Muitos muralistas devem ter
se perguntado a razão de Elson ter programado a realização de uma mesma trilha
em um período tão curto de tempo, já que a primeira aconteceu no dia
16/03/2013. Devo confessar que, muito provavelmente, os culpados devem ter sido
eu e Renato Castro (nosso querido “Pai Sapiranga”). Explico.
É que, “fuçando” o site do
mural nos deparamos com o depoimento da nossa colega, Sarah, a respeito de sua
experiência na primeira empreitada, além de fotos incríveis das paisagens e
desafios enfrentados de todos os tipos pelos bikers: “single tracks”,
estradões, ladeiras, muita lama, sem falar no convidativo banho de lagoa.
Ficamos tão empolgados que Renato não resistiu e foi bater o “queixão” para Elson
preparar outra trilha à lagoa. Atendendo às nossas reivindicações, Elsão, muito
generoso, agendou A Volta à Lagoa Azul II para o dia 01/05, uma quarta-feira
(feriado do dia do trabalho), tentando, logicamente adequar o calendário para
evitar choques com outras trilhas já anunciadas. Maravilha. Obrigada
Presidente.
Dia 30/04, véspera da
aventura. Bike revisada. Sanduíche, frutas, água e isotônico na mochila.
Preparo o despertador para 4:50h da manhã, imaginando ter tempo suficiente para
chegar ao ponto de encontro às 6:30h. Mas, quem disse que conseguia dormir? Às
2:00h da “madruga” ainda estava acesa e pensava: “Meu Deus, preciso dormir,
senão não aguentarei fazer a trilha”. Acho que Ele deve ter me ouvido por
alguns minutos, e, me concedeu pequenos momentos de cochilo, para exatamente às
4:30h (vinte minutos antes do alarme) me despertar totalmente.
Calmamente, tomei um café
bem forte, acompanhado de um sanduíche de blanquet de peru “light”. Claro.
Olhei o tempo pela janela. E, o que parecia previsão de chuva, devido à água
que já tinha caído dias anteriores, se revelou em um lindo dia de sol. Muito
sol. Devidamente protegida com bloqueador solar, parti, rumo a mais uma
aventura do mural.
Chegando ao posto Ipiranga,
logo após Arembepe, acompanhada pelos carros de Renato, Danilo (Barbudo) e Peu,
fiquei “murcha” ao ver que só Elson e mais outro Muralista (que agora não me
recordo quem foi) estavam esperando. Logo pensei: “Poxa, será que só vão ser
nós seis?”. Ledo engano. Aos poucos, em questões de minutos, os Muralistas
foram chegando, um por um. Quando imaginávamos que a “trupe” estava completa,
Elsão nos perguntou se podíamos esperar Sabrina e Edi que estavam atrasados.
Mas, é claro. Como não? Presenças ilustres não podem faltar.
Formado o círculo, após a
costumeira foto alinhada, Elsão passou algumas instruções sobre a trilha, além
de ter comentado sobre novas aventuras do mural que estavam por vir. Feita a
contagem, e, o que eram seis no início se transformou em “24”. Segundo Davi:
“23” ou “25”, pois o “24” é um número que não se aplica ao Mural. Logo, ouviu
de Josa: “ Que preconceito bobo! Que classe desunida essa, viu?” kkkkkkkkkkkk.
Depois dos risos, partimos às 7:20h.
De início, percorremos um
trecho de asfalto entre Arembepe e Barra do Jacuípe, para, em uma entrada à
direita, começar o “barro”. Uma subidinha de leve para o “esquente”, e, o
terreno um pouco pesado, devidos às chuvas, revelou que não seria tão fácil
como imaginávamos para uma trilha classificada por Elson como “de nível 3 para
baixo” (???). Logo no início, subimos um “morrinho”. Alguns Muralistas lá em
cima agrupados, Elson tirou uma foto, que segundo ele, é digna de “capa”. Vamos
conferir. Após a foto, continuamos por um terreno alagadiço, com muita lama, e,
claro algumas bikes levemente atoladas. Normal.
Após algumas passagens por
estradinhas, quase “single tracks” e por alguns vales alagados, cheios de mato
e capim alto, subimos uma ladeira à esquerda, mas logo, vi bikers retornando.
Ops !!! Elson errou o caminho. Normal. Acontece. Na descida, engarrafamento. O
que teria sido? Nossa amiga Sabrina, coitada, quase perdia a lente de contato,
que caiu, e, por sorte ficou pendurada na sua bochecha. Lembrei-me que tinha um
colírio umidificante e fui tentar ajudá-la, afinal de contas, sei bem como é
ter que colocar a lente de volta, sem soro e sem espelho. Arde muito o olho.
Horrível. Do fundo, surge alguém falando: ”Por que não pedala sem lente?”.
Risossss. De pronto, Sabrina: “Assim eu não enxergo né, meu bem?”. Boa,
Sabrina.
Lente no olho, continuamos
por mais um vale coberto de capim alto, que mal dava pra enxergar a trilha. Foi
nesse momento que dei o meu primeiro sinal de cansaço: “Nesse lugar não venta
não é? Que calor, que abafamento”. Todos concordaram. Sem saber, foi esse
comentário que, mais tarde, inspirou nosso presidente, Elson, a me convidar
para fazer a resenha. Depois de tanto mato, alcançamos um estradão com subidas
e descidas que foram desembocar em um “barzinho”. Graças a Deus. Parada para um
descanso e hidratação. Tirei meu sanduíche da mochila e comecei a comer. Daí,
ouvi Elson dizer: “Vocês não acham que está muito cedo pra comer sanduíche
não?”. Depois desse conselho velado, claro, resolvi poupar meu “sanduba”.
Mais trechos de single
tracks e estradões, quando nos deparamos com a Lagoa Azul, que de azul só tem o
nome mesmo. Crente que iríamos tomar um relaxante banho, Elsão tratou logo de
cortar o nosso barato: “Calma, galera, ainda não é a hora”. Prosseguimos
viagem, contornado a lagoa para alcançar uma ladeira íngreme, cheia de pedras e
cascalhos. Como tenho amor à vida, não me arrisquei de imediato e fiquei
esperando a galera lá embaixo, junto com Renato, Sara e mais dois iniciantes.
Quando olhei para o lado, Sara, fazendo “jus” ao seu apelido de “Botinho” se
jogou de roupa e tudo na lagoa. Figura. Não pode ver uma água.
De lá do alto, a galera
começou a gritar para que subíssemos. Sabrina, sempre “brocando” já havia
subido e tomado uma queda que custou a sua camisa de manga longa do mural.
Ficou toda rasgada, coitada. Eu e os “papucos” resolvemos subir empurrando, de
leve, e quando senti mais segurança no terreno, montei na bike e fui até o
topo. Pra quê, mesmo? Pra depois o guia dizer: “Volta tudo, galera. A single
track aqui em cima não tem saída”. KKKKKKK. Desce todo mundo de volta. Eu já
sabia.
Após essa tentativa
frustrada de desbravar mais uma single track, seguimos rumo às canoas. Passamos
por mais um vale de muito mato, mais algumas single tracks com riachos e
buracos cheios de água escura e com mal cheiro (que nojo!), até chegarmos em
uma mangueira super carregada. Os Muralistas não aguentaram e se fartaram, com
direito a foto de todo mundo “chupando” manga. Muito engraçado. Todos
abastecidos, percebi na minha frente, que Josa ainda não havia se saciado, já
que carregava nos bolsos da camisa (que chegava a bater no seu joelho, detalhe)
um monte de manga. Diz ele que era pra evitar o desperdício. Sei, sei.
Direto para as canoas (ou
quase, pois o nosso guia se perdeu, fazendo a gente passar mais uma vez por
aquela lama nojenta, sob o falso pretexto de que teria esquecido a carteira) avistamos
as “dita cujas” . Assim que se deu conta de mais um lago, “Botinho” não se deu
e saltou de novo na água. Edi logo tomou conta de uma canoa, eu e Dan
(“Barbudo”) de outra. Entrei na água toda paramentada, até de sapatilha. Só deu
tempo de tirar o capacete. Desta vez, me joguei de livre e espontânea vontade,
viu Paulista? Quis seguir o exemplo de Dan, pulando de cabeça de cima da canoa,
mas levei foi uma baita “barrigada”, com medo, pois não sabia a profundidade do
lago. Claro que tiraram sarro da minha cara, né? Perde-se um amigo, mas não a
piada. Tiramos algumas fotinhas e montamos de novo nas bikes, agora, rumo à
Lagoa Azul. Até que enfim.
No caminho para a lagoa,
avisto Sabrina mais a frente rindo de Serjão. Curiosa, perguntei o motivo.
Elsão, Josa, Thiago etc logo riram. Hum, já sabia que era alguma sacanagem. Na
verdade, foi Serjão reclamando do terreno muito alagadiço que iríamos
atravessar. Sabrina, sempre com uma resposta na ponta da língua, rebateu: “Essa
bike aro 29 não serve pra nada não é?”. Isso porque Serjão estava tirando a
maior onde de bike nova. Aos ouvidos de todos, o simples comentário inofensivo
de Sabrina soou como: “Está com medinho é?”. kkkkkkkkk. Muito bom.
Piadas à parte, enfim, a
Lagoa Azul (verde, amarela, transparente, tudo, mesmo azul). Nos jogamos
naquela água que mais parecia um oásis. Delícia de banho. Depois de tanto
estradão, single tracks e de carregar bike pra cima e pra baixo, veio a
recompensa. Pena que durou pouco. Nem deu tempo de “queixar” um pedaço de carne
do churrasco que estava rolando ao lado. Mais algumas fotinhas pra registrar o
momento. Até debaixo d’água, né, Renato e Sabrina? Massa.
Nos preparamos pra voltar.
Foi quando Elsão revelou que aquele comentário meu, no início, acerca do calor,
teria inspirado o convite para a resenha. Eu, com um enorme prazer, aceitei e
fiquei lisonjeada com a honra que me foi dada. Nada melhor que uma iniciante de
trilha fechada do Mural para captar o espírito de aventura e companheirismo que
permeia o ambiente do grupo. A energia é, sem dúvida, contagiante, nos deixando
ansiosos para o próximo desafio.
Retornamos pelo mesmo
caminho de single tracks e estradão para mais uma parada no “barzinho”, desta
vez, para a hidratação etílica dos meninos. Como conseguem pedalar, minha
gente? Fechada a conta, começamos a pedalar por outro caminho até alcançar de
novo o asfalto em um ponto mais afastado daquele pelo qual entramos.
Devo confessar que a volta
pelo asfalto foi cansativa, pois ventava demais e não houve perdão. O primeiro
pelotão despontou na frente e eu, Renato, Peu e outros dois iniciantes ficamos
mais para trás. Quase entregues ao cansaço, passaram “voando” pela gente uma
galera de speed e do outro lado da pista alguns integrantes do grupo “Amigos de
Bike”, comandamos pela nossa querida amiga, Lúcia Saraiva.
Após alguns minutos de
pedal contra o vento forte, que naquele momento, mais pareciam horas
intermináveis, avistamos os nossos carros. Ufa! Percurso concluído e um misto
de alegria, exaustação, emoção e superação tomaram conta de mim. Voltei pra
casa com a energia renovada e contando os dias para a próxima aventura. Valeu
mesmo MURAL. Foi show. Obrigada a todos os Muralistas pela maravilhosa
experiência. Muito orgulho de fazer da família MURAL. Até o próximo desafio.
Bjs Carla Dias.
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