Antes de iniciar a resenha do dia, vou explicar o motivo de
ter sido o escolhido para esta tarefa. Desde Sorata onde estivemos, eu já não
estava me adaptando a comida Boliviana, e em Copacabana visitando as ilhas de
barco, passei muito mal ao ponto de precisar me apoiar para conseguir andar,
fiquei então sem me alimentar durante todo o dia, tomando apenas água e
Gatorade. A noite todos foram jantar enquanto repousei no hotel pois já não
conseguia nem me manter aquecido, tremia debaixo de cinco edredons. Ao fim do
jantar, Kadjon trouxe uma quentinha, que por mais que tentasse não conseguia
comer nada; A preocupação estava nos olhos de todos ao me visitarem no quarto e
assim faziam a mesma pergunta: “E ai Odi, vai fazer o que amanhã?”
Sinceramente, essa era minha maior preocupação, maior até do que com minha
saúde, desistir ou enfrentar os 90km naquele estado. As 5:00hs da manhã acordei
na geladeira apelidada de hotel Flores de lago. Todos voltaram a me visitar e a
me questionar sobre meu estado, porém um fato já se destacava a vista de todos,
eu estava com o uniforme do Mural e pronto pra guerra. Então daí surgiu o
convite de Elson, “Odi, se você for pedalar hoje a resenha com certeza será
sua”.
Seguimos no frio da manhã ainda que sob os raios do sol em
direção a Plaza Sucre, onde ficava o temível caixa eletrônico Papa cartão
brasileiro, rssss, para resgatar a tarjeta de Marão, sua última vítima.
Enquanto ele aguardava o banco abrir, seguimos para a praça 2 de fevereiro em
frente a linda Basílica de Nossa Senhora de Copacabana onde sentamos para tomar
café da manhã na lanchonete de um Americano, seria uma tentativa de algo
diferente da comida boliviana.
Enquanto todos comiam seus grandes sanduíches cheios de
queijo e salame acompanhados de suco, café e até chocolate quente, fui ao
mercado municipal atrás de algo que pudesse comer, algumas bananas e maçãs. Lá
descobri o que poderia ter me deixado tão mal, carnes e frangos expostos sobre
o balcão apenas em temperatura ambiente, que apesar de frio estava longe de ser
o ideal, acredito que nunca ouviram falar em vigilância sanitária por lá.
Saímos após algumas fotos com os simpáticos americanos em
direção a Rota Nacional com destino ao Peru. A estrada seguia margeando o Lago Titicaca
e tinha poucas subidas e descidas, mas qualquer elevação naquela altitude (quase 4.000 metros) exigia muito. O cansaço e a fraqueza já se apresentaram logo no primeiro km,
mas com o apoio de Guga, Rei e Elson que me empurravam mantendo-me a frente do
pelotão, não tinha como parar nem para respirar. Pedalados uns 10km chegamos a
fronteira e ao posto Boliviano de Kasani para sairmos da Bolívia e seguirmos em
terras Peruana.
Ao atravessar a fronteira a paisagem natural era a mesma, o
lago Titicaca, pouca vegetação e muita pedra, mas os ares eram outros, uma
placa bem grande ostentava o nome Peru dando boas-vindas aos expedicionários. Pausa
para a foto e este seria o nosso primeiro contato com o povo daquele lugar.
Duas senhoritas que estavam próximas se prontificaram a nos fotografar, muito
cordiais e alegres, até pousaram conosco nas fotos, a hospitalidade e alegria
peruana já contrastava com o povo fechado e rude da Bolívia salvo por algumas
exceções. Seguimos alguns metros e já estávamos na aduana peruana, estrutura
muito superior à da Bolívia que mesmo com a chegada de um ônibus lotado de
turistas fomos logo atendidos.















