Chegamos então ao último dia da expedição. Como vocês já acompanharam, a maioria dos autores das resenhas foi decidido no “palitinho”. Como eu queria escrever um dia e não tinha perdido ainda no “palitinho”, pedi para escrever o último dia da expedição.
Esse dia demorou para amanhecer... a sexta noite de aventura tinha sido bem longa. Queríamos curtir os últimos momentos da nossa expedição, que por sinal teve um ar muito especial com os acampamentos. Comemos o que sobrou do nosso alimento de contingência (miojo... paçoca de carne seca... cebolas...). Alguns Muralistas estavam tão felizes com a expedição que promoveram cerveja. Então a noite foi longa, inclusive com alguns desafios... rsrsrs, mas é melhor que algumas coisas fiquem em nossas memórias apenas.
Amanheceu o dia 7: Desarmamos as barracas pela última vez nessa expedição, Serjão amanheceu com o pneu da bike totalmente vazio. Ele corrigiu o pneu, tomamos café da manhã e saímos aprox.. 9:10 em direção ao nosso desafio do dia que era subir o Morro do Chapéu e pedalar lá em cima. Havíamos acampado no “Balneário Recanto das Famílias”, na saída de lá, alguns Muralistas conversavam com a família falando do nosso objetivo daquele dia. A filha, Maria Eduarda, disse que seria impossível subir com as bikes, pois era uma subida muito difícil até para ser feita sem nada, ainda mais carregando uma Bike. Disse ainda que, se alguém conseguisse levar a bike até o topo, lá em cima daria para pedalar, mas ela tinha certeza que não conseguiríamos. Quando ouvi isso, olhei para Elsão e sem falar nada sabia que, mais do que nunca, o desafio era pedalar no cume do Morro do Chapel. A partir dali, só o cume interessa!
Aquilo ficou martelando nas nossas cabeças e partimos em direção ao Morro.
Morro do Chapéu, montanha de cume plano com 378 metros de altura é o maior símbolo da Chapada das Mesas, uma região de incontáveis belezas naturais localizada no sul do Maranhão, já na divisa com o estado de Tocantins.
Para chegar são 12km de Carolina pela BR-230, a famosa Transamazônica, e mais 12 quilômetros em estrada de chão com solo muito arenoso. Como dormimos num Balneário próximo da entrada, rodamos aproximadamente 18km até o início da subida.
Para variar um pouco, logo na saída, assim que pegamos o cruzamento com a Transamazônica, com menos de 2kms, paramos para esperar um integrante do grupo que voltou para o Balneário sem avisar a ninguém, para pegar um lencinho que havia esquecido. Com mais alguns quilômetros (10km do odômetro daquele dia) paramos para Marão colocar mais uma câmara. Nesse trajeto até o Morro, percorremos alguns trechos onde foi possível curtir trilhas com pouca areia, cascalho e terra batida, mas durou pouco e logo a areia apareceu de novo. Esperamos Jean pela primeira vez em toda expedição, o bichinho chega voltou mais magro de dentro do mato. Rs . Seguimos mais alguns quilômetros e chegamos em um ponto que decidimos esconder nossos pertences (alforjes, barracas e todo peso extra das Bikes). Nesse momento Kadjon me mostrou os calos nos pés. Ele lavou a sapatilha e esqueceu de recolocar as palmilhas, imaginem as bolhas que fez nos pés. Pedalamos mais um pouco e chegamos num ponto que dava para ver todo o Morro do Chapéu e sua imponência. Tiramos algumas fotos, alguns esconderam as bikes e mais alguns pertences e nos preparamos para a parte mais difícil do dia: a subida ao Morro do Chapéu.
O desafio estava lançado. Todos resolveram subir. Alguns com as bikes. O Grupo Mural de Aventuras queria ser o primeiro Grupo de MTB a pedalar em cima do Morro. Esse era o objetivo do grupo e tornou-se o objetivo individual de alguns. Iniciamos a “escalada”... a voz de Maria Eduarda não saia da cabeça “-é impossível subir carregando a bicicleta”. Ela ainda não conhecia o Mural. Realmente foi um grau de dificuldade extremo. Já fizemos algo parecido subindo para o Mirante do Vale do Capão pelo ALEXOS (Chapada Diamantina-BA), mas essa subida é muito mais difícil e desafiadora, fazendo a subida do Alexos parecer fácil. Subida extremamente íngreme com pedras soltas e caindo a todo momento. A subida é por degraus imensos formados pela erosão da chuva. Em vários momentos esses degraus eram maior que uma pessoa de pé. Num determinado momento em que a via se divide, eu, Elson e Alexandre seguíamos pela esquerda, enquanto Plech e Serjão foram pela direita. Percebi que a direita estava melhor e tentei fazer a transição. Essa transição é com pedras muito soltas e o terreno sem nenhuma aderência, por isso escorreguei e encostei a bike no chão, que deslizou, fazendo eu perder alguns metros de subida e sentir um frio na espinha de medo. Ufa... passando o susto, consegui trocar para a via da direita.
Nesse momento paramos um pouco e conversamos. Estava muito perigoso a subida. Uma opção mais cautelosa era deixar as bikes naquele ponto e seguir sem elas. Alguns fizeram essa escolha, inclusive pensando em como seria a descida. Jean já tinha subido na frente, Alexandre e Plesh estavam com cara que queriam continuar, então eu pensei: “já subimos 2/3, a descida vai ser difícil de qualquer forma e eu quero muito concluir essa subida, tenho um defeito, eu não gosto de desistir”, além disso Maria Eduarda não saia da minha cabeça... “vocês não vão consegui...” rs. Me adaptei a uma forma de carregar a bike que me deixou um pouco mais confortável, e sem discutir muito, porém respeitando a decisão individual de cada um, pedi licença e continuei minha subida no meu ritmo.
Em mais alguns minutos estava transbordado de um sentimento indescritível... havíamos conseguido superar o desafio e feito jus ao slogan que carregamos no peito “ A Emoção dos Desafios”. Jean, eu, Plesh e Alexandre honramos o Grupo todo. Levamos o Grupo: Mural de Aventuras ao pedal no topo do Morro de Chapéu, na Chapada das Mesas -MA. Esse feito só foi possível pela união do grupo e foi uma emoção coletiva. Todos completaram o desafio de subir o Morro e de ser o primeiro grupo de MTB a pedalar no topo da Chapada das Mesas com 04 Bikes lá em cima. “Obrigado Deus!” Agradeci várias vezes lá em cima, e foi um momento de reflexão extremo. Fotos e contemplação, mas ainda não acabou... tínhamos que descer tudo de novo.
A descida foi bastante difícil também, cada um desceu em seu ritmo. Os que estavam com a bike embaixo desceram mais rápido e foram providenciar água, que por sinal tinha esgotado. Eu fiquei sem água desde o início da descida. Quando finalizei a descida, encontrei com Elson e Tacale no ponto onde havíamos deixado os alforjes. Esperamos alguns minutos Plech e Alexandre, reagrupamos, remontamos as bikes e partimos. Quando encontramos os demais, eles estavam na casa de um rapaz que parecia ter algum grau de Autismo. Haviam bebido água inclusive água de coco. Partimos em direção à Transamazônica mais uma vez, para de lá chegarmos em Carolina, nosso destino final. Chegamos na beira do Rio Tocantins onde se faz a travessia de Carolina – MA para Filadélfia – TO. Era quase 17hs e parte do grupo que viajou de carro queria retornar ainda nesse dia para Salvador. Decidimos não atravessar e comemorar todos juntos o fim da expedição onde tudo começou, numa praça, comendo picanha e tomando cerveja no centro de Carolina-Ma.
Expedição espetacular com uma galera muito especial. Muita aventura com várias noites em acampamento, muitas paisagens incríveis, muitas cachoeiras, muitas rimas e risadas, além dos desafios extremos. Esse é o resumo de mais uma expedição com o Mural de Aventuras! Ass. GUGA Freitas.
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