Quatro horas da manhã e o despertador toca. Acordo puto
porque isso lá é hora de acordar pra pedalar!? KKKK. Bem que poderiam ter
marcado para 8 horas. Não sabia eu, naquele momento, que mais tarde o madrugar
seria muito bem recompensado.
Encontro marcado um pouco antes das 6 da manhã no ferry boat
com destino a Ilha de Itaparica. Passagens pagas, por sinal, muito caras!!!
Absurdo cobrar quase o valor de uma moto!
Travessia realizada, chuva como o diabo na ilha, damos início
ao pedal a exatos 07:10 da manhã, e assim que saímos de Bom Despacho já paramos
a primeira vez por conta do novo Muralista Volvo, vulgo Wolf, que precisou
parar para comprar água. Este amadorismo juntamente com a condição da bike
preocupou a turma. Importante destacar, entretanto, que o novo Muralista
surpreendeu toda a turma, pois completou todo o percurso sem dar qualquer
trabalho, e em uma bike barraforte que mal dá para ir na padaria comprar pão.
Superado este primeiro susto, lá vamos nós adentrar a
trilha, após aviso do Magnânimo Coordenador Elson de que se tratava de uma
trilha nova (perdidão), que não se tinha ideia alguma do que havia por lá, e
principalmente não se tinha ideia do percurso a ser seguido.
Começamos a trilha por um estradão, tudo muito light e
aproveitamos para tirar fotos. O coordenador mais parece um paparazzi do que um
ciclista, e toda hora aproveita as paradas e broca na frente para fazer as
fotos.
Ainda no estradão, enfrentamos o primeiro desafio. A bike do
Muralista Hugo tem o pneu furado e o Magnânimo Coordenador da Turma se presta a
dar um socorro e, ao menos naquele momento, corrige o problema.
Minutos depois adentramos a mata fechada e tem início a
brincadeira de verdade. Por se tratar de um local quase inexplorado, somos
surpreendidos com belas paisagens na mata. Por conta da chuva, lama não faltava
e a emoção era dobrada por conta das raízes escorregadias e de trechos muitos
técnicos, que nos propiciou momentos ímpares, em que diga-se de passagem, foi
uma aula para os novatos, inclusive Eu.
Pausa para uma água e para a resenha, eis que surge a
primeira confissão do dia. O astro do Mural e agora também coordenador, Tacalhepau,
confessa..., admite..., revela que conseguiu encontrar uma pretendente em uma
parada gay, e segundo afirmação do mesmo se tratava de uma mulher! Local
inusitado para este tipo de encontro, Dr. Fred Psico logo oferece ajuda para
mais alguém do grupo que queira se revelar, garantindo que duas sessões são
suficientes para o descobrimento íntimo.
Risadas a parte, seguimos mata adentro, esta parte sim, a
mais aventureira do passeio. Seguimos pelos trechos mais técnicos, mais
cansativos, muitas vezes empurrando as bikes, outras vezes adentrando a mata
virgem para desviar de árvores caídas na nossa pequena trilha. Infelizmente
somos forçados a parar mais uma vez para dar suporte ao Muralista Hugo, esse
foi o que mais deu trabalho, pois o pneu tubeless não aguentou o tranco. Mais
uma vez o Magnânimo Coordenador tira de sua mochila todo o maquinário para
conserto da bike. A Mochila do coordenador tem uma bike inteira desmontada,
inclusive um quadro tamanho 19, equipamento para alinhamento de roda..., todo
itens pequenos e fáceis de carregar. Apenas o controle do Drone é que o astro
Tacalhepau fica encarregado de cuidar.
Câmara de ar colocada na bike, seguimos nosso passeio mata
adentro e chegamos em um sítio onde fomos recebidos por um cachorro valente,
que o Muralista Rei prontamente tratou de fazer amizade. Amizade feita com o
dito animal, lá vem o dono da área com uma espingarda pendurada nas costas
perguntando para onde íamos. Mas naquele momento já não oferecíamos risco, pelo
contrário a amizade com o cão já havia se estreitado a tal ponto que o seu dono
abriu a guarda e ficamos um tempinho batendo papo e pegando dicas de onde ir.
Na saída um aviso de cuidado com a ladeira que se seguia logo a frente. Pensei
comigo... “deve ser uma puta de uma
ladeira, e com essa lama vai ser adrenalina...” Ledo engano, a ladeira não
deveria nem ser considerada ladeira.
Ladeira vencida e eis que chegamos a um maravilhoso local
aberto, em que o Magnânimo Coordenador nos avisa que vai estrear o drone. Todos
se arrumem, penteiem os cabelos, porque lá vem as filmagens adverte Elson, para
logo em seguida ordenar que todos voltem para a mata para que o drone possa
capturar a imagem da chegada dos ciclistas. Depois de vários minutos e alguns segundos
de filmagem, entre corta, faz de novo que não ficou bom, prepara que o drone
vai fazer a filmagem em círculo; Ah..., e ele faz isso sozinho! Que drone
inteligente da “miséra”!; seguimos nosso caminho em direção a 3ª igreja mais
antiga do Brasil.
Ao épico som de “Bora Mural!!!”, lá vamos nós, mata adentro
mais uma vez. Até aquele momento já tínhamos umas 3 horas de pedal e tão
somente 15 km percorridos, isso devido a dificuldade do trajeto. Desta vez,
saímos em um estradão e passamos por caminhos de terra que provavelmente eram
percorridos constantemente por habitantes locais.