2° DIA EXPEDIÇÃO TRANSANDES: Liquine (Chile) a San Martin de Los Andes (Argentina)

Depois de relaxar um pouco a ansiedade do primeiro dia, o segundo, pra mim, começou na madrugada gelada de Fundo Los Añiques. Tive o azar de comer uma Hamburgueza com guacamole na Rodoviária de Santiago que me deixou completamente desarranjado e o pior tive febre e calafrios que imaginei que a expedição tinha acabado ali pra mim.
Amanheceu e 7:00 h da manhã todos já estavam prontos para mais um dia de muita subida e suor mais antes disso, tivemos um ótimo café da manhã nos “comedores” do hotel rsrsrs... comedores é o mesmo de refeitório ou restaurante. Antes de sair, visitei o jardim do hotel é claro e ao fundo havia uma descida de água maravilhosa e um jardim repleto de plantas que nunca tinha visto. Tinha uma que eu conseguia sentar dentro de apenas uma folha.
Na saída, a bicicleta de Maurão já estava apresentando problemas no câmbio onde o salvador Plech deu uma mãozinha.
Saímos do hotel e nos primeiros metros de pedalada, Elson lembrou que percorreríamos uns 60 km sem nenhum lugar de parada para reposição de água ou comida. Logo, retornou com Rei para ver se encontrava alguma coisa aberta na cidade e assim, comprou mortadela, água e um limão siciliano para temperar o quitute.
Depois da primeira subida, nos deparamos com uma belíssima ponte cruzando uma corredeira com águas cristalinas que hipnotizavam qualquer um que ousasse ficar parado olhando e logo a frente paramos num desfiladeiro com um imenso vale que seguia as águas de degelo até desaguar nos Setelagos. Após, aproximadamente, uns 3 km de asfalto, para nossa alegria, começamos a limpar os pneus com um belo estradão de terra e pedras soltas que formavam um poeirão pra quem ficava atrás com o Urso desmetido das montanhas Chilenas.
Foi chão, muito chão e enquanto isso, o câmbio de Sabrina só resmungava...

Valeu muito a pena a sofrência do segundo dia... cruzamos vales de Araucárias gigantescas, vales e campos abertos com paisagens inesquecíveis. Falar em inesquecível... a amplitude térmica era incrível!!! Depois de percorremos uns 35 km começamos a subir muito até chegar em uma ponte de concreto onde paramos para aguardar Sabrina já que o câmbio traseiro dela já não estava correspondendo normal. Neste momento deitamos na ponte para esquentar o corpo pois, o sol era intenso porém, o vento causava uma sensação de 16 º C e isso, desgastou muito a todos já que era ainda 10:30 da manhã. Nessa ponte, aproveitamos para repor a água e mais uma vez a qualidade e a temperatura da água deixou todos espantados... estava tão gelada quanto a água da geladeira de nossas casas. Lembrei que tinha levado a bandeira do meu pai e a partir dai foi minha parceira nas fotografias junto ao grupo.       
Não imaginávamos o que ainda estava a nos esperar. Após essa ponte, subimos muito por uma vale erodido com muitas valas e locais que era impossível pedalar passamos uns 45 minutos nesse sofrimento.
Depois de 04:31 minutos  pedalando e 13:20 h da tarde com, chegamos ao Paso Fronterizo Carirriñe (Avanzada Carirriñe – Carabineros de Chile) um pouco assustados mais no final tiramos fotos com o soldado chileno carimbamos os passaportes e não esquecendo, em todas as Aduanas que chegamos, os fiscais queriam ficar com meu mix de castanhas e nozes daí escondi no fundo da Camel Back e não fui mais incomodado.. Mais uma vez um ladeirão para finalizar a primeira vitória na cordilheira dos Andes!!!! Mesmo assim, no meio do percurso paramos um pouco para melhorar a oxigenação pois o frio e a altimetria não estava ajudando muito na respiração. Com isso, cheguei a deitar embaixo de uma árvore e fiquei alguns minutos para me recompor.
Depois de 2 km já em solo argentino, encontramos dois Hermanos (01 argentino e 01 chileno) e estava fazendo a altimetria inversa. A partir daquele momento eles começaram a descer e por felicidade nossa, eles informaram que dali em diante seria muita descida, porém, faltavam apenas 92 km para chegar a San Martin de Los Andes e exigia cuidado especial, pois teria muitas pedras soltas e terra fofa... foi dito e certo!!! Rsrsr o decidão pedia para soltar e tacá-lhe pau mais com o excesso de altimetria, já doía tudo.
Como todos estavam com a água a um bom tempo na Camelbak, decidimos substituir por uma mais nova e gelada. Encontramos uma pequena cachoeira nas margens da estrada e algumas pessoas chegaram a jogar a água do Camelbak fora porém, ao colocar a mão na cachoeria perceberam que era termal e estava acima de 40ºC. Foi um desespero para todos.
Logo a frente, encontramos uma família acampando num parque chamado Sendero Huella Andina, onde pedimos informações do local mais próximos para comer alguma coisa.
Continuamos a pedalar e encontramos mais um rio que foi a nossa salvação. Enchemos as Camelbaks com água hiper gelada.
Depois de mais um caminho sinuoso e com muitas subidas encontramos o El Escoria Um caminho de lava vulcânica conhecido como Tumultuoso rio sólido. E a fome apertava e nessa brincadeira já chegávamos a 76 km de pedal. A partir dai só tinha paisagens maravilhosas as margens de um grande lago com muitas Araucárias contornando a pintura!!! Perfeito.
Chegamos ao Parque Nacional Lanin (desviamos 6 km do nosso percurso em uma estrada coberto de cinzas vulcânicas) para descansar um pouco e comer umas hamburguesas... pedimos 03 Hamburguesas para cada Muralista. Aproveitamos e tomamos umas Quilmes geladas e dai tivemos uma nova suspresa!!!.. o quadro de Maurão estava quebrado em outro lugar e vamos procurar bambú para fazer mais um torniquete. No final da história, perdemos quase 01 hora e pelas minhas contas, a bike de Maurão, passou a ter mais bambú do que carbono.
Dessa vez foi em um local que não teve como Maurão prosseguir e a partir dai foi uma luta para rebocar o “coroa”!!!!. O bambú começou a prender a roda traseira e com isso, paramos mais uma vez para tentar separar um pouco mais o bambú do pneu e aproveitei para me livrar do restou a hamburquesa da rodoviária. Tivemos que empurra-lo até conseguir uma carona com um “Hermano” que passou com uma caminhoneta. Quando encontramos a carona, faltava menos de 5 km para a fronteira.
Maurão conseguiu uma carona até o Paso Internacional Carirriñe (lado Argentino) Control Migratorio Aduaneiro onde chegamos as 21:35 h. Os soldados carabineros da fronteira ficaram assustados com a nossa chegada. Imagine você, chegar 07 ciclistas de balaclava, corta vento, com apenas os olhos de fora rsrs!!!! E ainda Maurão já estava lá com eles. Foi incrível quando começamos a contar sobre a Expedição, falar que éramos brasileiros... a hospitalidade e o carisma mudou completamente. Tomamos chimarrão, sidra argentina (não é igual a brasileira não mas, tudo bem) e até conseguimos nos aquecer na lareira. Antes de voltar para estrada, pedimos para Maurão (foi de Taxi até San Martin de Los Andes) para ele reservar o hotel e enviar, por whatsapp, o endereço para Odilardo. Lembramos a ele para que enviasse pelo whatsapp de Odilardo e não do grupo da Expedição para não deixar as esposas e familiares preocupados. Maurão enviou o endereço para o Whatsapp do grupo e dai a esposa de Odilardo ficou desesperada e ligou para minha esposa pensando que tinha acontecido alguma coisa com ele. Até explicar tudo, a coitada já tinha chorado muito.
Saimos da Fronteira depois de 01 hora de liberação e carimbadas nos passaportes... 22:15 retornamos a pedalar.

A estrada era uma escuridão só. A temperatura caiu rapidamente, chegando a 9 ºC e, depois de 2h e 39 min de pedalada a fome bateu sem piedade. Paramos estendemos a velha bandeira de guerra do Mural no meio da estrada e fizemos nosso piquenique estilo TRANSANDES: Hamburguesa, lembra da mortadela e do limão siciliano? Foi a nossa salvação. Nesse momento a temperatura estava 9,6 ºC. Depois do piquenique, quem imaginava que estava perto... começamos a ver luzes, apareceu uma ponte e paramos um pouco pensando que era a entrada da cidade.... NADA!!! Era ilusão!!! Quando eu vi nuvens carregadas e refletindo o vermelho de lâmpadas de mercúrio, só dava pra ver a sombra de uma montanha gigante... foi dito e certo. San Martin de Los Andes estava do outro lado da montanha. Montanha que nos castigou com 1480 m de altitude e sofri com dores nos dedos que tive que tirar as sapatilhas para colocar Spray de Cataflam, enquanto isso Elsão me perturbava dizendo que nunca tinha visto aquilo.. Odilardo teve que tirar a roupa para colocar a segunda pele por que não estava resistindo o frio. No meio do nada, nos deparamos com um Gambá daqueles preto e branco como disse Esron: - Igual ao do desenho rsrsrs!!! depois o decidão foi gratificante e ai já a 12,2 ºC chegamos na entrada de San Martin de Los Andes 01:36am de 28/12 depois de 105km. E fomos direto para o Hotel Del Viejo Esquiador (reserva feita por Maurão) para um bom banho e descanso. Kadjon Layno.

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5 comentários:

Plech disse...

Parabéns Kadjon pela bela resenha. Esse dia foi muito especial quando cruzamos a fronteira do outro lado da cordilheira.

Luiz Carlos de Assis Junior disse...

Kadjon, eu fui sofrendo na medida em que lia sua resenha! Frio e fome arrebentam nas expedições, mas nos tornam mais fortes. Parabéns pela resenha!

Elson disse...

Um espetáculo de imagens, sensações, experiências, amizade e superação! Expedição do Mural de Aventuras é a busca constante pela Emoção dos Desafios onde desistir somente é permitido quando tudo que pode ser feito tenha sido tentado, foi assim com a situação de Jose Mauro Chagas. Parabéns Kadjon Layno pela resenha, parabéns irmãos Expedicionários por tudo que vivemos em mais esse dia. Bora Mural!

Plech disse...

Massa Elson. Realmente foi assim com Maurão e Sabrina. Até nas trilhas é assim, muralista que é muralista nunca desiste, nem deixa o outro desistir.
BMMP

Iane Sabrina disse...

O segundo dia foi o mais difícil pra mim e consequentemente, inesquecível. O cansaço da viagem e do primeiro dia ainda estavam presente. Dormimos pouco, mas formos agraciados com a piscina termal. Saímos cedo e formos compensados pela vista incrível. Atravessamos os Andes e nosso destino era San Martin. Demoramos muito pra achar comida, chegamos a passar mal de fome. Essa viagem foi demais. As fotos e palavras de Kadjon me fez relembrar cada pedalada. Deu vontade de fazer outro piquenique. O Mural é minha segunda família. Todos os momentos foram marcados pela união e solidariedade de todos. Fiquei muito feliz por ter representado as Muralistas. Bora Mural! 🚴🚴