Começo informando que esta trilha teve sabor especial para
mim, pois estava comemorando meu niver exatamente no dia... São os presentes
que o amor ao esporte me proporciona!
Pelo menos para mim, uma trilha começa na véspera.
Preparação física, check list, tudo tem que ficar pronto já na sexta, pois
sábado o plantão começa cedo. Acordado
às quatro e trinta da matina, café reforçado na barriga, uniforme Mural Club no
corpo, bike no carro, lá vou eu voando na estrada para não atrasar a saída. Ao
chegar no Rei da Pamonha quase todos já estão lá... opa!!! Alguns estão mais ou
menos, pois tem gente que “comeu água”, que passarinho não bebe, na sexta e diz
estar de virote, um outro que nem do carro consegue sair, a trilha promete...
Rumamos, quase que pontualmente, para Amélia Rodrigues, casa
do querido Maurício, de onde partimos com as bikes. Chegamos antes que nosso
anfitrião, mas, como sempre, a hospitalidade e gentileza de sua família já
estavam acordadas. A galera da rua não deve entender muita coisa, devem se
perguntar: “quem são estes loucos, uma hora desta fazendo zoada e já tão
animados, este povo não dorme não?”
Preparativos finalizados! 14 viciados em MTB, entre eles:
papucos, brocadores, rodas presas, etc; se reúnem para a foto tradicional antes
da partida... por falar nela... PARTIU!
Começamos com asfalto, uma subidinha leve, só para ver se os
comedores de agua chegariam vivos ao topo. Para surpresa geral, ninguém pediu
pra sair! Logo depois veio um estradão, onde a galera se dividiu um pouco entre...
brocadores na frente e... retardatários..., não, não, era só o pó na estrada, a
galera tomou distância para não comer tijolo.
Antes de atravessar o viaduto sob a 324, uma primeira ”coca
stop”. Era ainda ou já, não sei bem, 8:00 e o sol já ardia os incautos
aficionados. Nada de moleza! Ainda faltavam 55 km. Mais estradão e entramos em
uma estrada menor e o cenário se repetia: sol ardendo e poeira para os
retardatários. Teve gente que esqueceu óculos, quesito indispensável neste dia,
este sofreu! Paramos um pouco depois de uma cancela para darem parabéns para
este que vos escreve. Detalhe: Ari perguntou se tínhamos vindo para conversar
ou pedalar, pois se fosse conversar ele ia pegar um banquinho... castigo, pagou
a língua alguns quilômetros depois com uma câimbra que o acompanhou até o fim
da trilha... viu papuco!!!, rsrsr
Depois de alguns quilômetros, desembocamos de novo no
asfalto. Quando já fizemos uma trilha, temos a expectativa de encontrar as
pessoas e detalhes da última vez. Pois é, o senhor da banana, onde a galera
devora uma penca, não estava lá... mas as bananas... Gritamos: “oh da banana!”
e nada... sabe como é, a galera já com fome, as bananas se mostrando
apetitosas, bom, o mais fominha gritou.. “porra, vamu comer e deixar o dinheiro
aí!”, não precisa dizer que o guloso nem acabou a frase e metade de um cacho já
tinha voado. Para alívio de nossa consciência o “da banana” terminou chegando
para receber a grana.
Reenergizados, pedal pra dentro! Chegamos à venda do início
da trilha da cachoeira para aqueles que vão de carro. Mais coca-cola para dar
speed na parte mais emocionante do percurso. Single track, down hill, carrega
bike, travessia de rio, pedalar sobre trilhos, etc. tem de tudo nesta trilha. Antes
de partir colamos na venda um dos novos adesivos do Mural que diz: “O mural de
aventuras passou por aqui”... Aos poucos vamos carimbando o mundo, rsrs.
O trajeto se mostrava um pouco mais movimentado que de
costume, tinha muita gente aproveitando o belo dia de sol para se refestelar na
cachoeira. Infelizmente, a maioria destas pessoas não retribui à natureza o que
ela nos proporciona. Antes mesmo da cachoeira já notávamos o descaso dos
trilheiros com o lixo acumulado no caminho. Bem, fizemos a nossa parte. Alguns
Muralistas tinham levado sacos plásticos que voltaram cheios de lixo recolhido.
A Cachoeira do Urubu pede socorro! (Vejam o vídeo abaixo).
O banho de cachoeira foi divino. Alguns até se arriscaram
saltando da pedra que fica uns cinco metros na encosta. Partilhamos, como de
costume, o rango levado e deixamos para trás um grupo de jovens adolescentes
que não sei dizer se são cada vez mais jovens ou nós que estamos ficando cada
vez mais velhos, ou melhor, menos jovens. Colamos aqui também, tomando cuidado
para não depredar o ambiente, um outro adesivo do Mural com a seguinte frase:
“preserve esse lugar”. Espero que os visitantes vejam e, o que é mais
importante, levem a sério.
Depois do retorno sobre trilhos, um longo trecho de asfalto
nos esperava. Antes dele, Ari, o papuco da câimbra, recebeu assistência dos
divergentes CREMEBs. Estirado no acostamento da estrada uns diziam para ele
alongar, outros para ele ficar com os pés para cima, etc... até a chegada de
JP, o massagista oficial do Mural. Bem, como a cena não seria tão bonita de se
ver, apesar da empolgação de JP, rsrs, achei melhor me reunir aos outros que
estavam tomando um refri em uma venda de beira de estrada.
Doze quilômetros de asfalto mais uma ladeira que apenas dois
zeraram, os outros preferiram guardar as energias para digerir a feijoada que
não estava ainda na barriga, mas já não queria sair da cabeça. Chegamos enfim a
Amélia depois de 60 km percorridos. Banho de mangueira para tirar o excesso de
lodo e sentamos à mesa para nos deliciar com o banquete gentilmente preparado
pela família de Maurício (Obrigado a todos!!!). Comemos sem peso na
consciência, como reis. Os trilheiros
fizeram rastro entre a mesa onde comiam e a mesa onde era servida a feijoada.
Assim se encerrava, com chave de ouro, mais uma aventura, ao
som e imagens de velhas trilhas exibidas no notebook de Elson instalado por lá.
Valeu galera, não poderia pedir mais de vocês em meu aniversário, obrigado!
Fred Psico.
VEJA O VÍDEO ABAIXO. LIGA O SOM!
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR