3° Dia Ciclo Aventura Chapada Diamantina - Rio de Contas

O dia em que o nível 4 virou 5!
Conforme decidido no dia anterior, às 7 horas do dia 07/06/15 todos estavam de pé e prontos para o café da manhã. Ops! Nem todos estavam arrumados, Serjão desistiu de ir, pois sentia muitas dores da queda do primeiro dia e não teria condições de acompanhar o grupo, além disso, cedeu sua bicicleta para nosso guia Osmar, pois até o momento não tinha encontrado a gancheira de sua bike que tinha quebrado no segundo dia. Wellington também nos acompanhou nesse dia. Todos bem alimentados, partimos às 7:50 horas para o 3º e ultimo dia de pedal. Osmar nos passou o roteiro indicado por Serjão, que seria semelhante ao percurso do 5º dia do Brasil Ride de 2014, o tempo estava fechado e não conseguíamos nem ver a igrejinha nesse dia, a temperatura estava por volta dos 14°C.
Iniciamos o pedal em direção a barragem, eu e Sabrina não começamos bem o dia e ficamos para trás logo no início. Ao atravessar a barragem, a neblina estava tão forte que nem conseguíamos ver nossos companheiros, abaixei a cabeça e segui em frente incentivando Sabrina que queria desistir, mas um pouco mais a frente ela acabou desistindo. Como ainda estávamos perto de casa ela voltou e seguimos em frente em direção a Brumadinho, numa longa e dura subida encarando o frio, que chegou a 13°C, e o terreno irregular em cascalho, pedras e areia fofa. O paisagismo ao redor era muito bonito que até parecia ter sido projetado, acho que estou confundindo, na realidade somos nós que imitamos a natureza, Kadjon se eu estiver errado, por favor, me corrija. Finalmente chegamos ao topo a 1.600 m de altitude. Lá Osmar nos falou que o tempo todo estávamos margeando o famoso Pico das Almas, invisível entre as nuvens. Fizemos uma breve parada para hidratação e Guga pediu para falar e agradecer a todos pelo pedal e nos presenteou com uma lembrança de Rio de Contas, um chaveiro de bike. Depois de subirmos durante quase toda a manhã estávamos na expectativa de descidas em alta, mas para nossa tristeza a descida até o povoado de Paramirim das Crioulas ao invés de alguns minutos teve a duração de quase 2 horas, diria que 90% do percurso empurramos ou carregamos as bikes, pois o terreno rochoso era muito irregular e arriscado e/ou impossível para pedalar (bem similar ao Vietnã segundo Osmar). Numa das tentativas de pedalar cai sobre uma rocha e por pouco não machuquei a coluna. Também tivemos duas Cocas durante a descida, uma de Osmar (transferida para Serjão, pois o pneu não tinha uma gota de liquido) e a outra de Wellington, ambas por furar o pneu.
Por volta das 14 horas finalmente chegamos a Paramirim das Crioulas, todos famintos, saímos à procura de um bar para nos alimentar, os moradores locais informaram que conseguiríamos apenas mortadela com limão, dito e certo, pedimos logo duas porções. Superado o empurra bike continuamos o pedal em direção a Livramento de Nossa Senhora agora por um estradão com muitas subidas e descidas, no meio do caminho fizemos algumas paradas para pedir informação e hidratação nas casas à beira da estrada e em todas fomos bem recebidos. Por volta das 16 horas encontramos um bar no meio da estrada (ponto de apoio do Brasil Ride) e Elson pediu para que preparassem algo para comermos: “frita um ovo, faz uma farofa e o que tiver ai...”, para nossa sorte o rango veio completo com direito a ovo frito, feijão, arroz, macarrão e até frango cozido, acho que na realidade era a janta do pessoal.
Energias renovadas, seguimos nosso pedal, segundo a previsão chegaríamos ao asfalto ao escurecer, faltavam uns 10 km no plano que foram percorridos no ritmo do insano, segundo Wellington a média foi entre 30 e 35 km/h, só que tinha um detalhe, o terreno era de costela de vaca. Chegando a Livramento colocamos nossas lanternas e cruzamos a cidade. Fizemos uma parada no posto para hidratação.
Nesse momento já havíamos percorrido quase 80 km e faltavam apenas 9 km para Rio de Contas, detalhe que era 100% subida, Elson pediu permissão para Osmar para guiar a subida para controlar a velocidade e as paradas para reagrupar e evitar acidentes. Elson falou que se Wellington quisesse podia ir sozinho na frente e assim ele fez. Todos juntos vencemos a ladeira e concluímos o pedal. No meio da ladeira, Mateus (irmão de Brasil) veio de carro ao nosso encontro a pedidos de Brasil verificar se estávamos precisando de alguma coisa, mais uma vez Obrigado Brasil! Chegamos a Rio de Contas e tiramos a última foto da trilha na praça principal. Fomos para casa de Serjão que já nos aguardava. Elson concluiu que o ultimo dia foi considerado nível 5 após 87 km e 2.100 m de altimetria. Abraçamos uns aos outros comemorando mais um desafio cumprido. Guga e Cerqueira que “brigaram” durante todos os dias para saber quem brocou quem, decidiram que os dois brocaram e deu empate e mais uma vez reinou a amizade e a brincadeira sadia.
No final quem brocou foi Marcelo que nos ofereceu um churrasco “gourmet” de primeira categoria (com direito com a algumas invenções como a maminha na farofa) regado a cerveja e muitas risadas e resenhas. Durante o churrasco Fernando, primo de Sergio, nos deu uma aula de história sobre a cidade de Rio de Contas e nos contou algumas curiosidades sobre a região. Não podia deixar de mencionar que a cozinha de Serjão nunca mais será a mesma depois da boate que fizemos lá, além das provas de resistência que estão ficando cada vez mais difíceis e engraçadas. Quem dormiu cedo não viu rs.
Mais uma vez agradeço ao Mural da Aventuras, especialmente a Elson pelo empenho com nossa família e Serjão (Seu Sérgio) em nos receber com toda dedicação em sua casa. Que venham os próximos desafios. BMMP! Lucas Rocha.
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Um comentário:

LUIZ CARLOS DE ASSIS JUNIOR disse...

Pedalar em Rio de Contas não é brincadeira, aquela Serra das Almas é o bicho! Parabéns pela Resenha, deu pra sentir que o desafio foi nível extremo!