3° DIA EXPEDIÇÃO JALAPÃO: Fazenda de Pablo Escobar a Abenita

Como sou o novato e essa é minha 1ª expedição, jamais conseguiria iniciar esta resenha do 3º dia sem antes recapitular brevemente minhas experiências no 1º e 2º dia. 
No 1º dia da expedição, 18 de julho, sábado, acordamos na madrugada e saímos em direção de Ponte Alta conhecida como porta de entrada para o DESERTO DO JALAPÃO. Já no carro minha ansiedade, felicidade, expectativas e medos se misturavam em minha mente. Chegamos no posto, remontamos as bikes, tomamos café, batemos a foto do início da expedição e PARTIU!!! Já no início, um dos meus alforjes pegou na roda, logo Odi e Elson com muita paciência, resolveram o problema. Neste momento, um dos meus medos se concretizaram: atrasar o grupo. Sempre a culpa é do novato, risos! Passamos pelo canyon de Sussuapara, perdido por alguns veteranos; a casa de seu Mario onde Elson logo de cara recebeu o apelido de “Pouca telha”; banho no Rio Vermelho; motos125cc modificadas alucinadas e o passeio louco de Kadjon no bugre adaptado para areia Can-AmMaverick turbo. Pedalamos sem apoio em muita areia fofa, sol escaldante, calor intenso, almoçando paçoca do Rei, mas com muita alegria e satisfação, além de várias resenhas, é claro! Elson, Plech e Rei brocando na frente, Kadjon e Odi no meio, Nino e eu por último! A todo instante 4X4 com adesivos “O JALAPÃO É BRUTO” passavam filmando e tirando fotos, impressionados com a nossa coragem, o que nos encorajava ainda mais. Após aproximadamente 90km,chegamos a noite em nosso destino, a antiga fazenda de Pablo Escobar. Fomos recebidos por cachorros latindo e o medo dos moradores locais ao se deparar com um bando de ciclistas malucos, ou melhor, MURALISTAS. Apesar de estar um morto-vivo(rs), dormindo  no chão devido ao cansaço. Venci o 1º dia.
No 2º dia da expedição, 19 de julho, domingo, passado a descarga de adrenalina do 1º dia, tínhamos a programação de pedalar 20 km até a cachoeira da velha, onde faríamos o rafting no rio Novo. Rafael e Fabio nossos guias ofereceram carona, porem todos optaram por manter o pedal. Aos desavisados, 20 Km no Jalapão podem corresponder a 40km. Saímos da fazenda pela estrada com muitas poças de areia e chegamos na passarela suspensa da Cachoeira da Velha, onde tiramos muitas fotos e nos emocionamos pela beleza e exuberância do local. Fomos da passarela até o ponto de saída para o rafting, onde enfrentamos uma descida de 3km de areia quase que intransponível. Iniciamos o treinamento básico nos botes, em seguida, paramos na parte superior da cachoeira para fotos, remamos próximos a queda d´água e saltamos do bote nas pedras. Fomos por uma trilha até o fundo do véu da cachoeira. Sentamos para ouvirmos o som, as luzes e admirarmos o voo das andorinhas, que se prendiam nas pedras. Em determinado momento, presenciamos um voo espetacular onde posso afirmar que sentia presença de Deus. Retornamos aos botes, descemos as corredeiras, e claro, a emoção continuava a todo instante. Chegamos a prainha do RIO NOVO, uma praia belíssima onde conversamos com turistas que tiraram fotos nos botes, e claro, com nós, os MURALISTAS.  Já cansados das remadas, carregamos os botes na cabeça, passando pela areia e subindo uma escada até o local onde estava a caminhonete. Depois dessa 1ª descida no rio, Elson que a todo instante insistia em descermos várias vezes o rio, juntamente com o grupo, desistiu da idéia devido ao desgaste e ao esforço realizado. Retornamos para pegarmos as bikes que estavam presas a uma arvore e enfrentarmos novamente a areia, agora subindo. Almoçamos e começamos o churrasco regado a cerveja. Nino fazendo suas perguntas esquisitas. Odi ficou consertando o pedal a tarde toda; Plech enrolando uma corda da rede que não acabava nunca, e, no final da noite, Kadjon, deu uma caruara o que lhe rendeu muita resenha. Nesta noite dormimos todos nas redes para o 3º dia que seria ainda mais bruto.
Chegamos ao 3º dia da expedição, 20 de julho, segunda-feira, o qual fui escolhido para escrever a resenha. A expectativa começou na noite anterior com todos combinando sair cedo para evitarmos o calor intenso e o sol escaldante do Deserto do Jalapão. Acordamos 5h e acabamos saindo por volta das 7h, o que gerou um pouco de ansiedade e stress devido ao pneu murcho de Plech, que estava com a válvula quebrada, e Kadjon com seus eletrônicos a carregar. Tudo resolvido e ouvimos pela 2ª vez o famoso PARTIU!!!!  Saímos com o nascer do sol, algo inesquecível e indescritível. Iniciei o pedal tranquilo, ainda com os resquícios do frio da madrugada. Esse seria um dos trechos mais duros, não teríamos pontos de apoio tão cedo e sabe lá se nossa água daria. Saímos em direção ao entroncamento que ficava a 20 km e a tranqüilidade do inicio se extinguiu rapidamente com o desgaste das poças de areia. Continuava ansioso e preocupado em não atrasar o grupo e pedalava juntamente com Nino que sofria com os calos nos calcanhares. Ao chegarmos ao entroncamento, fiquei preocupado com o que presenciei e me arrepiei: estavam todos empurrando as bikes em um imenso trecho de areia morro acima. Neste momento, pensei se estaria preparado para passar por mais este dia. A expedição é um momento único onde não só o preparo físico é fundamental, como também o preparo psicológico e emocional. Sabia que não estava tão preparado fisicamente para acompanhar o ritmo dos brocadores, mas, acreditava na minha força mental para não desistir. A cada quilometro que passava, meu desespero aumentava cada vez mais! A estrada fica no meio de planícies com a vegetação típica do cerrado sem quase nenhuma arvore com sombra, trechos quilométricos de areia onde passávamos com paciência e perseverança, às vezes montados e outras empurrando. Minha coluna doendo, os pés cheios de areia, suado e ficando para trás em vários momentos. O calor aumentava a cada minuto, a temperatura chegando aos 40ºC, a água regrada e todos na expectativa de encontrar qualquer rio ou riacho. Finalmente, após 48km, encontramos o riacho Frito-Gado onde aproveitamos a água abundante para beber e esfriar o corpo.O pedal continuou pela estrada de areia sem fim por mais 20 km para chegarmos a Margem do Rio Novo, o local do almoço.  Na estrada pedimos a uma caminhonete para reservar uma galinha caipira no único ponto de apoio existente até o nosso destino final. Todos cansados, suados e famintos, ao chegarmos, soubemos que nosso almoço foi vendido e teríamos que esperar outro ficar pronto. Felizmente, bebemos nossa 1ª coca-cola da expedição estupidamente gelada que foi aberta após a chegada de todos. É claro, que acabamos com todo o estoque de coca-cola local. Ficamos resenhando, descansando e aguardando o almoço, a tal da galinha caipira. Ao abrimos a tampa da panela, a galinha tinha 6 pés e 4 pescoços que não conseguiu matar nossa fome. Após o almoço, saímos em direção ao rio para um rápido mergulho e partimos novamente. Todos felizes, achando que seria moleza os 12km restantes, inclusive eu! Ohh coitados! Foram 12 km de muita areia o que nos levou a chegar a noite e perdermos o pôr do sol nas Dunas do Jalapão, contudo, a paisagem de fundo com a Serra do Espirito Santo nos proporcionou fotos espetaculares. Após as fotos a galera disparou e fiquei para trás. Emocionado, comecei a lembrar de meus filhos, minha esposa, minha família, das dificuldades nas trilhas do Mural, nas trilhas noturnas do CENTRO DE TREINAMENTO DO MURAL na paralela, além da cobrança e receio dos colegas na minha condição física para a expedição. Pedalando, sozinho, assisti ao entardecer, com uma sensação de bem-estar incrível.
Finalmente chegamos à noite ao acampamento da Abenita. Encontramos tudo fechado, porém, um funcionário do parque informou que ela havia viajado para Mateiros e não sabia se retornaria. Não tínhamos para onde ir.  Começamos a montar nossas redes no fundo da casa com as lanternas e já íamos iniciar os preparativos para o jantar. De repente, surgi à filha dela chamada Cinthia. Elson e Rei conversam com ela. As luzes do bar e da área do camping se acendem, e, com muito prazer, começa a preparar o jantar. Novamente, qual o cardápio? Galinha caipira kkkk. Redes arrumadas, banhos tomados, partimos para beber cerveja, jogar dominó e petiscar até a hora do jantar. Eu e Rei demos uma surra no dominó, deixando alguns tristinhos. Ouvíamos música e Kadjon nos fazia rir com suas danças e piadas. Jantamos, fomos deitar, mas, o JALAPAO nos surpreende até a noite. Dormimos ao som das rajadas de ventos fortes com areia, que balançavam as redes e criavam um ar de mistério e paz incrível. Antes de dormir, refleti sobre o duro dia que tivemos. Percebi o quanto vivi e aprendi com ELSON e sua alegria e satisfação em pedalar com o grupo; REI com suas respostas irônicas; PLECH e sua resistência em pedalar; ODI com sua paciência; KADJON com suas reportagens, danças e piadas, e claro, ESRON, que apesar de receber o apelido de pé-de-chinelo, mostrou uma resistência, força e coragem para concluir essa expedição, merecendo todo o nosso respeito. Descobri que o Jalapão pode ser BRUTO por suas características naturais e exigências de força física, contudo, a BRUTALIDADE da amizade, alegria, cooperação, companheirismo, respeito, incentivo e confiança de todos os MURALISTAS EXPEDICIONÁRIOS foram e serão sempre bem maiores. Para aqueles que não acreditam em milagres, eles existem: resisti ao 3º dia da expedição ao Jalapão.   Agora posso afirmar que entendi e vivenciei o slogan:“A EMOÇÃO DOS DESAFIOS”. Isso é MURAL DE AVENTURAS!  PARTIU.... QUE VENHA O 4º DIA!!!. Alexandre Faria.
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Um comentário:

Plech disse...

Massa a resenha Alexandre, você realmente se superou, parabéns!!!
Foi muito emocionante a vista da Serra do Espírito Santo com o pôr do Sol na nossa chegada. As fotos do próximo dia mostrarão a vista lá de cima.
"Você está num lugar completamente isolado do mundo, onde as estradas são precárias, as distâncias são enormes, não há cidades (só pequenos vilarejos que ficam bem longe um do outro)" Assim é o Jalapão.