4° dia Expedição Serra do Rio do Rastro e Vale Europeu: Alto Cedros, Palmeiras, Timbó

A dormida para mim (Rei) nessa noite foi revigorante, pois me tranquei num quarto no pavimento superior da hospedaria. O povo ficou se acabando lá embaixo, comendo água e dando risada (eu Phillipe me inclui nesta “bagunça”, lembrando de nosso amigo Plech que por motivos maiores não pode estar conosco na expedição), porém ficando ainda mais cansados. O café da manhã da hospedaria do Sr. Raulino Duwe não foi um 5 estrelas mas deu para preparar o corpo para a batalha. Estava uma chuva fina por volta das 8 horas quando ficamos prontos para partir. A saída dependia da travessia do barco que seria feita em 3 etapas. Eu (Rei) me dei mal por ter voltado para a pousada para ir ao banheiro e acabei indo na última viagem com o barco completamente sujo de lama. Mas não tinha problema, pois não iam faltam poças de lama para nos sujar ainda mais.
A caminho de Palmeiras nos deparamos com a primeira subida, ao chegar no ápice da ladeira nos deparamos com uma entrada de uma fazenda, a qual me fez refletir (Phillipe) como seria a vida naquele local, em meio a reflexão olho para o lado e me deparo com a seguinte placa dizendo “Sitio biela torta. Quer vir vem, mas é pau” o que me fez arrancar risos e esquecer a reflexão.

Após a subida, o percurso continuou duro, ficou um sobe e desce, mas subindo do que descendo, rsrsrs. Em uma dessas ladeiras ocorreu um fato preocupante, o bagageiro flutuante de Marcelo partiu!!! Foi um momento de apreensão e a única solução encontrada foi dividir sua bagagem entre os companheiros. Elsão foi quem ficou com a maior parte, chegou a ficar triste e até mais lento no pedal, rsrsrs, mas logo depois se acostumou com o peso extra e voltou a brocar. KKKKK. De qualquer forma, declarou que será proibido o uso desses bagageiros mas próximas aventuras do Mural. Fica a dica, nunca utilizem bagageiro flutuante em aventuras de bicicleta.  
Logo mais à frente paramos em um ponto de ônibus ao lado de um córrego, minha água já estava nas últimas, a sensação de fome era nítida no olhar de todos.
Após a parada eu (Phillipe) e Elson esticamos um pouco, momento este onde nos deparamos com uma linda cachoeira na beira da estrada, nos convidando para refrescar a cuca e os “motores”.
Deixando a cachoeira para trás, continuamos a pedalar...
Em Palmeiras, por volta das 13:30 paramos para almoçar. Almoço coma a vontade, sonho de qualquer expedicionário. Comemos até explodir, mas não deu tempo de “jiboiar”, foi o único momento em minha vida (Phillipe) que mesmo de barriga cheia sentia fome e diga-se de passagem que em uma expedição você se depara com situações inimagináveis. Enquanto almoçávamos caiu um uma chuva torrencial. Logo depois chegou um grupo de jipeiros fazendo o percurso do vale europeu com carros 4x4. Ai fica fácil... era visível nos olhares com a expressão: “esses caras de bike são loucos.” Reiniciamos o pedal com uma mega ladeira logo de cara para fazer a digestão do almoço. A disputa entre Cerca, Giu e Guga continuava... ninguém queria ser o papuco do dia. O sol voltou a brilhar e o calor começou a esquentar os miolos da galera. Para nossa sorte encontrávamos algumas bicas e riachos no caminho.

Havíamos subido muito, muito mesmo. O lado bom disso é que depois sempre tem uma descida... e neste caso a descida foi alucinante!!! Era necessário parar às vezes para descansar os braços e agrupar os mais responsáveis que desciam com segurança. Coloquei (Rei) a câmera para filmar Cerqueira, e não deu outra, o rapaz se empolgou e quase se mistura com a vegetação local. As valas deixavam o trajeto ainda mais desafiador. Alguns carros subiam em alta velocidade, o que nos deixava preocupados com os que vinham atrás. No final chegamos ao nível do rio com uma ponte secular, e claro, fizemos fotos com todos sorrindo muito por conta da satisfação pós brocação.
A paisagem tinha mudado, passamos a pedalar ao lado do caudaloso rio, mas o clima de aparente tranquilidade logo iria mudar... Sabíamos que havia uma boa subida a ser vencida antes de chegarmos a Timbó. No mapa do Vale Europeu o trecho estava pintado de vermelho o já mostrava sua dificuldade. Eis que começamos a subir a “parede”, a cada curva a inclinação piorava. Inevitável foram as paradas “parcelas” para retomar o fôlego, mas ninguém queria empurrar a bike. Em uma nessas paradas, lá em cima estava Elsão já com máquina fotográfica na mão fazendo as fotos, cheguei (Philipe) com as forças quase esgotadas... Mas a subida ainda não havia terminado, vários já estavam empurrando suas bikes. Para piorar, a estrada estava muito estragada, com muitas valas, tornando o desafio também técnico. Fiquei sabendo depois que apenas Elsão e Guga haviam subido toda “parede” pedalando.

Vencido a última grande subida, num determinado trecho, Giulyano começou a reclamar da bike. Alguns quilômetros depois, aconteceu o que todos temiam, a bike quebrou e quebrou feio. Problema no parafuso interno da rebimboca da parafuseta... mas o próprio “Giu Magaiver”, utilizando uma vareta, uma folha e um pouco de terra, deu um jeitinho para seguir viagem (destravar a roda para que ainda fosse empurrado por 20 km), até porque faltava pouco para começar a descer. O melhor do dia foi ver Giu descendo as ladeiras com as pernas abertas, quicando no selim, enquanto o pedal girava, arrancando risos das dificuldades que passamos.
A chegada em Timbó foi emocionante, todos se revezando para empurrar Giu foi quando novamente veio na minha cabeça (Phillipe) mais um daqueles momentos de reflexão, todos sofrendo para chegar em Timbó, mas ninguém esboçava desgaste por estar alí ajudando um companheiro, de repente deixei por escapar uma lagrima e ao olhar para o expedicionário Nino, com toda sua experiência me respondeu traduzido por um sorriso que “isso faz parte de uma expedição”.
Como o ponto de chegada é o mesmo restaurante Thapyoka do qual partimos, havia uma grande quantidade de espectadores na hora em que chagamos já a noite. Eram os clientes que lotavam o restaurante. Fomos direto para a ponte ao lado para uma seção de fotos junto à placa de identificação final do circuito. Havíamos feito todo o trajeto do Vale Europeu, inclusive com a subida da cachoeira do Zinco, em apenas 3 dias, um grande feito!!!
Logo depois sentamos numa grande mesa para o tradicional brinde e aproveitamos para jantar o prato típico da região, marreco recheado, que infelizmente ficou a desejar. Hora de ir para o hotel descansar para o último dia da expedição, subir o Morro Azul.
Esta foi uma expedição diferenciada, com uma grande quantidade de participantes sendo metade novatos, e que no geral saiu tudo conforme planejado, principalmente pelo fato de não haver nenhum abandono por conta de bike quebrada ou outro problema. Agradecemos assim ao Mural de Aventuras por mais este sucesso de expedição e desejamos estar presentes nas próximas.
Uma experiência para toda a vida! Abração, Rei e Phillipe.
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2 comentários:

Guga Freitas disse...

Dia fantástico! Completamos o Circuito do Vale Europeu em 3 dias. O dia com as piores subidas da expedição. O interessante é que sabíamos dessa subida pelo guia e por outros ciclistas que já haviam feito o percurso e a expectativa da chegada dela durante a trilha deixou vários de nós com uma certa aflição a cada ladeira que se iniciava. Pensavamos: "será que é essa?"
Parabéns a todos Muralistas Expedicionários.

Giulyano disse...

Dia duríssimo, e no final a bike quase me deixa na mão, mas c o Mural ninguém fica pra trás, não vou esquecer desse dia, com todos se revezando para empurrar minha bike por mais e 20km. BMMP!!!!