIO DA SERRA DA JIBÓIA em 2010. A narração é de Elson, que juntamente com Maurão, dois amantes e pioneiros do Mural de Aventuras, desbravaram aquela região e fizeram então a primeira trilha do Mural na Jibóia, chegando pela primeira vez no topo da serra mais alta da região onde ficam as antenas, que pela sua estrada interminável, íngreme e sinuosa como uma cobra foi batizada de Serra da Jiboia.
 Sexta-feira, dia 25 de outubro de 2014, às 20h00 no ponto de encontro tradicional do Mural, no posto Rei da Pamonha na BR324 nos reunimos para a aventura mais temível do Mural de Aventuras:  O desafio da Serra da Jibóia.  Ou melhor, Serra da Jibóia – All Inclusive, 11a edição. Para quem já foi, imaginem tudo o que fizeram em dois dias, feito em apenas um. Para quem ainda não foi, aconselho que se preparem bastante pois lá o bicho pega, ou melhor a cobra morde o calcanhar.
Só depois de concluir o desafio que pude entender porque só compareceram para esta aventura apenas três Muralistas, o veterano Elson, Eu (Plech) e Kadjon. Afinal esta não é um trilha qualquer, ela é A TRILHA.  E esta versão All Inclusive para vocês terem idéia só foram realizadas em apenas três edições, contando com essa. Fazemos três subidas na serra em um só dia.
Bem, vamos deixar a pressão de lado (mas não tem exagero algum rsrsrs) e vamos pra resenha.
A minha participação nesta aventura, acho que é um desejo de todo Muralista que é a superar os desafios. Como nós três iremos fazer a expedição dos TransAndes. Essa aventura seria um excelente treino de preparação, e de fato, foi.
Mas devemos fazer as coisas no seu tempo, e acho que fiz este desafio no tempo certo, após passar pelos diversos níveis nas demais trilhas do Mural, vamos nos preparando pouco a pouco, tanto no preparo físico, psicológico e técnico. Tenho muito o que melhorar, principalmente na parte técnica, mas tenho a certeza que quando fazemos essas trilhas com um nível de dificuldade maior, saímos melhores do que quando entramos. Foi assim na chapada e com certeza também na Jibóia.
Portanto para aqueles que ainda não experimentaram essas aventuras se preparem e façam pois são momentos de superação e de realização pessoal que guardaremos nas nossas memorias para o resto da vida.
Gostaria de agradecer imensamente a Dona Neide – sogra de Elson e a Rosania, sua esposa, pela hospitalidade e recepção. Fomos muito bem recebidos, assim como todos nas vezes anteriores como vimos nas resenhas. O jantar e o café da manhã foram verdadeiros banquetes, tudo muito delicioso. Comida de fazenda e D. Neide muito simpática me ofereceu leite de vaca tirado na hora, aceitei prontamente.
Bem, após a foto de largada na frente da fazenda, saímos os três rumo ao desafio da Jibóia, muita expectativa neste momento. O sangue ainda frio pedalamos até um mirante onde Elson nos mostrou onde se encontrava a Serra da Jibóia bem ao fundo e muuuitoo distante. Estavámos iniciando a pedalada que iria durar todo o dia e entraria pela noite. A previsão era chegarmos de volta na fazenda em torno de 23h00.
Mochila abastecida com muita água e sanduba, corta vento e adrenalina em alta…PARTIUUU!!!
Na região, por todo o percurso passamos por muitas fazendas, um entra e sai de cancelas e sobe e desce de ladeiras, muitas ladeiras. O horizonte é todo de serras pra todo lado, cada uma maior que a outra. Um visual lindo com vários tons de verde, um verdadeiro espetáculo da natureza, mais tudo tem seu preço, para apreciar as melhores vistas tem que subir muitoooo, rsrs.
Entra e sai pelas fazendas vizinhas e chegamos ao povoado de Santana e parada obrigatória pra foto na frente da igreja.  Partimos e fomos para a subida da matinha, não se enganem, alí  já era uma amostra do que viria pela frente. Uma serra com muito verde e mata virgem fechada. Ao saírmos da matinha pegamos um longo estradão e demos de cara com a Ladeira da Pinha (que como disse Malandra de pinha não tinha nada), a ladeira não terminava, uma imensa curva pra esquerda e tome ladeira. Pedalamos muito até chegarmos ao povoado de Tabuleiro do Castro. Alí ocorreu a primeira dentada da Jibóia, Kadjon começou a sentir muitas dores nas costas e sentia as subidas das ladeiras, mas ele é guerreiro e Muralista, mesmo assim não arregou do desafio. Partimos pelo mato no single track com o mato alto até chegarmos no barzinho entre as fazendas. Parada pra o sanduba e coca-cola. Conversa vai e Kadjon descobriu que o dono do bar conhecia seu avô, pessoa muito temida na região. Kadjon nos contou muitas histórias do seu avô e então partimos, afinal o dia seria longo. As antenas ainda apareciam muito longe no horizonte, aí víamos o quanto ainda teríamos que pedalar para alcançá-las.
Então encaramos a 1ª SUBIDA DA SERRA.  Pensem numa subida que parecia não ter fim, mas fomos recompensados na minha opinião com um dos pontos altos da aventura. A descida foi um downhill insano. Não chovia, mas as valas estavam abertas e em alta descemos brocando, saltando, e gritando feito loucos. Não dava mais pra pensar em parar, era curtir a emoção e se concentrar no trajeto a escolher em cada vala e cada obstáculo. Foi uma descida longa e em alta o tempo todo. No final, uma curva fechada a direita, entrei colado com Elson quando ouvimos o som de ar saindo do seu pneu traseiro que esvaziou de vez quase o desequilibrando. Que sorte ter acontecido no final da descida, já no Inicio do estradão, porque se fosse na ladeira o capote era certo. Quando paramos pra avaliar o estrago, não acreditamos, um graveto de uns dez centímeros atravessou o pneu. Saiu do outro lado, como se fosse um piercing gigante. Vejam o detalhe nas fotos.
Primeira parada para conserto. Colocacamos a câmara e feito uma cirurgia plástica com silvertape no pneu, PARTIUUU!!!
Muito estradão com várias subidas e chegamos no povoado de Pedra Branca. Alí já avistávamos as antenas mais de perto. Parada para abastecer com água e um pequeno descanso num banco na sombra da varanda de um barzinho. PARTIUUU!!!
Iniciamos então a 2ª SUBIDA DA SERRA. Esta subida parecia interminável, mas havia um objetivo maior que nos dava forças, era a tão esperada ladeira das antenas. A cada curva aparecia mais uma subida e tome subida. A recompensa era a vista deslumbrante de toda a região a cada vez que subíamos mais a região se mostrava através de ângulos diferentes. Paramos pra ver do alto o povoado de Pedra Branca que estávamos a pouco.
No meio da subida uma parada para a Cachoeira do Malandra. Batizada assim por ter sido descoberta por Lucas Malandra, numa das edições anteriores da Jiboia. Um delicioso banho de água doce gelada coberta por uma vegetação densa e virgem. Muito revigorante. Mas o destino eram as antenas e PARTIUUU!!!
Sabe aquele leite de vaca delicioso, tirado na hora? Que tomei no café da manhã da fazenda? Acho que meu intestino não estava acostumado, e tive uma cólica terrível. Fui obrigado a uma parada de emergência no mato. Ainda bem que estava preparado.  Kkkk. Não podia omitir nenhum detalhe, resenha é resenha.
Finalmente a chegada as antenas. Muito entusiasmo, nos cumprimentamos por ter chegada ao ponto alto da aventura. Nós ficamos extasiados com a vista. Local de beleza absoluta. Uma vista surpreendente de toda a região as serras, os tons de verde, em contraste com o azul do céu. Um silêncio, e o vento forte e frio tomou conta por alguns instantes, cada um contemplando a natureza e um momento individual de meditação, todos estavam calados.
Depois tiramos muitas fotos e outra parada pra o lanche e hidratação. PARTIUUU!!! O dia ia ser longo, então encaramos a descida das antenas um downhill num single track muito divertido.
Após um descidão que parecia não ter fim, chegamos num estradão e paramos numa casa / bar onde comemos uma deliciosa farofa com carne de sertão e salada feita no improviso. A fome também ajudou no sabor, pois chegamos famintos. Eu aproveitei a parada e fui no WC. A Jiboia dava sua segunda mordida, só que agora foi no meu calcanhar.  Aquele bendito leite me arruinou, sentia um mal estar e calafrios no corpo. Descansamos um pouco e já caiu a noite. Fomos montar as lanternas, surpresa: a minha lanterna não funcionou. Kadjon tinha duas e me emprestou uma (que me matou de raiva o tempo todo, pois a cada buraco ele começava a piscar). Mas obrigado Kadjon, pior seria sem ela. Tivemos que pedalar mais agrupado, mas não alterou o ritmo do pedal. Aliás, mantivemos um ritmo forte durante toda a trilha.
Após um estradão e com o problema da lanterna chegamos no pé da serra para a 3ª SUBIDA DA SERRA. Detalhe, para cumprir o desafio só é considerado ALL INCLUSIVE se fizermos as três subidas.
 Então fizemos uma parada para decidir se sem lanterna suficiente abortávamos esta terceira subida e encurtávamos o caminho ou encarávamos a terceira subida na serra, com a mata fechada e fazíamos o desafio all inclusive. DECIDIDO!!!
Nada de encurtar. Muralista que é Muralista não foge do desafio, então PARTIUUU!!!
A mata estava bem fechada, mas encaramos o desafio da terceira subida na serra. Estava muito escuro e a mata fechada dificultava muito enxergar os obstáculos da trilha. Pedalamos mais próximos um do outro. A mata se mostrava com toda a sua vida noturna. Vários sons de bichos de hábitos noturnos, raposas e gatos do mato vez ou outra cruzava na nossa frente. E lembrávamos da história do dono do bar que disse ter visto uma onça recentemente nesta serra.  Os moradores do bar não acreditaram quando dissemos que iríamos atravessar a serra aquela hora da noite.
Encaramos um trecho duro na subida tivemos trechos de empurra bike alternando com pedal duro. Mas a mordida da Jiboia ainda me pegava e fizemos uma pequena pausa para me restabelecer.  Essa paradinha foi providencial. Me senti melhor então seguimos a serra. A subida parecia interminável.
Já passavam das 20h00 quando chegamos na cachoeira do Nunes. Uma deliciosa água gelada que me joguei no banho delicioso. Bem quando entrei quase congelei, foi um susto com o choque térmico do corpo quente e água geladíssima. Mas extremamente revigorante, já me sentia bem novamente.
Bem, pegamos um estradão quando tivemos a segunda quebra na trilha. A mordida da cobra no calcanhar de Kadjon o fez forçar muito no subidão, resultado quebra de corrente. Parada pra conserto, power link no lugar e PARTIUU!!!
Seguimos o estradão e passamos de volta pelo povoado de Tabuleiro do Castro, em seguida encaramos a subida da Ladeira dos Dez e seguimos pedalando noite a dentro. De repente uma parada, e na frente a ladeira do arromba batata. Pelo nome vocês imaginam como ela é né?  Pedalamos o que pode e o resto empurrando e Elson nos dizia que anda tínhamos muito o que pedalar para a fazenda.
Já eram 22h00, foi um dia inteiro de pedal duro com três subidas na Serra da Jiboia, mas colocamos um ritmo muito forte, e mesmo com as duas mordidas da cobra rsrs chegamos num tempo record na fazenda no all inclusive. Pra nossa agradável surpresa o topo da ladeira do arromba batata era a entrada da cancela da fazenda. Bem a partir daí tomamos um banho delicioso e comemos um churrasco feito por Elson com cervejas estupidamente geladas, ouvindo musica para comemorar o desafio.
Valeu Elson e Kadjon!!! Valeu Mural de Aventuras!!! Obrigado D. Neide e Rosania.
BMMP! Plech.
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10 comentários:

Elson disse...

A resenha de Plech está espetacular! Foi possível perceber que ele estudou a fundo a história dos Desafios das Serra da Jiboia do Mural de Aventuras. Além disso, pode traduzir toda a dificuldade e emoção que passamos neste dia incrível! Para aqueles que gostam de números, foram 95km com 3.120m de altimetria acumulada, só indo lá para entender melhor isso. Parabéns Plech e Kadjon Layno, vcs são Jiboieiros ALL INCLUSIVE!!!

Giulyano disse...

Jiba é Jiba, não tem versão fácil, e a all inclusive é animal. Parabéns Plech pela e resenha e por terem completado mais essa edição, com certeza vai ajudar muito com a superação na expedição. BMMP!!!!

Kadjon disse...

Plesh parabéns pela resenha. Ficou incrível ... Parabéns a todos foi a melhor aventura da minha vida

Lucas Malandra disse...

Velho! Essa resenha ficou perfeita!! Lendo me fez recordar os sentimentos dessa aventura! Foi uma pena não ter ido com vcs, minha bike nao estava preparada pra essa jiba, precisava de alguns reparos. Parabéns Kadjon e Plech!! As 10 da noite vcs ja estavam de volta!!! Com certeza tempo record!! Grande abraço Muralistas!

Elson disse...

Quem quiser conhecer um pouco da história dos desafios da Serra da Jiboia, veja o fotolivro edição especial no link http://muraldeaventuras.blogspot.com.br/p/fotolivros.html

Iane Sabrina disse...

Show de trilha. O lugar é incrível e temível. Só vai quem ta preparado. Fiz em dois dias e não é fácil. Vocês brocaram. Plech, você conseguiu transmitir como é a Jiba. Bora Muraaaal!

Plech disse...

Valeu galera!!!
BMMP

Rogério Fernandes disse...

Parabéns Plech pela resenha formidável e aos três aventureiros por superarem este grande desafio. Esse exemplo eleva ainda mais o Mountain Bike a um nível de respeito no mundo do esporte. Daria um bom documentário no canal Off. Bora Mural!!!!

Tiago Soares disse...

Show de Bike! BMMP!

Guga Freitas disse...

Muito massa Plek,

Você tem o dom da palavra. Recordou muitos detalhes e prendeu a atenção. Mesmo o texto longo, quem lê não quer que acabe. Muito massa!