Rumo à Cova da Onça

Acordamos cedo, fizemos os últimos ajustes nas bikes, após a
retirada dos bagageiros, com grande apoio de Welington e fomos tomar um café da
manhã reforçado na pousada. Então, partimos rumo à Cova da Onça, atravessando a
pracinha de Boipeba rumo a Morere. O sol não se fez de rogado, estava lá, belo
e implacável, como em toda viagem. Logo que saímos da vila encontramos uma
subida de barro com um terreno bem irregular que serviu de aquecimento. Não
estou falando da subida, mas sim das descidas radicais que os muralistas
fizeram, cada ao seu estilo, alguns brocando geral e outros com mais prudência,
afinal o dia só estava começando. Após isso, pegamos um trechinho de areia,
passamos por uma cancela e logo encontramos um descida toda gramadinha no meio
de um coqueiral maravilhoso com a praia paradisíaca ao final. Ninguém se
contentou e descemos no maior velô, curtindo todo aquele visual. Alguns ainda
subiram outras vezes para curtir um pouco mais de adrenalina e Elson registrou
tudo, como sempre.
Partindo para a praia, visualizamos uma grande rocha bem
próximo da areia. Welseman subiu para fazer algumas fotos da galera de cima da
pedra e depois alguns bikers alpinistas também decidiram subir o pedrão.

Seguindo viagem, passamos por alguns turistas que ficavam impressionados com a
aventura do grupo e nos faziam várias perguntas. Quando estávamos próximos a
Morere, após termos pedalado por kilometros de praias quase desertas e de areia
bem durinha, nos deparamos com um rio bem raso que atravessamos sem
dificuldades, mas logo em seguida ficamos em dúvida de como seguir adiante,
pois tinha muitas pedras e vegetação na praia que fechavam a passagem. Foi
quando encontramos "chapeuzinho", um guia local, já adulto, apesar do
apelido que colocamos. O cara usava um chapelão de palha e uma bicicleta cross
de criança, uma figuraça... Pedimos
informação, tiramos algumas fotos e o cara disse que podíamos lhe seguir que
ele nos mostraria o caminho. Dito e feito, passamos por uma trilha ao lado do
rio com algumas pedras e trechos gramados no meio do coqueiral, e o cara nos
colocou na praia de Morere, novo espetáculo de cores e imagens encantadoras. A
maré ainda estava bem baixa e chamava a atenção os grandes barcos encalhados na
areia, aguardando a preamar para navegarem, contrastando com duas traves de
futebol que só naquele instante podiam ser úteis, pois na maré cheia ficavam
dentro d´água.

Entramos na vila para nos reabastecer de água, pedimos
informações de como chegar à Cova da Onça, trocamos idéias com alguns turistas
que seguiriam caminhando até o nosso destino, ouvimos algumas histórias a
respeito de uma mulher lobo que devora homens indefesos (nós) no trajeto, e
apesar do enorme medo que tomou conta de todos, resolvemos seguir viagem,
afinal missão firmada é missão cumprida. Logo que saímos da vila pegamos uma
ladeira invocada, pois não bastasse ser íngreme, era toda de areia, e até as
motos tinham dificuldade de subi-la. Fomos empurrando e quando chegamos em
cima, percebemos que o areial continuava. O sol, nem precisava lembrar,
continuava firme e forte, e bem forte... Ouvimos um barulho de motor, e lá
vinha um trator pelo caminho... Constatamos que aquele não era um caminho
apropriado para bikes e a partir de algumas orientações decidimos voltar, ou
seja, descer a ladeira de areia, e vamos lá, tinha que manter a velocidade para
a bike não afundar, a magrela derrapava quase sem controle, mas conseguimos
descer ilesos, nê papá? (Como diria nosso grande amigo, Gil).

Pegamos outro
caminho no meio das árvores que parecia ser filé, mas logo percebemos que não
tinha como fugir do areial, e haja areia fofa, qualquer matinho era motivo de
alegria. O calor no meio da areia era de rachar, suávamos feito cuscuz, enfim
encontramos uma jardineira (um bonde com rodas que era puxado por trator)
abandonado no meio do caminho. Ufa, paramos... Comemos castanhas patrocinadas
por Fred e outras iguarias (barra de cereal, energéticos, etc) que foram
compartilhadas por todos, rimos com o nosso sofrimento, tiramos fotos com a
bandeira do Mural, colocamos o adesivo do Mural em local estratégico, e
partimos rumo a Cova da Onça, enfrentando mais trechos de areia, quando
tínhamos que pedalar pelo meio da vegetação ou empurrar a bike.
Chegamos....
Confesso ter ficado meio decepcionado no início, pois esperava uma paisagem
deslumbrante depois de tanto esforço e depois de ter passado por locais tão
belos, não era bem isso que nos aguardava. Tratava-se de uma vilarejo bem
pequena, basicamente com um punhado de casas de nativos, alguns restaurante e
uma praia misturada pelo água do mangue, onde encostavam algumas embarcações.
Bom, fomos a um restaurante que parecia o point, mas o boteco estava lotado.
Imagine pedalar vários KM para almoçar no meio da muvuca, ninguém merece...
Achamos um outro que estava vazio e ficava na beira da praia, é esse mesmo...
Escolhi a mesa, pedi logo uma gelada, enquanto o restante do grupo tomava um
banho no chuveiro. Pedimos comida para um batalhão, fomos muito bem atendidos e
a mariscada estava maravilhosa e compensou o esforço. Gil adorou a pimenta
arriba a saia... rsrsrs...
A volta
Após a comilança e o esforço para chegar a cova da onça,
tinha surgido a idéia de voltarmos de trator, mas isso foi logo descartado e
resolvemos voltar do jeito que viemos, no bom e velho pedal. No meio do caminho
quase erramos a direção, mas lembrei-me de um ponto de referência que Elson
havia alertado durante a ida e corrigi o erro a tempo, o único que teve que
voltar foi Fred que seguia na frente. Seguimos em frente e logo chegamos no
nosso destino, para surpresa de todos.
A volta foi muito mais agradável, o sol
já estava baixo e chegamos muito mais rápido em Morere, apesar da bike de Luis
ter dado pau no final da trilha, fruto de um dos terrenos (quedas) que nosso
amigo adquiriu por lá. Ficamos curiosos com a relativa facilidade do retorno,
mas Rei chegou a uma conclusão brilhante, ao contrário da ida, na volta a
maioria das subidas era de barro e as descidas de areia. Como ninguém queria
(podia) empurrar a bike na areia de
barriga cheia, aproveitamos a gravidade e largamos o freio.
Chegamos à noite ao
mercadinho que passamos na ida e ficamos resenhando, enquanto Wellington, Elson
e Rei e Fred tentavam dar um jeito na Bike de Luis. Após darmos boas risadas
com a atendente do mercadinho que nos contavas várias histórias, dizendo que
ficou feliz quando a bike do marido foi roubada, pois ele dava mais atenção a
magrela do que a ela.
Depois fomos a praia para assistir ao espetáculo da lua,
enquanto aguardávamos a maré baixar. Saímos em direção a Boipeba pedalando pela
praia iluminada pela lua enorme que prateava o mar, mas tínhamos um obstáculo
pela frente... Aquele riozinho que passamos, tinha crescido, ou melhor ficado
mais fundo e com uma boa correnteza. Como estava escuro e a maré ainda estava
um pouco cheia, o rio estava fundo e a água batia em nossa cintura. Visando
garantir a segurança de todos e das bikes, combinamos de atravessar duas
pessoas com cada bike. Todos passaram sem problemas, mas o calango estava
atento e levou o ciclo de Gil que resolveu atravessar sozinho.
Bom, para
finalizar, teve a nossa chegada triunfal
a Boipeba com todos os piscas ligados e em grupo, as pessoas na rua gritavam
quando passávamos. Foi show!!!! Depois fomos comer pizza e espantamos boa parte
dos clientes do restaurante com nosso "aroma" incomparável. Um grande
abraço, Ricardo Lima.
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