O relógio marcava 4h13 quando saltei da cama entusiasmada
para pedalar com a turma do Mural. A trilha foi na Reserva de Sapiranga, que
fica “pras bandas” da Praia do Forte. Muito mais do que um simples giro com a
galera, o desafio ia além: chegar na cara e na coragem, sem saber o que me
esperava. Algumas perguntas me acompanhavam ao longo de todo o percurso na
Estrada do Coco: Será que os Muralistas são bacanas? Será que eles irão ter
paciência com esta criatura fora de forma? E esta trilha... como será?? E
afinal, cadê os cocos desta estrada?
Foram muitos os pensamentos que permearam minha mente antes
de chegar ao ponto de encontro. Após 50 minutos dirigindo, eis que entro no
estacionamento do hotel das Baleias, ou alguma coisa assim. Dou início ao meu
típico ritual de preparação. Logo começam a aparecer os meus novos maninhos de
trilha, que agora vão ter que me aturar nos próximos pedais.
Turma reunida, o coordenador passa as instruções e partimos.
Logo nos 10 metros iniciais, QUEDA!! Pensei, ótimo trabalho Sarah, começou bem!
O primeiro trecho era de areia, exigia técnica, e quem disse que eu tinha? Fui
a última a concluir esta parte. Um colega que eu não sei o nome, a pedido de
todos, voltou um pedaço da trilha para ensinar como era que descia o corredor de
areia. Missão dada, missão cumprida. O Cara mandou muito bem. Quem sabe da
próxima vez eu tenha essa coragem, afinal é só areia.
Sobre Sapiranga, o lugar é de beleza exuberante! Tentei
aproveitar a trilha ao máximo, ignorando minha falta de condicionamento físico.
O sol torrava meu tico e teco e eu já esperava ansiosa encontrar um rio de água
bem gelada. Para minha alegria, o povo parou próximo a uma casa onde o
proprietário deixou eu detonar o calor tomando um banho no tangue.
Revigorada,
seguimos na trilha. Enfim, chegamos ao rio, mas para minha tristeza ele não
fazia parte da parada técnica. Todos com as bikes nas costas atravessamos até a
outra margem. Por ironia do destino, um pneu fura, e lá vai mais uma Coca-Cola
de 2 litros para a turma do Mural e para mim restou mais alguns minutos
aproveitando a água.
Isso
trouxe algumas indagações que até agora não cheguei a uma resposta. Por que os
muralistas não fizeram questão de mergulhar? Medo de jacaré? De cobra? Da água
gelada? Será que eles estavam com frio? Talvez eles não quisessem se molhar ou
não soubessem nadar. Vai entender! Só sei que minutos antes de partirmos surgiu
uma pérola interessante que até agora estou refletindo a respeito: “Você não
sabe pedalar e correr ao mesmo tempo?” (não lembro quem foi o poeta que disse
isso)
Na
verdade, não decorei o nome de quase ninguém. Só lembro que tinha um tal de X9
e um monte de gente bacana pedalando juntos, unidos e felizes. Adorei de
verdade passar a manhã de sábado com essa galera saudável, alto astral,
solidários. Espero ter o privilégio de pedalar mais vezes com os Muralistas,
descobrindo as belezas desta Bahia. Sarah Viegas.
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