5° DIA EXPEDIÇÃO JALAPÃO: Mumbuca, Fervedouros, Cachoeira do Formiga a São Felix do Tocantins

Um grito de BOM DIA!, marcou a Pousada da Tonha no dia 22 de julho às 5:40h da manhã com um friozinho de 15º C.
Isso mesmo, depois de 04 dias de aventuras com limitações de água e comida, dormindo em rede e vencidos 210 km de muita areia, temperatura de até 46 º C, umidade entre 13 - 16% aquela noite tinha sido a primeira vez na Expedição numa hospedaria com cama, colchão e um local super aconchegante.
Tivemos o prazer de ser recepcionados por Esmael, que com sua simplicidade mostrou que Mumbuca era uma comunidade quilombola que produz quase tudo que precisa para sobreviver naquele mundo, longe de tudo!
Depois do ótimo jantar regado com um feijão de corda bem temperado, carne de panela, macarrão, arroz e salada, quando acordamos fomos servidos com um café da manhã que superou todas as expectativas. Tomamos um ótimo café com leite fresco, experimentamos o “belém” – pão feito de arroz, assado em forno a lenha – e um cuscuz quentinho embebido ao leite do coco colhido no terreiro da pousada.
Saindo de lá, os últimos lembretes de Elson fizeram crescer ainda mais nossa ansiedade!!! Hoje, 75 km de pedal com paradas estratégicas para conhecer a alma do Jalapão e os pontos mais visitados pelos turistas!!! Imaginem quanta beleza desbravaríamos neste dia!
O mais ansioso do grupo era Nino pois, os calos nos calcanhares e seu sério problema de constipação quase tiraram o prazer de expedicionário mas, ele provou que também é BRUTO! 
Já com estômagos forrados e preparados para desbravar mais bancos de areia do Jalapão, fomos convidados para conhecer a lojinha da Associação de Artesanato de Capim Dourado. INCRÍVEL!
A criatividade dos moradores enchia os nossos olhos, o brilho das peças dominava o pequeno espaço nas prateleiras, mesas e estantes. Cada peça tinha uma etiqueta com o nome do morador que a fabricou e quando era vendida, o dinheiro era entregue ao fabricante. Muito interessante! Muitas peças eram feitas por crianças e tinham uma qualidade e perfeição invejáveis.
Pronto! Feitas as comprinhas de brincos, mandalas, pulseiras, chaveiros... seguimos pelo estradão de terra batida e pedras pontiagudas. Logo na saída, encontramos um ladeirão sem fim, que sumia de vista, ou seja, a descida de “boas vindas” logo se tornou uma subida de “volte sempre”!!!
8 km se passaram em um pedal leve enquanto o sol mostrava porque o Jalapão é realmente BRUTO!!! Já chegando as margens dos 30º C, chegamos na entrada do primeiro fervedouro, o fervedouro do Bananal.
Eu já o conhecia através de revistas e até da televisão... estava louco para conhecer ao vivo e a cores, e coloque cores nisso!!!!. Logo na entrada, encontramos com o proprietário que já foi informando que seria R$ 10,00 por pessoa a visitação, sabemos que este pode ser o único meio de sustento para aquele homem que apresentava no seu rosto as marcas do sofrimento em labutar com a terra e o trabalho do campo naquela aridez. Na entrada tinha uma placa informando: capacidade máxima de apenas 6 pessoas por vez, neste dia quebramos o protocolo.
Para chegar até o fervedouro, já dentro da propriedade, fizemos um single track perfeito até avistar um verdadeiro oásis no meio da secura. Descemos das bikes e já sentimos no rosto o frescor da sombra produzida por bananeiras e coqueiros que deslumbravam com tanta água !!!! Antes de entrar na água tiramos algumas fotos e ainda surpresos com o local todos entraram com o maior cuidado e com passos suaves para não tirar a translucidez da água com a areia oriunda do fundo. Todos se perguntavam: - Será que não afunda mesmo? Todos dizem isso... e é pura verdade. Nossa principal cobaia foi Odilardo com suas pernas longas!!!! Até Nino (Esron) tentou afundá-lo por trás e com todo o seu peso, não conseguiu. Eu tive a oportunidade de filmar a água aflorando do fundo e Elson fotografar a alegria do grupo ao se banhar nas águas cristalinas e mornas. Foi uma experiência ímpar!!
Depois de uns 30 minutos de prazer, PARTIU!!! Temos muitas outras maravilhas para conhecer.
Percorremos mais 6 km e chegamos na estrada de acesso para Cachoeira do Formiga. Elson estava em dúvida se realmente entraríamos por ali, pois o Garmin estava mostrando que a entrada era um pouco mais a frente porém, depois de muitos bancos de areia quase sempre impossíveis de desbrava-los pedalando, descobrimos que estávamos na estrada certa. Nesta brincadeira percorremos 8km em quase 1 hora de pedal, imagine a quantidade de areia!!!!Nino, logo quando viu o desafio que teria pela frente com seus calos, decidiu aguardar embaixo do único arbusto a vista que permitia 2 m² de sombra...
Vencidos os 8 km chegamos num clarão aberto no meio da mata e tinha uma barraca feita de palhas de buriti, bem aconchegante e com uma sombra perfeita para nos abrigar ao descer da bike, confirmei no garmin 42º C ... LOUCURA!!!!!
Logo sentamos e nos hidratamos com muita Coca Cola (esvaziamos o freezer do bar) com muito amendoim torrado. Enquanto isso, alguns turistas iam chegando assustados dizendo que tinham encontrado no caminho um ciclista deitado numa sombra... eles ficaram com medo e não pararam, porque pensaram que o cara (Nino) estava morto!!!! Imaginem  nossa preocupação depois disso!!! Mas ele estava bem, estava na sombra e tinha água, conseguiria sobreviver até a nossa volta.
Seguindo para a Cachoeira do Formiga, conseguíamos ouvir ao longe o barulho da queda d’água e isso só aumentava nossa ansiedade em chegar logo! Ao ver o espelho d’água cristalina e verde como esmeralda e a cachoeira maravilhosa, Odilardo, Plech e Rei foram jogando as sapatilhas de lado e pulando na água com uma algazarra só! Eu tive a paciência de antes do deleite, tirar algumas fotos e filmar Elsão meditando perante tanta beleza.
A água parecia filtrada e clorada, mergulhamos e ficamos massageando as costas na cachoeira até o momento que vi a possibilidade de subir nas pedras e filmar deitado no meio da corredeira... foi fantástico e fiquei muito emocionado porque não estava compartilhando aquela iguaria da natureza com minha família. O mais emocionante foi o salto que dei de cima da cachoeira e filmei tudo no celular, um mergulho perfeito.
Foram muitas fotos e vídeos e neste local demoramos um pouco mais até que a preocupação da volta naquela estrada poderia reduzir nossas paradas e tirar a oportunidade de conhecer todos os lugares que estavam programados. Voltamos até as bicicletas, nos preparamos e iniciamos o regresso pelo areião!!! Ai foi mais sofrimento!!! Chegamos a pedalar sob um sol de 47 º C e a areia parecia mais perversa!!!
No final da estrada, depois de presenciar carros atolando e camionetas 4X4 passarem do nosso lado patinando sob areia, e logo chegado a via principal, tomei um tombo besta em cima da areia quente... a sapatilha não desprendeu do pedal (como de prache) e fazendo a curva sob a areia cai sentado de bunda no chão!
Quando chegamos no local que marcamos para encontrar Nino, nada dele. Ficamos preocupados porque não sabíamos exatamente para onde ele tinha ido, se retornado e desistido da Expedição, se a onça tinha o devorado, se pegou uma carona para São Felix na carroceria de um caminhão... foram alguns minutos de angústia até que Elson decidiu seguir até o próximo ponto de parada, a famosa cachoeira do Buritizinho... foram mais 2 km de sofrimento e quando chegamos lá, a surpresa!!! Nino e seus calos para o alto, já gozando de uma latinha!
No meio do desespero soaram gargalhadas e apertos de mãos.
Logo quando chegamos, já pedimos Coca-Cola para refrescar e ficamos mirando o fogão a lenha completamente coberto de panelas de vários tamanhos recheadas de uma variedade enorme de comida, enquanto a picanha assava sobre discos de arado!!! A fome já falava alto porém, a ansiedade de conhecer o buritizinho era maior.
Deixamos as bikes descansando na sobra e seguimos por uma trilha batida até o rio que tinha uma árvore com uma gangorra no alto que hipnotizava para algumas traquinagens. Logo fui ao encontro dela com Rei segurando a bandeira do Mural para tirar algumas fotos e fazer filmagens... foi muito massa!!!! Pendurei-me na gangorra e não larguei no primeiro balanço e logo vieram as gargalhadas !!!! Voltei umas três vezes e na última depois de uma pesada de “leve” em Rei dei um salto mortal magnífico para trás para depois cair na água morna e límpida. Jalapão é bruto mais o Mural é muito mais!!!!
Depois todos subiram na árvore para tirar uma foto histórica!!!!!
Seguimos a trilha e chegamos no fervedouro perfeito!! Tive a oportunidade de filmar a bandeira debaixo d’água e ficou perfeito!!!!! Nos banhamos, mergulhamos, fotografamos muito e logo fomos forrar o estomago. A comida estava maravilhosa!!! Colocamos o adesivo do MURAL para marcar o território e logo vimos Plech na rede roncando, Nino e Alexandre lutando para se equilibrar num banquinho estreito enquanto também cochilavam... mimimi a flor da pele!!!!  
PARTIU!!!!!!! 15:00h e chegou a hora de seguir o poeirão. Todos se prepararam, completaram suas reservas de água e a alegria das águas cristalinas estavam no fim... mais a aventura do pedal desse dia só estava esquentando.
Logo a frente, começamos a sentir uma preocupação maior com Nino, ele já estava sem sapatilhas e usando sandálias e o pior, estava pedalando com sandálias em pedal com presilhas próprias para sapatilhas... isso é quase impossível. Além disso, Alexandre já estava apresentando um desgaste além dos seus limites e isso, ele conseguiu superar na mesma brutalidade do Jalapão.
No meio do percurso, depois de mais 14 km, passando por algumas casas e um curral, ouvimos uma voz ao longe: - Para ai pra tomar uma GELADA!!! Rsrsr... sinal que chegamos da Fazenda Nova. O freio até este momento não tinha trabalhado tanto... foi todo mundo entrando no portão da casinha humilde e encostando, logo o senhor Tertuliano foi abrindo a algazarra mostrando seus filhos, netos e bisnetos enquanto a senhora Lucimara fazia uma fruteira de capim dourado. Fiquei encantado com tanta agilidade que ela fazia o trançado com capim.
Nesse tempo, aguardávamos Nino chegar e planejamos com os 9 netos de Sr. Tertuliano para que eles gritassem: - PÉ DE CHINELO!!!!, quando ele chegasse:, foi LINDO!! Nino ao passar pelo portão foi recepcionado com o grito do seu novo apelido!!!!
Aproveitamos essa parada para Dr. Alexandre fazer um curativo reforçado nos calos de Nino, ele até tira de câmara de ar queria colocar e assim, conseguir concluir o dia. Ele tentou colocar um tênis, mas logo a frente desistiu da ideia.
Enquanto isso, começamos a observar o sol ficando ameno, se escondendo entre as planícies e paredes de pedras e abrimos trecho com mais ansiedade de chegar logo.
A partir desse momento, o grupo ficou um pouco disperso, mas sempre parando para reagrupar com medo das onças. Nino e Alexandre se fosse, o caso, seriam os pratos de entrada. Escureceu, paramos para instalar os faróis nas bikes e trocar os óculos e seguimos num ritmo mais brando para ninguém ficar para trás.
Já noite, cheguei no bar de Sr. Mirom onde Elson, Plech e Rei já tinham devorado um guaraná de 2 litros. Sentamos e comemos o que tinha sobrado da minha paçoca enquanto aguardávamos a chegada dos demais. Nesse intervalo, um senhor parou uma caminhonete para pedir informação. Logo depois chegaram Odi, Alexandre e Nino. Quando eu vi Alexandre e Nino não tirarem os olhos da carroceria da Frontier, percebi que ali teríamos um mimimi duplo. Nino com seus calos colossais e Alexandre com dores lombares concluíram os últimos 20 km do dia de carona.
Nada... vamos seguir no breu da noite...Nos últimos 20 km encontramos camionete quebrada na estrada, carros passavam cobrindo todo mundo de poeira e o céu abrilhantando o caminho com milhares de estrelas. Por fim, chegando em São Felix não sabíamos exatamente onde ficava o hotel e tivemos a sorte de encontrar o garotinho Gabriel com uma BMX que nos acompanhou até um ladeirão imenso olhou pra frente e disse só subir essa ladeira que vocês chegarão na pracinha do hotel... esperto o menino, a ladeira foi o cartão de visita da cidade e por fim para esgotar último tracinho das nossas baterias.
Logo chegando a pracinha encontramos os caroneiros Nino e Alexandre já tomado banho e tomando uma cervejinha enquanto aguardava o grupo para fechar a noite com a pizza “mais gostosa do mundo”!!!
Do hotel, só lembro da entrada e do banho quente... depois o sono foi profundo!!!!! Kadjon Layno.
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2 comentários:

Odi disse...

Esse dia foi 1000! Saudades do Jalapão!

Plech disse...

Parabéns Kadjon que resenha maravilhosa! Que saudades de tudo que passamos. Lugares incríveis, uns extremamente lindos e outros extremamente brutos e muito difícil de transpor. Que aventura incrível.
Tudo ficará eternizado nas nossas memórias como uma experiência inesquecível.
Bora Mural