O desafio de hoje é tentar descrever a emoção
de fazer uma trilha como essa. Aqui são muitas impressões, frases engraçadas,
bullying com os colegas, descrições de lugares, de situações e minhas próprias
conclusões sobre o que o esporte ensina diariamente.
Numa trilha como essa o dia começa às 04h da manhã para conseguir chegar às
05h30min no local de encontro. Após a chegada de todos do Mural Club, seguimos
para Madre de Deus e aguardamos a chegada da Ex Quadrilha da Fumaça (EDF) que
vieram de Feira de Santana. Alguns minutos de espera e vamos lá! Bikes
arrumadas no barco, PARTIU!
Ao chegarmos na Ilha, nos deparamos com diversos olhares, principalmente das
crianças e não houve uma que não deixasse escapar um sorriso. É inevitável 15
bikes não chamar atenção, ainda mais num lugar tão calmo. Enquanto Elson e
Serjão encomendavam nosso almoço, peguei a bike e dei uma volta pelas casas, mas
não esperava encontrar uma criança de braços abertos pra mim enquanto a mãe
dizia: ele quer você. Prontamente peguei-o no colo e levei-o até os meninos, fizemos
a alegria daquele garoto.
Almoço encomendado, largamos! Afinal, a
trilha é curta e não tínhamos tempo a perder.
De cara tivemos que subir (diria que a serra) com a bike nas costas. Sem muito
drama, mas a expressão facial de cansaço logo na primeira subida e de pingos de
suor, já demonstravam o que nos esperava. Digo apenas que tivemos de tudo, de
calor extremo sem nenhum vento a descidas inexplicáveis, daquelas em que alguns
EDF mostraram toda sua habilidade e passaram direto.
Numa das paradas para agrupar, Joarez Carneiro (EDF) começou a passar mal (de
cansaço mesmo) e eu sentindo que o ritmo estava bom, até que recebemos a
notícia que a trilha tinha 20km a mais, talvez 30. Ele quase enfarta, mas após
ser informado que teríamos um longo e fantástico single tack, abriu os olhos de
alegria. Funcionou e valeu a brincadeira.
Cada subida que ficava para trás era motivo
de sorriso, ainda que silencioso. Sabíamos que seria com dificuldade, mas
iríamos chegar, até porque quem sobe, desce. O dia foi ficando quente, depois
muito quente, depois muito muito quente. Seguimos trilha a fora até o ponto
alto com uma vista maravilhosa, depois descemos até a Igreja e fomos direto
para uma barraca de praia. A água estava gelada e descia apagando o incêndio
que a temperatura e o esforço vinham causando dentro de cada um de nós.
Aproveitamos um chuveiro pra nos refrescar, esse banho foi providencial. Até
que Diego Nogueira fala: todo mundo limpo e eu todo sujo. Estava do lado e
falei: menino criado com vó e que não desce pro play é assim. Resultado:
bullying pelos amigos a trilha toda. Diego, não podia deixar de comentar.
Acabado o descanso, voltamos por um estradão
até chegar na ladeira toda cheia de erosão e cascalho que tínhamos descido
horas antes. O calor veio cobrar seu preço. Você sobe se perguntando se isso é
jeito de passar o sábado. A subida nos leva ao oásis e logo eu, única mulher
presente, consigo terminar, enquanto alguns marmanjos ficaram para trás
empurrando as bikes.
É chegada a melhor hora, descer até a praia para almoçar. Numa descida
alucinante, eis que Marcelo Rodrigues freia demais e a roda traseira começa a
ficar de lado, gritei dizendo pra ele largar o freio traseiro para que não
caísse, mas não largou e capotou por umas duas vezes, bateu a poeira e levantou
pedalando.
Terminamos a trilha com a cara suja, o corpo doído, mas de alma limpa. A
paisagem é espetacular. O esporte tem essa coisa purificadora. Para mim, ela
deixou memórias lindas de amizade e determinação, histórias engraçadas e
encontros que sempre deixam saudades. E assim terminamos a trilha e nos
esbaldamos no almoço.Todos fartos, pegamos o barco novamente e para surpresa de
uns, paramos mais a frente pra tomar banho de mar. Nisso, Babão do EDF que
disse não saber nadar, resolveu pular no "raso" mas acabou achando um
buraco, e não deu outra, viu que estava fundo e tentou nadar cachorrinho e,
para o azar de Rogério que também não sabia nadar, foi segurado por Babão.
Resultado: ambos começaram a se afogar e quem ainda estava no barco, inclusive
eu, não pulou. Até que Uelber (quase 2m de altura) pulou! Quando aproximou
deles, Babão conseguiu se segurar numa lancha e Rogério se saiu para a parte
rasa. UFA! Foi por pouco. Todos salvos e muita resenha.
Agradeço a todos pela companhia, foi um
prazer pedalar com os meninos da EDF. Bora Mural! Sabrina.
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