Antes de falar sobre a minha primeira aventura, gostaria de
contar sobre minha recente relação com o Mural de Aventuras. Em um belo dia
saindo do bicicletário do meu prédio encontrei com o Serjão, acompanhado da sua
extensa família, conversamos um pouco sobre pedais e logo a sua esposa fez
questão de apresentar suas credencias como um expedicionário com experiência
nos quatro cantos do mundo, então pensei, vou colar nesse cara para aprender
alguma coisa, a partir daí começa a minha história no Mural de Aventuras. Serjão me apresentou a um grupo cujo tem exatamente
a filosofia que eu buscava; Natureza, barro, poeira, lama e muita, digo muita
diversão, comecei participando de alguns CTMs, o que foi suficiente pra concluir
que deveria me associar e poder participar das demais aventuras, a primeira,
conto a partir de agora.
No batismo com o Mural de Aventuras não poderia fazer uma
trilha com nome menos sugestivo, As Sete Maravilhas da Linha Verde. Começamos o
dia por volta das 6:30 no posto Paraíso, em Guarajuba. Reunimos-nos e seguimos
para Sauípe, chegando lá, desembarcamos as bikes e daí a primeira surpresa, eis
que surge um sujeito com um equipamento derivado do cruzamento entre uma
bicicleta e um trator, era o Mineiro e sua fat bike. Terminamos de nos ajeitar,
Elson nos passou algumas orientações, falou um pouco como era a trilha e em
seguida rumamos estrada adentro debaixo de uma garoa que avisara que o dia
poderia ser longo. Alguns kms de maravilhosos
estradões com ladeiras, eucaliptais, curvas, descidas insanas, single tracks, pontos de atoleiro alagadiços e
muitas outras maravilhas. O piso estava bastante pesado e não demorou muito a
Will perceber que a oportunidade de negócio naquela região era muito boa e
resolveu ser o primeiro a compra um lote, não muito grande, mas, suficiente pra
construir uma casa com cinco suítes, piscina e um campo de futebol. Sem
prejuízos maiores, seguimos viagem. Pedalamos por mais algum tempo até um ponto
onde o Elson nos convida, eu, Hugo, Odair e Will (novatos na trilha) a passar à
frente do grupo, virar a direita e gritar o que viesse na cabeça, fizemos e nos
deparamos com o que seria a segunda maravilha
SQN (puta que pariu!), um paredão de uns
40 metros, impossível não fingir! Elson e Tacalipau brocaram e zeraram.
Pedalamos por mais alguns minutos e chegamos ao primeiro ponto de hidratação,
um maravilhoso vilarejo e no centro
dele um quiosque de madeira bem arrumadinho que nos proporcionou uma cerveja
bem gelada, uma resenha boa, fotos com o proprietário do local, registro da
passagem do Mural de Aventuras devidamente colado na parede e partiu Mural!
Pedalamos por mais
alguns kms até chegar ao que seria a quarta maravilha, uma lagoa onde tivemos que atravessar carregando a
bicicleta nas costas e fizemos isso sem pestanejar, afinal, a magrela nos
proporciona momentos tão especiais, nada seria mais justo. Seguimos por mais
alguns kms, já passava das 11:30 quando chegamos a Itanagra, ali procuramos um
local pra almoçar até chegar ao restaurante da dona Miriam, aguardamos um pouco
até a nobre anfitriã conseguir nos acomodar, enquanto isso, eu e Will fomos
providenciar algo para beber já que, já havíamos pedalado muito tempo e dona
Miriam não dispunha do líquido que desejávamos. Enquanto isso, dois policiais
almoçavam no local e foram praticamente expulsos da mesa por três dos nossos
colegas, que resolveram se acomodar na mesa deles enquanto almoçavam. Os nobres
agentes da lei e da ordem abreviaram suas dignas refeições deixando metade do
almoço na mesa, como estávamos morrendo de fome, fizemos o sacrifício e terminar
o serviço por eles enquanto não era servido o nosso almoço. Chegando o nosso maravilhoso almoço, diferente de
minutos atrás, o silencio prevalecia na mesa, só se ouvia breves frases... “me
passa o arroz”, “me passa o feijão”, “passa essa carne aí”, “vai comer tudo ai,
fulano?!”. Todos almoçaram, Hugo bebeu seu suco de goiaba, Tacalipau tomou seu
sorvete de creme com calda de chocolate e já era hora de bater em
retirada.
Já passava das 13:30 e era hora de retornar, afinal, ainda
tínhamos 35 km de pedal pela frente. Paramos em um mercadinho para reabastecer
o estoque de água, batemos um breve papo com os locais e partimos, não demorou
muito e descobrimos mais uma maravilha,
era a ladeira da digestão, subíamos e parecia que não ia acabar nunca, quando a
bicicleta do Foltz apresenta um problema no pneu e tivemos que parar, prestar a
devida ajuda e lógico, repor oxigênio. Terminamos de consertar o pneu do Foltz
e já tinha “nêgo” dormindo de baixo de árvore. Acordamos o sujeito e seguimos
viagem até chegar a uma bifurcação onde o Elson parou e pediu que os novatos
(eu, Hugo, Odair e Will) decidissem por onde descer, esquerda ou direita.
Maldita hora, esquerda venceu! Um ladeirão de cascalho insano e cheio de vala
pra tudo que é lado. Soltamos o freio e embalamos, Odair seguia à minha frente,
segurou no freio, quando tentei frear foi o momento que demonstrei todo o meu
potencial de papucagem, a traseira saiu de lado, peguei a vala e comprei uma
fazenda. Segundo os cálculos de Tacalipau, eu estava a uns 40km/h, da pra
calcular o tamanho do terreno? Graças a Deus foi só o susto e aprendizado. Bati
a poeira, subi na bike e estrada que segue.
Seguimos por mais alguns minutos quando ouvimos um grito,
era a cãibra machucando Will, sorte ou azar estávamos chegando a um rio, com
uma maravilhosa “ponte do rio que
cai”, uma pinguela feita de tronco de árvore e galhos, onde o risco de cair e
tomar um banho era bem grande. Pegamos a magrela nas costas mais uma vez e
fomos fazer um exercício de equilíbrio. Elsão foi à frente e nos esperou do
outro lado filmando e torcendo pela queda dos que viriam depois dele, sorte de
todos que passaram sem incidentes. Logo depois da passagem alguns aproveitar
para tomar um banho às margens do rio e seguimos viagem, pulamos cercas e
cancelas de tudo quanto foi tipo, atravessamos muitas pastagens, passamos o “morro
do mimimi”, eucaliptais ladeiras acima e ladeiras abaixo com curvas insanas, caía
muita chuva, seguimos por algum tempo e estávamos chegando à linha verde
próximo da entrada de Massarandupió, neste momento a chuva já havia parado, seguimos
as margens da rodovia por alguns metros e a cãibra continuava machucando o Will.
Pegamos um novo trecho da trilha que foi mapeada pelo Foltz, estradinha de
terra batida e mais ladeiras. Neste momento o dia já estava caindo e sabíamos
que estávamos chegando ao nosso destino final, passamos pela Vila de Sauípe e
depois de 10 horas da partida, cinco horas pedalando, rodar 65 kms e mais de
1.000 metros de altimetria, chegamos ao fim de uma jornada de esforço e
superação.
Chega finalmente a hora do brinde com o que seria a oitava maravilha, uma deliciosa cerveja
artesanal produzida por quem vos relata esta aventura chamada As Sete Maravilhas da Linha Verde. Bora
Mural!!! Rubenicio Nascimento.
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