Sorata tinha amanhecido com um clima bem agradável, bem
diferente dos dias anteriores que fazia sempre muito frio, e pelo fato da
cidade estar mais baixo que La Paz com relação ao nível do mar, tornava-se mais
fácil a respiração.
Tínhamos marcado para sair às 7hs do hotel em Sorata, as 6hs
já estávamos todos arrumando as coisas, enquanto Manollo arrumava as bikes no
carro, Guga e Herrera foram comprar na praça em frente ao hotel, um pastel com
mingau de milho roxo para tomarmos café. O pastel não tinha nada dentro, era
somente massa enquanto o mingau tinha um gosto igual a xarope, alguns gostaram
enquanto outros não aprovava muito o sabor. Tivemos um pequeno atraso na saída,
mas nada que comprometesse a programação... As 8hs já estávamos bem distante de
Sorata subindo em direção a São Pablo de Tiquina. Sorata fica em um vale, para
se ter uma ideia, saímos de 2500 metros para aproximadamente 3800 em questão de
poucos quilômetros de subida, é impressionante como vai ficando evidente a falta
de oxigênio na medida que estamos subindo. O batimento cardíaco aumenta e a
respiração acelera, chegando a alguns momentos sentir dor de cabeça.
Em um momento do percurso ainda de carro, a estrada começa a
margear o Lago Titicaca do lado da Bolívia, nesse momento paramos na cidade de Huatajata onde tinha um artesão que fazia barcos
e outros artesanatos com a palha de Totora, muito legal, vários artesanatos de
boa qualidade produzidos com Totora. Mesmo sendo o primeiro dia de pedal com
alforjes, muito não resistiram e já compraram algumas lembranças do artesão.
Com mais alguns quilômetros
rodados, chegamos a São Pablo de Tiquina, nesse lugar iriamos pegar uma balsa
para atravessar um pequeno trecho do Lago Titicaca para São Pedro de Tiquina.
Enquanto tirávamos as bikes da van, e preparávamos os alforjes tivemos uma
triste baixa no grupo, Herrera (O Pollo) devido alguns problemas particulares,
teve que desistir da expedição e retornar ao Brasil. Esse foi um momento muito
chato no grupo, todos sentiram o baque! Durante uma expedição, nasce um
espirito de união muito forte no grupo, e situações como esta não cria um clima
muito bom, acaba gerando um sentimento de perda muito forte.
Todos prontos, nos
despedimos de Manollo e Herrera, entramos na balsa e iniciamos a travessia de
aproximadamente 20 minutos para São Pedro de Tiquina. Chegando, o desembarque
acontecia muito próximo de um mercado municipal, onde decidimos almoçar para em
seguida iniciar o pedal até Copacabana. Quando entramos no mercado, fomos surpreendidos
por varias senhoras gritando com a gente oferecendo almoço, que era basicamente
truta, arroz e batata... Era uma gritaria ensurdecedora, e em suas mãos os
pratos já prontos, a situação chegava a ser até difícil para a gente escolher
onde comer. Além dessa situação, encontramos também uma carência muito grande
de higiene, coisa que não somos acostumados a vivenciar. As senhoras tinham uma
panela de arroz no chão, uma de batata cozida e outra de truta frita, e com
suas mãos sem luva ou uso de colher elas preparavam os pratos para vender. A
cena chegava a assustar quando a gente observava, mas como a fome era maior que
a situação, tinha que comer.
Após o almoço, iniciamos o pedal com os alforjes, e de inicio
já era umas subida que perdurou continuamente durante os 30 km seguintes. O
tempo todo da subida, observávamos o Lago Titicaca ou montanhas enormes com
poucas vegetações, ventava muito e como consequência fazia frio. As paisagens
que passávamos eram muito bonitas, assim como subir pedalando em uma altitude
daquelas se torna extremamente desgastante, e com isso cada um ia buscando seu
ritmo de conforto para superar a adversidade local para concluir o pedal do
dia.