Amanheceu na Ilha Amantaní! Apesar da possível agonia em
saber que iria dormir sem tomar banho e cheirando a fumaça, o cansaço foi tão
grande que incrivelmente foi uma das minhas melhores noites na expedição, não
acordei em nenhum momento com frio ou falta de ar...
A programação era tomar café e partir rumo à ilha Taquile. A
primeira refeição do dia foi: “PANNNQUECAAAA” com goiabada e café solúvel ou chá
de coca com muña. Panqueca está escrita assim, pois era desse jeito que o guia
falava de forma engraçada e até tenebrosa, rsrsrs.
O percurso até Ilha Taquile durou aproximadamente uma hora.
Logo percebi que iríamos subir novamente muitas ladeiras (a 4.000 metros de
altitude) e que a caminhada também não seria fácil, mas a minha expectativa era
grande, havia lido alguns relatos sobre a ilha, seu povo e costumes bastante exóticos.
Localizada a 45 quilômetros de Puno, no Peru, Taquile é casa
para cerca de duas mil pessoas. Povo que tem regras próprias, um código de
vestimenta interessantíssimo e que se acostumou a viver na altitude. Apesar de
pequena, a ilha tem uma praça central, um mercadinho e está dividida em seis
distritos. É possível saber parte da história de vida de cada morador de acordo
com o tipo de gorro (chulia) que usa. As vermelhas simbolizam que aquele que a
veste é casado; as brancas são usadas por solteiros; e as coloridas, em teoria,
adornam somente cabeças que já foram ou são autoridades políticas na região.
Além disso, a posição da chulia na cabeça indica se aquele homem solteiro está à
procura de uma parceira.
As chulias são feitas pelos homens, que aprendem a arte a
partir dos oito anos. As mulheres produzem outras peças de roupa e todos
dividem funções, como cozinhar, colher batatas ou plantar. A tecelagem de
Taquile é uma das mais valorizadas do Peru e foi declarada Patrimônio Cultural
Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2008. Por conta do turismo, a produção
de peças de roupas aumentou e passou a fazer parte da economia da ilha. A
língua local é o quéchua, falado nos Andes desde antes dos incas e que foi adotado
como idioma oficial do império. Totalmente isolada do restante do país até a
década de 50, época em que achar alguém que falasse espanhol por ali era tarefa
complicada, a ilha se integrou ao país nos últimos anos, mas segue com seus
valores.
Fizemos uma caminhada de aproximadamente 30 minutos até a
Praça Central no alto, durante a caminhada é interessante notar a vida simples
de seus habitantes, Taquile não tem ruas, carros, bicicletas ou mulas, tudo e
todos transitam por caminhos de pedras que possuem dezenas de arcos de pedra.
Realmente é vivenciar uma outra realidade, totalmente diferente do que estamos
acostumados, uma experiência única!!!
No caminho de volta, tivemos uma grata surpresa! Paramos em
uma casa de moradores típicos, local onde seria o nosso almoço. Enquanto aguardávamos
a comida, vimos apresentações de dança e de alguns trabalhos manuais feitos
pela comunidade local. Kadjon chegou até a dançar!!! O almoço foi simples, mas
muito saboroso, com a linda imagem do Titicaca ao fundo, tomamos cerveja e comi
a melhor TRUUUCHAAA (forma que o guia falava, KKKK) da expedição!!!
No retorno ao barco uma ideia não me saia da cabeça, já estávamos
a vários dias percorrendo e conhecendo tudo sobre o mais alto lago navegável do
mundo, mas faltava uma coisa... Apesar do vento frio o sol estava bonito, fui
tomado por uma vontade enorme de dar um mergulho no Titicaca, para mim a expedição
somente seria completa dessa forma, sendo assim, me lancei nas águas geladas do
grande lago e tive sensação incrível de dever cumprido, é como se todo
sofrimento da expedição tivesse valido a pena... Fiquei plenamente realizado e
muito feliz!!! Os outros expedicionários não tiveram coragem, mas que sabe em
outra oportunidade... rsrsrsrs. O retorno a Puno foi tranquilo, mas demorado.
Quase 3 horas navegando pelo Titicaca.