1° DIA EXPEDIÇÃO TRANSANDES: Pucón (Chile) a Termas de Liquine (Chile) - Extra Rio de Janeiro

Bem pessoal, fiquei com a incubência de narrar o primeiro dia da expedição dos TransAndes. Mas antes gostaria de falar sobre toda a expectativa e ansiedade que antecedeu a expedição.
Entrei no Mural de Aventuras com o objetivo de me integrar a um grupo de mountain bike em Salvador uma vez que não tinha experiência alguma nesta modalidade de esporte.  Comecei como todos fazendo os CTM e conhecendo pouco a pouco a família Mural e suas trilhas.  Tive a curiosidade de conhecer a história do Mural e ví que surgiu de um aventureiro e que se tornou apaixonado por esse esporte e estruturou este maravilhoso grupo em Salvador.
Lí as várias aventuras narradas no site do Mural, e as expedições sempre me encheram os olhos. Já fiz algumas boas aventuras de veleiro e caiaque, e agora o que me chamava a atenção eram as aventuras de bike feitas pelo Mural, os locais muito bem escolhidos com suas trilhas e belezas naturais dos locais.
Entrei no Mural em abril de 2013 e foi nesse ano que acompanhei os preparativos e a ida de quatro Muralistas para os Alpes, pensei: tenho que fazer isso também. Daí passei a fazer todas as trilhas ao meu alcance e no final de 2013 fiz a Ciclo Aventura da Chapada Diamantina. Esta me deixou ainda mais com vontade de participar de uma Expedição, mas deu pra ver também que não é algo fácil, necessita de muito treino e autocontrole para lidar com as adversidades.
Em 2014, passei a treinar mais intensamente e no jantar de lançamento das expedições de 2014 já assinei a minha intenção de participar dos TransAndes no final do ano. Então, já marquei férias para o período e intensifiquei meus treinos.  Todas as trilhas do mural de nível 4 e 5 eu estava presente, inclusive fiz a temida Serra da Jibóia – All Inclusive que foi um bom treino e teste para a expedição. Fiquei atento aos chamados para da expedição e logo que abriu as inscrições me apressei e garanti a minha vaga.
A partir daí Elson agendou as reuniões de planejamento e nos passou detalhadamente o roteiro, as dificuldades e tudo o que devíamos levar e preparar para a expedição. Até o dia da viagem nem preciso falar que a ansiedade e adrenalina estavam em alta né?
Dia 25/12 às 03h00 da madrugada estávamos no aeroporto em Salvador fazendo o Check-In para Santiago com conexão no Rio de Janeiro. Embarcamos os malabikes e posamos para a foto inicial da expedição, PARTIUUU TransAndes!!!!
Como nossa conexão para Santiago no Chile era no final da tarde, aproveitamos pra fazer um tour na cidade do Rio de Janeiro. Então fretamos uma van e passamos pelas belas paisagens desta cidade maravilhosa, entre eles o Maracanã, a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Baia de Guanabara, o Pão de Açúcar, o Mirante da vista Chinesa na floresta da Tijuca, os Arcos da Lapa, e as praias de Leblon, Ipanema e Copacabana, onde almoçamos para a viagem ao Chile.
Bem, embarcamos no vôo com destino a Santiago no Chile, fotos no avião e todos muito empolgados. Chegamos em Santiago e junto com todos os malabikes pegamos uma Van que nos levou até a rodoviária para pegarmos um ônibus leito que nos levaria a cidade de Pucón, local de inicio da nossa expedição. Foram mais de dez horas de ônibus em direção a região sul do país, mais precisamente para a Patagônia Chilena, numa região de Lagos e Vulcões.
Chegamos em Pucón na manhã de 26/12 e ainda no patio na rodoviária abrimos as malabikes e montamos nossas bikes para o muito esperado inicio da pedalada, já não aguentávamos mais a vontade de pedalar. Um amigo de Herrera, Mauricio e sua esposa Georgia, muitos solícitos, nos ajudaram e levaram nossas malabikes para guardar até o nosso retorno. Obrigado pessoal!!!
Enfim, nosso primeiro dia de pedal.  Bikes montadas, alforges e as bandeiras do Chile, Argentina e Brasil penduradas. Trecho entre a cidade de Pucón e a cidade de Termas de Liquine.
Ao sairmos da rodoviária paramos numa rosteria para tomar um café com empanadas e abastecermos com bastante água. Passamos pelo centro de Pucón, uma cidade muito bonita e organizada. Trata-se de uma cidade turística voltada para os amantes de esportes como esqui, snow-board, trilhas, rafting, cachoeiras e a escalada do Vulcão Villarrica. Passamos no câmbio trocar dólares por pesos chilenos e então fomos “limpar os pneus na trilha”. Na saída da cidade encontramos um grupo de brasileiros que nos viram com as bandeiras do Brasil e gritaram nos saudando, foi muito legal.
Saímos de Pucón pela rodovia e logo entramos num estradão com muita pedra solta e poeira, consequência da região vulcânica. Cada um pegando seu ritmo e sua cadência iniciamos com um pedal forte, afinal sabíamos que teríamos em media de 100km por dia pela frente. Mais adiante uma vista fantástica, digna de filmes, o vulcão Villarrica com seus 2843m de altitude com seu cume coberto de neve e soltando fumaça, mostrando todo seu esplendor. É também conhecido como Rucapillán, ou "casa do demônio" na língua mapuche. Essa vista nos acompanhou por muito tempo rumo ao nosso destino, a cidade Termas de Liquine.
À partir daí a paisagem começou a mudar e um verde exuberante começou a tomar conta. O local é também denominado de região de Araucania, onde predomina a presença das araucárias milenárias (árvores de até 40m de altura), vulcões e lagos transparentes, que formam parte de um cartão postal chileno que é inesquecível, no qual destacam os Parques Nacionais Huerquehue, Villarrica e Conguillío
Ficávamos perplexos com a vista de cada lago gigante e deslumbrante que a trilha circundava. Dois pontos altos neste primeiro dia foram a Cascata La China com uma linda ponte para deslumbrar a paisagem de uma imensa queda dágua arrodeada de muito verde e a Cascata do Bosque também uma imensa queda dágua com um mirante que divide as águas geladas do curso da queda dágua com as águas termais ao lado com temperaturas superiores a 60oC. O local também muito bonito com vários ofurôs para quem quiser se deliciar com as águas quentes das termas.
No caminho paramos para contemplar um animal típico das regiões frias a “Lhama”. Kadjon tentou se aproximar e ela estava preparando para a cusparada, mas Nino a assustou e ela se distanciou. Sorte sua viu Kadjon. Kkkk
Bem já no final da tarde paramos numa cidadezinha chamada Conaripe para almoçarmos, até então só tínhamos feito lanche com as empanadas de Pucón e barras de cereal. O almoço foi sensacional, comemos salmão com “papas fritas” que estava uma delicia. Este almoço foi comentado todos os dias.
Terminamos o almoço e Partiuuuu!!  Lá o sol nos engana, pois até às 21h00 o sol ainda está de pé e o céu claro, perdemos a noção das horas. Mas o frio começou a maltratar, a noite a temperatura caiu muito e pedalar era a melhor maneira de mantermos aquecidos, junto com o uso do corta-vento, luva de frio e balaclava.
Saciada a fome com o delicioso salmão, pegamos a estrada com destino a cidade de Liquine, afinal não tínhamos acertado estadia e como tivemos que montar as bikes em Pucón iniciamos o pedal tarde para fazermos 100km do dia.
O cansaço já batia e estávamos ficando todos sem água, até que paramos numa pequena propriedade na beira da estrada e um chileno chamado José Gonzáles  com sua família, muito hospitaleiro nos deu água e paramos um pouco para descansar na sua varanda. Conversamos um pouco sobre a nossa aventura e perguntamos sobre a chance de hotel ou pousada aberta em Liquine aquela hora da noite. Por sorte, o mesmo se prontificou a ligar para um amigo seu do Hotel Termas de Linquine e conseguiu fazer nossas reservas, inclusive com jantar na nossa chegada. * São essas coisas que Elson, tentava nos explicar de uma expedição, faz parte da aventura seus imprevistos, os contratempos, as dificuldades de prever tudo o que necessitaremos. Mas de fato, no final, é a própria experiência da expedição que nos faz entender melhor tudo isso.
Bem, muitos agradecimentos ao nosso amigo chileno e partiuuu!!! Vejam vocês o hotel tinha uma piscina de águas termais nos aguardando. Estávamos exaustos, pedalando todo o dia, entrando na noite, após um dia e uma noite de viagem. Sem falar no frio intenso aquela hora da noite. A ideia da piscina nos deixou loucos pra chegar no hotel.
Pedalamos muito e finalmente chegamos. O hotel era fantástico. Vários chalés de Madeira, como são típicos da região, com água quente e banheira. Banho tomado e roupa lavada, partiuuu piscina termais. A piscina tinha uma entrada de água termais natural pelo centro que de tão quente não enxergávamos direito a flor dágua, só víamos o vapor dágua. Este realmente foi o fechamento do dia mais gratificante de todos. Com direito a banho de piscina regado a cerveja gelada a meia noite, e seguido de um jantar delicioso, após um dia exaustivo porém gratificante.
Valeu o dia com todas as belezas naturais exuberantes da região. Os picos nevados, vulcões, grandes rios e lagos, cachoeiras imensas, as árvores imensas, animais e pássaros diferentes, a lhama.
Primeiro dia de pedal neste trecho de Pucón a Termas de Liquine fizemos 95km com 2.000m de altimetria acumulada.
Expedição TransAndes: Total de 396km e 6.722m de Altimetria em 4 dias de pedal. Entre 25 e 31 de dezembro de 2014.  Cruzamos os Andes entre o Chile e a Argentina. Aguardem as postagens dos dias seguintes!
Parabéns aos expedicionários: Elson, Maurão, Rei, Kadjon, Nino, Sabrina, Odi e eu (Plech). Agradeço a DEUS em primeiro lugar, e em segundo as nossas esposas e familiares que nos apoiaram todo o tempo.
Quero ressaltar que essa foi uma das experiências que guardarei pra o resto de minha vida.
Valeu Mural de Aventuras.  BMMP!!! Plech.
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR



































































































































































































































6 comentários:

Elson disse...

Lindo depoimento Plech. É emocionante ver o quanto o Mural de Aventuras muda a vida das pessoas. Expedição é algo que um dia todo Muralista deveria experimentar, assim como todas aventuras nível 5 do Mural, como por exemplo Serra da Jiboia.

Falando desse dia, posso afirmar que senti uma das melhores sensações da minha vida quando entrei na piscina termal a meia noite, com tempo frio e após um dia inteiro de pedal. Não tenho como descrever.

São essas experiências que busco nas expedições do Mural de Aventuras!

Bora Mural!!!

lucas rocha disse...

Simplesmente fantástico!!!

Plech disse...

Valeu Elsão!!
Foi uma experiência fascinante. Além das belezas naturais, há a superação dos desafios físicos e emocionais. Os momentos de divergências e logo em seguida de união e alegria, enfim, valeu muito a pena. Quero ir de novo!!!

Rogério Fernandes disse...

Que resenha! Lindas fotos! Parabéns Plech e todos os expedicionários!

REI disse...

Realmente, a resenha de Plech está incrível... Riquíssima!!! Show de bike!!! Pelo visto esse daí vai para todas as outras expedições assim como eu que após a primeira não perdi nenhuma. Valeu Mural... BMMP!!!

Luiz Carlos de Assis Junior disse...

Parabéns pela resenha! Você explica o sentimento de todo mundo que ingressa no mural, a busca pela aventura e o encanto pela forma como o Mural faz as aventuras sempre buscando os lugares mais belos, exuberantes e difíceis! As fotos estão belíssimas, dá pra ver que foi uma aventura e tanto. Ansioso pra ver os próximos dias! Abraços