2º Dia - Ciclo Aventura Chapada Diamantina (Mucugê, Aleixos, Vale do Pati) (Texto: Leonov Moreira)

Gostaria de começar a resenha agradecendo aos parceiros de aventura pela companhia e coragem para enfrentar os desafios. Não poderia faltar um agradecimento do Aspira que sou eu, ao Sargento Pincel – o Dono da Parada – que vocês sabem quem é, pela organização do bagulho, que embora possa ser melhorada, nos rendeu grandes e inesquecíveis emoções , dores e alegrias. Mas a cara branca, dele assustado do sargento pincel depois da queda não tem preço, mais isso é assunto do terceiro dia.
Vamos a resenha do segundo dia do pedal, partindo de Mucugê em direção a Dona Raquel no Vale do Pati. Em que pese o primeiro dia ter sido duríssimo, eu tinha certeza que o segundo dia ia ser pior, pelas condições da subida, mas para minha ingrata surpresa, a minha certeza foi agravada para pior, e como diria meu amigo Primeiro Ano : “Por onde é o pior? Vamos por ele, pois quanto pior melhor.
Começo a manhã bem, para não dizer mal, preocupado com o calor, achei de colocar o saco do Camelback no frigobar, para congelar a água, pois o sol da subida prometia. Me dei mal, o saco congelou e colou do congelador, preocupado com horário tentei arrancar na força quebrei o pino de encaixe da mangueira no saco. Resultado,  o resto do pedal sem Calmeback, com a aguar em garrafa. Mas o pior foi que me desorganizei, não me concentrei na alimentação e na hidratação do café da manhã, além de esquecer se fazer meu pão de reserva como fizeram Kichute e o Sargento Pincel, já que a mulher não me respondeu se podia ou não. Fui dar uma de educado demais, o que me custou caro. Por isso a lição foi -  não invente , faça o trivial, sofrer você vai mesmo, de um jeito ou de outro, poderia ter pedido ou comprado gelo de manhã , ou ainda pedir para colocar o saco do Camelback numa geladeira grande e não teria tido problema.
Partimos de Mucugê, em direção ao Pati, para subir pelo Aleixos, foram uns 35Km de um bom sobe e desce em um estradão, sendo que a manhã que apresentava-se com um frio gostoso típico da chapada, foi logo dando espaço ao sol da chapada, e que sol. Antes da subida, repomos a água num povoado de gente simples, humilde, alegre e prestativa que só se encontra em locais como aquele, que desapareceu nas grandes cidades, sendo que a esta altura eu já imaginava o sofrimento, mas como disse anteriormente ele foi pior. Depois de uma pequena dúvida sobre o caminho, o Sargento Pincel encontrou o caminho, e a sensação foi de alegria e tristeza ao olhar a subida e imaginar qual seria o caminho. A subida, a escalada de pedra do Aleixos foi de lascar. Em função do sofrimento tomei a liberdade de procurar o significado do que seria Aleixos. De acordo com o Dr. Google o nome tem o sentido de “aquele que defende”, “aquele que repele os inimigos”, “defensor”. Se eu soubesse diria antes de começar: “ Parceiro alivia ai, eu sou amigo, não precisa se defender de mim, sou amigo”. Não me lembro o tempo que levei subindo, na minha frente seguiam o Sargento Pincel, Guga, Cerca, Kichute e Malcom X9 -  Neylor . Atrás Alexandre, e as superpoderosas, Carla e Mara. Na minha mente o sofrimento, o calor e a subida de pedra de um lado para o outro que só piorava. Confesso que pensei em desistir. Mentalmente xinguei o Soldado Pincel de tudo quanto é nome, o melhor elogio foi pensar esse cara é doido, não havia sentido subir pelo Aleixos, o defensor do Pati, revelava-se implacável, na defesa da beleza natura que estava por vir. No meio da subida quando já fazia as contas da desistência,  de ficar esperando alguém resgatar a minha mochila e descer para o Guine apenas com a bike, eis que surge “Alexandre - O Grande”, que me deu uma força e disse ; “ Vamos juntos”. O cara tinha dado “Perda Total” no dia anterior e naquele momento estava ali, preparado, mentalmente forte para me ajudar. Fiquei alegre e passei a administrar o esforço. Combinei com ele o esforço, dali em diante subiríamos juntos. Nós subíamos até o batimento cardíaco chegar em 170, e parávamos para descansar. Retomávamos a subida com batimento cardíaco de 130. E assim o Aleixo foi sendo vencido, até chegarmos numa pequena gruta, onde a vontade que deu foi dormir. Após xingar o Dono da Boca em toda a subida, confirmei minha suspeita, o cara era militar, por isso ele é o psicopata brocador, o Sargento Pincel. Vale destacar que inobstante o peso extra que levei, uma coisa é certa, nas subidas da chapada, um bom tênis ajuda muito.
Acabada a subida, teríamos pela frente o gerais do Rio Preto, com as subidas e descidas de pedra, onde Guga tomou um capote feio, tentando ser brocador, sendo que Kichute, que assistiu a queda de camarote, antes de dar socorro e vê se o cara estava bem, já foi se pocando de rir, engraçado foi ele se justificando para Guga depois,  afirmando só riu por que viu que tudo estava tudo bem.
Após a subida passamos pelo Gerais do Rio Preto, e novo empurra bike , até a entrada do Vale do Pati, conhecido para mim como Esbarrancado, mas que é revela-se um mirante , onde se tem uma visão espetacular do Vale, um cenário lindo, para mim de uma beleza indescritível e inesquecível, era minha 5ª vez naquele local e a sensação de me sentir perto de Papai do Céu, era a mesma da 1ª vez , tamanha a beleza do lugar .
De lá víamos a descida do Arrodeio, que era trilha branca, o caminho para Dona Raquel, de longe imaginavam que não conhecia , deve ser um down hill alucinante, e eu só imaginando outra empurra a bike de lascar descendo e subindo. No mirante encontramos um herói vendendo uma garrafa de suco da fruta gelada de 500 ml, por R$ 5,00 e se ele cobrasse R$ 50,00 todo mundo pagaria, onde ele disponibiliza o açúcar em separado para você adoçar. Detalhe na chapada tem mais gringo caminhando que brasileiro, os caras não comem açúcar. Outro detalhe visão de mercado e, sobretudo lição sobre trabalho, sobre iniciativa para enfrentar a crise, para buscar o pão de cada dia dignamente, o cara sobe do Guine para o Geais pelo Beco, com uma caixa de isopor nas costas, andando , escalando sobre pedra, descalço para ganhar o pão de cada dia, e nem por isso explora as pessoas, atende sorridentemente e com entusiasmo. Aquele cara merece ser exemplo para qualquer palestra motivacional, exemplo real de luta. Ainda tem gente boa e honesta neste pais.
Após o refresco do suco e recuperado pela satisfação ao ver a imagem do vale, partimos para o Cachoeirão, e eu, Aspira, já sabendo das dificuldades da descida do arrodeio, com fome e que em função do horário incitei o motin, pedi ao Sargento Pincel para esperar o retorno deles, no meio do caminho, próximo a entrada da descida do arrodeio, pois sabia das dificuldades para chegar no Cachoeirão, e que em função da seca , não compensava para mim que já conhecia, ir até o local, naquelas condições . Comigo ficaram as Superpoderosas e o Malcom X9, torrando no sol, até que após uns 25 minutos, o Sargento Pincel, retorna informando que abortou a missão, quando passamos a descer o Arrodeio e verificar que o downhill sonhado por alguns no mirante, era mais uma descida de empurra e carrega bike , onde eu já estava bufando de raiva, reclamando de tudo e sofrendo. Eu sofria pela fome, pela dor, por ter que carregar peso da mochila e carregar a bike , naquele momento era nítido que meu condicionamento destoava dos lideres, quase surtei, e ainda tinha que tolerar a pressão do Sargento Pincel, eu falava demais porque conhecia o caminho e porque estava perto da exaustão, ali não é lugar para bicicleta, só maluco faz aquilo, pensava.
Passada a subida e descida de pedra da trilha branca, vem um trecho pedalavel final de descida, de altíssimo risco, mas emocionante. Um descidão carvenoso,  com curvas fechadas e erosões insanas. Confesso que aproveitei pouco, pois estava cansado, bateu o medo de cair , por não conseguir segurar a bicicleta em função do cansado, meu freio esquentou e no trecho final empurrei, dizendo para mim mesmo, nunca mais volto aqui de bicicleta. Vale destacar que Alexandre – O Grande quase passa reto numa descida, ia ser uma queda feita, o cara nasceu de novo.
Ao chegar na pensão de Dona Raquel, onde nunca tia ido, pois nas vezes anteriores que fui ao Vale , sempre ia para Seu Wilson, em que pese a idéia fixa de contratar uma mula ou alguém para subir com minha bike até o mirante e não passar pelos Funis no outro dia, a sensação de completar aquele dia, de ser tão bem recebido, comer uma comida simples, mas extremamente deliciosa, preparada por pessoas simples, de estar incomunicável com o mundo, aplacou toda minha raiva do Sargento Pincel e do que ele me obrigou a fazer, para dormir e acordar ao som dos pássaros aos pés do  Morro do Castelo, onde dormi com a sensação satisfação pela superação, pelo dever cumprindo, pela oportunidade de agradecer e conversar com Papai do Céu, que me deu forças para chegar lá. Por isso encerro a resenha a deste dia, da mesma forma que iniciei, agradecendo aos amigos pela companhia na aventura. O Sargento Pincel é pisicopata, mas é gente boa.  Que venha 2017. Leonov Moreira.
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2 comentários:

Plech disse...

Mineiro parabéns pela resenha, ri demais com ela. O sargento Pincel bota pra quebrar. "Tá pensando que beiço de jejue é arroz doce é?" Kkkk
Ri também com seu comentário que Alexandre deu PT no dia anterior e estava ali te motivando. Ele deve ter se medicado na noite anterior como fez no último dia do Jalapão, alguma droga fortíssima. Kkkk
E pra completar a excelente resenha você narra Kichute rindo da desgraça de Guga. Que Kichute escrito é esse?
Kkkk
Galera, parabéns a todos. Lindas fotos, me fizeram recordar essa aventura na Chapada, que fizemos em 2013. Desse grupo, estavam presentes Kichute e Sargento Pincel. Kkk

Rogério Fernandes disse...

Leonov, o sofrimento valeu a pena! Parabéns pela superação. E a resenha ficou massa mesmo, ri muito com ela. "Sargento Pincel", essa foi boa!kkkkk. Como sempre tudo muito bem registrado com belas fotos, que só aumentam a vontade de participar da próxima aventura neste pedaço tão espetacular da nossa Bahia.