“Na terra em que o mar não bate
Não bete meu coração
O Mar, em que o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão...”
(Gilberto Gil)
Desde o evento de lançamento do
projeto Baía de Todos os Santos a minha empolgação já era enorme em participar
desta aventura pioneiríssima proporcionada pelo Mural. O mote de fazer uma ciclo
aventura nas ilhas dos Frades e de Itaparica, à bordo de uma escuna, que seria
a nossa morada por dois dias, era interessantíssima.
Com as bênçãos de Yemanjá a vontade
virou realidade e lá estava eu inscrito com mais 6 aventureiros para participar
de um projeto muito bem pensado e inovador do Mural de Aventuras.
Partimos da Marina da Penha, Ribeira
às 6:30h. O tempo não parecia estar à nosso favor. Chuva e céu carregado de
nuvens não refletiam a verdadeira beleza do mar da Bahia. Embarcamos com as
bikes e sentamos para desfrutar a primeira refeição à bordo. O café aqueceu os
ânimos e a resenha já animava a conversa enquanto navegávamos em direção ao
nosso esperado destino do 1º dia, a Ilha dos Frades.
O mar, apesar do mau tempo, não
estava muito mexido, mas o suficiente para temperar todas as bikes com pingos
agua salgada. Aquela fina crosta de sal logo se formou sobre as magrelas, para
o desespero dos mais apegados...
Após quase 2h de navegação tranquila
avistamos o nosso destino. Desembarcamos no píer em frente à linda Capela de
Nossa Senhora do Loreto, Igrejinha construída em 1645 de frente para o mar,
onde pedimos proteção para a nossa aventura.
Fomos recepcionados pela equipe da
Fundação Baía Viva, entidade não governamental formada por um grupo de
empresários baianos e principal responsável pela gestão da Ilha dos Frades.
Adriana foi a cicerone durante nossa estadia e muito simpática e receptiva nos
apresentou os projetos socioambientais desenvolvidos na comunidade e toda a
infraestrutura do projeto, que inclui uma super maquete cheia de detalhes onde
pudemos visualizar os caminhos que percorreríamos nas entranhas da Ilha logo
mais.
Começamos o pedal sob chuva, que
ajudou a trocar o sal que impregnava as bikes pela lama que viria mais à
frente, deixando a trilha ainda mais divertida. Logo de cara, ainda sem aquecer
direito, aparece uma p... de uma subida que me fez fritar as pernas e botar o
coração pela boca. Mas depois do sofrimento vem como recompensa a lindíssima
vista do mirante. Expetacular! Fotos e muitas filmagens. Equipe reagrupada e
seguimos numa viagem de sobe e desce sem fim... Nem os quadrículos que nos
acompanhavam aguentaram: Foram dois superaquecimentos durante o percurso. Como
tem ladeira aquela ilha!
Algumas áreas que estão sendo
mapeadas pela Fundação Baía Viva para a coleta de informações sobre a flora
local ficaram indisponíveis para nós. Segundo os muralistas veteranos os
melhores singles e downhills ficaram de fora. Um pouco do encanto da trilha se
perdeu, mas nada que comprometesse a nossa aventura.
Falando em downhill, vale o destaque
para um deles, no qual a chuva e lama fizeram um massapê que mais parecia uma
quiabada. Foi bem difícil controlar nas curvas e parar a bike no final da
ladeira. Tacalipau por pouco não foi atropelado!
“Vamo nessa galera, agora é só
descida!”, gritou alguém lá na frente pra tentar animar a papucada... Já passei
da fase de acreditar nessa frase. Logo à frente a pior ladeira de todo o
percurso. Essa foi para os fortes. Jean, “que não fez mais que sua obrigação”,
como diria Elsão, conseguiu completar toda a subida sem titubear. Ito com muita
raça e técnica também. Parábéns amigos, vocês brocam!
Mais alguns km´s de muita adrenalina
e chegamos à ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, que nos recepcionou com mais
uma cabulosa subida! A praia mais conhecida da Ilha também é das mais bonitas e
o visual incrível foi a locação escolhida para as filmagens com o drone. O sol
já reinava nos céus e o belos azuis característicos das nossas águas explodiam
em várias matizes.
Finalmente chegamos no restaurante
que nos foi indicado para comermos. Camarões, peixes e muita cerveja reanimaram
a turma para o retorno, que seria mais leve, porém não menos interessante.
Kadjon conseguiu se perder do grupo e depois de quase 30min de tentativas de
reencontro, acabou seguindo sozinho, por um caminho alternativo até chegar novamente
à praia do Loreto onde nos reagrupamos e seguimos para um merecido banho de
mar.