1º Dia - Expedição Titicaca (Bolívia): A Estrada da Morte (Texto: Gustavo Freitas)

Chegou mais um daqueles momentos mágicos e únicos em nossas vidas. Vamos conhecer, da melhor forma, uma estrada fascinante e mundialmente conhecida. Ela vai nos levar do frio intenso, seco e desértico de 4.600m de altitude até a floresta úmida e quente de apenas 1.200m.
Estreita, serpenteando uma montanha, com simplismente 3 metros de largura e com precipícios de centenas de metros desprotegidos, a rodovia Los Yungas, na Bolívia, é tão perigosa que é conhecida como “Carretera de la Muerte” ou "ESTARDA DA MORTE".
O início dessa aventura fascinante é de La Cumbre 4.600m, de onde descemos por várias horas até os 1.200 metros da cidade de Yolosa, próximo a Coroico,  transitando rapidamente do frio Altiplano para o calor úmido da floresta. No trajeto para chegarmos na selva, passamos por cachoeiras que gotejavam no meio da estreita estrada, por um bosque que fica no meio das nuvens e um rio no final. Foram 65 km de pura aventura extrema que será descrita abaixo:
Estamos no topo, La Cumbre. Chegamos com nosso motorista, guia e agora amigo Boliviano, Manolo. Desde a subida na van, a tensão já era muito grande. Expectativa pelo início propriamente dito da expedição e principalmente pelo início daquele pedal tão especial. Nesse momento, todos estavam bastante concentrados. Lembrei bastante o nível de concentração antes de um voo livre de Parapente. Estávamos completamente compenetrados no nosso equipo, nesse caso as bikes e acessórios. Regulagens de capacetes, filmadoras, corta-vento, balaclava, bags de água, sapatilhas, luvas e tudo mais que iríamos precisar nas próximas horas. Lembrando que o frio era muito intenso naquele momento. O par de luvas que GDI e Elson me convenceram a comprar foi muito útil desde o início da descida, até o ultimo dia da expedição.
A proposta era fazermos uma descida inédita para todos, nenhum de nós Muralistas tínhamos feito uma descida tão longa quanto essa. Foram simplesmente 65km de pura adrenalina. Depois de ajeitarmos todos os detalhes e tirarmos a clássica foto inicial montamos em nossas bikes e “partiu”! Bastaram poucas pedaladas e já estávamos descendo em alta velocidade. Nesse início, a estrada era de asfalto e à medida que descíamos, íamos ganhando velocidade e o frio ia aumentando drasticamente. Logo no início pude entender na prática a importância das luvas “corta-vento”. Mesmo com elas, a parte onde o frio mais incomodava era nas mãos.
Após os primeiros quilômetros, paramos em um mirante para reagrupar e fazermos as primeiras fotos. Nesse momento, Manolo acompanhava a gente com a Van e explicou como seria o restante do trajeto. Seguimos descendo e ganhando muita velocidade, chegamos a mais de 70km/h. Quando pensei que estava na velocidade máxima, olho para o lado e Marião passa parecendo uma carreta. O GPS dele marcou quase 90km/h... será? Rs.
Descemos nessa primeira parte em asfalto, sem precisar pedalar e em alta velocidade. Fomos parando em mirantes com vistas espetaculares. Após aproximadamente 01 hora de descida, passamos por uma ciclista caída no chão. Diminuímos a velocidade, mas antes de oferecermos ajuda, percebemos que ela já estava sendo assistida por duas pessoas que mandaram a gente seguir e vimos um carro de resgate chegando. Logo após, nos deparamos com um túnel onde havia uma placa proibindo a passagem de bicicleta. Contornamos por fora dele. Após o túnel, descemos por mais 3 min e passamos por um lugarejo chamado Pacenã. Aqui iniciava a primeira subida da viajem. As empresas de turismo que fazem essa aventura sempre levam os ciclistas dentro da van para essa subida. Adivinhe como nós subimos... rsrsrsrs
É claro que subimos no modo “Mural” on. Realmente subir numa altitude de quase 4.000mts não é fácil e não é para qualquer um. Foram alguns quilômetros de subida, inclusive com alguns tobogãs. As subidas eram duras, principalmente pelo fator altitude. Depois de algumas subidas, continuamos com as descidas. O frio ainda incomodava bastante. Avistamos uma curva a direita com a placa da Carretera de La Muerte. Passamos poucos metros da entrada, mas imediatamente percebemos e retornamos. Finalmente sairíamos do aslfalto para iniciar a verdadeira Estrada da Morte. Haviamos percorrido 32km de estrada asfaltada e estávamos prestes a percorrer mais de 30km de estrada de terra, cascalho e adrenalina.
Paramos na placa para a foto, e partiu Estrada da Morte! A descida era realmente fascinante. Estreita, sinuosa e beirando precipícios. Essa foi a primeira impressão e que perdurou durante todo o trajeto.  Iniciamos ela com bastante neblina. Manolo pode seguir boa parte conosco, o que nos proporcionou fotos e filmagens fantásticas. Após uns 5 km paramos num ponto onde éramos obrigados a pagar uma espécie de pedágio de 20 Bol. O pior que tivemos que pagar em dois lugares diferentes para descendentes de indígenas andinos. A descida foi cheia de desafios fantásticos como um paredão à direita e a estrada ia estreitando e mostrando precipício... a adrenalina foi a mil nesse momento. Outro lugar incrível é a “Curva da Morte” onde paramos e fizemos mais uma foto TOP. Teve ainda um local onde havia cachoeira que desaguava na própria estrada. Além disso passamos por vários momentos onde era possível largar tudo e descer em alta, num terreno irregular e pedregoso, testando nossa técnica e habilidade de Moutain Bikers. Foi assim até a chegada em um barzinho no final da estrada onde fomos apresentados a Judas (cerveja local com alto teor alcoolico) e conhecemos El Pollo Borracho. Manolo chegou e nos encontrou, colocamos as bikes na van de novo, fomos almoçar e voltamos para o Hotel. Foi um dia para entrar para história do Mural e ficar na memória de todos que participaram dessa aventura. Gustavo Freitas (Guga).
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Um comentário:

Plech disse...

Parabéns Guga e demais expedicionários. Fiquei babando as fotos na estrada da morte. Deve ter sido uma experiência inesquecível.