Trilha Emboracica

Como sou iniciante de MTB e comecei a pedalar a 6 mêses, procurei o Mural de Aventuras por indicação de um amigo para iniciar o treinamento no Centro de Treinamento do Mural (CTM) na paralela em 2014.  A vontade de ser membro e participar das trilhas como membro do Mural já começou desde o 1º CTM. Fui participando dos CTM’s, participei do Desafio dos 3 Faróis e consegui os critérios para ser um Muralista. A vontade de fazer parte desta família levou-me a ficar na expectativa do calendário de 2015 e quando saiu, a 1ª trilha escolhida foi a de Emboracica, nível 4 de aproximadamente 60km. Eu, que já tinha participado dos 3 faróis, imaginei que seria tranquilo, infelizmente, como diz o povo, sabe de nada inocente!!! Na véspera, a ansiedade aumentou com os preparativos, imaginando como enfrentaria minha 1ª  trilha  e como  me sairia como Muralista. Iniciamos nosso encontro no posto de gasolina as 6:30h em Arembepe. Já no começo a resenha foi grande discutindo quem iria comer poeira e eu, prontamente, como novato inexperiente, levantei o braço e disse: “com certeza serei eu “, e então, começou a resenha com Josué que era o mais velho do grupo sugerindo que seria ele, e eu disse: “Olha que não. Tem coroa que engana, rs”.  Saímos então para a trilha.
Pegamos uma parte de asfalto que já deu uma aquecida, até chegarmos à entrada da trilha.  Já no inicio da trilha com partes de matas fechadas e abertas, clareiras, terreno irregular, areia, subidas e descidas, comecei a imaginar o que me esperava, mas fui curtindo. Na nossa primeira parada, paramos no lago de água cristalina, que com o dia ensolarado refletia todo o céu azul e a mata. Elson, nosso coordenador e guia, falava que logo chegaríamos a um rio onde poderíamos tomar um banho e relaxar se quiséssemos. E eu esperando o rio chegar, e nada.
Seguindo, passamos por cercas de arames farpados e novos desafios começaram a surgir. Chegamos ao riacho pequeno, porém bem fundo, onde tínhamos que atravessa-lo por pedaços de madeira carregando as bikes. Claro que a torcida era para o novato cair, mas, para minha sorte, consegui passar sem problemas. As risadas ficaram para Marcelo, que, infelizmente, não teve a mesma sorte e deu um mergulho fazendo a galera morrer de rir. Entendi, então qual era o banho de rio que Elson tanto falava. O Josa, que não quis se arriscar, arremessou sua bike no monte de capim do outro lado do riacho e passou pelas madeiras. Em seguida, pedalamos mais um pouco e chegamos a outro riacho, sendo que neste todos passaram tranquilo, apenas Josa que tentou arremessar novamente a bike no capim, só que desta vez, a bike quase morre afogada caindo metade na margem e a outra metade no rio. Então, continuamos pelo terreno alagado, uns pedalando, outros empurrando, até chegarmos novamente na trilha. Neste ponto o sol já estava castigando e o desgaste da trilha era imenso, logo encontramos a planície dos cactos onde tivemos que desviar para não furar o pneu, contudo, meus reflexos diminuídos pelo cansaço dificultavam a enxerga-los.
Seguindo a trilha, encontramos uma subida para chegarmos à famosa Lagoa Azul (água represada de antiga extração de calcário). Eu que já estava cansado, tive que empurrar a bike ate chegarmos numa parte mais plana.  Subimos mais um pouco e começamos umas descidas onde todos imprimiram certa velocidade, passando por uma linda lagoa e chegando à trilha de barro. Neste momento já estava cansado, dores nas pernas, e a galera queria adiantar, ficando para trás. Cheguei no bar, onde todos já estavam sentados se hidratando, quando cheguei à resenha não foi pouca. Sentei um pouco e comecei a beber água. Conversamos com moradores locais, senti o pneu um pouco vazio, mas achei que era normal. Quando fui sair o pneu estava vazio. Sobrei, mais uma coca-cola para a galera. Trocaram o pneu me ensinando para na próxima me virar sozinho, mas sempre com o espírito de grupo presente.
Seguimos no pedal pela trilha de barro, com subidas, descidas e pontes. Sobrei na resenha novamente porque o grupo adiantava, parava e me esperava. Só que ao chegar a galera gritava: “partiu!!” e eu tinha que continuar.  O sol continuava a castigar, numa das descidas tive câimbra na panturrilha direita, mas continuei, sempre contando com o apoio e compreensão dos amigos Muralistas.
Finalizando a trilha de barro, entramos na parte de asfalto de Monte Gordo com parte planas e descidas, contudo, após passarmos do centro, recebi ajuda de todo grupo, com palavras de apoio, uma ajudinha na ultima ladeira para chegarmos à saída da estrada do coco.   Neste momento concluímos 50Km e começou um momento especial e único.  Neste etapa final, percebi que existe uma linha fina e tênue entre o que seu corpo suporta fazer e o que sua mente deseja fazer.  Neste momento, você entra num transe onde sua mente deseja terminar a trilha, seu corpo não suporta as dores, mas mesmo assim, você continua a pedalar e respirar. Todos me incentivaram e Elson me orientava a ficar no vácuo, dando-me força para concluir os 10km restantes, que foram doloridos e sofridos, mas consegui finalizar com muito orgulho. A todo instante todos os Muralistas souberam respeitar meus limites com muita paciência. Por isso tudo, que deixo aqui meu agradecimento e convido a todos a entrarem nesta família. Bora Mural, partiuu... Alexandre Faria.  
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4 comentários:

Plech disse...

KKKK, ESSA FOTO DA BIKE VOADORA DE JOSA FICOU MASSA. ELSÃO PEGOU ELA NO AR.
O BURACO NO RIO E O BANHO RENDEU A RESENHA PRA JP NO PERDIDÃO DE RECONHECIMENTO DESTA TRILHA. RSRS

Anônimo disse...

Alexandre, parabéns pelo seu feito!!! Encarrar uma trilha nível 4 de início é um ato corajoso e marcante na vida do biker. Espero que nos encontremos em outras trilhas porque agora você é #BMMP!!!
Marcelo

Giulyano disse...

Muito legal a trilha, e uma resenha à altura, parabéns a todos e agora eh manter sempre esse espírito. BMMP!!!!

JP disse...

Alexandre seu batizado foi caprichado kkkkkk bem.vindo veio !!! Essa trilha é massa. Dei muita risada com a resena. A bike de Josa.. Kkkkk tem mais forca nos braços não kkkkk . abraços JP