Acordamos no hotel alternativo Ciudad
del Lago por conta da lotação do hotel Plaza Mayor... a cama não era ruim mas o
café da manhã foi um desastre!!! Não tivemos tempo de reclamar muito, afinal
tínhamos um longo dia pela frente mas antes de partir para o pedal levamos
nossas “tralhas” de volta para o hotel Plaza Mayor, pois voltaríamos a
pernoitar nele na noite seguinte. Como acontece em muitas expedições, alguém
tinha que “arregar”... e neste dia foram dois: Renato (GDI) e Mário (GDT). Os
gordinhos estavam acabados... insistimos para irem mas não teve jeito. Odi
pensou em não ir também, mas com nosso incentivo não desistiu, e fez bem, pois
este dia foi surpreendente!
Com as duas novas baixas éramos
apenas cinco. Como Puno está às margens do Titicaca iniciamos o pedal subindo
muito para chegar ao topo da cordilheira e seguir viagem até o cemitério Inca
Sillustani. O chefe havia mapeado um caminho alternativo mais calmo, sem
veículos, porém mais difícil, em estrada de terra... Exatamente como a gente
gosta. A temperatura oscilava e foi um tira e bota de roupa constante. Os 30 km
da ida não terminavam nunca até que entramos à direita e a diversão aumentou...
Seguimos num single track com paisagens incríveis e diferentes, só vistas em
expedições. Foram muitas fotos e filmes com este visual inspirador. Quando se
aproximava nosso destino olhamos para trás e uma gigantesca nuvem preta indicando
chuva nos acompanhava... Neste ponto já podíamos ver o lago Umayo e nossa única
opção foi acelerar naquela estradinha estreita com muita pedra solta e uma
descida alucinante e muito rápida no final para coroar a primeira parte do dia.
Chegando à portaria, surpresa!!! Tinha que pagar para entrar. Pensamos em ir
direto para o topo do morro visitar as atrações arqueológicas, mas lembra
daquela chuva?? Chegou, e chegou chegando. Como já passava do meio dia
aproveitamos para almoçar, e que almoço... Simplesmente a melhor comida
custo-benefício de toda a expedição!!! Um belo fettuccine salteado com carne e
legumes com limonada para acompanhar.
Passada a chuva, finalmente
subimos para conhecer o cemitério Inca e pode ter certeza, valeu a pena!!! São
incríveis as estruturas remanescentes, ainda mais imagina-las sendo construídas
por uma civilização no século 15. Grandes cilindros cônicos de doze metros de
altura chamados “chullpas”, onde eram enterradas famílias inteiras com suas
riquezas. Algumas delas foram explodidas por ladrões para roubar ouro e joias
enquanto outras não chegaram a ser finalizadas. Estruturas similares são
encontradas em outras regiões, mas estas são consideras os exemplares mais bem
conservados dos altiplanos. Empolgados, subimos em algumas pedras para fazer as
clássicas fotos do Mural até que o segurança com muita delicadeza (#sqn) mandou
a gente descer e obrigou Elson a apagar as fotos do celular... para nossa sorte
ele não se ligou que Elson ficou com as fotos tiradas na máquina fotográfica. (Acho
que ele não lembra mais que existe isso!!!) A foto ficou top e foi no mesmo dia
para as redes sociais.
Decidimos retornar pela estrada
tradicional para não chegarmos à noite em Puno. Logo na saída haviam algumas
residências em forma de pequenas vilas com lhamas amarradas em frente na
intenção dos turistas pararem para fotos e assim poderem oferecer o artesanato.
Batizamos de “o golpe da lhama!!!” Kkkkkk... e foi numa dessas pequenas vilas que
tivemos um momento emocionante quando um menininho e uma menininha veio nos
recepcionar. Ele adorou tirar fotos com cada um de nós e para retribuir eu e
outros presenteamos ambos com tudo que tínhamos nas mochilas: banana passa,
barras de cereal, frutas cristalizadas... A reação deles foi incrível, um sorriso
enorme e muita satisfação. Com certeza foi melhor do que dinheiro. Seguimos
então. A estrada reta e plena estava uma monotonia, até que ao parar para tirar
água do joelho já era possível avistar a próxima estrada ao longe... Então
sugeri pegarmos uma estrada de chão em diagonal que começava exatamente ali para
cortarmos caminho... É claro que todo mundo concordou e a brincadeira ficou
divertida novamente!!! Economizamos uns 5 km e saímos já na autoestrada sentido
Puno. Mantivemos uma velocidade constante para ficarmos todos juntos. Pensávamos
que não haveria mais subida... Engano total. Subimos, e subimos muito até
chegar ao mesmo ponto do início do dia. Ai sim era só descer para finalizar a
expedição.
Chegando ao hotel, Renato (GDI) disse
que pensou em ir atrás de nós, pois logo depois que saímos, ele já estava
disposto. Mas a preguiça falou mais alto e voltou para a cama. Foi bom, pois
ele providenciou nosso “transfer” de volta à La Paz em um horário mais
confortável do que aquele que havíamos comprado lá atrás desde o primeiro dia.
Sendo assim pudemos aproveitar o final deste dia nas lojinhas de artesanato e
nos restaurantes. Fomos dormir confortavelmente nas camas do melhor hotel de
toda a expedição, mas ainda sem a sensação do dever comprido... o caminho era
longo para voltar para casa...
No dia seguinte, após um ótimo
café da manhã, fotos com os funcionários do hotel e a despedida do mesmo, a
tensão começou na arrumação das sete bikes dentro de uma van para apenas dez
pessoas. Deu trabalho, mas conseguimos. Se Herrera ainda estivesse participando
talvez não coubesse!!! Voltamos boa parte da viagem pela mesma estrada que chegamos.
E ao passar por cada trecho lembrávamos das resenhas. Foi interessante!!! Na
fronteira, novos desafios, uma fila gigantesca na migração de entrada da
Bolívia e a troca de van. Como tudo na Bolívia era pior, a van também era bem
mais velha e Renato sofreu com o assento quase quebrando!!! Sacanagem. Guga,
que é bem mais leve, não quis trocar de lugar com o rapaz... mas chegamos sãos
e salvos ao hotel Sagarnaga em La Paz, onde tudo começou. Hora de desmontar as
bikes, arrumar as mala e pegar o voo de volta para o Brasil no dia seguinte.
Embarcamos tranquilamente em La
Paz com destino a Santa Cruz de La Sierra. Desta, pegaríamos o voo sentido Guarulhos,
mas este atrasou quatro horas, e acabamos perdendo o voo de conexão para
Salvador. Apenas Elson e Guga embarcaram e nos deixaram para trás!!! Deixe
estar!!! O jeito foi esperar... pelo menos já estávamos no Brasil. A minha
angustia era ainda maior porque minha filhinha estava dodói em casa.
Esta foi a expedição mais longa de todas e a
saudade foi proporcionalmente tão grande quanto. Aprendemos a dar valor às
pequenas coisas, inclusive da nossa rotina e mais ainda das pessoas que amamos.
São experiências inesquecíveis que levamos o que aprendemos para o nosso
cotidiano. Obrigado Mural!!! Até a próxima expedição. Abraço, Rei.
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Um comentário:
Eita expedição que deixou saudades!!! Foi um banho cultural...
O Mural de Aventuras de parabéns como sempre!!!
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