5° dia Expedição Serra do Rio do Rastro e Vale Europeu: Morro Azul

Depois de 4 dias de sofrimento e de conhecer parte de um outro Brasil com uma boa pitada de Europa, já havíamos percorrido a Serra do Rio do Rastro e o Vale Europeu programados para esta expedição, mas ainda faltava esse último dia para finalizarmos e termos o direito de usar os distintivos. Como o nome era Expedição Serra do Rio do Rastro e Vale Europeu passei toda a aventura perturbando os já expedicionários e principalmente Elsão, dizendo que não precisaria fazer o último dia para ser considerado concluinte, uma vez que o programado era a parte que dá nome à viagem e concluiríamos no 4º dia. Até que no início desse 4º dia Elsão virou e falou: “rapazzzzz pare com isso, isso dá um azar que você não imagina!” Não dei muita bola e ainda repeti a brincadeira algumas vezes durante aquele dia de pedal duríssimo. Eis que depois de subir a última e pior ladeira minha bike quebrou o freehub, de uma forma que não conseguimos reparar na trilha, e tive que ser empurrado até a cidade destino, Timbó, que ainda estava há 20km do local.
Muita resenha e muita força, todos se revezando no auxílio até chegarmos; união que emocionou muitos dos integrantes. O grande problema é que retornamos a Timbó já no final do dia 29 de dezembro, logo não havia nenhuma oficina ou bikeshop abertos ou mesmo um local para locar uma bike para pedalar no dia seguinte. Acordei desesperado assim que o dia raiou para tentar reparar o estrago, alguns componentes do grupo foram acordando e quando olhavam a maioria achava que não teria conserto, e o meu desespero aumentando; cheguei até ali, estava fisicamente em condições de pedalar e não concluiria a Expedição. Mas, enquanto os outros tomavam o café da manhã e se preparavam, com algumas ferramentas emprestadas fui desentortando o alumínio do freehub, retirando alguns pedaços com uma chave de fenda e com muita paciência o armengue funcionou; não ficou perfeito, mas dava para pedalar sem forçar muito e mesmo atrasando um pouco o início do pedal consegui seguir com a galera. Então #FicaADica: só pensamento positivo, pois só acaba quando termina (Kkkkkkkkkkkkkk).
Então iniciamos a subida do famigerado Morro Azul, com uma decida que alucinou a todos, e no final, uma comemoração regada a cerveja e muita resenha para comemorar enquanto as bikes eram lavadas em um posto de gasolina. Mas ainda faltava o sexto dia, uma vez que voltamos no dia 31 de dezembro, e todos, mesmo mortos de cansaço, tiveram que curtir a virada do ano com suas famílias como se nada tivesse acontecido. BMMP!!!! Giulyano Lima (Giu).


Segue abaixo a fiel descrição de Guga desse dia tão especial.
Quinto dia de expedição. Apenas um pedal regenerativo para cumprir tabela. Afinal de contas tínhamos percorrido mais de 400km em quatro dias, com mais de 6.000mt de altimetria acumulada. Dentre os 400 quilômetros, nos três dias anteriores, tínhamos completado o percurso do Vale Europeu que é para ser feito em 07 dias (ou seja, tínhamos feito 7 em 3). Então vamos ao nosso pedal regenerativo:
O trajeto desse dia foi mantido em segredo até a véspera, no clássico estilo Mural de ser. Então foi revelado o destino, subiríamos o Morro Azul, local frequentado por praticantes de voo livre. Para mim foi muito gratificante poder escrever sobre esse dia, afinal de contas, sou praticante de Parapente desde 2005 (há mais de 10 anos).
 Tínhamos chegado em Timbó no dia anterior. Acordamos cedo como de costume, tomamos café da manhã e partimos. Na saída passamos por um estradão em um ritmo moderado, mas durou pouquíssimo tempo, e logo já estávamos no ritmo característico do mural. 
Eram apenas 18 km do centro, ah... "vai ser tranquilo" (esse é um dos equívocos mais comuns... com o Mural, nunca é tranquilo!). A altimetria foi de aproximadamente 800m. E logo apareceram as subidas. E eram subidas pra ninguém botar defeito. Nível de dificuldade altíssimo, com angulações que tornavam praticamente impossível se equilibrar, de tão lento que se conseguia subir. Somando-se a isso, o cansaço acumulado, foi difícil não empurrar a bike, mas vários honraram a verdinha e não empurraram.
Era uma subida que parecia interminável, o folego já faltava, a água no finalzinho, e finalmente chegamos à placa: "Bem vindo ao Morro Azul". "Ótimo, acabou!", pensamos. Olhamos ao redor, e vimos uns caminhos acima, aí veio a dúvida: "Acabou? Será que acabou mesmo? E essa placa aqui?" Depois de poucos minutos ali, percebemos que ainda teríamos mais subidas e com nível de dificuldade ainda maior. Descobrimos então o sentido daquela placa... era só para rimar com o sofrimento que ainda tínhamos pela frente. 
Agora sim, sofrimento chegando ao final. Topo do Morro de Voo-Livre. Vontade enorme de estar equipado e sair voando. Vista linda demais. Estávamos quase todos sem água, a subida exigiu muito de nós. Tinha um casal no Morro, perguntamos onde achar água e percebemos que eram Hermanos. Pela placa do carro que era do Paraguai e pelo estado do carro, ia descer na banguela.
A melhor parte estava iniciando nesse momento. Consumir toda aquela energia potencial gravitacional que acumulamos mastigando a coroinha e transforma-la em energia cinética. (Essa foi para os engenheiros do grupo). Muralizando isso seria: Brooooocccccaaaaaarrrrr em Aaaalllltttaaaa na descida!
Paramos numa espécie de sede que administra um "parque" responsável pela região do Morro. Bebemos água nessa "sede", matando nossa "sede" num bebedouro. Quando estávamos saindo de lá, o GPS de Elsão mostrava um caminho improvável... ele conversou com o encarregado de lá e o rapaz disse que realmente havia um caminho, mas que era praticamente impossível passar. Ouvindo isso, nós tivemos a certeza que o caminho era realmente aquele... e vamos MURALIZAR!!! Iniciamos uma descida psicodélica onde fomos transportado para um lugar do imaginário coletivo. Durante a subida, nosso DJ Fisgadinha tinha tocado "Welcome to the Jungle" - Guns, e parecia que era lá que estávamos naquele momento. Ficamos encantados com a descida. Foi super divertido, eram enormes descidas totalmente gramadas com valetas escondidas o que transformou num momento muito especial, com várias quedas, filmagens e risadas.
Finalizamos essa trilha muito especial após pouco menos de 40km. Especial pela magia e astral do local; especial também, pois junto com ela, se encerrava nossa maravilhosa expedição. Após 6 dias juntos, 5 dias de pedal, 450km e 7.000m de atlimetria, 11 muralistas conviveram em um clima totalmente especial de cooperação, amizade, descontração, diversão. Só coisas boas, sem nenhuma briga e com muito pedal! Já estou ansioso para as próximas expedições! Gustavo Freitas (Guga).
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2 comentários:

Phillipe Mafra disse...

Ê saudade de tudo isso aí ;)

Anônimo disse...

Lembrei agora do cansanção na descida, era uma sequencia ai! ai! ai! inclusive eu. hehehe
muito boa a descida no tapete verde do mural, foram muitas risadas nesse momento pois todos caiu....kkkkkk Lucas Rocha