1º Dia - Ciclo Aventura Baía de Todos os Santos: Ilha dos Frades (Texto: Leonardo Ribeiro)

“Na terra em que o mar não bate
Não bete meu coração
O Mar, em que o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão...”
(Gilberto Gil)

Desde o evento de lançamento do projeto Baía de Todos os Santos a minha empolgação já era enorme em participar desta aventura pioneiríssima proporcionada pelo Mural. O mote de fazer uma ciclo aventura nas ilhas dos Frades e de Itaparica, à bordo de uma escuna, que seria a nossa morada por dois dias, era interessantíssima.
Com as bênçãos de Yemanjá a vontade virou realidade e lá estava eu inscrito com mais 6 aventureiros para participar de um projeto muito bem pensado e inovador do Mural de Aventuras.
Partimos da Marina da Penha, Ribeira às 6:30h. O tempo não parecia estar à nosso favor. Chuva e céu carregado de nuvens não refletiam a verdadeira beleza do mar da Bahia. Embarcamos com as bikes e sentamos para desfrutar a primeira refeição à bordo. O café aqueceu os ânimos e a resenha já animava a conversa enquanto navegávamos em direção ao nosso esperado destino do 1º dia, a Ilha dos Frades.
O mar, apesar do mau tempo, não estava muito mexido, mas o suficiente para temperar todas as bikes com pingos agua salgada. Aquela fina crosta de sal logo se formou sobre as magrelas, para o desespero dos mais apegados...
Após quase 2h de navegação tranquila avistamos o nosso destino. Desembarcamos no píer em frente à linda Capela de Nossa Senhora do Loreto, Igrejinha construída em 1645 de frente para o mar, onde pedimos proteção para a nossa aventura.
Fomos recepcionados pela equipe da Fundação Baía Viva, entidade não governamental formada por um grupo de empresários baianos e principal responsável pela gestão da Ilha dos Frades. Adriana foi a cicerone durante nossa estadia e muito simpática e receptiva nos apresentou os projetos socioambientais desenvolvidos na comunidade e toda a infraestrutura do projeto, que inclui uma super maquete cheia de detalhes onde pudemos visualizar os caminhos que percorreríamos nas entranhas da Ilha logo mais.
Começamos o pedal sob chuva, que ajudou a trocar o sal que impregnava as bikes pela lama que viria mais à frente, deixando a trilha ainda mais divertida. Logo de cara, ainda sem aquecer direito, aparece uma p... de uma subida que me fez fritar as pernas e botar o coração pela boca. Mas depois do sofrimento vem como recompensa a lindíssima vista do mirante. Expetacular! Fotos e muitas filmagens. Equipe reagrupada e seguimos numa viagem de sobe e desce sem fim... Nem os quadrículos que nos acompanhavam aguentaram: Foram dois superaquecimentos durante o percurso. Como tem ladeira aquela ilha!
Algumas áreas que estão sendo mapeadas pela Fundação Baía Viva para a coleta de informações sobre a flora local ficaram indisponíveis para nós. Segundo os muralistas veteranos os melhores singles e downhills ficaram de fora. Um pouco do encanto da trilha se perdeu, mas nada que comprometesse a nossa aventura.
Falando em downhill, vale o destaque para um deles, no qual a chuva e lama fizeram um massapê que mais parecia uma quiabada. Foi bem difícil controlar nas curvas e parar a bike no final da ladeira. Tacalipau por pouco não foi atropelado!
“Vamo nessa galera, agora é só descida!”, gritou alguém lá na frente pra tentar animar a papucada... Já passei da fase de acreditar nessa frase. Logo à frente a pior ladeira de todo o percurso. Essa foi para os fortes. Jean, “que não fez mais que sua obrigação”, como diria Elsão, conseguiu completar toda a subida sem titubear. Ito com muita raça e técnica também. Parábéns amigos, vocês brocam!
Mais alguns km´s de muita adrenalina e chegamos à ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, que nos recepcionou com mais uma cabulosa subida! A praia mais conhecida da Ilha também é das mais bonitas e o visual incrível foi a locação escolhida para as filmagens com o drone. O sol já reinava nos céus e o belos azuis característicos das nossas águas explodiam em várias matizes.
Finalmente chegamos no restaurante que nos foi indicado para comermos. Camarões, peixes e muita cerveja reanimaram a turma para o retorno, que seria mais leve, porém não menos interessante. Kadjon conseguiu se perder do grupo e depois de quase 30min de tentativas de reencontro, acabou seguindo sozinho, por um caminho alternativo até chegar novamente à praia do Loreto onde nos reagrupamos e seguimos para um merecido banho de mar.
Ao final da tarde retornamos para o barco onde contemplamos um lindo pôr-do-sol e a farra começou! O churras operava em alta e a breja gelada descia redonda enquanto o artista contratado especialmente para animar a festa revezava ora tocando melodias de blues na gaita, ora atacando de DJ, freneticamente nos pick-ups... A noite acabou na maior alegria.
Agradecimentos mais que especiais a Elson, Kadjon, Piau, Ito, Jean e Odi pela parceria e companheirismo nesta aventura. Valeu amigos! Leonardo Ribeiro.
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