Trilha do Recôncavo - Cabuçu a Santiago do Iguape

Encontramo-nos ainda noite no posto do Rei da Pamonha como combinado, quando cheguei  já estavam Elsão e Kichute, logo chegaram Bina e Fernando com Marcelo. Conversamos e aguardamos até as cinco e trinta e poucos esperando que aparecesse algum muralista atrasado e partimos já com sol nascendo. Chegamos mais ou menos em uma hora em Cabuçu. Preparados, abastecidos e com água suficiente, exceto Kichute, seguimos para aventura.
Fomos pelo asfalto até Saubara onde passando por uma viela onde havia uma feirinha começamos a subir até chegarmos num trecho tomado por pisadas de vaca difícil de subir. Ao chegar ao topo seguimos por uma estrada de terra quando um menino de uma das casinhas que ficava pra trás perguntou: -Oi onde vocês vão? Respondeu Elsão: -Vamos ali! e seguimos até o primeiro mirante em uma pequena trilha lateral de pedra, que já exigiu nossa técnica para subir e descer. Alias teve gente que comprou terreno na descida.
Seguimos pela estrada com algumas subidas e descidas, duas bem técnicas sendo a primeira de barro e a segunda de pedra essa maravilhosa e que merecia, não fosse o tempo, alguns momentos a mais para brincarmos. Ainda no inicio e com muita adrenalina no sangue após essas decidas seguimos por uma estrada de areia fofa até um rio, que atravessamos por cima de um tronco. Passamos por uma fazenda, alguns single tracks e chegamos à primeira subida, esta bem técnica com um trecho erodido e outro de terra solta que só Kichute venceu já na terceira tentativa. Chegávamos a tal subida do passarinho cheia de trechos, todos muito íngremes, como a galera do Mural gosta. Em um determinado momento após uma curva a esquerda começou uma descida e vibrei: Oba! Começou a descer! Que nada menos de 20m uma curva a direita e estava a maior subida de todas. Mais uns dois trechos de subida, eu já começava a questionar o que estava fazendo lá. Termina a tal subida do passarinho, no plano mais alto da nossa aventura, um mirante incrível que me fez esquecer os questionamentos e admirar a vista, uma mata verde belíssima e atrás o mar plano quase um espelho, seguido de algumas ilhas e ao fundo feito uma onda de calor o vulto quase uma fumaça de Salvador.
Começamos a descer, várias descidas gostosas em alta até chegarmos a um trecho plano com muita lama, tipo massapê, cheio de pisada de vaca, onde, mais uma vez, nossa técnica “muralistica” foi posta a prova. Mais uma descida e uma subida pequena e bem inclinada chegamos a uma mangueira frondosa e idosa onde paramos para lanchar e hidratar, exceto Kichute que por ser tataraneto de Tuaregues do deserto estava sem água. Partimos para mais uma subida já em estrada de terra cercada de belos sítios e natureza estonteante até chegarmos novamente ao topo de um morro e começarmos a descer rapidamente por uma longa e íngreme estrada de paralelepípedos até o ponto combinado para visualizarmos a paisagem. Ao chegarmos Bina fala do cheiro de coisa queimada, eram nossos freios a disco que estavam incandescentes após a descida.
Que vista! A Igreja histórica na vila fundada em 1561 por jesuítas, serpenteada pelo rio e enfeitada por verdes manguezais e uma imagem que impressiona de tão bela.
Descemos em direção a Igreja onde tiramos a tradicional foto, ajudados por dois palhaços que lá estavam. Saímos em direção ao restaurante onde após nos hidratarmos e nos divertimos com historias de trilhas e situações engraçadas, almoçamos moquecas de siri catado, arraia, sururu e camarão acompanhadas de arroz, feijão, pirão e, claro, pimenta. Pratos regionais, sem muita apresentação condizente com a simplicidade do povo nativo, mas riquíssimo em sabor, o pirão mesmo era quase um vatapá, de dar inveja a muito gourmet. Almoçados, deitamos cada um num canto do restaurante para um cochilo de meia hora, com direito a roncos.
Abastecidos com água e partimos em direção ao próximo vilarejo onde entramos na trilha novamente. Uma subida de areia fofa para ajudar na digestão, em certo momento jurava que meu coração tinha ido parar na minha nuca, uma subidinha técnica, uma descidinha leve e chegamos onde começou a aventura. Uma ladeira totalmente erodida com valas enormes e afastadas que tivemos que escalar com as bikes nas costas, tudo com nosso líder supremo gritando lá de cima, BORA MURAL! EU ME BROOOCO!, nada como um incentivo. Depois uma descida bem técnica onde dava para descer por cima das cristas ou por dentro das valas, foi interessante ver a escolha de cada Muralista. E assim seguiu com subidas e descidas, areia fofa e lama até começarmos a subir de verdade.
Alguns trechos não possibilitavam o pedal pois eram estreitos demais e tínhamos que levantar a roda dianteira e empurrar. Já na última subida estávamos todo exaustos e o Srgtº Elsão a nos incentivar: - Falaaa Follltzz! Respondo como se estivesse ainda na infantaria: -BOORA MURAAL ######! E me junto a Kichute e Fernando na “Curva do Batismo” esperando Bina e Marcelo. Enquanto descansávamos Elson contava o motivo do nome dado ao lugar. Limpei várias vezes a sapatilha, mas acabei de saco cheio com a tarefa e prossegui o resto da trilha quase sem clipe algum.
Começou a parte mais interessante que foi um single track comprido floresta a dentro bem na crista do morro, algumas vezes a trilha afinava e era como se estivéssemos passando por pontes entre dois morros. Seguimos em bom ritmo só parando para pular os troncos caídos, que por vezes fiquei imaginando se não podia ser como nos cartoons  e ter uma serra na roda da frente para não ter de parar. Passamos por vários trechos de nascente no meio da trilha que formava uma lama bem grudenta e sempre saltava de modo a somente a roda traseira tocar ela e não diminuir o ritmo do pedal. Já pro final da mata cruzamos banhado de samambaias e começamos a descer, chegando a uma trilha de cascalho com vários buracos e armadilhas, como uma pedra logo depois de colocar a roda pra descer uma vala que travou a roda e quase deu em capote, vi isso acontecendo com mais gente também, até chegarmos em um ponto que de tão estreito tivemos de empurrar as bikes.
Acabamos a descida chegando a um rio de areias brancas e agua limpa bem convidativo, andamos por dentro dele até a outra margem. E foi assim fazendo single e atravessando o rio de um lado pro outro que chegamos a uma fazenda onde pedalamos na grama até uma estrada de terra e até o asfalto em Saubara onde seguimos de volta a Cabuçu.
Depois de uma aventura destas sentimo-nos gratificados por termos vencido mais um desafio, e, irmanados no amor ao esporte e pelas dificuldades passada apoiando-nos mutuamente saímos fortalecidos no espirito de corpo e com certeza de que esse momento sempre será lembrado. Bora Mural! André Foltz.
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4 comentários:

Iane Sabrina disse...

Agradeço a Elson por ter me incentivado na sexta a ir e a Marcelo pela carona. Bem que ele falou: "Você deve ir, é a sua cara. Tem várias partes técnicas." Dito e feito! Trilha perfeita. O lugar é lindo. Tem diversos tipos de terrenos, matas e clima. Teve um tal de empurra bike que doeu até os cabelos, rss. As belíssimas imagens falam por si. Bora Mural!!

Fernando Tadeu Falcão Benevides disse...

Boa resenha, Foltz! Bem detalhada! Essa trilha é mais que uma trilha: é uma cicloaventura compactada em um dia!

Fernando Tadeu Falcão Benevides disse...

Ótima resenha, Foltz! Bem datalhada! Essa trilha é mais que uma trilha: é uma cicloaventura compactada num único dia!

André Luiz disse...

Valeu Fernando