3º Dia - Expedição Titicaca (Bolívia - Peru): Sorata a Copacabana

Sorata tinha amanhecido com um clima bem agradável, bem diferente dos dias anteriores que fazia sempre muito frio, e pelo fato da cidade estar mais baixo que La Paz com relação ao nível do mar, tornava-se mais fácil a respiração.
Tínhamos marcado para sair às 7hs do hotel em Sorata, as 6hs já estávamos todos arrumando as coisas, enquanto Manollo arrumava as bikes no carro, Guga e Herrera foram comprar na praça em frente ao hotel, um pastel com mingau de milho roxo para tomarmos café. O pastel não tinha nada dentro, era somente massa enquanto o mingau tinha um gosto igual a xarope, alguns gostaram enquanto outros não aprovava muito o sabor. Tivemos um pequeno atraso na saída, mas nada que comprometesse a programação... As 8hs já estávamos bem distante de Sorata subindo em direção a São Pablo de Tiquina. Sorata fica em um vale, para se ter uma ideia, saímos de 2500 metros para aproximadamente 3800 em questão de poucos quilômetros de subida, é impressionante como vai ficando evidente a falta de oxigênio na medida que estamos subindo. O batimento cardíaco aumenta e a respiração acelera, chegando a alguns momentos sentir dor de cabeça.
Em um momento do percurso ainda de carro, a estrada começa a margear o Lago Titicaca do lado da Bolívia, nesse momento paramos na cidade de Huatajata onde tinha um artesão que fazia barcos e outros artesanatos com a palha de Totora, muito legal, vários artesanatos de boa qualidade produzidos com Totora. Mesmo sendo o primeiro dia de pedal com alforjes, muito não resistiram e já compraram algumas lembranças do artesão.
Com mais alguns quilômetros rodados, chegamos a São Pablo de Tiquina, nesse lugar iriamos pegar uma balsa para atravessar um pequeno trecho do Lago Titicaca para São Pedro de Tiquina. Enquanto tirávamos as bikes da van, e preparávamos os alforjes tivemos uma triste baixa no grupo, Herrera (O Pollo) devido alguns problemas particulares, teve que desistir da expedição e retornar ao Brasil. Esse foi um momento muito chato no grupo, todos sentiram o baque! Durante uma expedição, nasce um espirito de união muito forte no grupo, e situações como esta não cria um clima muito bom, acaba gerando um sentimento de perda muito forte.
Todos prontos, nos despedimos de Manollo e Herrera, entramos na balsa e iniciamos a travessia de aproximadamente 20 minutos para São Pedro de Tiquina. Chegando, o desembarque acontecia muito próximo de um mercado municipal, onde decidimos almoçar para em seguida iniciar o pedal até Copacabana. Quando entramos no mercado, fomos surpreendidos por varias senhoras gritando com a gente oferecendo almoço, que era basicamente truta, arroz e batata... Era uma gritaria ensurdecedora, e em suas mãos os pratos já prontos, a situação chegava a ser até difícil para a gente escolher onde comer. Além dessa situação, encontramos também uma carência muito grande de higiene, coisa que não somos acostumados a vivenciar. As senhoras tinham uma panela de arroz no chão, uma de batata cozida e outra de truta frita, e com suas mãos sem luva ou uso de colher elas preparavam os pratos para vender. A cena chegava a assustar quando a gente observava, mas como a fome era maior que a situação, tinha que comer.
Após o almoço, iniciamos o pedal com os alforjes, e de inicio já era umas subida que perdurou continuamente durante os 30 km seguintes. O tempo todo da subida, observávamos o Lago Titicaca ou montanhas enormes com poucas vegetações, ventava muito e como consequência fazia frio. As paisagens que passávamos eram muito bonitas, assim como subir pedalando em uma altitude daquelas se torna extremamente desgastante, e com isso cada um ia buscando seu ritmo de conforto para superar a adversidade local para concluir o pedal do dia.

Após 60 km de pedal, entre muitas subidas e algumas retas, passando por lugares muito bonitos, chegamos a uma decida de asfalto que dava em Copacabana, do alto conseguíamos observar à cidade a margem do Lago Titicaca, já era um pouco mais que o meio à tarde, e precisávamos chegar para procurar um lugar para ficar, pois o frio já começava nitidamente a aumentar.
Chegando na cidade começamos a ter algumas dificuldades para acomodação, percebia-se uma falta de estrutura grande para receber turistas apesar, da cidade ser turística e junto era evidente uma certa malandragem dos nativos em tirar proveito de quem está chegando na cidade. Após algumas procuras, conseguimos encontrar um lugar para ficar, hotel simples e muito frio... Em alguns momentos, parecia que fora do quarto estava mais quente do que dentro dele!
Esta é a segunda expedição que faço com o Mural de Aventuras, cada aventura tem a sua particularidade, uma energia muito grande envolve o grupo em todas elas... Você desenvolve uma amizade, tolerância e respeito com todos do grupo, pois todos naquele momento têm um objetivo em comum. Uma experiência incrível de vida, que fica marcado na alma para toda a nossa vida... Renato Mariano (GDI).
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Um comentário:

Odi disse...

Boas lembranças Renato, exceto pela truta do mercado. Até hj faz mal. Esse ano vamos pra onde?? Kkkkkkk