Desafio da Serra da Jiboia 14 - All Inclusive (Um teste de resistência física e psicológica)

Essa é a minha quarta experiência com a trilha da Jiboia, mais ainda precisava me testar na "all inclusive". A expectativa estava em alta, tinha dois anos que não pedalava por essa região. Pelo potencial que apresenta ao mountain bike, a região tem sido palco de competições importantes no cenário baiano e nacional. Essa trilha realmente merece todo respeito, não desmerecendo ou subjugando às demais edições, mais essa em especial, testa nossos limites a todo momento.
Para exemplificar o que estou falando, trata-se de um trilha de 100 quilômetros, com altimetria acumulada de quase 3.000 metros, com aproximadamente 18 horas de pedal (saímos às 7:30 da manhã e retornamos às 1:30 da madrugada do outro dia), percorrendo, subindo e descendo a serra da Jiboia por três vezes em locais distintos (Santa Terezinha, Elisio Medrado, Santo Antônio de Jesus, Castro Alves...etc). Para completar a dificuldade da nossa aventura, o tempo não colaborou, e a chuva e a lama nos castigaram até chegarmos ao final do nosso desafio. Isso sem falar nos contratempos, como problemas na bike (no meu caso a quebra da gancheira e de um pneu desembeiçado), ocasionando uma queda daquelas cinematográficas (confiram as fotos e vão confirmar o que estou falando) rsrsrsrs.
Para entenderem melhor o desafio, fazemos esse percurso normalmente em dois dias, e o mais interessante, é que existem diversos caminhos para chegarmos aos locais desejados, proporcionando uma aventura diferente, com Muralistas diversos a cada edição e cheia de emoções e desafios. Praticamente não existem partes planas, e o relevo da região já demonstrava como seria o nosso pedal assim que saímos da fazenda onde ficamos hospedados. O tempo mudou muito rápido, chegamos na noite anterior sem chuva, e na madrugada e manhã seguinte, a chuva e lama dificultavam a passagem das nossas bikes. Com menos de 5km rodados, estávamos completamente cheios de lama.
Até mesmo nas estradas de terra que ligam os vilarejos e as cidades, não faltavam subidas e descidas íngremes. Iniciamos as partes de trilha, com a "Matinha", local conhecido por passarmos no meio de um pequeno pedaço restante de mata atlântica. Como o clima e a lama não ajudavam, chegamos ao primeiro vilarejo (Tabuleiro do Castro) próximo do meio dia. Paramos para uma hidratação rápida em um mercadinho local, e seguimos para a primeira subida da serra. Como uma forma de compensar a dificuldade que iríamos enfrentar, paramos na Cachoeira do Nunes, para relaxar uma pouco e iniciarmos a subida. Se subir uma serra sem chuva já é duro, imaginem com o solo encharcado e escorregadio. Mas com muito empurra bike e umas duas horas e meia chegamos ao topo. Para valer o esforço da subida, fizemos o "downhill da samambaia", uma descida alucinante, serpenteando um vale, que fez logo a primeira vítima (Marão). kkkkkk.
Já estávamos no meio da tarde, com fome e sem água, e seguimos para o famoso bar da farofa, para hidratar e comer nosso tiragosto. Não pudemos demorar, pois, já estava no final da tarde, e ainda tínhamos subir uma outra serra (a segunda) "serra das antenas" e enfrentar a famosa "ladeira do cagão". Seu nome segue à risca, por que se vacilar o cabra se caga todo na subida! kkkkkk. Ô ladeira íngreme e longa dos infernos. E ainda cheia de lama! No meio da subida já estava escurecendo, e a chuva forte juntamente com o frio começava a incomodar. Sem falar no cansaço, que já começava a dar seus sinais. A noite caiu ainda na subida, e preparamos as bikes com as lanternas para a descida até Pedra Branca. Chegamos na cidade 19h, procuramos rapidamente um local para repor água e comer algo. Nesse momento, iniciávamos o caminho de volta para a fazenda, mais ainda teríamos que subir a serra pela terceira vez, enfrentar o "downhill das antenas e percorrer mais 35km de estradas de terras com muitas subidas. Foram mais uma hora para subir ate às "antenas", e o cansaço juntamente com o frio (isso mesmo , o GPS chegou a marcar 11º) nos castigavam.
Chegando ao topo, como estava muito frio e ventando, não tivemos condição alguma de admirar a vista que o local tem. Quando imaginamos que a descida da serra das antenas seria rápida e divertida, ela se mostrou escorregadia e cheia de lama. Aliás, eu fui uma das vítimas com uma queda feia, mais por sorte não me machuquei. Enquanto consertava a bike, os demais Muralistas aproveitavam para descansar e tirar uma soneca (isso mesmo, já passava das 22h), todos estavam muito cansados. No decorrer do caminho, a pergunta frequente era: "Elson, falta muito? Quantos quilômetros mais ou menos? kkkkk".
Após mais algumas horas de sofrimento, e uma última ladeira chamada "arromba batata", chegamos na fazenda 1:30 da madrugada, muito cansados, mais com o sentimento de dever cumprido!!! Não poderia deixar de citar, o churrascão delicioso que fizemos para comemorar nossa conquista. Parabéns a todos os participantes (Tio Chico, Beiçola, Carla Peres, Cabeça de Cone, Smigol, Chassi de Craque) kkkkkkk por terem completado esse verdadeiro teste de resistência física e psicológica. Um abraço de Paulo "Pão com ovo" Kichute.
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR






















































































































5 comentários:

ciro disse...

Show!!! Faltaram as fotos do churrascão!!!
Nunca fiz a Serra da Jibóia, mas assim q tiver oportunidade to colado!
Parabens pela resenha Kichute!

Elson disse...

Não me canso de fazer a Jiboia!! É muito show!!! All Inclusive então é super especial...

Kichute, parabéns pela resenha jugou duro e demonstrou o quanto foi difícil essa aventura.

Dia 22 e 23/10 tem Jiba 15!!! Bora Mural!!!

lucas rocha disse...

Jiba é sensacional!

Plech disse...

Resenha massa kichute!!! Vendo as fotos deu saudades da Jiba. Fiz a edição All Inclusive e sei que não é fácil, imagino com toda essa lama.
Parabéns galera!!!

Jean Painéis disse...

A resenha ficou massa!! Os apelidos muito criativos kkkkk a jiba é boa de mais de pedalar, as fotos mostram quão bonito é lá, bora mural